Mostrar mensagens com a etiqueta Marte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marte. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Empresa de Coimbra entrega dois equipamentos para a nave Orion

Foto: Active Space Technologies
A empresa portuguesa Active Space Technologies, sediada em Coimbra, anunciou na sexta-feira a entrega de dois equipamentos para a futura nave Orion, da Nasa.

“A Active Space Technologies terminou o fabrico e montagem dos protótipos de teste do Thermal Control Unit do Orion Multi Purpose Crew Vehicle – European Service Module (MPCV-ESM) da futura nave Orion da Nasa”, pode ler-se num comunicado que a empresa especialista em tecnologia aeroespacial divulgou.

Orion prepara-se para orbitar a Lua em 2017

A primeira missão da Orion será “um voo não tripulado à volta da Lua em 2017 e vai reentrar na atmosfera terrestre a 11 km/segundo, que será a velocidade de reentrada mais elevada de sempre”, revela a empresa de Coimbra.


“A nave Orion vai suceder ao Space Shuttle na missão de transporte dos astronautas” e “irá servir como veículo de exploração, transporte da tripulação e veículo de emergência, operando sobretudo em missões de suporte à Estação Espacial Internacional (ISS)”, anuncia ainda a empresa, explicando que “transportará os astronautas para órbitas terrestres, permitindo futuras missões à Lua e asteróides e, eventualmente, a Marte”.

O comunicado diz igualmente que o módulo de propulsão da Orion, designado European Service Module, “é baseado no Automated Transfer Vehicle desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA)”, esclarecendo que este “consiste num módulo que inclui quatro painéis solares e fornece propulsão, energia, controlo térmico, água e ar ao módulo habitável do Orion”.

O administrador da Active Space Technologies, Ricardo Patrício, afirma que a participação “num dos projectos mais críticos do actual programa espacial mundial, que tem por objectivo substituir o programa Space Shuttle”, reforça o reconhecimento da empresa portuguesa no panorama europeu, após participações noutras missões.

A empresa portuguesa fabricou "dois equipamentos iguais, semelhantes a uma caixa, feitos em alumínio e que serão depois incorporados na nave para testes", explicou por seu lado Liliana Baptista, gestora do projecto.

“São equipamentos para o controlo estrutural de toda a nave, nesta fase ainda de testes, mas que depois serão substituídos por outros. O modelo que vai ser usado na realidade vai ser muito mais complexo, com muitos componentes eletrónicos, térmicos e sensores”, acrescentou.

Liliana Baptista observou que “para fazer os testes da nave não é necessário o equipamento ser tão complexo”, sendo que estes agora produzidos pela empresa têm “as mesmas características dimensionais, mecânicas e estruturais dos futuros equipamentos”.

domingo, 31 de maio de 2015

Bas Lansdorp (Mars One), o holandês que quer enviar humanos para Marte

O holandês Bas Lansdorp é co-fundador e administrador da Mars One, empresa que planeia enviar humanos para Marte a partir de 2027 Foto: Manuel Dias
O holandês Bas Lansdorp é co-fundador e administrador da Mars One, empresa que planeia enviar humanos para Marte a partir de 2027.

Ao CONTACTO concedeu a única entrevista no Luxemburgo. Bas Lansdorp é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Twente (Holanda). Trabalhou entre 2003 e 2008 na Universidade de Tecnologia de Delft. Em 2008, criou uma empresa onde desenvolveu um novo método de gerar energia eólica, companhia que vendeu em 2011 para criar a Mars One.

CONTACTO: Porque razão quis criar um projecto que está a tentar enviar humanos para Marte? 

Bas Lansdorp: Lancei este projecto porque eu próprio quero ir a Marte. Penso que ir a Marte vai ser dos feitos mais importantes que a Humanidade vai fazer no século XXI. Não importa se é a Mars One que vai fazê-lo ou outros. Daqui a 500 ou mil anos, quando as crianças estudarem o século XXI, vão aprender que este foi o século em que a Humanidade começou a instalar-se noutros planetas. Não vão estudar que facções estavam em guerra na Síria ou a crise económica, vão aprender os feitos importantes da Humanidade e a chegada a Marte vai ser uma delas.

CONTACTO: Portanto, você estaria disposto a ir para Marte? 

B.L.: Sim, claro que quero. Não nas primeiras viagens, porque não sou qualificado para o fazer, mas nas missões posteriores. Sou teimoso, impaciente e aborreço-me com facilidade, o que são boas qualidades para um empresário. Por exemplo, estou aborrecido que ninguém esteja a organizar missões para Marte, por isso vou eu fazê-lo. Mas estas são péssimas qualidades para fazer parte da primeira missão, porque a primeira equipa vai ter apenas quatro pessoas, que vão ter que viver num ambiente muito condicionado durante dois anos até chegar a segunda equipa. Talvez mais tarde eu possa ir e levar a minha família. Aliás, se não tivesse família eu ia já na primeira missão. O facto de ser uma viagem só de ida não é de todo um problema para mim. Ir para Marte é comparável às pessoas, entre eles muitos portugueses, que há 100 anos emigravam para a América ou para a Austrália e que nunca regressaram.

CONTACTO: Dos 200 mil candidatos que se inscreveram para integrar o projecto em 2013 quantos ainda estão em liça? 

B.L.: Em Abril de 2013 abrimos as inscrições, recebemos 200 mil candidaturas. Em Janeiro de 2014 reduzimos o número de candidatos para mil, depois para 700 e em Fevereiro último seleccionámos 100 pessoas de 35 países: 50 homens e 50 mulheres, 39 americanos, 31 europeus, 16 asiáticos, sete africanos e sete da Oceânia. Têm entre 19 e 60 anos, 48 têm entre 26 e 35 anos. Penso que já não há portugueses na lista, mas também já não há holandeses. Em Julho anunciaremos as seis equipas finais, de quatro elementos cada, dois homens e duas mulheres.

CONTACTO: Que qualidades devem ter os candidatos? Têm que ter formações específicas em engenharia, medicina, agricultura...? 

