Mostrar mensagens com a etiqueta Super-Terras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Super-Terras. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de agosto de 2015

Descoberto exoplaneta rochoso a 21 anos-luz da Terra, HD219134b

Exoplaneta HD219134b Foto: Nasa
Os astrónomos da missão Spitzer (telescópio Spitzer) descobriram na quinta-feira um exoplaneta parecido com a Terra a apenas a 21 anos-luz de distancia de nós, o exoplaneta HD219134b.

O exoplaneta foi descoberto em órbita da estrela HD 219134, uma anã vermelha-alaranjada bastante brilhante, que os cientistas já conheciam e que pode ser vista a olho nu da Terra.

O exoplaneta HD219134b.  que se situa visto da Terra na constelação de Cassiopeia, tem uma órbita mais pequena (3 dias) do que as suas tres companheiras. O planeta é 1,6 vezes maior do que a Terra, com uma massa 4,5 vezes maior. A temperatura na superficie é calculada em 427 graus Celsius. Os astrónomos pensam por isso que o planeta está a atravessar uma intensa actividade vulcanica, com rocha em fusão e ou formacao. Dadas estas caracteristicas, e apesar de se situar na zona habitavel da sua estrela, este planeta nao deve conter água nem vida. Pelo menos, vida como a conhecemos.

Já foram descobertos outras super-Terras e exoplanetas rochosos, mas este passou a ser a partir desta semana o que está mais proximo da Terra, e pode por isso tornar-se alvo de estudo dos cientistas

O sistema planetario tem mais duas super-Terras e um planeta gigante. Uma das super-Terras pesa 2,7 vezes mais que a Terra e orbita a sua estrela em 6,8 dias. A outra é 8,7 vezes mais pesada que o nosso planeta, com uma orbita de 47 dias. O planeta gigante pesa 64 vezes mais que a Terra e tem uma orbita de tres anos em torno da sua estrela.

As super-Terras tem mais massa que o nosso planeta, mas são mais leves que gasosos como Neptuno, Saturno ou Jupiter, ou seja, podem ser constituidos por gás, rocha ou ambos.


A estrela HD 219134, também chamada HR 8832) (no círculo) situa-se junto ao "W" da constelação de Cassiopeia Foto: Nasa

sábado, 20 de dezembro de 2014

Missão Kepler renasce e descobre uma nova "super Terra"

Imagem artística da super terra HIP 116454 b - Crédito Harvard-Smithsonian CfA 

Depois de ter terminado a sua missão principal, devido a uma avaria em Maio de 2013, a missão espacial Kepler (NASA) ganha agora uma nova vida. A extensão da missão, denominada K2, acabou de provar a sua importância ao detetar o planeta HIP 116454 b, com cerca de 2,5 vezes o tamanho da Terra, através do método dos trânsitos. Os resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Para garantir a fiabilidade dos dados da K2, outros instrumentos foram usados para repetir a deteção. O satélite canadiano MOST confirmou o trânsito observado pelo Kepler, enquanto o espectrógrafo HARPS-N (Telescopio Nazionale Galileo, Ilhas Canárias), com o método das velocidades radiais, confirmou a natureza planetária do HIP 116454 b, revelando ainda que a sua massa é quase 12 vezes superior à da Terra, o que o coloca na categoria das “super-terras”.

“Este é um importante resultado pois mostra que o satélite Kepler, através da missão K2, continua a poder fazer ciência do mais alto nível. É também mais um planeta rochoso a juntar-se à lista, mas bem maior e mais massivo que a Terra”, considera Pedro Figueira, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Universidade do Porto.

A missão principal do Kepler exigia a medição muito precisa das variações do brilho das estrelas observadas. Para alcançar este tipo de precisão, o satélite tinha de se manter perfeitamente apontado para as estrelas a observar. No entanto, essa precisão deixou de ser possível em maio do ano passado, quando a segunda das quatro "reaction wheels" avariou.

A missão estendida K2 só foi possível graças à criatividade da equipa. Esta implica que o satélite seja apontado ao longo da linha da eclíptica (a projecção do plano do Sistema Solar no nosso céu), usando a pressão de radiação da nossa estrela para compensar uma das "reaction wheels". Apesar de a precisão ser menor do que antes, é ainda possível caracterizar estrelas brilhantes próximas, e detectar planetas na gama das “Super-Terras”, que não existem no nosso Sistema Solar. 

