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domingo, 29 de junho de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Carl Sagan, Stephen Hawking e Arthur C. Clarke conversam sobre "Deus, o Universo e tudo o resto"

Um programa de televisão em 1988 conseguiu juntar três das maiores mentes científicas do planeta no final do século XX: Stephen Hawking (físico teórico e cosmologista), Carl Sagan (astrónomo, astrofísico e cosmologista) e o romancista Arthur C. Clarke.

Os três conversam sobre a grande teoria unificadora, o big bang, o conceito de tempo, buracos negros, vida extraterrestre, Marte e até a existência de Deus.

O programa tem o título sugestivo de "Deus, o Universo e tudo o resto". Vale a pena rever. Um momento único.

 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Reedição do último livro de Carl Sagan

O astrónomo norte-americano Carl Sagan, exímio e elegante divulgador de ciência para todos, lutou fulgurantemente contra a superstição e os fundamentalismos que infestam o mundo do conhecimento e que constituem obstáculos a uma consciência mais livre e esclarecida.

O seu exemplo, inscrito na sua obra literária, que entre nós foi publicada pela editora Gradiva, é inspirador para o melhor que há em nós. Ao ler Carl Sagan somos despertados pela sua inteligência e convidados à aventura que tem como destino o conhecimento.

Vem isto a propósito da reedição do último livro que Carl Sagan escreveu, com o título “Biliões e Biliões – pensamentos sobre a vida e a morte no limiar do milénio” ("Billions and Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium").

Editado pela 1ª vez em Portugal em 1998, na colecção “Ciência Aberta”, da Gradiva, foi recentemente publicada nova edição, agora com o número 10 da colecção que esta editora dedica às “Obras de Carl Sagan”, que se saúda.

Ao longo de 288 páginas, Carl Sagan examina, com a sua inconfundível escrita fluida e elegante, clara e concisa, sonhadora e rigorosa, questões pertinentes sobre a vida, sobre a nossa relação ecológica com o planeta em que vivemos, sobre as questões por resolver do universo em que existimos. Apesar de ter sido escrito há mais de 15 anos, na fronteira do novo milénio, a leitura deste livro encontra eco em problemas actuais e, também por isso, merece mais do que um olhar distraído.

Carl Sagan (Foto: NASA)
O modo como Sagan problematiza as questões a que tenta responder conduz-nos a um pensamento científico que nos liberta das superstições, que nos permite debater ideias contrárias sobre a vida, a morte, a espiritualidade humana, com a liberdade democrática que advém do respeito pela individualidade. Sagan acabou de escrever este livro já muito fragilizado pela doença que o vitimou. E este confronto com a morte transparece na sua escrita, com uma coexistência pacífica entre a ciência e uma compaixão pela vida entendida no seu sentido mais sublime.

Um rio de curiosidade cósmica transporta-nos ao longo desta derradeira obra numa reflexão sobre os desafios do presente e dos próximos séculos. “Biliões e Biliões” é um excelente ponto de partida para uma abordagem crítica de problemas como o aquecimento global, a convivência entre religião e ciência, o aborto, a morte e a vida, a reflexão sobre o nosso lugar no imenso mar cósmico.

António Piedade 
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Dados enviados por sondas Voyager 1 e 2 transformados em melodia cósmica

Fonte: Projecto GEANT
"Argumentavam os Jónios (na antiguidade clássica) que o Universo pode ser conhecido porque exibe uma ordem interna: há constantes na Natureza que permitem desvendar os seus segredos. A Natureza não é completamente imprevisível; há regras a que até ela tem de obedecer. A este carácter ordenado e admirável do universo chamou-se Cosmos". 

Este é um excerto do livro “Cosmos”, de Carl Sagan. De salientar esta regularidade harmoniosa que foi detectada na Natureza e que potenciou a ciência e a matemática mas também a arte. Com dúvida metódica fomos indagando experimentalmente o Universo onde existimos. E pela ciência obtivemos conhecimentos espantosos, e úteis, sobre como funciona o mundo onde existimos.

