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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Luxemburgo vota "Lei do Espaço" a 13 de Julho

O Conselho de Estado do Luxemburgo não emitiu qualquer parecer contra o projeto-lei sobre a exploração de recursos espaciais, a chamada "Lei do Espaço", que deverá ser apresentado e sumetida ao voto na Câmara dos Deputados a 13 de julho próximo.

O diploma, apresentado em 15 de novembro do ano passado pelo ministro da Economia, Etienne Schneider, prevê que as empresas com sede no Luxemburgo e que exerçam actividade na exploração dos recursos espaciais, possam ser os únicos proprietários desses materiais, o que não é o caso nos EUA, o único outro país do mundo a ter já legislado sobre esta matéria.

Outra diferença com o "space act" assinado por Barack Obama em 2015, o projecto-lei luxemburguês não exige que o proprietário da empresa tenha a nacionalidade do país onde está sediada ou que uma maioria de accionistas sejam daí naturais.

No entanto, os accionistas que possuam mais de 10% das partes de uma empresa desse sector, deverão estar devidamente identificados, exige o diploma.

O texto exige ainda que todas as missões espaciais estejam cobertas por um seguro adequado para todos os riscos e as empresas deverão ainda provar que são financeiramente sólidas.

O diploma especifica ainda que uma empresa ou o Estado luxemburguês não poderão constituir-se proprietários de um corpo celeste, mas apenas dos recursos do mesmo.

Desde o anúncio público do ministro Schneider de querer lançar o país na indústria mineria espacial, na primavera de 2016, que várias empresas americanas instalaram as suas sedes europeias no Grão-Ducado, com vista a poderem ser as primeiras a beneficiar desta lei. É o caso da Deep Space Industries, da Planetary Resources e da Laboratory Resources, entre outras.

Colaboração internacional e legislação europeia 

O Governo do Luxemburgo também tem envidado esforços junto da Comissão Europeia para criar um quadro legal na matéria ao nível europeu. O Executivo luxemburguês já assinou igualmente acordos de parceria nesta matéria com o Japão, os EUA, os Emirados Árabes Unidos e mais recentemente com Portugal, por ocasião da visita de António Costa, a 5 de abril, ao Grão-Ducado.

JLC
in Contacto
29.06.2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ministro da Economia do Luxemburgo anuncia criação de fundo nacional para financiar exploração de asteróides

O ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider Foto: JLC


O ministro da Economia do Luxemburgo, Etienne Schneider, espera fazer aprovar no Parlamento a “Lei do Espaço” até final do ano, criar em 2018 uma agência espacial nacional e um Fundo Espacial, para impulsionar este novo setor económico, que o Governo fixou como aposta em 2016.

“Fazer dinheiro!”, tal foi a resposta pragmática e direta do ministro da Economia, Etienne Schneider, quando um anónimo lhe perguntou: “Qual o objetivo final do Luxemburgo ao criar uma agência espacial e apostar na exploração de asteróides?”.

A pergunta foi feita durante o ’Space Forum’ (Fórum do Espaço) do ICT Spring, o Encontro das Novas Tecnologias e do Espaço (este assunto apenas figura no evento desde 2016), que decorreu a 9 e 10 de maio em Kirchberg, pelo oitavo ano consecutivo.

Um bilhete para Marte 

“Até ao fim deste ano deverá estar criado o quadro legal para que empresas sedeadas no Luxemburgo possam explorar os recursos naturais do espaço, o ’space act’ (Lei do Espaço), como alguns lhe chamam. Eu gostaria de ver criada a Agência Espacial Luxemburguesa antes de outubro de 2018 [altura das próximas legislativas], porque a oposição já me comprou um bilhete só de ida para Marte”, brincou Schneider, deixando indiretamente o recado que se os cristãos-sociais (CSV) vierem a governar podem não ver este projeto como prioridade.

“Vamos criar também um Fundo Nacional do Espaço para financiar a agência espacial. A agência espacial luxemburguesa não será uma entidade estatal, mas uma empresa, uma parceria público-privada entre companhias do ramo espacial e institutos públicos luxemburgueses de investigação e tecnologia, e que terá fins principalmente comerciais.

Ou seja, as missões serão decididas consoante o interesse económico que suscitarem”, revelou o ministro, desmistificando assim o sonho de muitos de verem nascer no país algo como uma NASA luxemburguesa.

Schneider foi poético ao citar “Space Oddity” e “Life on Mars” de David Bowie. “Ele inspirou-me a mim e o espaço inspirava-o a ele”. Mas logo voltou à Terra: “Não temos as infraestruturas nem a capacidade para termos baseados os elementos normais de uma indústria espacial pesada no Luxemburgo”, explicou. O ministro disse que a iniciativa SpaceResources.lu, que o seu ministério lançou em 2016 com o intuito de explorar os recursos naturais do espaço é algo “natural”, que se inscreve na “tradição de precursor do Luxemburgo na indústria espacial”.