A estrela HIP 116454 encontra-se a 180 anos-luz de distância, na direcção da constelação Peixes. Com 0,77 vezes o diâmetro do Sol e cerca de 5.400º C à superfície, esta estrela anã laranja é ligeiramente mais pequena e menos quente que o nosso Sol.

O planeta demora apenas 9,1 dias a orbitar a sua estrela, a uma distância de menos de 14 milhões de quilómetros, ou seja, 4,25 vezes mais perto que Mercúrio está do Sol.

Ricardo Cardoso Reis (IA)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Observada luz exozodiacal de 92 estrelas próximas originada por poeira quente perto das suas zonas habitáveis

Impressão artística de luz exozodiacal brilhante
Com o auxílio do Interferómetro do Very Large Telescope, uma equipa internacional de astrónomos detectou luz exozodiacal perto das zonas habitáveis de nove estrelas próximas. Esta luz trata-se da radiação estelar reflectida por poeira criada a partir de colisões entre asteróides e evaporação de cometas.

A presença de tais quantidades de poeira nas regiões internas em torno de algumas estrelas poderá ser um obstáculo à obtenção de imagens diretas de planetas do tipo terrestre. Com o auxílio do Interferómetro do Very LargeTelescope (VLTI) a operar no infravermelho próximo, uma equipa de astrónomos observou 92 estrelas próximas para investigar a luz exozodiacal originada por poeira quente perto das suas zonas habitáveis e combinou estes novos dados com observações anteriores.

Descobriu-se esta radiação brilhante - criada por grãos de poeira exozodiacal quente resplandecente ou pela reflexão da radiação estelar nestes grãos - em torno de nove das estrelas observadas. A luz zodiacal pode ser observada a partir de locais escuros e límpidos na Terra, apresentando-se como uma luz branca difusa e ténue no céu nocturno, logo após o pôr do Sol ou antes do amanhecer. É criada pela luz solar refletida por pequenas partículas e parece estender-se até à vizinhança do Sol.

Esta radiação refletida não é apenas observada a partir da Terra mas pode ser vista de qualquer ponto do Sistema Solar. O brilho que se observou neste novo estudo é uma versão muito mais extrema do mesmo fenómeno.

Apesar desta luz exozodiacal - luz zodiacal em torno de outros sistemas estelares - ter sido já observada, este é o primeiro grande estudo sistemático deste fenómeno noutras estrelas. Contrariamente a observações anteriores, a equipa não observou poeira que dará mais tarde origem a planetas, mas sim poeira criada nas colisões entre pequenos planetas com alguns quilómetros de tamanho - os chamados planetesimais, que são objetos semelhantes a asteróides e cometas do Sistema Solar. É precisamente poeira desta natureza que está igualmente associada à luz zodiacal no Sistema Solar.

“Se queremos estudar a evolução de planetas do tipo terrestre próximo das suas zonas habitáveis, temos que observar a poeira zodiacal nessa região em torno de outras estrelas,” diz Steve Ertel, ESO e Universidade de Grenoble, França, autor principal do artigo científico que descreve os resultados.

Detectar e caracterizar este tipo de poeira em torno de outras estrelas é uma maneira de estudar a arquitectura e evolução de sistemas planetários.

”Para conseguirmos detectar poeira muito ténue próximo da estrela central ofuscante são necessárias observações de alta resolução com alto contraste. A interferometria - que combina a radiação colectada por diferentes telescópios ao mesmo tempo - feita no infravermelho é, até agora, a única técnica que permite que este tipo de sistemas seja descoberto e estudado. Ao utilizar o poder do VLTI, levando os instrumentos até ao seu limite máximo de eficácia e precisão, a equipa conseguiu atingir um nível de desempenho cerca de dez vezes melhor que com outros instrumentos existentes. Para cada uma das estrelas, a equipa utilizou os Telescópios Auxiliares de 1,8 metros para colectar a radiação para o VLTI. Para os objetos que apresentavam luz exozodiacal foi possível resolver por completo os discos extensos de poeira e separar o seu fraco brilho da radiação estelar dominante. 