Quando tivemos ciência e tecnologias suficientes, enviamos naves para o espaço numa demanda exploratória do Sistema Solar. Quais repórteres cósmicos, sondas como as Voyager (http://voyager.jpl.nasa.gov/) 1 e 2 (da NASA), lançadas em 1977, têm enviado nos últimos 37 anos milhões de dados sobre o Universo.

Equipadas com os instrumentos de análise mais avançados à época do seu lançamento, permitiram um conhecimento mais profundo sobre a Natureza e constituição de Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, e as suas luas. E ainda hoje, muito depois de terem terminado as respectivas tarefas científicas, continuam a explorar o Universo e a informar-nos sobre o que encontram.

A uma distância de mais de 100 vezes a distância da Terra ao Sol (a Voyager 1, a mais 125 vezes esta distância, até já saiu do nosso Sistema Solar e navega em direcção às estrelas) as duas sondas continuam a enviar dados novos todas as semanas.

Este mar de informação inspirou o físico Domenico Vicinanza, também com formação em música, a tratar os dados enviados pelas sondas através de uma técnica conhecida por “sonificação” de dados (resultante do 'Projecto Géant' - http://www.geant.net/Pages/default.aspx -, uma rede de dados europeia de alta velocidade, que liga 50 milhões de utilizadores de mais de 10 mil instituições de investigação e ensino em 40 países). Consiste a técnica em transformar grande quantidade de dados, de uma proveniência específica, em som audível, e é cada vez mais utilizada para descobrir padrões e regularidades que, de outra forma, não seriam facilmente detectáveis. Permite encontrar a agulha no palheiro, encontrar ordem onde antes só havia o caos aparente.

No caso que aqui nos interessa (http://www.geant.net/MediaCentreEvents/news/Pages/The-sound-of-space-discovery.aspx), Vicinanza começou por seleccionar 320 mil dados enviados nos últimos 36 anos por cada uma das duas sondas Voyager. Esses dados correspondem a medições da contagem de protões realizadas, de hora a hora, pelos detectores de raios cósmicos de cada sonda. Os dados de cada uma das Voyager sobre o ambiente cósmico foram, a seguir, transformados em duas melodias.

Por fim, o cientista músico atribuiu à melodia vinda de cada sonda uma textura instrumental distinta: um piano para uma, e cordas para a outra. No final, juntou-as e obteve um dueto que ilustra em cerca de 5 minutos (pode ouvi-la aqui: https://soundcloud.com/geant-sounds/sonification-of-voyager-1) 36 anos de raios cósmicos detectados pelas Voyager em simultâneo. Espantosamente, a peça obtida, qual relato sonoro do espaço sideral, oferece-nos um dueto musical de padrões harmoniosos assim tornados audíveis para usufruto da nossa sensibilidade, numa revelação artística da ordem cósmica do Universo.

António Piedade
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

(Pode ouvir aqui o dueto cósmico criado por Domenico Vicinanza, a partir dos dados enviados pelas sondas Voyager 1 e Voyager 2)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Sondas Voyager têm contas no Twitter

Dois dos objectos feitos pelo Homem e mais distantes da Terra, as sondas da Nasa, Voyager 1 e 2, têm... contas no Twitter, nas quais publicam regularmente mensagens e a sua distância em relação à Terra.

Numa das últimas mensagens do Voyager 2 (13 Abril 2013), esta dizia: "Eu ainda hei-de ainda andar a viajar pelo espaço quando a Terra já não existir e o Sol for apenas uma anã branca fria". Os cientistas da Nasa aproveitam esta conta twitter para despertar nos jovens o gosto pela descoberta do Universo e respondem aos twittonautas sobre questões em astrofísica e astronomia.