B.L.: Têm de estar de boa saúde, ser inteligentes, porque vão ter que aprender novas competências. Uma das qualidades que mais procuramos é o espírito de equipa. Têm que ser pessoas que funcionam ao seu máximo integrados num grupo. Queremos enviar os melhores para Marte, mas sobretudo as melhores equipas, que têm de trabalhar e conviver juntas, e sobreviver a qualquer situação difícil. As suas vidas vão depender dos outros membros da equipa. Consideramos que ter conhecimentos em medicina, engenharia ou agricultura – para cultivar lá a sua própria comida – são menos importantes neste momento, porque são competências que lhes podemos ensinar. Temos 10 anos para o fazer. A primeira missão tripulada está planeada para 2027, em dez anos alguém pode formar-se em engenharia e depois em medicina.

Depois, as competências em engenharia que procuramos não são forçosamente as que uma pessoa aprendeu na universidade. Não queremos alguém que desenhe um novo sistema de suporte de vida, mas alguém que saiba trabalhar com o sistema que vamos enviar, consiga perceber a avaria e que componente trocar para a consertar. Na verdade, um canalizador com uma experiência de cinco anos, que até perceba de electricidade, e que só não foi para a universidade porque a família não tinha recursos, para nós é um candidato mais adaptado para este trabalho do que alguém com um doutoramento em Física Teórica.

"Ainda há 100 candidatos em liça para ir colonizar Marte, de 35 países diferentes."
Foto: Manuel Dias

CONTACTO: Porque diz que ninguém está a trabalhar para enviar missões tripuladas para Marte? A Nasa está a fazer simulações de missões em Marte no deserto do Utah. A Nasa, os europeus (ESA), os russos e até os chineses tem missões para Marte agendadas para daqui a 20 anos. 

B.L.: As agências espaciais dizem que querem enviar missões para Marte daqui a 20 anos e algumas, como a Nasa, já o dizem há 45 anos. O problema é o mesmo para todos: é a missão de regresso, que é algo complexo e que até agora ninguém conseguiu resolver. Chegar a Marte não é um problema, o que é complicado é fazer regressar a tripulação. Seria preciso construir lá uma base de lançamento o que é muito difícil... Nós resolvemos eliminar essa parte da equação. Sem o problema do regresso, podemos concentrar-nos em todos os elementos para montar uma colónia em Marte que consiga auto-sustentar-se e criar as condições para a ida de mais pessoas.

CONTACTO: Ao mesmo tempo as agências espaciais criticam muito o seu projecto... 

B.L.: Se o nosso projecto não fosse criticado isso significaria que não estaríamos a fazer nada de muito excitante ou desafiante.

CONTACTO: Se bem percebi, a viagem de ida não é um problema, quer dizer que a tecnologia já existe? 

B.L.: Neste momento não é preciso inventar nada novo para enviar seres humanos para Marte. Tudo o que precisamos, como um sistema de aterragem ou um sistema de suporte de vida, já existe.

CONTACTO: Já resolveram a questão de como sustentar quatro tripulantes durante sete meses, que é o tempo que dura a viagem? 

B.L.: Os tripulantes vão consumir comida desidratada, cerca de 60 gramas por dia. A matemática é simples: 60 gramas a multiplicar por quatro pessoas, a multiplicar por 200 dias, ou seja, são necessários 500 kg em comida. Os astronautas da estação espacial internacional (ISS) ficam cerca de seis meses no espaço, por isso...

"Quero desepenhar um papel na chegada a Marte".


CONTACTO: Sim, mas a ISS é aprovisionada regularmente desde a Terra... 

B.L.: Mas a nossa nave já vai transportar todo o oxigénio e comida necessária, isso não vai ser um problema. As reservas de água vão funcionar como na ISS (a água que os astronautas consomem provém da sua própria urina filtrada e purificada, ndR). Os maiores desafios estão em Marte. Os sistemas de suporte de vida vão ser testados na Terra e deverão funcionar lá também. Os fatos dos astronautas é outra questão. A gravidade, a atmosfera, a areia e o pó de Marte não são como aqui na Terra, por isso não sabemos como os fatos vão funcionar e a velocidade do seu grau de usura.

CONTACTO: Um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) diz que o que vocês planeiam em Marte não é viável: não se sabe se é possível extrair água do gelo que existe no subsolo marciano e ter plantas num habitat fechado para a renovação do oxigénio é demasiado perigoso, porque é um ambiente inflamável e mesmo explosivo... 

B.L.: Ao contrário do que muitos jornalistas escreveram, depois de ter lido esse estudo, a nossa equipa não vai morrer ao fim de 68 dias em Marte. Assim que chegar, a equipa vai montar o sistema para fazer crescer a sua própria comida. Quanto à água, vamos testar a extracção de água nas primeiras missões robóticas. Se não funcionar, teremos que adiar o envio de seres humanos até resolver esse problema. A questão do oxigénio pode ser resolvida com o mesmo tipo de máquinas de oxigénio que todos os hospitais têm e que já é hoje utilizado para remover o dióxido de carbono na ISS.



CONTACTO: Com que empresas estão a trabalhar? 

B.L.: A Lockheed Martin (que constrói os foguetões da Nasa, ndR) está a trabalhar nas nossas missões não tripuladas, previstas para 2020, e deverá também conceber o sistema de aterragem das missões de transporte a enviar em 2024. A Paragon Space está a trabalhar nos sistemas de suporte de vida e nos fatos dos astronautas. Mas há muito mais empresas a trabalhar connosco.

CONTACTO: A primeira equipa que vai para Marte é composta por dois homens e duas mulheres. Vocês incentivam-nos ou desaconselham-nos a envolver-se sentimental e sexualmente uns com os outros? 

BL.: Cada equipa vai ter quatro pessoas, que já a partir de 2016 vão ser colocadas em simuladores habitacionais em zonas desérticas para simular a estadia em Marte...

CONTACTO: Já agora, onde vão ser esses simuladores? No Utah, onde a Nasa está fazer as suas simulações para Marte, ou na Islândia, que dizem ter um relevo muito parecido com o de Marte? 

B.L.: Ainda não posso revelar onde vai ser... Mas, respondendo à outra pergunta, note que os candidatos vão fazer parte da mesma equipa durante 10 anos. É muito irrealístico pensar que não se vão envolver sentimentalmente. Mas ao mesmo tempo, penso que é uma má ideia enviar casais para Marte, porque se o casal acabar pode quebrar a dinâmica da equipa. Temos que avaliar como cada um gere as suas relações com a equipa e isso também determina se esse é o grupo certo para ir. O que não podemos fazer é tentar interferir na natureza humana.