Ao analisar as propriedades das estrelas rodeadas por um disco de poeira exozodiacal, a equipa descobriu que a maior parte da poeira é detectada em torno de estrelas mais velhas. Este resultado é bastante surpreendente e levanta algumas questões relativas aos sistemas planetários. Qualquer produção de poeira que conhecemos, causada por colisões de planetesimais, deveria diminuir com o tempo, uma vez que o número destes objectos vai reduzindo à medida que estes vão sendo destruídos.
A amostra dos objectos observados inclui também 14 estrelas para as quais houve já detecção de exoplanetas. Todos estes planetas encontram-se na mesma região dos sistemas onde a poeira mostra luz exozodiacal. A presença de luz exozodiacal em sistemas com planetas poderá, por isso, dificultar os estudos astronómicos de exoplanetas.

A emissão da poeira exozodiacal, mesmo a baixos níveis, torna muito mais difícil a detecção de planetas do tipo terrestre a partir de imagens directas. A luz exozodiacal detectada deste rastreio é cerca de um factor 1000 mais brilhante do que a luz zodiacal observada em torno do Sol.

O número de estrelas que contêm luz zodiacal ao nível da do Sistema Solar é provavelmente muito maior do que os números encontrados neste rastreio. Estas observações são assim um primeiro passo em estudos mais detalhados de luz exozodiacal.

“A elevada taxa de deteção encontrada a este nível de brilho sugere que deve haver um número significativo de sistemas que contêm poeira mais ténue que não foi detectada no nosso rastreio, mas que, ainda assim, é mais brilhante que a poeira zodiacal presente no Sistema Solar,” explica Olivier Absil, Universidade de Liège, co-autor do artigo.

“A presença de tal poeira em tantos sistemas poderá por isso tornar-se um obstáculo a observações futuras, que pretendam obter imagens diretas de exoplanetas do tipo terrestre.”

domingo, 25 de maio de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Os exoplanetas semelhantes à Terra

Um documentário recente sobre os exoplanetas semelhantes à Terra, que podem até nem ser tão raros como se pensava no Universo, como sugere um novo estudo. Uma em cada cinco estrelas observadas pela missão Kepler tem planetas na sua zona habitável, onde o aparecimento de água líquida é teoricamente possível. Nesse caso, o exoplaneta mais próximo que pode abrigar vida estará apenas a 12 anos-luz da Terra...


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Portugal em busca de Super Terras com a missão espacial PLATO

Imagem artística do telescópio espacial PLATO, a observar planetas exóticos, num sistema com gigantes gasosos e planetas semelhantes à Terra. Observa também muitas estrelas distantes, com planetas em órbita. Crédito: DLR (Susanne Pieth)
O Comité do Programa Científico (SPC) da ESA aprovou a missão espacial PLATO (PLAnetary Transits and Oscillations of stars, ou trânsitos planetáriose oscilações estelares).

O PLATO, uma das quatro missões propostas em votação, posiciona-se assim para se juntar às duas missões classe M já adotadas, o Euclid (também com participação do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa), e o Solar Orbiter.

Esta missão tem como objetivo descobrir quão comum é a formação de planetas como a Terra, e posteriormente, usar esses dados para descobrir se possuem as condições necessárias para o aparecimento de vida. Vai ainda medir oscilações nas estrelas-mãe destes exoplanetas, com técnicas de asterossismologia.

Para Mário João Monteiro, delegado português no SPC, “a missão PLATO é um dos marcos importantes do programa científico da ESA, que através das suas missões M e L tem contribuído de forma ímpar para o desenvolvimento nas ciências do espaço. É mais um exemplo da capacidade técnica e científica Europeia, que conta com a participação científica e industrial de Portugal.”

O PLATO vai observar e caracterizar, durante vários anos consecutivos e com grande precisão, um grande número de estrelas relativamente próximas. Nestas, irá procurar super-terras e planetas do tipo terreste, que orbitem na zona de habitabilidade de estrelas do tipo solar. Estas observações irão fornecer dados acerca destes planetas, além de tentar perceber a arquitetura dos sistemas planetários onde estes se encontram.

