Mostrar mensagens com a etiqueta cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Missão Rosetta: Osiris revela verdadeira cor do cometa Chury

Foto: ESA

As fotografias até agora divulgadas do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko ("Chury"), onde o robot Philae da sonda Rosetta pousou no dia 12 de Novembro, eram todas a preto e branco, devido às limitações técnicas dos equipamentos em 2004, ano em que a sonda foi lançada para o espaço.

Mas, entretanto, a câmara da sonda Rosetta, a OSIRIS (Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) Narrow Angle tratou todos os espectros das imagens do cometa, revelando a cor real do corpo.

A pesquisa, conduzida pela ESA em colaboração com o Centro Aeroespacial alemão, resultou numa imagem borrada devido às fotos que foram utilizadas para a leitura das frequências das cores.


domingo, 16 de novembro de 2014

Rosetta: Crónica da primeira “acometagem”

Foto: ESA

A passada quarta-feira, dia 12 de Novembro de 2014, não foi um dia qualquer. Muito pelo contrário, acolheu um acontecimento que já está na história da ciência e logo da humanidade: o robot Filae pousou na superfície do cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

Foi a primeira vez na história da humanidade que tal foi tentado e conseguido.

Depois de ter sido transportado até à órbita do cometa a bordo da sonda Rosetta, numa viagem de 10 anos que terminou no passado dia 6 de Agosto de 2014, o pequeno Filae, autêntico laboratório científico, protagonizou o sonho de uma missão planeada à distância de 20 anos!

No dia 12, o Filae foi ejectado da sonda Rosetta às 9h03 (GMT) e percorreu cerca de 22,5 km até à superfície do cometa.

Depois de uma descida de sete horas, o sinal a confirmar o sucesso chegou à Terra às 16h03. Quão difícil foi a “acometagem”?

Tenha o seguinte em consideração: o cometa, a cerca de 511 milhões de km da Terra, estava a mover-se a mais de 15 km/s, rodopiando, expelindo gáses e dando as boas-vindas ao File com uma superfície acidentada e efectivamente desconhecida!

A lenta descida foi efectuada sem navegação activa, funcionando as leis da física, principalmente a da atracção gravítica entre o Filae e o cometa.

Contudo, a descida do Filae não correu exactamente como planeado. O cometa tem uma gravidade muito fraca: na Terra o Filae pesava 100 kg, enquanto que no cometa só pesa 10 g (cerca de um pacote de açúcar)!

A velocidade de escape ronda os 0,5 m/s (a velocidade a que um objecto se tem de mover para escapar à gravidade da Terra é igual a 11,2 km/s). O Filae aterrou ao dobro daquela velocidade, pelo que os ressaltos ocorreram.

Os dados enviados mostraram que o Filae ressaltou duas vezes! Só à terceira vez é que ele se imobilizou na superfície do cometa! O primeiro impacto fê-lo voltar para o espaço e viajar durante uma hora e 50 minutos a uma velocidade de 38 cm/s.

Depois, voltou a tocar no cometa e deu um segundo salto bem mais pequeno: voou durante sete minutos, a 3 cm/s. Sete minutos depois, finalmente, pousou no local que se vê na fotografia. O Filae não está no local desejado, designado como Agilkia.

Os cientistas ainda não sabem exactamente onde está, mas pensam ficou a 1 km do local inicialmente escolhido. Os cientistas também revelaram que uma das três pernas não está no chão. O Filae está por isso numa posição inclinada e parcialmente à sombra.

Em Agilkia esperavam-se sete horas de luz solar, a fim de recarregar a bateria secundária do Filae e assim prolongar a sua missão científica.

No local onde se encontra, o Filae recebe cerca de hora e meia de luz (a cada 12 horas), o que reduz as hipóteses de uma missão mais longa. Felizmente, a sua antena está a apontar para cima e não existiram problemas de comunicação com a Rosetta.

Foi exactamente através desta comunicação que foram enviadas as informações científicas sobre a natureza do cometa, que poderão fornecer-nos pistas sobre a constituição inicial do nosso sistema solar e eventualmente sobre a origem de algumas moléculas que se julgam terem sido necessárias para o desenvolvimento da vida na Terra.

Para já, a análise pelo Filae dos gases que são expelidos pelo cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko revela a abundância de água, monóxido e dióxido de carbono, assim como de outras moléculas mais complexas cuja identificação está a ser efectuada.