Twitter NasaVoyager https://twitter.com/search?q=nasavoyager1&src=typd
Twitter NasaVoyager2 https://twitter.com/NASAVoyager2


Os quatro aparelhos terrestres mais longíquos da Terra

São quatro os aparelhos construídos pelo Homem a caminho do espaco interestelar, i.e., fora da zona de influência da nossa estrela, o Sol (heliosfera). Todas são sondas . Por ordem de lançamento no espaço:

As sondas Pionner


Pioneer 10 e 11
- Pioneer 10, lançado em 2 de Março de 1972, na direcção de Aldebaran, onde deverá chegar daqui a dois milhões de anos. Encontra-se na heliopausa (zona entre a heliosfera e o espaço interestelar), a c. 107 UA (unidades astronómicas) da Terra. Foi o primeiro objecto terrestre a atravessar a cintura de asteróides. Missão inicial: fotografar Jupiter. 
Último contacto com a Terra: em Março de 2002.

-  Pioneer 11 (ou Pioneer G), lançado a 5 de Abril de 1973, na direcção da Constelação do Escudo (Scutum) e Aldebaran. Actualmente, encontra-se na direcção da constelação da Águia, a c. de 86 UA da Terra. Dentro de 14 mil anos sairá da Nuvem de Oort e daqui a 4 milhões de anos passará próximo da estrela Lambda, na constelação da Águia. Missão inicial: fotografar Júpiter e Saturno. Foi a primeira sonda terrestre a atingir Saturno. Leva igualmente a bordo uma placa com uma mensagem semelhante à de Pionneer 10.
A placa que as sondas Pioneer transportam
Último contacto com a Terra: em Novembro de 1995.

Message in a bottle - As sondas Pioneer são sobretudo famosas por transportar a bordo uma placa em ouro-alumínio na qual estão gravadas representações de um homem e de uma mulher (nus), do nosso sistema solar e do atómo de hidrogénio. Concebida por Carl Sagan e Frank Drake, a placa explica a origem da sonda a qualquer eventual inteligência alienígena com a qual possa cruzar-se na sua viagem.



As sondas Voyager


O périplo das sondas Voyager
- Voyager 2, lançado a 20 de Agosto de 1977, deve chegar a Aldebaran dentro de 2 milhões de anos. Precisa 19,3 anos para viajar 1 ano-luz. Está a sair da heliosfera, encontra-se a c. de 100 UA da Terra. Missão inicial: estudar a cintura de Kuiper, os limites do sistema solar e o espaço interestelar.
Continua em contacto com a Terra e a transmitir dados.

- Voyager 1, lançado a 5 Setembro de 1977, encontra-se na heliopausa, a 122 UA da Terra. Foi o último a ser lançado, mas é hoje o objecto feito pelo Homem mais longínquo da Terra. Daqui a 40 mil anos passará a 1,4 ano-luz de Gliese 445. Entra este ano ou no próximo no espaço interestelar. Precisa de 19,3 anos para viajar 1 ano-luz.
Continua em contacto com a Terra e a transmitir dados.

Sons da Terra - Cada um dos Voyager transporta um disco audiovisual em ouro-alumínio com uma mensagem destinada a eventuais extraterrestres que se cruzem com as sondas. A mensagem é diferente da que as sondas Pioneer transportam: o disco foi gravado com fotografias das formas de vida que habitam a Terra, contem informações científicas, saudações do presidente dos EUA e do secretário-geral da ONU, e de crianças da Terra, em inúmeras línguas e idiomas. Uma das crianças é o filho de Carl Sagan, o astrónomo que concebeu este disco. Inclui ainda uma mistura intitulada "Sounds of Earth" (Sons da Terra) com 1h30 de cantos das baleias, um bebé a chorar, ondas a bater na costa e vários géneros de música.
O disco dourado das sondas Voyager
As sondas Voyager

Fontes e imagens: Nasa, http://gizmodo.com http://solarsystemwiki.org/