A partir das curvas de luz obtidas pelo PLATO, será também possível determinar as frequências de oscilação de mais de 80 mil estrelas. Com técnicas de asterossismologia, estas frequências serão usadas para inferir os raios, massas e idades das estrelas em causa, elementos que, por sua vez, são essenciais para a caracterização dos sistemas exoplanetários e dos planetas que os compõem.

Margarida Cunha, coordenadora do grupo de trabalho de diagnósticos sísmicos, da componente de ciência estelar do PLATO, comenta: “Para além da caracterização dos sistemas exoplanetários descobertos pelo PLATO, a deteção de oscilações num tão grande número de estrelas vai permitir inferir informação fundamental acerca de processos físicos que têm lugar no interior das mesmas e, consequentemente, melhorar os modelos teóricos de evolução estelar.”

O PLATO pretende ainda construir o primeiro catálogo com as características de exoplanetas confirmados, como raio, densidade, composição, atmosfera e em que estágio da sua evolução está. No total, espera-se que o catálogo contenha características de milhares de exoplanetas (incluindo gémeos da Terra), mas também as massas e idades muito precisas de mais de 85 mil estrelas e 1 milhão de curvas de luz de alta precisão, que ficarão à disposição da comunidade científica.

Este catálogo de planetas potencialmente habitáveis servirá assim de base para futuros estudos, levados a cabo pela próxima geração de instrumentos (como o ESPRESSO) ou de grandes telescópios, como o European Extremely Large Telescope (E-ELT) do ESO, ou o Telescópio Espacial James Webb (NASA/ESA).

Isto porque só com dados simultâneos sobre a massa (obtida através do método das velocidades radiais) e o raio de um planeta, é possível distinguir entre “mini-Neptunos”, planetas com grande quantidade de gás mas pouco densos, ou planetas rochosos com núcleos de Ferro, como a Terra.

O PLATO é ainda um tipo de telescópio inovador, pois é constituído por 34 telescópios individuais, de 12 cm cada, em vez de um telescópio de espelho único. Cada telescópio pode ser usado individualmente, em conjunto com outros, ou todos em simultâneo, o que dá ao PLATO a capacidade sem precedentes de observar simultaneamente objetos brilhantes e ténues.

Alexandre Cabral, coordenador do grupo de trabalho de equipamento de teste ótico no solo acrescenta: “O sistema de testes que estamos a desenvolver, irá permitir testar todas as 34 câmaras (telescópios) de forma muito mais rápida, evitando a necessidade de realizar testes nas condições do espaço (vácuo e temperaturas de -80ºC).”

O objetivo científico desta missão tem ainda em conta as missões que preencherão a lacuna entre o presente e o lançamento do PLATO, como o CHEOPS (CHaracterizing ExOPlanet Satellite, ou satélite de caracterização de exoplanetas), a primeira missão de classe S (pequena) da ESA, cuja construção foi também aprovada nesta reunião do SPC.

Nuno Cardoso Santos, do concelho coordenador do PLATO, e do consórcio do CHEOPS, acrescenta que "As decisões da ESA de avançar com o PLATO e o CHEOPS são mais um reconhecimento da aposta clara da comunidade científica internacional, na procura e estudo de outras terras. A forte participação nacional nestas missões, complementada com outros projetos (tais como o ESPRESSO, do ESO), garante que temos a possibilidade de nos manter na "crista da onda" desta investigação durante muitos mais anos."

O PLATO ficará em órbita em torno do ponto de Lagrange L2, a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, de onde irá transmitir uma média de 109GB de dados por dia. Deste ponto estratégico, pode fazer observações ininterruptas, que não são afetadas pela atmosfera da Terra.

Já o CHEOPS ficará numa órbita baixa (entre 620 e 800 km), de onde observará estrelas brilhantes, à volta das quais já se conhecem planetas, determinando o diâmetro destes com grande precisão.xxx A participação portuguesa no CHEOPS estende-se ainda à indústria, com a DEIMOS Engenheiraa desenvolver os sistemas de Planificação da Missão e de Arquivo e Disseminação de Dados da missão.

“Ambos os sistemas representam o melhor da experiência da DEIMOS no desenvolvimento de sistemas operacionais para satélites de Observação da Terra, mas desta vez aplicadas a uma missão de astronomia”, diz Nuno Ávila, director da DEIMOS.