Na sexta-feira à tarde, o Filae conseguiu perfurar a superfície do cometa para analisar a composição de material menos exposto às agruras do espaço. Aguardam-se com muitas expectativas os resultados da sua análise química.

António Piedade 
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Philae no cometa Chury é "como Colombo a chegar à América"

Fonte: NASA/JPL
O módulo da sonda espacial europeia Rosetta, que pousou sobre um cometa nesta quarta-feira (dia 12), um feito inédito na História, terá um futuro incerto, mas já realizou o sonho de muitos cientistas, afirmou um dos responsáveis pela missão, Roger-Maurice Bonnet.

"É um pouco como Cristóvão Colombo chegando na América", declarou à AFP o cientista do centro de operações da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) de Darmstadt, na Alemanha.

"Não sabe se vai encontrar um desfiladeiro ou uma praia", prosseguiu. O robot conseguiu efectuar o pouso e, embora seu mecanismo de atracação tenha falhado, está enviando dados coletados para a Terra.

"O que me parece mais extraordinário é o desafio técnico, é algo absolutamente assombroso", acrescentou. Philae, o robot da sonda Rosetta, tenta trazer "um conhecimento maior sobre os elementos sólidos deste cometa", explicou Roger-Maurice Bonnet.

Segundo o "pai" da Rosetta, "a missão é quase perfeita" porque "já cumpriu muitas coisas com as quais os cientistas sonhavam".

Projecto Rosetta nasceu em 1985

Bonnet era director do programa científico da ESA há dois anos, quando a missão, que na ocasião não pretendia pousar num cometa, foi aprovada pela organização espacial europeia em Janeiro de 1985, em Roma. "Foi ali que começou esta aventura", lembrou o astrofísico.

"Para mim, se trata da culminação de um programa de 20 anos. Já é um êxito impressionante porque ninguém teria imaginado que este cometa era tão espetacular, nem tão rico de informações", disse. 

"Penso que esta missão foi optimizada e estou muito orgulhoso disso porque consegui que saísse dentro de um orçamento limitado. Isto obrigou as pessoas a optimizar seus objectivos científicos e simplificar suas experiências ou recorrer a tecnologias ou sistemas mais habilidosos".

"A princípio não gostaram, mas hoje todos admitem que lhes parece formidável", acrescentou Roger-Maurice Bonnet, que foi director científico da ESA até 2001.

A princípio, a missão não foi chamada Rosetta e aspirava a trazer de volta à Terra amostras de restos de pó de cometa, como fez mais tarde a missão americana Stardust. Mas o plano para 20 anos tinha estabelecido limites orçamentários muito estritos.

"Rapidamente, nos demos conta que a missão de recuperação de amostras de cometa era cara demais", explicou Roger Bonnet. "Era necessário um paraquedas, infraestrutura marinha para recuperar a amostra e construir um laboratório especial para analisá-la".

Ao invés de trazer amostras de volta para a Terra, decidiu-se enviar instrumentos ao espaço e fazer as análises "in situ". Foi ali que nasceu a ideia de enviar um módulo capaz de pousar em um cometa. No começo, havia dois projectos, um franco-americano e outro fundamentalmente alemão. Como os americanos desistiram, a França e a Alemanha somaram esforços para concretizar a ideia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Philae já pousou no cometa "Chury"


A sonda Philae pousou com sucesso na superfície do cometa '67/P Churyumov-Gerasimenko', onde ficará durante os próximos meses para estudar aquele corpo celeste, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA). 

A sonda Philae pousou hoje com sucesso na superfície do cometa '67/P Churyumov-Gerasimenko', onde ficará durante os próximos meses para estudar aquele corpo celeste, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

A sonda pousou às 17h02 (GMT+1), segundo o centro de controlo de operações da ESA, localizado em Darmstadt, na Alemanha.

"Estamos no cometa", anunciou a agência. Os cientistas esperam que instrumentos de medição da sonda possam desvendar alguns segredos sobre a composição dos cometas.


domingo, 21 de setembro de 2014

Primeiros resultados da sonda Rosetta excluem presença de gelo no cometa "Churi"


As primeiras imagens enviadas pela sonda espacial europeia Rosetta permitiram apurar a inexistência de gelo no cometa Churyumov-Gerasimenko (67P/C-G), segundo os primeiros resultados.