CONTACTO: Pensa que esses casais se reproduzirão em Marte? 

B.L.: Penso que não. Quando um casal pensa em ter filhos reflecte em que ambiente este vai crescer. Nos primeiros tempos em Marte, a colónia ainda vai ser um local muito perigoso para uma criança. E os pais teriam que equacionar se a criança cresceria de forma normal num planeta em que a gravidade é mais reduzida do que na Terra...

CONTACTO: Seria o primeiro marciano... 

B.L.: Sim, até pode ser. Eu cá acho que o primeiro marciano vai ser um rato nascido num dos laboratórios que montaremos em Marte. Antes de qualquer criança nascer em Marte, teremos que estudar o processo de gestação e crescimento de um ser vivo naquele planeta. Se os humanos querem um dia ser uma espécie multi-planetária têm que se reproduzir noutros planetas, mas esse não é o objectivo do projecto Mars One.

CONTACTO: Para gerar dinheiro para o vosso projecto, estava previsto os candidatos participarem num reality-show na televisão, no qual veríamos como são preparados para Marte, tipo programa “Survivor”. Vocês até tinham um contrato com a Endemol, empresa holandesa que produz programas como o “Big Brother” ou “A Casa dos Segredos”...

B.L.: Bem, o nosso conceito mudou um pouco. Pensámos melhor e em 2016 vamos fazer uma série de documentários nos quais vamos mostrar o processo de formação e de selecção dos candidatos, e como vamos escolher os quatro elementos de cada uma das seis equipas finalistas.

CONTACTO: A Endemol terminou o contrato com a Mars One, como vão fazer para produzir a série? 

B.L.: Já temos contrato com outra produtora, mas ainda não posso revelar qual.

CONTACTO: Você deixou a empresa de energia eólica que fundou em 2008 para se dedicar inteiramente a este projecto em 2011. A empresa Mars One já gera dinheiro que chegue para pagar salários? 

B.L.: Quando me demiti, vendi as minhas partes na empresa e isso deu-me algum conforto financeiro, o que faz com que eu não tenha de me preocupar com dinheiro. Neste momento, consigo pagar cinco das dez pessoas que trabalham na Mars One e isso dá-me uma grande satisfação.



CONTACTO: Continuam à procura de colaboradores? 

B.L.: Temos milhares de pessoas de todo o mundo que se oferecem para colaborar connosco gratuitamente, para fazer traduções, escrever textos, técnicos de imagem, grafistas. Temos um formulário no nosso site no qual as pessoas se podem inscrever se quiserem colaborar. O perfil das pessoas que procuramos depende de futuros projectos da Mars One.

CONTACTO: A título pessoal, acredita em marcianos? 

B.L..: (risos) Não acredito em homenzinhos verdes, mas acredito que encontraremos vida microbiana em Marte, ou descobriremos que a vida já existiu naquele planeta. Quanto a vida inteligente no Universo, tenho a total convicção que existe. Pode ser num milhar ou em mil milhões de planetas, mas algo deve existir algures. Seria demasiado arrogante pensar que somos os únicos seres inteligentes do Universo.

CONTACTO: Já pensou no que vai fazer depois de finalizado o projecto de chegar a Marte? 

B.L.: Hoje tenho 38 anos e acho que este projecto vai ocupar o resto da minha vida. Para mim, Marte é apenas o próximo passo a dar na nossa expansão no sistema solar.

José Luís Correia 
in contacto.lu e Jornal CONTACTO (27/05/2015)

(Vídeo promocional da Mars One)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Os argumentos para convencer a opinião pública da importância da exploração espacial

Que argumentos avançar para convencer a opinião pública que é benéfico e até necessário investir na exploração espacial? Foi a esta pergunta que tentou responder a escritora americana Joelle Renstrom, que escreve habitualmente sobre a relação entre ciência e ficção científica.

No blogue Future Tense (Futuro Simples) - que é uma colaboração entre a revista em linha Slate, o instituto New America e a Universidade Estadual do Arizona, Renstrom começa por recordar que regularmente a Nasa enfrenta o mesmo desafio: não saber se o orçamento que lhe vai ser outorgado pelas autoridades estatais vai sofrer cortes.

E lá têm os seus dirigentes que ir reinventar novos (velhos) argumentos para tentar convencer os políticos e o público a "gastar" dinheiro na exploração espacial. Uma tarefa tanto mais árdua numa época de crise em que a opinião pública depressa se torna susceptível nestas questões e vê com olhos críticos que o Governo gaste demasiado dinheiro em certos sectores em detrimento de outros que esta considera mais importantes.


1960-1980: Do argumento geopolítico de Kennedy ao desígnio filosófico de Carl Sagan

A autora diz que "é ao passado que temos de ir procurar os bons argumentos". Recordando que em 1962 John F. Kennedy conseguiu galvanizar um país inteiro em torno de um objectivo comum - chegar à Lua, feito histórico alcançado em apenas sete anos -, Renstrom lembra que no seu apelo o presidente norte-americano recorreu a argumentos em torno da segurança interna e do orgulho da nação face a um inimigo geopolítico e ideológico, a URSS. "A retórica política de Kennedy fez duplicar o orçamento da Nasa entre 1962 e 1963, e quadruplicar entre 1962 e 1966".

Joelle Renstrom recorda também os argumentos filosóficos que o famoso astrónomo, cosmólogo, astrofísico e astrobiólogo Carl Sagan tentou difundir nos seus trabalhos de vulgarização científica nos anos 1970 e 1980 (como por exemplo na série "Cosmos", que alcançou sucesso mundial). Sagan explanava, com um entusiasmo e um carisma que contagiaram gerações de novos cientistas, que a exploração espacial, e a ciência em geral, elevam e sublimam a Humanidade na sua essência enquanto civilização. Ao mesmo tempo apelava para que isso não nos tornasse arrogantes, antes humildes, e lembrava o lugar do nosso pequeno "ponto azul pálido" (a Terra) na imensidão vasta e incomensurável do Universo.

