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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Portugueses lideram detecção inédita na atmosfera de Vénus

Imagem artística da sonda Venus Express e o planeta Vénus Créditos ESA-Venus Express

Uma equipa internacional, liderada por investigadores portugueses do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), realizou a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir da Terra.

Esta medição foi realizada através de observações inéditas, sincronizadas entre a sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) Venus Express e o Telescópio Canadá-France-Hawaii (CFHT), no Havai. 

Uma das razões do interesse científico actual por Vénus é compreender como, tendo-se formado na proximidade da Terra e com uma composição inicial muito semelhante, este planeta evoluiu de maneira completamente diferente.

Através de observações sincronizadas a partir de uma sonda espacial e um telescópio terrestre foi possível detetar pela primeira vez o chamado vento meridional, uma componente da circulação geral da atmosfera que nunca havia sido medida a partir da Terra.

Este estudo abre as portas à monitorização autónoma da atmosfera de Vénus e do seu clima a partir da Terra, complementando as capacidades das missões espaciais.

Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) não esconde o seu entusiasmo: “estamos muito contentes com os resultados deste trabalho. Por um lado, conseguimos a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir de observações com telescópios terrestres; por outro lado, realizámos o primeiro projecto de observações sincronizadas entre uma sonda espacial (Venus Express da Agência Espacial Europeia) e um telescópio no solo (CFHT – Havai).

Nos resultados agora publicados é notória a pertinência deste género de projetos dada a sua complementaridade e ao facto de constituir uma validação cruzada das diferentes técnicas utilizadas”.
A evolução deste projecto vai contribuir de uma forma decisiva para distinguir, entre os exoplanetas que têm sido descobertos na última década em órbita de estrelas longínquas, os que poderão ser habitáveis como a Terra e quais serão inóspitos, como Vénus.

David Luz (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) realçou ainda que “a técnica de medição de ventos utilizada (velocimetria Doppler) foi desenvolvida e aperfeiçoada pelo nosso grupo podendo vir a seu utilizada no estudo das atmosferas de outros planetas do Sistema Solar e no futuro, também, no caso dos exoplanetas”.

Para realizar as medições espaciais, a sonda Venus Express foi previamente programada para recolher imagens pormenorizadas do planeta, exatamente nos mesmos dias e horas em que os astrónomos realizavam as observações na Terra, com o auxílio do telescópio CFHT, situado no cume de Mauna Kea na maior ilha do Havai (EUA).

As imagens foram depois analisadas de forma a detectar com precisão o movimento das nuvens e medir a velocidade com que se moviam.

© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Astronautas em testes no Havai... como se fosse em Marte

Foto: ESA
Testar equipamentos, procedimentos e até a resiliência humana para futuras missões a planetas distantes exige criatividade.

Astronautas voluntários podem passar algum tempo em câmaras hiperbáricas, naves que fazem montanhas russas, em bases isoladas na Antártida, grutas ou falsas naves espaciais ou ainda ficar na cama, dependendo do que se quer testar ou ensaiar.

Na imagem supra, a cientista Lucie Poulet do Centro Aeroespacial Alemão DLR participa na simulação de uma missão a Marte, dirigida pela Universidade do Havai, em Manoa, nos Estados Unidos.

Tudo foi pensado para a tripulação se sentir longe de casa. No pequeno habitáculo onde vivem é permitido apenas 12 minutos debaixo do duche, por semana, nada de comida fresca e a comunicação com amigos e família está muito limitada – é provocado um atraso de 20 minutos nas comunicações, como aconteceria numa viagem real a Marte, por exemplo.

As agências espaciais recorrem a simulações como esta, a Hawaii Space Exploration Analogue and Simulation, promovida pela NASA para avaliar como reagem as pessoas quando são enviadas para ambientes de stress intenso.

No espaço, a ajuda está muito longe, a luz solar é irregular, praticar exercício é difícil e a vida social está limitada.

A tripulação que se encontra no Havai "regressa" à Terra a 28 de Julho. Durante os seus quatro meses de isolamento, a equipa irá investigar novos sistemas de iluminação para fazer crescer plantas em estufas.

No final deste ano, os astronautas da ESA Thomas Pesquet e Andreas Mogensen irão juntar-se a uma simulação de duas semanas debaixo de água, promovida pela NASA, na costa da Florida, para testar novos equipamentos para missões espaciais futuras.

Fonte: ESA

sábado, 19 de abril de 2014

Nasa construiu um "disco voador" insuflável para explorar Marte

Foto: Nasa
Neste momento, vários rovers da Nasa exploram Marte. Mas a grande questão é: qual o próximo passo?

A próxima fase é enviar naves maiores, mais pesadas, com mais aparelhos e até astronuatas a bordo até ao planeta vermelho. Mas como pousar em Marte naves mais pesadas sem se despenharem? Os pára-quedas actuais com que as sondas aterram em Marte já são enormes e não suportam veículos mais pesados.

Como fazer no caso de um veículo mais pesado? Talvez integrando na nave um desacelerador, pensaram os engenheiros da Nasa. Nos últimos anos desenvolveram uma nave destas e construíram um protótipo que se parece estranhamente com um disco voador.

Baptizado "Low-Density Supersonic Decelerator - LDSD), a nave mede 1,80m de altura para uma largura de 6,70m e deverá ser lançada do Havai em Junho de 2015, para um voo teste.

O desacelerador, que é uma espécie de enorme donut insuflável, está fixado na cápsula espacial e é este aspecto que lhe dá um ar de "disco voador"

e deverá ser despoletado ao entrar na atmosfera de Marte. Ao ser accionado, o dispositivo aumenta de tamanho mas conserva a mesma massa, o que fará o veículo travar gradualmente até aterrar.

Em Junho de 2015, o dispositivo LDSD vai ser testado a 36 mil metros de altitude, zona da atmosfera terrestre semelhante à da atmosfera menos densa de Marte. O veículo será depois propulsado a Mach 4 i.e. quatro vezes a velocidade do som, a cerca de 5 mil km/hora, simulando o voo descendente de uma nave terrestre em Marte. O dispositivo insuflável entrará depois em acção para travar progressivamente o veículo. Só depois um pára-quedas será accionado.