E recordou que em 1985 o Governo luxemburguês criou a SES-Société Européenne de Satélites, que é hoje a maior operadora de satélites de telecomunicações do mundo, projeto que começou por ter muita resistência da sociedade e até do parlamento luxemburguês. Schneider revelou ainda que o Governo procura atualmente outros executivos que apoiem o Grão-Ducado para conseguir levar a debate na ONU a alteração do Tratado do Espaço de 1967, que é omisso na questão da exploração dos recursos naturais do espaço.

A Universidade e o LIST, Instituto de Ciência e Tecnologia do Luxemburgo, estão já a trabalhar nesta área, disse o ministro, elogiando o espectrómetro que o LIST conseguiu miniaturizar e que permite determinar os materiais existentes em asteróides.

O titular da pasta da Economia recordou que este novo setor de atividade, a desenvolver em paralelo com o da logística, visa diversificar a economia nacional e, a termo, diminuir a dependência que o país tem do setor financeiro.

Produzir robôs em massa... no Luxemburgo

Jim Keravala, diretor da OffWorld, anunciou que a empresa vai instalar-se no Grão-Ducado e vai começar a produzir robôs em grande escala a partir de 2019. Os robots que Keravala tenciona produzir no Grão-Ducado têm o tamanho de formigas e visam fornecer o setor espacial luxemburguês, bem como outras empresas no estrangeiro.

A notícia foi dada no mesmo debate em que participou o ministro da Economia, que elogiou a iniciativa.

 Baseada em Los Angeles, a OffWorld pretende instalar uma filial no Luxemburgo em 2018 e abrir uma unidade de produção no ano seguinte.

“Os nossos minirobôs são aparelhos inteligentes do tamanho de formigas, pequenos mas robustos, altamente adaptáveis a qualquer tarefa ou missão, seja num asteróide, planeta, satélite ou sonda, são modulares, reconfiguráveis, podem autoreparar-se e autoreplicar-se, e têm uma enorme capacidade de ’deep learning’ (aprendizagem autónoma)”, explicou o patrão da empresa americana.

O primeiro trilionário “O setor espacial, que tem globalmente um volume de negócios que já se eleva hoje a milhares de milhões de dólares, pode rapidamente tornar-se um negócio trilionário”, disse Chris Lewicki, presidente da americana Planetary Resources, que trabalha há um ano com a SpaceResources.lu.

Lewicki retomou assim uma ideia lançada em 2015 pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do Observatório de Nova Iorque, que disse que o primeiro trilionário do mundo seria aquele que investisse na exploração de minérios do espaço, como o ouro e a platina.

 “Quando há potencialidades económicas há sempre investidores privados que aparecem”, disse, por seu lado, Jean-Jacques Dordain, ex-diretor da Agência Espacial Europeia (ESA) e atual conselheiro do ministro Schneider em assuntos do espaço.

O Governo luxemburguês deve agora pensar em abrir “avenidas” para facilitar as colaborações entre o setor privado e o setor público neste ramo, disse Lewicki, como um recado ao ministro.

Evocando empresas como a Space X, a Blue Origin (lançadores de foguetões e satélites) ou a Bigelow (habitação orbital e lunar), Lewicki considera que “a revolução industrial espacial” terá as mesmas caraterísticas da revolução industrial do séc. XIX, e que vai mexer com todos os setores, desde o comércio aos transportes, passando pela habitação, a saúde, etc.

O americano aproveitou para anunciar que a sua empresa, que tem uma filial no Luxemburgo desde 2016, está a recrutar talentos, desde engenheiros a grafistas. “Vamos trabalhar cada vez mais no espaço e a Terra será a nossa nova zona residencial, que deve ser protegida a todo o custo, até porque não podemos esgotar os recursos naturais do nosso planeta quando existem recursos inesgotáveis no espaço”, disse Dordain numa nota mais ambientalista.

O ICT Spring atraiu durante dois dias cerca de cinco mil visitantes, e contou com a participação de mais de 500 empresas e uma centena de conferencistas de 72 países do ramo das novas tecnologias, robótica, inovação, indústria digital, cibersegurança, fintech e ciências do espaço.

José Luís Correia, 
in Contacto, 17/05/2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Luxemburgo quer acordo multilateral sobre a exploração de recursos espaciais


O vice primeiro-ministro e ministro da Economia do Luxemburgo, Étienne Schneider, defendeu sexta-feira a assinatura de um acordo multilateral a nível internacional sobre a exploração e utilização dos recursos espaciais, durante uma visita oficial ao Japão.