No entanto, lamenta Renstrom, "actualmente, até o pupilo de Sagan, Neil deGrasse Tyson [astrónomo e cosmólogo] considera que esses argumentos estão estafados, porque as massas não se interessam pelo que não dá resultados imediatos".

Renstrom lamenta ainda que hoje em dia "até os argumentos mais básicos sobre os benefícios práticos e tecnológicos que trazem a exploração e as descobertas espaciais não respondem às perguntas porque devemos investir dinheiro neste sector e porquê agora".

No seu artigo, Joelle Renstrom não o menciona, mas eu lembro que nos anos 1990, a baixa nas verbas para a Nasa, provocada, entre outros pontos, pela explosão do vaivém Challenger (em 1986), e o desmembramento da União Soviética (1991), levaram os EUA a colaborar com a Rússia na criação de uma estação orbital.

A China, Marte e "o comércio do espaço"

A autora verifica que actualmente EUA e Rússia já não são competidoras, antes colaboradoras, na exploração espacial, inclusive "a Nasa recorre às cápsulas russas Soyuz" para enviar os seus astronautas até à estação espacial internacional (ISS), que é hoje um projecto que reagrupa 16 países,

Mas há um novo jogador em campo, precisa Renstrom. "A entrada da China na corrida espacial pode reacender uma competição sã entre nações". A autora admite que um discurso ideológico à Kennedy para galvanizar os EUA "contra uma nação comunista" [como era a URSS nos anos 1960 e como é hoje a China] "é obsoleto e não funcionaria". Mas o outro argumento de Kennedy - ser primeiros e sê-lo porque podemos - pode tocar os americanos no seu orgulho de grande nação.

A China acabou de colocar um rover na Lua, tem uma estação espacial (Tiangong 3) já a orbitar (para já, não habitada) e o próximo objectivo é enviar um taikonauta (astronauta chinês) até Marte. Renstrom propõe Marte como meta para competir com a China.
Aspecto da estação espacial chinesa Tiangong 3 quando estiver terminada

Renstrom não o menciona mas também a Índia, o Brasil ou o Irão querem lançar-se na corrida espacial, mas pensa que há um argumento de peso que pode estimular o financiamento na exploração espacial nesta segunda década do século XXI: "a competição entre empresas privadas".

O "comércio do espaço" pode ter (já tem) várias vertentes. Primeiro, diz Renstrom, o turismo espacial, que "está a tornar acessível a órbita baixa da Terra a cada vez mais pessoas". Renstrom diz que conta com "a mediatização de turistas espaciais famosos", e dá o exemplo de Lady Gaga, para impulsionar o turismo espacial.

A escritora refere também o pioneirismo da Space X, a primeira companhia privada a conseguir um contrato para enviar uma nave até à ISS, o que prova que "o mercado do frete espacial tem capacidade para se desenvolver". A empresa "está a desenvolver naves tipo vaivém" e "conseguiu roubar um contrato ao foguetão europeu Ariane 5 para colocar em órbita satélites comerciais".

Hoje em dia, diz, "as empresas privadas conseguem construir naves por metade do preço da Nasa". Ou seja, a autora considera que o investimento no espaço pode impulsionar a economia americana e mundial, globalmente estagnadas, e que isso, sim, é um argumento que pode sensibilizar os políticos e o homem da rua.

Renstrom não o diz, mas acrescento eu, numa das suas conferências, Neil deGrasse Tyson afirma que a pessoa que quiser ser o primeiro trilionário do Mundo deve investir na exploração do espaço, porque é aí que se encontram inúmeros recursos, que podem valer milhões, biliões, triliões.

Renstrom evoca deGrasse Tyson mas para lembrar que o astrónomo considera que "a exploração espacial deve ser feita pelos governos, quando se trata de atingir novas fronteiras, depois disso as empresas privadas poderiam desbravar trilhos".

Espero que estes argumentos sejam suficientes para que os Estados continuem a investir no espaço.

Nos anos 1980, a Nasa previa fazer chegar o primeiro homem a Marte em 2015 e criar a primeira colónia marciana em 2045. Temos, portanto, 15 a 20 anos de atraso. Atraso provocado, entre outros precalços de agenda, pelas explosões dos vaivéns Challenger (1986) e Discovery (2002), pela crise financeira 2008-2015, que levou a Administração Obama a abandonar o programa americano "Constellation" para regressar à Lua.

Em contrapartida, o tempo de vida da ISS foi prolongado, de 2016 para 2024; Nasa, ESA, Rússia, Japão e outras nações colaboram cada vez mais; as missões Kepler, Hubble e outras têm descoberto um número exponencial de exoplanetas. Sinais que deixam adivinhar que melhores tempos estão a chegar no que concerne o investimento e o empenho da Humanidade na exploração espacial.




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Curiosity encontra (mais) indícios de que pode haver água líquida em Marte

Foto: Reuters
No solo de Marte pode haver água que se acumula todas as noites, mas que logo evapora assim que o dia se levanta, revela esta semana a Nasa, graças a dados enviados pelo robot-rover Curiosity, que actualmente explora a superfície do planeta vermelho.




O Curiosity encontrou no solo de Marte perclorato, um sal que tem a característica de fazer baixar o ponto de congelamento (solidificação) da água, ou seja, a existência de água líquida na superfície marciana não seria impossível.

A equipa de Javier Martin-Torres, da Universidade de Tecnologia Lulea, de Kiruna, na Suécia, tem analisado as temperaturas da humidade, do ar e do solo marcianos que o Curiosity tem recolhido. A equipa descobriu que durante o Inverno marciano a água líquida poderia permanecer estável nos cinco primeiros centímetros do solo do planeta. Ou seja, o perclorato de cálcio absorveria a água da atmosfera e dissolvê-la-ia numa solução salina, ou salmoura. Este processo é chamado delinquescência. Depois, quando o dia nasce e a temperatura aumenta, a água evaporar-se-ia e regressaria à atmosfera, recomeçando um novo ciclo da água.

Para já, os cientistas não conseguiram observar nem medir esta "água líquida", mas Martin-Torres diz que se foram encontradas as condições para que a salmoura apareça na superfície do planeta, então esse ciclo da água é possível.



Até agora, foram encontrados apenas indícios de que a água existe nos pólos de Marte sob forma sólida (gelo), sob forma gasosa (vapor) na atmosfera, e que terá existido no passado, sob forma líquida, segundo deixam pensar vários leitos de rios secos explorados pelo rover. 