A missão CHEOPS tem lançamento previsto para 2017, enquanto a missão PLATO tem lançamento previsto até 2024.

Ricardo Cardoso Reis (CAUP-Centro de Astrofísica da Universidade do Porto)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

(Este artigo foi igualmente publicado no site www.contacto.lu)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não uma, mas três Super-Terras giram em torno da estrela Gliese 667C

Astrónomos do ESO, Observatório Europeu do Sul, confirmaram em 25 de Maio, na constelação do Escorpião, que o sistema solar da estrela Gliese 667C tem não uma, mas três Super-Terras (planetas entre uma e dez vezes maiores que o nosso), onde as condições de vida seriam compatíveis com a nossa, i.e., baseadas em água líquida.

Um dos planetas já tinha sido descoberto em 2009, Gliese 667Cc. Os outros dois são Gliese 667 Ce e 667 Ce.

As três Super-Terras têm todas uma massa maior que a da Terra, são planetas rochosos, mas são menores que os planetas gasosos Uranus ou Neptuno.

Os três planetas encontram-se na "zona de habitabilidade" da estrela, uma faixa onde a água pode existir no estado líquido.

A estrela Gliese 667C é uma anã vermelha, tem uma massa que é equivalente a um terço do nosso Sol e pertence a um sistema estelar triplo, bem conhecido pelos investigadores da Terra, pois é um dos mais estudados, pela sua proximidade (a cerca de 22 anos-luz de nós).

Os investigadores pensam que os três planetas têm sempre a mesma face orientada para a sua estrela, ou seja, numa face é dia em permanência, e na outra, noite. Além disso, a duração do dia é assim igual ao do ano

Até agora já foram descobertos em torno desta estrela 5 planetas e mais dois estão por confirmar, mas até agora apenas três teriam condições para receber vida, como a conhecemos.

Ler também, este artigo


Imagem de artista do que veria alguém se vivesse num destes três planetas,
que giram em órbita de uma estrela de um sistema estelar triplo 
Imagem: AFP







sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma Super-Terra a 23 anos-luz de nós


Luxemburgo, 26 de Abril - O planeta mais parecido com o nosso e mais próximo, até agora descoberto, fica "apenas" a 23 anos-luz de distância. Faz parte de um sistema estelar triplo (três estrelas).

Trata-se do planeta Gliese 667 Cc, que é quatro vezes maior que a Terra e, pelas suas características, é considerado "irmão" do nosso.

Durante seis anos, uma equipa de cientistas do Observatório Europeu do Sul-ESO (European Southern Observatory, situado no Chile) sondou graças ao espectógrafo "caçador de planetas" HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) uma amostra de 102 estrelas anãs vermelhas da nossa galáxia e descobriu nove (9) Super-Terras, entre elas Gliese 667Cc.

O HARPS permitiu descobrir que as Super-Terras (planetas entre uma e dez vezes maiores que o nosso) são muito comuns na zona habitável ("zona de vida" ou "goldilock zone") das estrelas mais comuns da nossa galáxia, as anãs vermelhas de fraca luminosidade.

As anãs vermelhas (ou anãs M) constituem cerca de 80 por cento das estrelas da nossa galáxia (c. 160 mil milhões de estrelas) e destas, cerca de 41 por cento têm uma Super-Terra na sua órbita, na zona de vida, isto é, onde pode existir água líquida na superfície do planeta. As anãs vermelhas são mais frias e de mais fraca intensidade que o nosso Sol, que é uma anã amarela (ou anã G).

Xavier Bonfils, da equipa de cientistas do ESO que fez esta descoberta, estima que há dezenas de milhares de planetas deste tipo na Via Láctea e cerca de uma centena só na vizinhança imediata do nosso Sol, ou seja, a menos de 30 anos-luz (como é o caso de Gliese 667Cc).

A equipa descobriu igualmente que planetas gigantes (entre 100 e 1000 vezes maiores que a Terra), normalmente planetas gasosos, do tipo Júpiter ou Saturno, são mais raros em torno das anãs vermelhas (apenas 12 por cento).