O ministro luxemburguês tem-se desdobrado em deslocações ao estrangeiro com o objetivo de encontrar parceiros para desenvolver o projeto luxemburguês de explorar mineiro proveniente de asteróides. Mas Etienne Schneider procura também angariar apoios para um acordo multilaterala nível internacioal sobre a exploração e a utilização de recursos espaciais.

“O progresso tecnológico vai fornecer acesso a fontes de energia e matérias-primas fora da atmosfera terrestre, particularmente os recursos disponíveis em milhões de asteróides que gravitam no sistema solar. Para evitar no futuro a colonização do espaço por qualquer potência mundial, o ‘Outer Space Treaty’ – Tratado do Espaço dassinado na ONU em 1967 – deve ser adaptado às realidades atuais que regulam claramente a exploração e o uso pacífico de recursos espaciais, bem como a responsabilidade sobre os detritos espaciais”, defendeu Schneider no final dos quatro dias de visita ao Japão.

 Um estudo publicado recentemente por uma agência japonesa revela que há mais de 100 milhões de detritos e peças consideradas lixo a orbitar a Terra. A poluição espacial é causada por destroços de equipamentos antigos, como satélites, por exemplo, que podem vir a prejudicar a exploração espacial.

“A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países deverá fazer avançar o desenvolvimento deste novo setor económico”, considera Schneider. O governante luxemburguês reuniu com o ministro japonês da Ciência e Tecnologia, Toshiei Mizuochi, e com o ministro japonês encarregado pela política espacial, Yosuke Tsuruho. Com os dois responsáveis, Schneider abordou uma potencial cooperação entre o Japão e o Grão-Ducado na iniciativa luxemburguesa SpaceResources.lu.

“Quero chegar também às Nações Unidas e dar um primeiro passo em direção a um consenso internacional para alcançar um acordo multilateral entre todos os países que partilhem os mesmos pontos de vista sobre este assunto. A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países fará avançar o desenvolvimento deste novo setor económico de forma sustentável e equitativa”, defendeu Schneider perante os ministros nipónicos.

Recentemente, a empresa japonesa Ispace, que tem a sua filial europeia no Grão-Ducado, assinou um protocolo de cooperação com o Estado luxemburguês, para enviar um robô à Lua. Uma missão que terá como objetivo enviar dados da Lua para a Terra. Durante a visita, Schneider procurou ainda reforçar as relações económicas bilaterais com o Japão.

in Contacto, 26/04/2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

Luxemburgo vai ter robô na Lua

O Luxemburgo e a empresa japonesa ispace assinaram hoje um acordo com o objetivo de colocarem um pequeno robô no espaço até ao final de 2017.

O rover de Takeshi Hakamada, da japonesa ispace, pesa menos de 4 kg. Em comparação, o robô Curiosity (NASA), que está em Marte, pesa 300 kg.
Foto: JLC


O memorando de entendimento foi assinado esta quinta-feira pelo ministro luxemburguês da Economia, Étienne Schneider, e pelo diretor executivo da ispace, Takeshi Hakamada, empresa que desenvolveu o robô. A longo prazo, a missão do robô passa por enviar dados da Lua para a Terra. A ‘start-up’ japonesa ispace foi criada por Hakuto, uma equipa finalista do concurso de inovação da Google, o ‘Google Lunar XPRIZE’.

A empresa - sediada em Tóquio e que se dedica à exploração espacial lunar robótica - já trabalha em conjunto com o Instituto de Ciência e Tecnologia do Luxemburgo (LIST). Uma parceria que irá continuar.

No âmbito do acordo rubricado esta quinta-feira, a ispace pretende concentrar-se, através do seu novo escritório europeu com sede no Luxemburgo, no desenvolvimento de negócios, em vários serviços técnicos essenciais, incluindo o desenvolvimento da carga útil, engenharia e integração.

Cinco ou seis engenheiros no Luxemburgo A ‘start-up’ emprega 20 engenheiros no Japão e está a planear contratar “cinco ou seis” no Luxemburgo. Já o Luxemburgo contribuirá, através de subvenções ou programas nacionais de investigação e desenvolvimento (R&D) ou da Agência Espacial Europeia (ESA), para cofinanciar atividades relevantes de investigação e desenvolvimento, tais como o "roving spectrometer" da ispace.

 Este projeto visa trazer um inovador espectrómetro de massa desenvolvido pela LIST para a superfície da Lua para explorar as composições elementares do gelo lunar e rególito. "Temos uma tecnologia de espectrometria de massa que é de grande interesse para aplicações espaciais e a ispace tem meios exclusivos para implantar essa tecnologia no espaço", afirmou Tom Wirtz, que lidera o grupo de Instrumentação Avançada para Ion Nano-Analytics (AINA) da LIST.