Esta possibilidade faz os especialistas da Nasa imaginarem que se um dia astronautas forem enviados para Marte, estes poderiam colectar a água que se acumula no solo durante as noites marcianas, para a utilizar posteriormente para consumo e outros usos. Isto, se missões futuras puderem confirmar que existe um ciclo da água em Marte.

Sobre a eventualidade da água líquida em Marte poder significar que o planeta abriga vida, Alfonso Davila, do Instituto SETI, em Mountain View, Califórnia, relativiza. "Mesmo que encontremos água líquida em Marte, esta pode não abrigar vida, já que as temperaturas são, em média, inferiores a -30°C, demasiado frio para que até os micróbios extremófilos da Terra se reproduzam e metabolizem. A verdade é que nenhum micro-organismo na Terra pode viver abaixo dos 20°C negativos", faz notar o especialista. Ou seja, se existirem micro-organismos em Marte não terão de certeza características comuns com os que existem na Terra.

Este artigo também foi publicado no site do CONTACTO, em www.contacto.lu

sexta-feira, 27 de março de 2015

Nasa lança missão com dois irmãos gémos para medir impacto da gravidade zero no corpo humano

(Da esq.p/ a dta.) Scott Kelly (Nasa) e os russos Gennady Padalka e Mikhail Kornienko (Roscosmos) Foto: Reuters
Um astronauta norte-americano e um cosmonauta russo preparam-se para estar um ano na Estação Espacial Internacional (ISS), um feito inédito, com lançamento previsto para hoje, que visa testar a resistência do corpo humano no espaço por longos períodos.

Scott Kelly e Mikhail Kornienko, engenheiros de voo, seguirão a bordo de uma nave russa Soyuz, que, se tudo correr conforme o programado, descolará do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 20h42 (hora do Luxemburgo).

Com a dupla irá também outro cosmonauta russo, Gennady Padalka, que regressará, no entanto, à Terra ao fim de seis meses. Kelly, Kornienko e Padalka vão juntar-se a outros três colegas, que se encontram na estação espacial desde Novembro, incluindo a astronauta Samantha Cristoforetti, a primeira mulher italiana que viajou para o espaço.

A maioria das expedições à Estação Espacial Internacional dura quatro a seis meses. Com esta missão, numa nova colaboração entre as agências espaciais norte-americana NASA e russa Roscosmos, os cientistas esperam compreender melhor a forma como o corpo humano reage e se adapta no espaço durante um longo período de tempo.

Numa nota, a NASA, onde trabalha o astronauta Scott Kelly, explicou que a expedição é fundamental quando se tenciona levar o homem a Marte, uma viagem que durará mais de um ano.

Segundo a NASA, a longa exposição a um ambiente de gravidade zero pode afetar, de muitas maneiras, o corpo humano, nomeadamente suscitar alterações na visão, atrofia muscular e perda óssea. Para a agência espacial norte-americana, "a psicologia humana é também uma área de investigação importante", atendendo a que os astronautas vão circular, na estação espacial, em espaços confinados e estar isolados do resto das pessoas.

Enquanto Scott Kelly estiver em órbita, o seu irmão gémeo, Mark Kelly, que foi também astronauta da NASA, irá participar em estudos genéticos comparativos. Os testes vão ajudar os especialistas a identificarem melhor qualquer alteração no corpo humano decorrente da longa exposição à gravidade zero.

sábado, 31 de janeiro de 2015

China prevê enviar sonda a Marte até 2020

Não se sabe se a nave chinesa para Marte terá o mesmo nome da sua predecessora, Yinghuo-1,
 cuja missão fracassou em 2011

A China prevê enviar até 2020 uma sonda até Marte, que transportará um veículo teleguiado, após o fracasso de uma missão anterior com destino ao planeta vermelho.

"Prevemos realizar uma missão em Marte até 2020, que incluirá a entrada em órbita de uma sonda, a aterragem em Marte e a exploração à superfície com um veículo", declarou recentemente o cientista Peng Tao ao jornal China Daily.

A agência espacial chinesa não anunciou oficialmente a nova missão, mas o desejo do país de explorar o planeta vermelho não é nenhum segredo.

A China aperfeiçoou recentemente a sua tecnologia espacial, com o envio no final de 2013 da sonda Chang'e-3 à Lua e o desembarque de um veículo teleguiado, baptizado "Coelho de Jade", uma missão que foi considerada um "grande sucesso" pelo governo chinês.

O veículo lunar enfrentou alguns problemas mecânicos que o deixaram numa espécie de estado de coma durante vários meses.

A primeira missão chinesa para Marte terminou em fracasso em 2011. O satélite Yinghuo-1 (Pirilampo) tinha sido programado para estudar a superfície e o campo magnético do planeta vermelho.

A China destina milhões de dólares à conquista do espaço, considerada um símbolo da nova potência do país sob o governo do Partido Comunista.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cometa passa perto de Marte

Um cometa do tamanho de uma pequena montanha passou bem perto de Marte neste domingo, um encontro que acontece uma vez a cada um milhão de anos.

O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto mais próximo de Marte às 18h27 GMT (+1h no Luxemburgo) deste domingo, passando pelo planeta vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h e a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.

Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. "É uma óptima oportunidade", adiantou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte.

O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring, em Janeiro de 2013. Acredita-se que o corpo tenha tido a sua origem há biliões de anos, na Nuvem de Oort, uma região que envolve o nosso sistema solar e de onde partem cometas que "permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar", segundo a Nasa.

O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira passagem por Marte, e só regressa para uma nova visita ao planeta vermelho dentro de um milhão de anos, assim que completar uma volta em torno  do Sol.

Antes de o cometa entrar na órbita marciana, a Nasa reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven, para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.

domingo, 28 de setembro de 2014

Equipa liderada por David Vaz estuda geologia de Marte

David Vaz, do Centro de Geofísica 
da Universidade de Coimbra (UC)

Pela primeira vez, métodos de datação morfológica de falhas utilizados na Terra foram aplicados em Marte para estimar as taxas de erosão do planeta vermelho.