Esta descoberta vai facilitar a procura de planetas em que a vida é possível, já que avalia a percentagem das possibilidades de Super-Terras em torno das estrelas mais comuns da nossa galáxia.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Missão Kepler descobre mais tres Super Terras

Os astrónomos da NASA acabam de detectar mais dois sistemas estelares (a estrela Kepler 62 e a estrela Kepler 69), a cerca de 1.000 e 1.200 anos-luz respectivamente (na Constelação da Lira), onde descobriram tres Super Terras, exoplanetas que orbitam a sua estrela na zona habitável e que podem abrigar vida como a que conhecemos no nosso planeta.

Kepler-62f (a letra designa a posição do planeta no seu sistema) é cerca de 40 por cento maior do que a Terra e pode ter uma consistencia rochosa.

O exoplaneta Kepler-62e orbita o limite interno da zona habitável da sua estrela e tem um tamanho cerca de 60 por cento maior do que a nossa Terra.

O terceiro exoplaneta, Kepler-69c, é 70 por cento maior do que a Terra, orbita a sua estrela na zona habitável em 242 dias, no que se assemelha ao nosso vizinho Vénus, mas os cientistas não tem certezas sobre a sua consistencia.

 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Um planeta-oceano


Luxemburgo, 23 de Abril - Em Fevereiro de 2012, a NASA anunciou que tenho descoberto um novo tipo de planeta, composto em grande parte por água e com uma leve atmosfera de vapor, podendo assim ser considerado um planeta-oceano.

O exoplaneta (os planetas fora do nosso sistema solar) denominado GJ1214b, observado em 2009 pelo telescópio espacial Hubble, está situado a 40 anos luz da Terra, tem um órbita de 38 horas em volta de uma anã vermelha (Gliese-Jarheiss 1214).

Desde a Terra, o planeta pode ser avistado no céu na direcção da Constelação de Ophiuchus (Serpente ou Serpentário).

O planeta tem uma temperatura estimada de 232 graus Celsius, tem 2,7 vezes o tamanho do nosso e sete vezes o seu peso, sendo assim considerado uma "Super-Terra". É, no entanto, mais pequeno que Neptuno (ver imagem).

As medições e observações da passagem do planeta Gliese J1214b diante do seu sol permitiram mostrar que a luz da estrela era filtrada através da atmosfera do planeta, composta de vapor. Na realidade, uma nuvem de gases envolve totalmente o planeta. Os cientistas calcularam a densidade do planeta a partir de sua massa e tamanho, e concluiram que este dever ter "muito mais água do que a Terra e muito menos rocha", no que pode ser considerado um planeta-oceano.

Um planeta com estas características é algo há muito imaginado pelos autores de ficção-científica, mas nunca avistado... até 2012.

No nosso sistema solar existem apenas três tipos de planetas: - rochosos (telúricos): Mercúrio, Vénus, Terra e Marte - gigantes gasosos: Júpiter e Saturno - gigantes gelados: Urano e Neptuno

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Na nossa galáxia, estrelas com planetas são a regra e não a excepção


Luxemburgo, 19 de Abril - Uma equipa internacional, que inclui três astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO), utilizou a técnica de microlente gravitacional para determinar quão comuns são os planetas na Via Láctea.

Após uma busca que durou seis anos e onde observaram milhões de estrelas, a equipa concluiu que os planetas em torno de estrelas são a regra e não a excepção.

Durante os últimos 16 anos, os astrónomos detectaram mais de 700 exoplanetas(*1) (planetas fora do sistema solar) e começaram a estudar os espectros e as atmosferas desses mundos. Embora o estudo das propriedades dos exoplanetas individuais seja extremamente importante, uma questão básica permanece: quão comuns são os planetas na Via Láctea?

A maioria dos exoplanetas conhecidos foram encontrados ou pelo efeito gravitacional que exercem sobre a sua estrela ou por passagem em frente da estrela diminuindo-lhe ligeiramente o brilho. Ambas as técnicas são muito mais sensíveis a planetas que ou são de grande massa ou se encontram próximo das suas estrelas. Por consequência, muitos planetas terão escapado a estes métodos de detecção.

Uma equipa internacional de astrónomos procurou exoplanetas utilizando um método totalmente diferente - as microlentes gravitacionais - o qual permite detectar planetas num grande intervalo de massas e também os que se encontram muito mais afastados das suas estrelas.