A empresa ispace Europe SA ficará sediado na cidade do Luxemburgo, nas instalações da Paul Wurth InCub, que oferece, em cooperação com a incubadora nacional de empresas Technoport, um programa de apoio dedicado a empresas inovadoras e orientadas para a tecnologia.

"Lua como um passo estratégico" 

"Com a chegada da ispace do Japão, damos as boas-vindas a outra empresa estrangeira que escolheu o nosso país como um pólo europeu para o desenvolvimento de tecnologias e capacidades altamente avançadas como a robótica para explorar e extrair recursos no espaço", disse Étienne Schneider, o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia do Luxemburgo.

 "É uma grande honra colaborar com o Luxemburgo e ser a primeira empresa de recursos espaciais a ser reconhecida pelo nosso foco na Lua. Vemos a Lua como um marco estratégico para estimular ainda mais a atividade humana no espaço", afirmou, por seu turno, Takeshi Hakamada, CEO da ispace.

"Com um forte apoio tecnológico, jurídico e financeiro, estamos convencidos de que o Luxemburgo é o melhor lugar para iniciar as nossas operações na Europa", sublinhou. A iniciativa governamental SpaceResources.lu visa promover e apoiar o uso comercial de recursos obtidos de corpos celestes como asteroides ou da Lua.

in Contacto.lu, 02/03/2017

quinta-feira, 19 de maio de 2016

“O Luxemburgo soube transformar uma ameaça em oportunidade”, diz Jean-Jacques Dourdain, ex-director da ESA

O ministro da economia do Luxemburgo, Etienne Schneider, e
Jean-Jacques Dourdain, ex-director da ESA
Foto: ESA
“Com o projecto de extrair minério em asteróides, o Luxemburgo soube transformar uma ameaça em oportunidade”, considera Jean-Jacques Dordain, ex-director da Agência Espacial Europeia (ESA) e actual consultor do Governo luxemburguês para as questões espaciais. 

A afirmação do francês, engenheiro de formação e que dirigiu a ESA entre 2003 e 2015, foi feita durante o Fórum ICT Spring, encontro sobre novas tecnologias que decorreu na semana passada, em Kirchberg.

Este ano, o fórum foi dedicado ao Espaço, como forma de responder à agenda científica e económica traçada recentemente pelo ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider. Em Fevereiro o ministro anunciou que o Governo do Luxemburgo quer adoptar um quadro legal que permita às empresas privadas que decidam instalar-se no país para explorarem minério espacial de terem assegurados os “seus direitos” aos recursos extraídos dos asteróides.

“O Luxemburgo é o lugar certo para lançar este projecto de explorar asteróides. É um país com tradição no espaço, com a SES, que é a segunda operadora mundial de satélites [baseada em Betzdorf] e na extracção de minério, graças ao seu passado siderúrgico. E como praça financeira é também o local certo para encontrar investimento para este novo sector”, acrescentou Dordain, na conferência dedicada a este tema, integrada no Fórum ICT.

“Fiquei muito surpreendido e contente quando o Estado luxemburguês me contactou”, confiou Dordain, para quem esta decisão do Grão-Ducado é “inteligente”.

 “A Terra é finita e a penúria de minérios vai aumentar nos próximos anos. É preciso olhar mais além. Ao investir na exploração de minérios do espaço, que tem recursos minerais ilimitados, não só vamos poupar o nosso planeta à extracção intensiva como pode revelar-se uma formidável nova fonte de rendimentos, que podem ser substanciais”, disse o consultor.

No público, alguém lembrou que o chefe-astrónomo do Observatório de Nova Iorque, Neal deGrasse Tyson, já dissera em 2013 que “o primeiro trilionário do mundo será alguém que souber extrair os recursos naturais dos asteróides, que são raros na Terra, mas abundantes no espaço, como a água, a platina, o ouro e o irídio”.

“Apesar de ser uma indústria ainda pequena à escala global, em 2014 o sector espacial cresceu 9% em relação ao ano anterior e atingiu os 330 mil milhões de dólares anuais. Cerca de 76% da economia espacial mundial está ligada aos voos comerciais, o resto são investimentos governamentais” das nações ditas espaciais – EUA, Rússia, Canadá, UE, Japão e China – lembrou, por seu lado, Daniel Faber, da Deep Space Industries (DSI), com a qual o Governo luxemburguês assinou um contrato para a exploração de asteróides.

Para o australiano da DSI, “os asteróides são as “baratas do espaço”. Silêncio na sala. “Eu explico”, continua Faber, “para mim, os asteróides são como as baratas porque podemos usá-los e esmagá-los antes que mordam”. Gargalhada geral. Sem o objectivo de ser um “designío nacional”, como o lançado por John F. Kennedy, que queria que os EUA fossem a primeira nação a chegar à Lua nos anos 60, o Governo do Luxemburgo vê este projecto como algo transversal a toda a sociedade e economia do país.