O estudo, desenvolvido por uma equipa internacional coordenada pelo investigador David Vaz, do Centro de Geofísica da Universidade de Coimbra (UC), foi publicado este ano numa das mais importantes revistas das ciências planetárias - "Earth and Planetary Science Letters" (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012821X14003240).

A aplicação das mesmas técnicas utilizadas na Terra permitiu verificar que os movimentos das falhas tectónicas são muito maiores do que se pensava até agora, o que implica que a crosta marciana teve um grau de mobilidade muito maior do que era anteriormente assumido pela comunidade científica.

Os resultados indicam também que, pelo menos nos últimos 3 mil milhões de anos, as condições atmosféricas na superfície de Marte terão sido hiperáridas (com taxas de erosão mil vezes menores do que as existentes na Terra).

Os resultados do estudo, segundo David Vaz, «são relevantes para compreender a história geológica de Marte e avaliar o grau de mobilidade da crosta deste enigmático planeta. Estes resultados permitem também verificar que Marte é cada vez mais um planeta deserto e inóspito».

As técnicas foram aplicadas em duas regiões com diferentes idades, mas os investigadores pretendem estender o estudo a todo o planeta, o que permitirá datar e compreender as mudanças climáticas que ocorreram ao longo da história geológica de Marte.´

Cristina Pinto (Universidade de Coimbra) 
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Primeira sonda indiana chega a Marte

Foto: ISRO

A Índia conseguiu nesta quarta-feira, 24 de Setembro, fazer chegar uma sonda à órbita de Marte, um sucesso para esta primeira missão do país asiático ao planeta vermelho, anunciou o primeiro-ministro Narendra Modi, o que fez a nação ingressar na história espacial.

"A Índia conseguiu chegar a Marte. Felicitações a todos vocês, ao país inteiro. A história foi escrita hoje", disse o primeiro-ministro na sede da missão, pilotada pela Agência Espacial Indiana (ISRO), em Bangalore, no sul do país.

A sonda Mars Orbiter Mission (MOM) - também chamada de Mangalyaan pelos indianos -, lançada a 5 de Novembro de 2013, foi concebida e desenvolvida em tempo recorde e com um orçamento mínimo, menos do que um filme de Bollywood.

Desta maneira, a Índia conquistou o seu objectivo de ser o primeiro país da Ásia a chegar a Marte.

Até agora, apenas Estados Unidos, Rússia e Europa tinham conseguido alcançar tal feito.

Com um orçamento de 74 milhões de dólares, a missão indiana custou uma fracção do custo da sonda MAVEN da Nasa americana, colocada na órbita marciana com êxito, no último domingo.

"Conseguimos logo à primeira tentativa. A ISRO desenvolveu esta sonda espacial em tempo recorde de três anos, todos os indianos estão orgulhosos de vocês", disse Modi, diante dos membros da agência espacial.

O líder indiano rsalientou que o orçamento desta missão foi inferior ao custo do filme de ficção científica "Gravidade", produzido em Hollywood, e que foi estimado em 100 milhões de dólares.

A sonda indiana está equipada com sensores destinados a medir a presença de gás metano na atmosfera de Marte, o que reforçaria a hipótese da existência de uma forma de vida primitiva neste planeta.

A sonda vai dar voltas na órbita de Marte durante seis meses, a uma distância de 500 km da superfície do planeta. No entanto, o robot Curiosity, da Nasa, que chegou a Marte em 2012, não detectou a presença de metano, gás que frequentemente é sinal de actividade biológica, segundo um estudo publicado em Setembro de 2013.

Este sucesso científico da Índia vem fortalecer a reputação tecnológica e industrial do país, que produz, entre outros, o carro mais barato do mundo, e que se impõe assim como líder da inovação a baixo custo.

A missão espacial indiana foi concebida de acordo com o princípio do "Jugaad", algo tipicamente indiano, que poderia se aproximar ao "sistema D" (francês), e que consiste em encontrar a solução mais engenhosa e menos onerosa possível ao mesmo tempo. Inclusive o foguetão que propulsou a sonda Mars Orbiter, de cor dourada e do tamanho de um pequeno automóvel e que era considerado pouco potente para esta missão.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sonda norte-americana Maven entra na órbita de Marte


A sonda espacial norte-americano Maven, encarregada de desvendar os mistérios do desaparecimento de grande parte da atmosfera de Marte num passado longínquo, realizou com sucesso, esta segunda-feira, a entrada na órbita do planeta vermelho, informou a NASA.

A sonda espacial norte-americano Maven, encarregada de desvendar os mistérios do desaparecimento de grande parte da atmosfera de Marte num passado longínquo, realizou com sucesso, esta semana, a entrada na órbita do planeta vermelho, informou a NASA.

A Maven (sigla inglesa para Evolução Volátil e Atmosférica de Marte) entrou na órbita marciana ao fim de dez meses de viagem e depois de ter percorrido 711 milhões de quilómetros.

A nave, que vale cerca de 500 milhões de euros, deverá começar a funcionar em Novembro deste ano, alimentada com energia solar, debruçando-se, pela primeira vez na história das missões a Marte, sobre na atmosfera do planeta.

Esta notícia foi também publicada no site do jornal CONTACTO

domingo, 29 de junho de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Carl Sagan, Stephen Hawking e Arthur C. Clarke conversam sobre "Deus, o Universo e tudo o resto"

Um programa de televisão em 1988 conseguiu juntar três das maiores mentes científicas do planeta no final do século XX: Stephen Hawking (físico teórico e cosmologista), Carl Sagan (astrónomo, astrofísico e cosmologista) e o romancista Arthur C. Clarke.

Os três conversam sobre a grande teoria unificadora, o big bang, o conceito de tempo, buracos negros, vida extraterrestre, Marte e até a existência de Deus.

O programa tem o título sugestivo de "Deus, o Universo e tudo o resto". Vale a pena rever. Um momento único.

 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Se outro planeta estivesse no lugar da Lua

Um internauta divertiu-se num exercício interessante que mostra de forma expressiva como seriam vísiveis da Terra outros planetas do sistema solar, se estivessem à mesma distância da nossa Lua.