Arnaud Cassan (Institut d’Astrophysique de Paris), autor principal do artigo na Nature explica: “Durante seis anos procurámos evidências de exoplanetas a partir de observações de microlentes. Curiosamente, os dados mostram que os planetas são mais comuns na nossa galáxia do que as estrelas. Descobrimos também que os planetas mais leves, tais como as Super-Terras ou Neptunos frios, são mais comuns do que os planetas mais pesados.”

Os astrónomos utilizaram observações, fornecidas pelas equipas PLANET e OGLE (*2) , nas quais os exoplanetas são detectados pelo modo como o campo gravitacional das suas estrelas, combinado com o de possíveis planetas, actua como uma lente, ampliando a luz de uma estrela de campo de fundo.

Se a estrela que actua como uma lente tem um planeta em órbita, esse planeta pode contribuir de forma detectável ao efeito de brilho provocado na estrela de fundo. Jean-Philippe Beaulieu (Institut d’Astrophysique de Paris), líder da rede PLANET acrescenta: ”A rede PLANET foi fundada para seguir os efeitos de microlente que se mostravam promissores, com uma rede de telescópios em todo o mundo, situados no hemisfério sul, desde a Austrália e África do Sul até ao Chile. Os telescópios do ESO contribuíram de forma significativa para estes rastreios.”

As microlentes gravitacionais são uma ferramenta poderosa, com o potencial de conseguirem detectar exoplanetas que não poderiam ser descobertos de outro modo. No entanto, é necessário o alinhamento, bastante raro, entre a estrela de fundo e a estrela que actua como lente para que possamos observar este evento. E para descobrir um planeta é preciso ainda que a órbita do planeta se encontre igualmente alinhada com a das estrelas, o que é ainda mais raro.

Embora encontrar um planeta por meio de microlente esteja longe de ser uma tarefa fácil, nos seis anos de procura utilizando dados de microlente para a análise, três exoplanetas foram efectivamente detectados nas buscas PLANET e OGLE: uma Super-Terra (planeta com uma massa entre duas a dez vezes a da Terra) e planetas com massas comparáveis à de Neptuno e de Júpiter.

Dois terços das estrelas da nossa galáxia têm Super-Terras 

Em termos de microlente este é um resultado excepcional. Ao detectar três planetas, ou os astrónomos tiveram imensa sorte e acertaram no jackpot apesar da baixa probabilidade, ou os planetas são tão abundantes na Via Láctea que este resultado era praticamente inevitável.

Os astrónomos combinaram seguidamente a informação sobre os três exoplanetas detectados com sete anteriores detecções e com um enorme número de não-detecções durante os seis anos do trabalho. A conclusão foi que uma em cada seis estrelas estudadas possui um planeta com massa semelhante à de Júpiter, metade têm planetas com a massa de Neptuno e dois terços têm Super-Terras.

O rastreio era muito sensível a planetas situados entre 75 milhões de quilómetros e 1.5 mil milhões de quilómetros de distância às suas estrelas (no Sistema Solar estes valores correspondem a todos os planetas entre Vénus e Saturno) e com massas que vão desde cinco massas terrestres até dez massas de Júpiter. A combinação destes resultados sugere que o número médio de planetas em torno de uma estrela seja maior que um. Ou seja, os planetas serão a regra e não a excepção.

“Anteriormente pensava-se que a Terra seria única na nossa galáxia. Mas agora parece que literalmente milhares de milhões de planetas com massas semelhantes à da Terra orbitam estrelas da Via Láctea”, conclui Daniel Kubas, co-autor do artigo científico.

Este trabalho foi apresentado no artigo científico “One or more bound planets per Milky Way star from microlensing observations”, por A. Cassan et al., no número de 12 de Janeiro de 2012 da revista Nature.

Fonte e Foto: ESO 

[*1] A missão Kepler está a descobrir um número enorme de candidatos a exoplanetas, os quais não se encontram incluídos neste número.

[*2] Sigla do inglês “Probing Lensing Anomalies NETwork”. Mais de metade dos dados do rastreio PLANET utilizados neste estudo foram obtidos com o telescópio dinamarquês de 1.54 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO./ OGLE: Sigla do inglês “Optical Gravitational Lensing Experiment”. Foto: ESO