 “O Governo luxemburguês está empenhado em atrair o maior número de sectores da economia nacional para o seu projecto de exploração e extracção de minérios em asteróides, da educação à saúde, passando pelas telecomunicações, novas tecnologias, indústria e outros”, garantiu Mathias Link, que é também um dos consultores de Etienne Schneider para o espaço.

Depois de o Presidente Obama ter promulgado o ’Space Act’ nos EUA, legislação que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas em asteróides e na Lua, “o Luxemburgo foi o primeiro país do mundo a reagir e apenas dois meses depois (em Fevereiro deste ano) lançou este projecto”, recordou Mathias Link.

“Actualmente há cada vez mais empresas privadas a apostar neste sector, que vêem o espaço como uma grande oportunidade económica, e apraz-nos afirmar que o Luxemburgo está no pelotão da frente”, acrescentou Link.

“O sector espacial está a mudar e a democratizar-se muito rapidamente. Hoje o acesso ao espaço é cada vez mais barato”, disse Dordain.

“ÁGUA VAI SER O RECURSO NATURAL DO SÉC. XXI” 

Um dos elementos essenciais que estas novas empresas contam encontrar nos asteróides é água, que existe também em cometas, muitos planetas e até na Lua. “A água vai ser o recurso natural do século XXI, como o petróleo foi o do século XX”, disse por seu lado Chris Lewicki, que trabalhou dez anos como engenheiro na NASA e agora dirige a sua própria empresa, a Planetary Resources, que também planeia explorar asteróides.

“Vamos precisar de água nas futuras estações espaciais, a ISS [a Estação Espacial Internacional] só deverá funcionar até 2024, e nas viagens interplanetárias”, disse Lewicki. Ao que alguém no público lembrou que da água pode também ser extraído o oxigénio para os sistemas de vida das naves. “Para quê levar água da Terra se ela existe no espaço?”, perguntou o patrão da Planetary Resources, que também está em negociações com o Governo luxemburguês.

 Para Lewicki, “a Humanidade tem que ir além da Lua e da órbita baixa da Terra”, onde orbita a ISS. “Está na altura de expandirmos a esfera económica humana no Sistema Solar”. Jean-Jacques Dordain concorda: “Explorar os recursos do espaço vai tornar o voo espacial mais fácil e isso vai ajudar-nos a chegar a Marte e a explorar o resto do Sistema Solar”.

NAVE SERÁ CONSTRUÍDA NO LUXEMBURGO 

Daniel Faber aproveitou para revelar o que envolve o contrato da DSI com o Estado luxemburguês. A primeira fase passa pela concepção da nave Prospector-X, protótipo para voos-teste, e que deverá ser construída no Grão-Ducado. As naves seguintes serão a Prospector-1, que vai deixar a órbita terrestre e pousar num asteróide, a Harvester-X, que testará a extracção de minério num asteróide, e a Harvester-1, pensada já para a extracção em grande escala. Para já, a empresa californiana tem apenas um escritório no boulevard Royal, na capital luxemburguesa, e não adiantou mais pormenores sobre em que unidade fabril, existente ou futura, será construída a ou as naves.

Durante esta palestra, a empresa japonesa Ispace e a alemã PT-Scientists, apresentaram os seus robots-rovers lunares, ambos candidatos ao “Google Lunar Xprize”, concurso internacional que vai atribuir 30 milhões de dólares ao projecto mais promissor para explorar o nosso satélite natural. Os donos da DSI e da Planetary Resources quiseram saber se os rovers podiam circular em asteróides e outros corpos celestes, mas admitem que o facto de haver água e prata na Lua não é suficiente para suscitar o seu interesse.

“A Lua não é interessante, os asteróides são mais ricos em recursos”, disseram. O debate com os especialistas abordou ainda o futuro da propulsão de naves, os vaivéns ’low-cost’ com decolagem e aterragem vertical, os sistemas de vida das naves, as comunicações espaciais, as plataformas orbitais e o futuro incerto da ISS, os lançadores de foguetões e a viagem para Marte, assuntos que saíram em poucos anos da ficção científica para fazer parte da ciência e das notícias do dia-a-dia.

No Fórum ICT Spring Luxembourg 2016 estiveram especialistas de 72 países e nos diferentes debates foram abordados temas como a conectividade global, o sector da e-Saúde e a “era da abundância”, termo inspirado na série Star Trek sobre uma hipotética economia anti-capitalista futurista, e que neste caso concreto debateu a forma como a tecnologia está (ou não) a fomentar o bem-estar da Humanidade.

Neste fórum foi também debatido como as novas tecnologias estão a mudar a forma de as empresas contratarem pessoal e até um novo desporto (tekball) que nasceu no Luxemburgo.