Segundo um dos cientistas da Missão Rosetta, Fabrizio Capaccioni, a temperatura detectada pelas primeiras imagens enviadas pela sonda, no início de Agosto, revelam que o cometa é "demasiado quente para ter a presença de gelo", ao contrário do que se previa, uma vez que se encontra a cerca de 555 milhões de quilómetros de distância do Sol, três vezes mais do que a Terra.

Capaccioni, da VIRTIS - Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer (espectómetro que mede a temperatura) admitiu que não é possível ainda determinar a temperatura certa de cada fragmento do cometa, mas no geral deverá rondar 70º Celsius negativos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sonda europeia Rosetta acordou hoje ao fim de 31 meses de hibernação

Foto: ESA
A sonda Rosetta, lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) há 10 anos para ir ao encontro do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, acordou hoje e está operacional, ao fim de 31 meses de hibernação, anunciou a ESA.

"Olá, mundo!" escreveu a agência europeia no Twitter, a imitar o sinal enviado do espaço pela sonda, enquanto um vídeo colocado na internet mostrou os cientistas a festejar no centro de controlo da missão em Darmstadt, Alemanha, quando receberam sinal da sonda.

A Rosetta está a perseguir o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e quando o alcançar torna-se a primeira missão espacial e encontrar-se com um, a primeira a tentar aterrar na superfície de um cometa e a primeira a seguir um cometa quando este der a volta ao Sol, escreve a ESA em comunicado.

Desde que foi lançada em 2004, a Rosetta fez três aproximações à Terra e uma a Marte para ajudá-la a preparar o caminho com destino ao 67P/Churyumov-Gerasimenko, tendo encontrado os asteroides Steins e Lutetia pelo caminho.

Em Junho de 2011, a sonda, que funciona a energia solar, foi colocada em hibernação, já que se encontrava a cerca de 800 milhões de quilómetros do Sol, o que era demasiado longe para captar energia solar suficiente. Agora, a "apenas" 673 milhões de quilómetros do Sol, a sonda já tem energia suficiente para funcionar a 100%, pelo que o seu "despertador" interno a acordou hoje, quando se encontra a nove milhões de quilómetros do cometa que persegue, escreve a agência europeia.

Após aquecer os seus instrumentos de navegação, sair de uma rotação estabilizadora e acertar a sua antena principal com a Terra, a Rosetta enviou um sinal, que foi recebido na estação Goldstone da NASA na Califórnia às 19h18 (hora do Luxemburgo), durante a primeira janela de oportunidade que a sonda teve para comunicar com a Terra.

O sinal foi imediatamente confirmado pelo centro de operações da ESA em Darmstadt e a notícia divulgada através da conta @ESA_Rosetta, no Twitter. “Temos o nosso caça-cometas de volta", disse Alvaro Giménez, diretor de Ciência e Exploração Robótica da ESA, citado no comunicado da agência. “Com a Rosetta, vamos levar a exploração de cometas a um novo nível", acrescentou.

Rosetta deverá ajudar a responder a muitas perguntas

Os cometas são considerados os elementos primordiais do sistema solar e pensa-se que tenham ajudado a colocar água na Terra e talvez até os ingredientes da vida, mas muitas questões fundamentais sobre estes enigmáticos objetos permanecem um mistério. Com a Rosetta, os cientistas esperam responder a muitas dessas perguntas. "Todas as outras missões com cometas foram aproximações, com a captura de momentos fugidios na vida destas arcas do tesouro geladas", disse Matt Taylor, cientista no projeto Rosetta, da ESA. Com a Rosetta, acrescentou, será possível "seguir a evolução de um cometa numa base diária e durante um ano, o que dará uma visão única sobre o seu comportamento e, em última análise, poderá ajudar a decifrar o seu papel na formação do Sistema Solar".

Para já, a sonda será sujeita a verificações essenciais aos seus elementos, mas no próximo mês de Maio esperam-se as primeiras imagens do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, embora nessa altura a sonda esteja ainda a dois milhões de quilómetros do alvo.

Rosetta encontra-se em Agosto de 2014 com o cometa

No final de Maio, o aparelho fará uma manobra fundamental para se alinhar com o local onde, em Agosto, se encontrará com o cometa.

A sonda Rosetta, que se assemelha a uma grande caixa negra, pesa três toneladas e está equipada com duas placas solares que podem rodar 180 graus, para conseguir captar a máxima energia.

A missão Rosetta custa mil milhões de euros.

(Um vídeo sobre a missão da sonda Rosetta)