Por ordem, vão aparecer Marte, Vénus, Neptuno, Urano, Júpiter e Saturno (Mercúrio foi deixado de lado já que é pouco maior que a Lua, explica o autor). Todos os planetas estão na escala correcta, calculada à distância em que a Lua está da Terra.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Curiosity transportou bactérias terrestres para Marte

Quando os exploradores portugueses e espanhóis descobriram o continente americano, no início do século XVI, contaminaram o novo mundo com microrganismos. Sem o saber, levaram consigo vírus e bactérias que, desconhecidas dos povos nativos, causaram nestes inúmeras mortes. De regresso à Europa também trouxeram consigo microrganismos do novo mundo.

Agora novos exploradores robotizados desvendam novos horizontes em solo marciano. E, apesar de todos os cuidados em os esterilizar antes de os enviar para Marte, há indícios de que estes engenhos tecnologicamente avançados poderão ter contaminado com bactérias o planeta vermelho.

De facto, e segundo o divulgado na semana passada que passou na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, investigações recentes mostram que o robot Curiosity, que chegou a Marte em Agosto de 2012, poderá ter transportado consigo bactérias do género Bacillus.

Há evidências de que esporos destas bactérias conseguem resistir aos processos de esterilização usados nestas naves de exploração espacial. Para além disso, amostras da superfície do Curiosity recolhidas antes do seu lançamento, revelaram estarem contaminadas com 65 espécies de bactérias!

Por outro lado, experiências realizadas na Estação Espacial Internacional ISS) mostram que há bactérias (e.g., Bacillus pumilus) que conseguem sobreviver pelo menos durante 18 meses nas condições extremas de temperatura, vácuo e radiações existentes no espaço!

Isto sugere que não se deve excluir que as eventuais bactérias, ou esporos delas, que tenham seguido com o robô Curiosity na sua viagem de quase dois anos até Marte, tenham conseguido sobreviver às agruras do ambiente espacial.

Na reunião científica também foram divulgados resultados de experiências que mostram que bactérias de vários géneros (incluindo bactérias metanogénicas como as da espécie Methanothermobacter wolfeii) podem sobreviver e reproduzirem-se em condições semelhantes às que se julgam existir nas camadas mais superficiais do solo marciano.

Assim, e resumindo, podemos dizer que muito provavelmente o robot Curiosity, que hoje explora Marte, pode ter levado consigo bactérias, que estas poderão ter sobrevivido nas condições da viagem espacial e que, uma vez chegadas ao solo marciano, podem ter encontrado condições não só para a sua sobrevivência mas também à sua reprodução. Na hipótese de estes factores todos se terem verificado, podemos estar a colonizar Marte com bactérias terrestres.

Por outras palavras, a nossa tecnologia está a semear vida pelo sistema solar! Recorde-se que uma das missões científicas do robot Curiosity é a de procurar indícios de vida em Marte. Ironicamente, esta missão poderá estar votada ao fracasso. Não porque a vida não exista em Marte, mas porque nunca poderemos afirmar que uma eventual descoberta não esteja desde já contaminada pela própria vida transportada da Terra para Marte, a bordo do Curiosity e de outras missões. Este aspecto terá de ser devidamente acautelado em todas as futuras investigações e eventuais notícias relacionadas com a existência de vida em Marte.

António Piedade 
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nasa apresentou os fatos espaciais para utilizar na viagem a Marte


Em Março, a Nasa perguntou aos internautas para escolherem entre três fatos espaciais, especialmente desenhados e concebidos para as futuras missões a Marte. A sondagem decorreu até meados de Abril e o resultado foi apresentado no início deste mês de Maio.

O fato escolhido pelos internautas e aprovado pela Nasa tem o nome técnico de "Technology Z-2" ou simplesmente "Z-2" e inclui luzes luminosas azuis para que os astronautas sejam visíveis no escuro. estas luzes e o design fazem lembrar os fatos dos pilotos do filme "Tron" bem como o do astronauta Buzz Lightning, do filme animado "Toy Story".

O Z-2 obteve 63,1% das votações, o modelo "Biomimicry" (inspirado nas propriedades luminescentes dos peixes), 22,7%, e o "Trends in Society", 14,1%.

O Z-2 vai agora ser fabricado e testado pela Nasa. Os fatos deverão estar prontos em Novembro, e os testes vão decorrer em piscinas e câmaras onde é criado o vácuo artificial, e pretendem verificar a resistência deste modelo. Outros testes serão efectuados numa superfície semelhante à de Marte.

O Z-2 não vai ser testado para passeios no espaço, como os dos astronautas actuais, já que o modelo destina-se apenas à exploração na superfície marciana.

Na verdade, o fato final para a exploração marciana deverá ser o modelo seguinte, o Z-3, que deverá estar pronto no final da década.
O modelo "Trends in Society"
O fato "Biomimicry"
O fato espacial Z-1, que vai agora ser substituído pelo Z-2

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Astronautas em testes no Havai... como se fosse em Marte

Foto: ESA
Testar equipamentos, procedimentos e até a resiliência humana para futuras missões a planetas distantes exige criatividade.

Astronautas voluntários podem passar algum tempo em câmaras hiperbáricas, naves que fazem montanhas russas, em bases isoladas na Antártida, grutas ou falsas naves espaciais ou ainda ficar na cama, dependendo do que se quer testar ou ensaiar.

Na imagem supra, a cientista Lucie Poulet do Centro Aeroespacial Alemão DLR participa na simulação de uma missão a Marte, dirigida pela Universidade do Havai, em Manoa, nos Estados Unidos.

Tudo foi pensado para a tripulação se sentir longe de casa. No pequeno habitáculo onde vivem é permitido apenas 12 minutos debaixo do duche, por semana, nada de comida fresca e a comunicação com amigos e família está muito limitada – é provocado um atraso de 20 minutos nas comunicações, como aconteceria numa viagem real a Marte, por exemplo.

As agências espaciais recorrem a simulações como esta, a Hawaii Space Exploration Analogue and Simulation, promovida pela NASA para avaliar como reagem as pessoas quando são enviadas para ambientes de stress intenso.

No espaço, a ajuda está muito longe, a luz solar é irregular, praticar exercício é difícil e a vida social está limitada.

A tripulação que se encontra no Havai "regressa" à Terra a 28 de Julho. Durante os seus quatro meses de isolamento, a equipa irá investigar novos sistemas de iluminação para fazer crescer plantas em estufas.