José Luís Correia 
in Contacto, 18/05/2016

sábado, 7 de maio de 2016

Governo luxemburguês assina acordo com empresa americana para exploração de minério em asteróides


O Governo luxemburguês assinou esta quinta-feira um memorando de entendimento com a empresa norte-americana especializada na exploração em voos espaciais, Deep Space Industries (DSI), e com o banco Société Nationale de Crédit et d'Investissement para a "exploração, uso e comercialização de recursos extraídos em asteróides", refere o Ministério da Economia em comunicado.

O acordo envolve uma cooperação entre o Governo e a Deep Space Industries para desenvolver e lançar a primeira nave, Prospector-X, que vai explorar recursos minerais em asteróides. "Esta promissora cooperação com a DSI, no âmbito da iniciativa spaceresources.lu, demonstra claramente o forte empenho do Governo luxemburguês em apoiar a exploração e uso futuro dos recursos espaciais.

As negociações para formalizar a nossa relação com outras empresas que operam neste domínio estão em andamento. O nosso objectivo é atrair actividades de investigação espacial e capacidades tecnológicas para o Luxemburgo, que alberga um sector espacial cada vez mais importante como parte dos nossos contínuos esforços para diversificar a economia nacional", disse o ministro da Economia, Etienne Schneider.

O primeiro passo para a exploração do espaço foi dado em Fevereiro, quando o Luxemburgo tornou-se no primeiro país a criar um quadro regulamentar e jurídico favorável às empresas que queiram explorar comercialmente o espaço. Essa iniciativa luxemburguesa teve lugar dois meses depois de Barack Obama ter promulgado o "Space Act", que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas nos asteróides e na Lua.

O "Space Act" estabelece que todos os recursos encontrados por um cidadão ou empresa norte-americana no satélite natural da Terra ou em corpos celestes passarão a pertencer a quem os descobriu. Um dos primeiros objectivos da Deep Space Industries é conseguir encontrar água no interior dos asteróides, que poderá servir como meio de propulsão da nave (em vez de outros combustíveis) e depois passar à exploração de metais preciosos como o outro ou a platina.

in Contacto.lu, 06/05/2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Luxemburgo lança-se na corrida ao ouro e minérios do espaço

O Luxemburgo quer atrair empresas e investidores para explorar os recursos naturais no espaço, incluindo minérios em asteróides, como o ouro ou a platina. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider, que sublinhou que o Grão-Ducado é o primeiro país europeu a criar um "quadro regulamentar e jurídico" favorável às empresas que queiram explorar comercialmente o espaço.

A iniciativa surge dois meses após a promulgação pelo presidente americano Barack Obama do "Space Act", uma lei que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas nos asteróides e na Lua. O "Space Act" estabelece que todos os recursos encontrados por um cidadão ou empresa norte-americana no satélite natural da Terra ou em corpos celestes passarão a pertencer a quem os descobriu.

"O Luxemburgo também quer ter um quadro regulamentar e jurídico para preparar a exploração do espaço", disse à AFP o ex-director da Agência Espacial Europeia (ESA), Jean-Jacques Dordain, conselheiro do Governo luxemburguês nesta matéria. As empresas privadas que decidam instalar-se no país para explorarem este sector terão assegurados os "seus direitos" aos recursos extraídos dos asteróides, como por exemplo minerais raros, explicou o ministro.

O Governo luxemburguês também vai investir na exploração comercial do espaço, financiando projectos de investigação e desenvolvimento nesta área ou investindo em empresas, através de participações directas no capital. O orçamento para esta iniciativa, baptizada spaceresources.lu, ainda não foi determinado.

"O nosso objectivo é permitir aceder a recursos valiosos que não estão ainda a ser explorados, situados em rochedos sem vida no espaço, sem prejudicar os habitats naturais", assegurou Etienne Schneider. Questionado sobre a razão para não desenvolver esta iniciativa no âmbito da Agência Espacial Europeia (ESA), uma organização de que o Luxemburgo e 22 Estados-membros fazem parte, o ministro disse que "o ritmo de trabalho da ESA não é o [s]eu".

Na Agência, "todos os projectos de investimento levam anos de discussão e depois discute-se durante anos onde é que os investimentos vão ser feitos e quais serão as consequências para cada Estado-membro", justificou.

"Além disso, eu sou ministro da Economia do Luxemburgo, e interessa-me atrair a actividade económica ao Luxemburgo e não à União Europeia em geral", reconheceu. Segundo o ministro, a empresa norte-americana Planetary Resources, que desenvolve técnicas para extrair minérios de asteróides, diz estar "ansiosa" para trabalhar com o Luxemburgo.

