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sexta-feira, 1 de maio de 2015

O que observar no céu de Maio

Chuva de meteoros

Parte deste mês será marcado pela chuva de meteoros das Eta Aquáridas, a qual tem o seu pico de actividade na noite de dia 5 para 6 de Maio.

O nome desta chuva de estrelas deve-se a que o seu radiante (ponto do céu de onde elas parecem surgir) está situado perto da estrela Eta da constelação do Aquário (eta Aqr).

No entanto, a verdadeira origem destes meteoros está bem mais perto de nós, não sendo mais do que poeiras e pequenas partículas deixadas pelo cometa Halley ao longo do seu percurso, as quais são interceptadas pelo nosso planeta.

Esta chuva de estrelas pode produzir até quatro dezenas de meteoros por hora, mas este ano iremos ver muitos menos dado que o seu pico de actividade ocorre muito perto da Lua Cheia de dia 4. Como neste mesmo dia 4, a passagem da Lua pelo plano da órbita terrestre ocorre poucas horas depois da Lua cheia, tal evento dará lugar a um eclipse lunar total. Infelizmente este eclipse dar-se-á pelas 14h, sendo apenas visível no Extremo Oriente, Pacífico e, parcialmente, nas Américas.




A Lua passa por Marte e Mercúrio

Nestes primeiros dias do mês podemos também observar como a Lua se desloca da vizinhança da estrela Espiga (na constelação da Virgem) no dia 2, até à proximidade de Saturno no dia 5.

No dia 7, Mercúrio atinge a sua maior elongação (afastamento angular) para Este relativamente ao Sol, apresentando-se assim como estrela da tarde.

Quatro dias depois tem lugar o quarto minguante. A seu turno, a Lua Nova irá ocorrer na madrugada de dia 18. Na noite seguinte a Lua passará perto de Marte cuja observação por estes dias será muito difícil dado que está demasiado próximo da direcção do Sol.

Ao anoitecer de dia 19 a Lua já terá passado por Mercúrio. Este planeta será cada vais mais difícil de ver à medida que se for aproximando do Sol, chegando-se a cruzar com Marte no dia 26, e atingindo a sua conjugação inferior (altura em que estará na direcção do Sol) no dia 30 de Maio.





Saturno bem visível 


Na madrugada de dia 23, Saturno encontrar-se-á na direcção contrária ao Sol. Diz-se então que se encontra em oposição. Para além de tal significar que iremos encontrar a sua face totalmente iluminada, esta também é uma altura em que a Terra está mais próxima deste planeta, sendo assim uma excelente ocasião para observá-lo e aos seus anéis.

Na madrugada de dia 24 de Maio a Lua estará a 5 graus a sul de Júpiter. Já aquando do quarto crescente de dia 25, o nosso satélite já terá passado por Régulo, uma estrela da constelação do Leão.

Na noite de dia 29 a Lua irá regressar mais uma vez para junto da estrela Espiga. Igualmente neste dia Vénus, que se apresenta este mês como estrela da tarde, estará junto a Pólux, uma estrela da constelação dos Gémeos.

Fernando J.G. Pinheiro, 
do CITEUC-Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra
Fonte: Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Indústria espacial europeia assinala 50 anos em 2014

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979 Imagem: ESA
Este ano, a indústria espacial da Europa celebra 50 anos de foguetões, de ciência e de satélites. Meio século de descobertas e de peripécias.

Esta indústria está por toda a parte, na navegação ou nas telecomunicações, mas na Europa os últimos 50 anos de espaço têm sido uma montanha-russa.

Os primeiros passos da Europa no espaço aconteceram no início da década de 1960 - no calor da Guerra Fria. O mundo começou a voltar as atenções para o espaço.

O Sputnik tinha enviado o primeiro sinal e havia uma competição constante entre os Estados Unidos e a União Soviética. O historiador John Krige recorda essa época: "O mundo era um lugar extremamente frágil e perigoso. A rivalidade das super potências teve provavelmente o seu auge na década de 1960, na crise dos mísseis em Cuba, quando eu era jovem... Pensei que seria o fim do mundo e creio que muitas pessoas também pensaram."

O italiano Eduardo Amaldi e o francês Pierre Auger - dois físicos europeus entraram neste clima de tensão. Acreditavam fervorosamente que os foguetões e os satélites deviam ser utilizados a favor da ciência e não dos conflitos.

Roger-Maurice Bonnet, o antigo director científico da ESA acrescenta: "Os países que construíram a indústria espacial da Europa foram aqueles que 20 anos antes estavam em guerra, uma guerra terrível. Estes países europeus que tinham estado em guerra reuniram-se e decidiram usar uma linguagem que os afastava do conflito - a linguagem da ciência."

Sob a liderança de Amaldi e de Auger, a Europa deu dois passos gigantes, fundando duas organizações espaciais: uma para foguetões, denominada ELDO e outra para a ciência, a ESRO.

Nos primeiros anos o orçamento era limitado, com tensões entre parceiros como o Reino Unido e França. Esta obrigação de financiar a ciência dentro da nova Agência Espacial Europeia (ESA) foi vista como um golpe de mestre, já que impulsionou o sector da investigação. Mas a Europa ainda precisava do seu próprio foguetão.

"Os alemães eram contra o desenvolvimento do Ariane e os britânicos eram extremamente hostis. Foi preciso os franceses dizerem para avançar. Foi francamente graças ao Gaulismo francês e a uma suposta motivação dos Estados Unidos que os franceses seguiram em frente. Foi, sem dúvida, o maior sucesso de todos os esforços espaciais europeus", completa John Krige.

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979. Embora possa ter sido projectado com o sector das telecomunicações em expansão em mente, também entrou em órbita em missões científicas. Um dos primeiros destaques foi o vôo da sonda Giotto com o cometa Halley em 1986.

Uma década depois, em 1996 houve um ponto baixo na odisseia no espaço europeia. O novo Ariane 5 fez o primeiro vôo de sempre levando os preciosos satélites científicos a bordo. Quarenta segundos depois explodiu em pleno ar. Roger-Maurice Bonnet nunca vai esquecer este dia: "Estes gigantes, os gestores de projeto, grandes homens, verdadeiros chefes a chorar num pequeno hangar atrás da estação controle do foguetão... Jurei que iria relançar a missão Cluster e foi isso que fizemos."

O Cluster ainda está activo e em 2005 a ESA, em conjunto com a Nasa, fez aterrar a sonda Huygens na superfície da lua de Saturno. Foi um novo marco na ciência. Conseguir financiamento foi sempre uma luta. Em todas as negociações está presente o princípio do retorno justo da ESA: o que um país investe recebe de volta em postos de trabalho. A odisseia no espaço da Europa dura há 50 anos e continua com satélites em órbita e com sondas na vanguarda do conhecimento.

Fonte: ESA