Mostrar mensagens com a etiqueta Nuvem de Magalhães. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nuvem de Magalhães. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rádiotelescópio ALMA descobre fábrica de poeira na supernova observada em 1987

Foto: ESO
Novas observações obtidas pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) mostram pela primeira vez os restos de uma supernova recente a transbordar de poeira recentemente formada. Se uma quantidade suficiente desta poeira conseguir percorrer o difícil trajeto até ao espaço interestelar, poderemos ter a explicação de como muitas galáxias adquiriram uma aparência fusca e poeirenta. As galáxias podem ser locais bastante poeirentos [*1].

Pensa-se que as supernovas são a principal fonte dessa poeira, particularmente no Universo primordial. No entanto, evidências directas da capacidade das supernovas em formar poeira têm sido difíceis de observar, não tendo sido possível até agora explicar a enorme quantidade de poeira detectada nas galáxias jovens distantes. Observações obtidas com o ALMA começam, no entanto, a mudar este facto.

“Descobrimos uma quantidade notável de poeira concentrada na região central do material ejectado por uma supernova relativamente jovem e próxima, “disse Remy Indebetouw, astrónomo no Observatório Nacional de Rádio astronomia (NRAO, National Radio Astronomy Observatory) e da Universidade de Virgínia, ambos em Charlottesville, EUA.

“Esta é a primeira vez que conseguimos efectivamente obter uma imagem do local onde a poeira se forma, o que é um passo importante na compreensão da evolução das galáxias.”

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o ALMA para observar os restos brilhantes da Supernova 1987A [*2], situada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que orbita a Via Láctea a uma distância de cerca de 160 mil anos-luz da Terra.

Observações da supernova avistada em 1987

A SN 1987A é a explosão de supernova mais próxima jamais observada, depois da observação de Johannes Kepler de uma supernova que explodiu no interior da Via Láctea em 1604.

Os astrónomos previram que, à medida que o gás arrefece depois da explosão, enormes quantidades de poeira formar-se-iam sob a forma de átomos de oxigénio, carbono e silício, ligados entre si nas regiões centrais frias do resto de supernova. No entanto, observações anteriores da SN 1987A obtidas com telescópios infravermelhos durante os primeiros 500 dias depois da explosão, revelaram apenas uma pequena quantidade de poeira quente.

Com a resolução e sensibilidade sem precedentes do ALMA, a equipa de investigação conseguiu obter imagens da muito mais abundante poeira fria, que brilha intensamente na radiação milimétrica e submilimétrica. Os astrónomos estimam que o resto de supernova contém agora cerca de 25% da massa do Sol em poeira recentemente formada. A equipa descobriu também que se formaram quantidades significativas de monóxido de carbono e de monóxido de silício. “A SN 1987A é um lugar especial porque, uma vez que não se misturou com o meio circundante, o que lá se encontra é efectivamente o que se formou no local,” disse Indebetouw.

“Os novos resultados ALMA, que são os primeiros deste tipo, revelam um resto de supernova a transbordar de material que simplesmente não existia há algumas décadas atrás.” As supernovas podem, no entanto, tanto criar como destruir os grãos de poeira. À medida que a onda de choque da explosão inicial se propaga no espaço, produz anéis de matéria resplandecentes, já observados anteriormente com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.

Ao atingir este envelope de gás, deixado pela estrela gigante vermelha no final da sua vida, uma parte desta enorme explosão ricocheteia de volta em direção ao centro do resto de supernova.

“A determinada altura, esta onda de choque que vem de volta colidirá com os amontoados de poeira recentemente formada, “ disse Indebetouw.

“É provável que alguma desta poeira seja destruída nessa altura. É difícil prever a quantidade que será destruída - talvez apenas um pouco, mas possivelmente cerca de metade ou mesmo dois terços.” Se uma fração razoável sobreviver e chegar ao espaço interestelar, poderá explicar a enorme quantidade de poeira que os astrónomos detectam no Universo primordial.

“As galáxias muito primordiais são incrivelmente poeirentas e esta poeira desempenha um papel importante na evolução das galáxias, “disse Mikako Matsuura da University College London, RU. “Hoje sabemos que a poeira pode ser criada de várias maneiras, mas no Universo primordial a maior parte deve ter tido origem nas supernovas. E agora temos finalmente uma evidência direta que apoia esta teoria.”

1* A poeira cósmica consiste em grãos de silicatos e grafite - minerais abundantes na Terra. A cinza do pavio de uma vela é muito semelhante à poeira de grafite cósmica, embora o tamanho dos grãos na cinza seja dez ou mais vezes maior que o tamanho típico dos grãos de grafite cósmica. 

 2** A radiação desta supernova chegou à Terra em 1987, facto que se reflecte no seu nome.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Galáxia mais próxima é a Nuvem de Magalhães e situa-se a 136 mil anos-luz da Via Láctea

Astrónomos conseguiram determinar com uma exactidão sem precedentes que a galáxia mais próxima, a Grande Nuvem de Magalhães, está a 136 mil anos-luz, anunciou recentemente o Observatório Europeu do Sul (ESO, em inglês), que opera no Observatório La Silla, no norte do Chile, de onde foram feitas as medições.

"Estou muito emocionado porque os astrónomos estão já a tentar há um século medir com precisão a distância até à Grande Nuvem de Magalhães", disse Wolfgang Gieren, um dos cientistas que lidera a equipa.

"Resolvemos esta questão com um resultado demonstrável e com uma precisão de 2%", disse Gieren, astrónomo da Universidade de Concepción, situada no sul do Chile.

Além dos telescópios instalados em La Silla, os astrónomos utilizaram instrumentos de observação espalhados pelo mundo inteiro.

Os astrónomos obtiveram a distância que a Grande Nuvem de Magalhães dista da nossa galáxia, a Via Láctea, observando um estranho par de estrelas próximas, conhecidas como "as binárias eclipsantes", mediante acompanhamento do brilho e das suas velocidades orbitais, o que permite obter distâncias precisas, informou o ESO.

Gieren informou que a descoberta é um passo em frente crucial para entender a natureza da misteriosa energia escura que faz com que a expansão entre a Via Láctea e a Grande Nuvem de Magalhães esteja a acelerar.

Esta descoberta foi conseguida graças a instrumentos como o HARPS, utilizado para obter velocidades extremamente precisas de estrelas relativamente frágeis, e o SOFI, que serve para se conseguir as medidas precisas da intensidade do brilho destas estrelas. O equipamento pertence ao Observatório La Silla, instalado a 2.400 metros de altitude no deserto do Atacama, 1.400 km ao norte de Santiago do Chile, e que integra 18 telescópios.

O ESO é a principal organização astronómica intergovernamental europeia e o observatório astronómico mais produtivo do mundo. Quinze países apoiam esta instituição: Brasil, Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Reino Unido, República Checa, Suécia, Suíça e Portugal.