No final deste ano, os astronautas da ESA Thomas Pesquet e Andreas Mogensen irão juntar-se a uma simulação de duas semanas debaixo de água, promovida pela NASA, na costa da Florida, para testar novos equipamentos para missões espaciais futuras.

Fonte: ESA

sábado, 19 de abril de 2014

Nasa construiu um "disco voador" insuflável para explorar Marte

Foto: Nasa
Neste momento, vários rovers da Nasa exploram Marte. Mas a grande questão é: qual o próximo passo?

A próxima fase é enviar naves maiores, mais pesadas, com mais aparelhos e até astronuatas a bordo até ao planeta vermelho. Mas como pousar em Marte naves mais pesadas sem se despenharem? Os pára-quedas actuais com que as sondas aterram em Marte já são enormes e não suportam veículos mais pesados.

Como fazer no caso de um veículo mais pesado? Talvez integrando na nave um desacelerador, pensaram os engenheiros da Nasa. Nos últimos anos desenvolveram uma nave destas e construíram um protótipo que se parece estranhamente com um disco voador.

Baptizado "Low-Density Supersonic Decelerator - LDSD), a nave mede 1,80m de altura para uma largura de 6,70m e deverá ser lançada do Havai em Junho de 2015, para um voo teste.

O desacelerador, que é uma espécie de enorme donut insuflável, está fixado na cápsula espacial e é este aspecto que lhe dá um ar de "disco voador"

e deverá ser despoletado ao entrar na atmosfera de Marte. Ao ser accionado, o dispositivo aumenta de tamanho mas conserva a mesma massa, o que fará o veículo travar gradualmente até aterrar.

Em Junho de 2015, o dispositivo LDSD vai ser testado a 36 mil metros de altitude, zona da atmosfera terrestre semelhante à da atmosfera menos densa de Marte. O veículo será depois propulsado a Mach 4 i.e. quatro vezes a velocidade do som, a cerca de 5 mil km/hora, simulando o voo descendente de uma nave terrestre em Marte. O dispositivo insuflável entrará depois em acção para travar progressivamente o veículo. Só depois um pára-quedas será accionado.

domingo, 30 de março de 2014

DD - Documentários ao Domingo: O que nos falta para viajar até outras estrelas?

Viajar até outros sistemas estelares é um dos sonhos de alguns homens desde as primeiras histórias que evocavam outros mundos, textos escritos por clarividentes autores gregos e romanos, quando a maior parte da Humanidade ainda nem suspeitava da existência de outros planetas.

Do sonho à realidade

Esse sonho foi alimentado pela literatura de ficção e posteriomente a de ficção-científica. A palavra foi inventada nos anos 1920 pelo americano de origem luxemburguesa Hugo Gernsback, editor da revista Amazing Stories, e que na sua publicação deu a sua primeira oportunidade a jovens autores como H. P Lovecraft, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

Mas em 1961, depois do russo Yuri Gagarine se ter tornado o primeiro ser humano a viajar no espaço e de a corrida espacial ter realmente começado como um despique entre Estados Unidos e URSS, esse sonho transformou-se num objectivo.

Onde já chegámos 

Hoje, mais de 50 anos depois, apenas um círculo restrito de 600 seres humanos viajaram até ao espaço.

A nível internacional poucos países investem em agências espaciais nacionais, e destas apenas quatro puseram homens no espaço: a agência norte-americana Nasa, a agência russa Roskosmos, a agência europeia ESA e a chinesa CNSA.

O lugar mais longíquo até onde o Homem chegou foi a Lua, o nosso próprio satélite.

Onde queremos chegar 

O planeta mais próximo do nosso, Vénus, é um destino que não está, para já, no nosso itinerário de viagens tripuladas por ser um mundo mergulhado em chamas perpétuas e por isso inóspito ao Homem.

Marte, o segundo mais próximo, parece mais acolhedor. Com uma atmosfera 150 vezes menos densa que a da Terra, para aí viver o Homem terá que criar habitats próprios.

O que falta

Mas o que nos falta técnica, tecnologica e financeiramente para tornarmos as viagens interestelares uma realidade?

Melhor do que dissertar sobre a falta de interesse de potenciais investidores, dos limites das tecnologias actualmente existentes ou das que estão neste momento a ser inventadas e que nos permitiriam alcançar esse objectivo num futuro próximo, pensámos que apresentar-vos um documentário do canal National Geographic seria mais interessante e esclarecedor.

Partindo de uma premissa fictícia - que a Terra tem que ser evacuada dentro de 75 anos, ameaçada por um pulsar - a equipa do canal National Geographic entrevista físicos, astrónomos e engenheiros espaciais e explora as possibilidades reais, a curto e médio prazo, de viajarmos para fora do nosso planeta se realmente o tivéssemos que fazer.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Nasa explica rocha em forma de "donut" encontrada em Marte

Foto: NASA
A Nasa resolveu na sexta-feira, 14 de Fevereiro, o mistério sobre a curiosa rocha fotografada em Marte a 8 de Janeiro e que parecia ter aparecido do nada, já que no final de Dezembro não se encontrava naquele local e o robot Opportunity, que fey a foto, não tinha saído do mesmo lugar.

Apelidada "donut" por causa de sua aparência redonda com um buraco no meio, a rocha surpreendeu os cientistas da Nasa que não conseguiam explicar a sua "aparição" na segunda de duas fotografias tiradas apenas com duas semanas de diferença pelo Opportunity.

A Nasa pôs fim nesta sexta-feira ao mistério ao explicar que o enigmático "donut" era apenas um pedaço de rocha que saltou de uma rocha maior, na passagem das rodas do rover.

A curiosa rocha, apelidada "Pinnacle Island" pelos cientistas e "donut" pelos internautas e astrónomos amadores, tem cerca de quatro centímetros de diâmetro e é de cor branca e vermelha ao centro.

"Depois de movimentarmos o Opportunity e inspecionarmos a rocha Pinnacle Island, pudemos ver directamente de cima uma rocha que tinha a mesma aparência incomum e estranha. Pássamos por cima com o robot e pudemos ver as marcas, e concluímos que é daí que provem Pinnacle Island", explicou Ray Arvidson, que participa no projecto e trabalha na Universidade de Washington em St. Louis.

O rover-robot Opportunity explora Marte desde 24 de Janeiro de 2004.