A empresa americana Deep Space Industries, que anunciou que vai começar a explorar minérios em asteróides já este ano, já se mostrou igualmente interessada, disse Schneider.

in Contacto.lu, 03/02/2016

quinta-feira, 16 de abril de 2015

ISS: Estação espacial internacional vai poder ser vista a passar sobre o Luxemburgo, na quinta-feira à noite


Screenshot: Google
A estação espacial internacional (ISS), que orbita em torno da Terra, passa na quinta-feira à noite sobre o Luxemburgo (ver imagem).

A passagem da ISS sobre o Grão-Ducado vai poder ser observada entre as 21h20 e as 21h25. Isto, se o céu permanecer sem nuvens.

A estação, que orbita o nosso planeta entre os 330 e os 400 km de altitude, poderá ser vista a olho nu ou, de preferência, com binóculos. Como a ISS é um aparelho de 100 x 100 x 30 deverá reflectir os raios do sol e emitir um brilho na noite luxemburguesa que não permitem confundi-la com outro objecto celeste.

Os primeiros módulos da ISS foram lançados em 1997. A estação orbital é uma colaboração entre as agências especiais amerciana Nasa, russa Roscomos, europeia ESA, canadiana CSA e japonesa Jaxa. A ISS deverá funcionar até, pelo menos, 2024.

Foto: afp

Este artigo também foi publicado no site do CONTACTO, em www.contacto.lu

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Luxemburgo: ESA dá luz verde para construir Ariane 6


Decorreu esta terça-feira, 2 de Dezembro, no Luxemburgo, uma reunião do Conselho Ministerial (C/M14) da Agência Espacial Europeia (ESA), onde foi dado "luz verde" à construção do foguetão Ariane 6, que deverá suceder ao actual Ariane 5, a partir de 2020.

Na reunião de hoje foram discutidas três resoluções:

1) a resolução sobre o acesso da Europa ao espaço, que reconhece para a Europa os valores estratégico e socioeconómico na manutenção do acesso independente, confiável e acessível ao espaço para clientes institucionais e comerciais e realça os novos princípios de governança relacionados com a exploração do próximo lançador europeu Ariane 6 e da evolução do Vega, Vega-C;

2) a resolução sobre a estratégia de exploração espacial da Europa, abordando os três objectivos da ESA (órbita baixa da Terra (LEO), Lua e Marte) e, em particular para o destino LEO, o programa da Estação Espacial Internacional (ISS);

3) e, por fim, a resolução sobre a evolução da ESA.

Ariane 5, um foguetão fiável com mais de 60 lançamentos bem sucedidos 

As actividades espaciais requerem acesso independente ao espaço. Por isso, a decisão sobre a próxima geração de lançadores da Europa tem uma importância fundamental.

O Ariane 5, que teve origem na Reunião Ministerial de 1985, é um caso notável de sucesso europeu: conta já com mais de 60 lançamentos bem sucedidos, assegurou mais de 50% do mercado de serviços de lançamento e gerou benefícios económicos diretos para a Europa superiores a 50 mil milhões de euros.

No entanto, o mercado mundial de serviços de lançamento está a mudar rapidamente, tanto na oferta e como na procura. Do lado da oferta, há agora novos prestadores não-europeus de serviços de lançamento com preços altamente competitivos, criando desafios ao modelo de negócio do Ariane 5. Do lado da procura, os satélites também estão a mudar.

O mercado comercial, que consiste principalmente em satélites de telecomunicações, favorece a introdução da propulsão elétrica, o que poderá acabar com a tendência das últimas décadas de aumento progressivo do volume dos satélites e vai exigir novas estratégias na colocação de satélites em órbita. Ao mesmo tempo, o lançamento de satélites institucionais europeus tem aumentado, em particular com a criação das constelações Galileu e Copérnico, o que gera um mercado bastante estável para lançamentos regulares de satélites de média dimensão.

Ariane 6, a partir de 2020

Em resposta a estas rápidas mudanças, o Executivo da ESA e a indústria de lançadores europeus definiram um lançador Ariane 6 modular com duas configurações para servir os segmentos de lançamento médio e pesado a partir de 2020, e um sistema de lançamento Vega atualizado (o Vega C) para servir o segmento do pequeno lançamento.

O Ariane 6 vai beneficiar da reutilização optimizada dos resultados intercalares (Midterm Evolution) do Ariane 5, de investimentos e da utilização de um motor de foguetão com propulsor sólido (P120C) comum à primeira fase do Vega C e ao propulsor do Ariane 6.

No Luxemburgo, foi pedido aos ministros que decidissem sobre o desenvolvimento do Ariane 6 e do Vega C os quais, por causa das suas características modulares e de flexibilidade, poderão satisfazer as exigências do mercado institucional europeu e competir no mercado mundial.

Estas decisões estão associadas a uma nova governança para o sector europeu de lançadores, criando responsabilidades acrescidas para a indústria e para os Estados participantes, que decidiram sobre a continuação do Ariane 6 em 2016 em função de um conjunto de critérios técnicos e financeiros, incluindo os compromissos respectivos na fase de exploração comercial.

O orçamento necessário dos Estados-Membros para a conclusão do Ariane 6 e do programa de desenvolvimento Vega C é de 3,8 mil milhões de euros.

Exploração espacial e a ISS 

Para o sucesso dos três objectivos de exploração da ESA (LEO, Lua, Marte), a Estação Espacial Internacional (ISS) é um elemento fundamental.

Além das actividades de investigação de valor inestimável que são realizadas a bordo da ISS, a Estação proporciona experiências muito ricas para a ESA e os para os seus parceiros internacionais que serão essenciais para planear as próximas etapas da exploração espacial.

As decisões dos ministros destinam-se a apoiar as actividades de exploração da ISS pela ESA para os próximos três anos (até 2017), com o custo de 820 milhões de euros, e a apoiar as actividades de investigação (Programa ELIPS), com financiamento adicional.

Para contribuir para os custos de operação comum da ISS e aproveitando a experiência adquirida com o ATV, a ESA está a desenvolver o novo veículo de tripulação multifunções (Multi-Purpose Crew Vehicle Service Module, MPCV-ESM) da NASA.

O financiamento para o desenvolvimento do MPCV-ESM está incluído nos 820 milhões de euros a serem financiados pelo C/M14.

Destino Lua

Em relação ao "destino Lua", a ESA propõe uma discussão preparatória sobre as contribuições para as missões da Rússia Luna-Resource Lander (lançamento previsto para 2019) e Lunar Polar Sample Return (com lançamento previsto no início dos anos 2020).

Programa ExoMars 

A decisão definitiva sobre estas contribuições será tomada na Reunião Ministerial de 2016. Em relação ao "destino Marte", o ambicioso programa ExoMars da ESA, envolvendo missões a Marte em 2016 e 2018, também está em cima da mesa para ser assinado, de modo a garantir a execução do programa ExoMars.

Além disso, o programa de preparação de exploração robótica de Marte (Mars Exploration Robotic Preparation Programme, MREP-2) é proposto para novas subscrições, para permitir a preparação adequada das futuras atividades de exploração, conduzindo a uma ampla participação na missão Mars Sample Return em que a Europa deve estar envolvida como um parceiro de pleno direito.

O futuro da ESA 

O terceiro tema na agenda dos ministros no Luxemburgo, a evolução da ESA, centrou-se no objectivo de criar condições para que a ESA mantenha o seu papel de líder mundial entre as instituições dedicadas ao espaço, e abordou as relações-chave da ESA com os seus parceiros e respectiva eficiência.

Os principais parceiros da ESA são: os seus Estados-Membros, a comunidade científica, a indústria, a União Europeia, outros Estados europeus não-membros e Estados não europeus.

Estas relações estão intrinsecamente interligadas e são impulsionadas pelo objectivo comum de criar um sector espacial europeu competitivo e assegurar o máximo retorno sobre o investimento público no espaço.

O Conselho Ministerial anterior, em 2012, decidiu criar um Fórum de Alto Nível que envolvesse a indústria, os Estados.Membros e o executivo da ESA. O Fórum reuniu-se duas vezes e fez uma série de recomendações ao diretor geral da ESA.

A mais importante foi a de pedir que seja dada maior responsabilidade à indústria nos programas de I&D da ESA, com maior partilha de riscos e de retornos. O Fórum também propôs que a ESA aumentasse a sua presença no desenvolvimento de serviços espaciais e se preparasse para ser um agente económico no sector espacial de envio de dados.

Desde 2012, foram tomadas medidas para fortalecer os relacionamentos da ESA com os seus Estados-Membros, procurando melhorar a coordenação e a cooperação nos programas espaciais na Europa, através da partilha de informações sobre os programas espaciais nacionais.

A relação da ESA com a UE, tanto na definição dos programas como no contexto em que o sector espacial europeu actua é de importância vital para a Europa. O C/M12 mandatou o director geral da ESA a elaborar e avaliar cenários conjuntos com a Comissão Europeia para responder a uma série de objectivos de desenvolvimento desse relacionamento.

Depois de intensas discussões entre as delegações dos Estados-Membros, os ministros foram convidados a confirmar a preferência dos Estados-Membros pela relação entre a ESA e a UE que mantém a ESA como uma organização do espaço intergovernamental independente de classe mundial e faz da ESA o parceiro de longo prazo escolhido pela UE para a definição e implementação da Política Espacial Europeia, juntamente com os respectivos Estados-Membros.