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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Um livro para os mais pequenos descobrirem o Big Bang



Há 50 anos, em 1965, os norte-americanos Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a chamada radiação cósmica de fundo, uma radiação de micro-ondas, a luz mais antiga que conhecemos do cosmos, “luz fóssil” de quando o Universo tinha cerca de 380 mil anos.

A efeméride desta descoberta é, entre outras, uma das que assinala 2015-Ano Internacional da Luz que este ano se celebra.

Para assinalar e perceber melhor aquela descoberta, a editora Gradiva publicou em Julho último o livro de banda desenhada intitulado “Cosmicomix: a descoberta do Big Bang”. Nesta obra, os textos são da autoria do astrofísico Amedeo Balbi e os desenhos de Rossano Piccioni, ambos italianos. Publicada originalmente em 2013, a edição portuguesa tem tradução de Florbela Marques, revisão científica do professor Carlos Fiolhais e teve o apoio da Sociedade Portuguesa de Física.

Esta é uma edição que se saúda não só por ser muito oportuna neste Ano Internacional da Luz, que assinala na contracapa, mas por ser um bom exemplo de como a banda desenhada pode ser muito eficaz na divulgação científica.

Ao longo de 150 páginas, o leitor revive a aventura das descobertas científicas ao longo da primeira metade do século XX, que mudaram a compreensão da evolução do universo em que existimos. O leitor descobre as personagens e os cientistas que estiveram envolvidos nessa compreensão, através das suas teorias e observações experimentais.

Meio século de interacção científica que leva a uma primeira confirmação da teoria do Big Bang, a mais bem sucedida que ainda temos actualmente para descrever a evolução do Universo desde há 13,8 mil milhões de anos.

O livro, que apresenta uma linguagem muito acessível sem perder o rigor científico, familiariza o leitor, por exemplo, com o físico Albert Einstein, o matemático Alexander Friedman, o astrónomo Edwin Hubble ou o físico George Gamow, assim como com as teorias que produziram.

Todas as personagens que surgem nesta banda desenhada são figuras de destaque da história da ciência e que estiveram de alguma maneira envolvidas no esforço científico para compreender a origem e evolução do universo.

Os autores recorreram a documentação diversa para reconstituírem as cenas retratadas. São reconstituídos vários momentos marcantes em que os cientistas se encontram, discutem as suas teorias e apresentam os resultados experimentais que as suportam ou que exigem novas teorias.

A evolução da narrativa neste livro permite, de uma forma agradável, que o leitor apreenda a história da evolução do conhecimento sobre o universo ocorrida no século XX, até à descoberta da radiação cósmica de fundo pelos radioastrónomos Arno Penzias e Robert Wilson (galardoados em 1978, por isso, com o Prémio Nobel da Física). A obra permite que compreendamos bem a importância desta descoberta para confirmar a teoria do Big Bang primeiramente sugerida pelo padre e físico belga Georges Lemaître em 1927. Aliás, o livro reconstitui uma conversa entre Lemaître e Einstein em Bruxelas, em 1927, no qual o primeiro expõe a sua teoria do “átomo primordial” ao pai da teoria da relatividade (ver imagem).

É de sublinhar, nesta banda desenhada o cuidado em explicar como a ciência se faz e evolui, e a importância da observação e resultados experimentais que confirmam, ou não, uma dada teoria. O livro apresenta, no seu final, biografias breves de todos os cientistas envolvidos, que são úteis para despertar a curiosidade em saber mais sobre eles.

Também são descritos, nas últimas páginas, alguns exemplos de como a banda desenhada foi feita. No epílogo, o autor, Amedeo Balbi, descreve resumidamente os avanços e descobertas ocorridas desde a descoberta da radiação cósmica de fundo até aos dias de hoje, mostrando que ainda há muito para conhecer: “As perguntas não acabaram e continuamos à procura das respostas”.
Imagens: Gradiva
É, em suma, um livro de que apresenta de uma forma muito acessível conceitos e teorias sobre a evolução do universo e que se recomenda a todos.

António Piedade (adaptado)
Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
Imagens: Gradiva


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Irmãos Bogdanov no Luxemburgo: “Computadores quânticos vão pemitir-nos fazer viagens interestelares”


Igor (à esquerda) e Grichka (à direita) dizem que os seus últimos cálculos apontam para que o Universo seja redondo como uma bola de futebol a três dimensões
Foto: Guy Jallay
Os cosmólogos franceses Grichka e Igor Bogdanov estiveram no Luxemburgo pela primeira vez. Os irmãos gémeos, hoje com 65 anos, ficaram famosos nos anos 1980 pelo seu programa de televisão juvenil de vulgarização científica “Temps X”, que passava na televisão francesa.

Grichka é matemático e Igor é físico teórico, com doutoramentos feitos na Universidade de Borgonha. São também docentes na Universidade Megatrend de Belgrado (Sérvia). Ao CONTACTO e ao Luxemburger Wort concederam uma das únicas três entrevistas que deram no Grão-Ducado. A entrevista começou ao contrário, com os irmãos a fazerem a primeira pergunta e a quererem saber porque razão existia um jornal português no Luxemburgo.

Grichka e Igor Bogdanov (G. e I.B): Um jornal português? No Luxemburgo?

CONTACTO: Um quinto da população do Luxemburgo é portuguesa e se acrescentarmos também a lusófona chegamos a um quarto da população que fala português. 

G. e I.B: Oh, que interessante. Sabe, um dos nossos grandes amigos é português. É filho daquele realizador português que morreu recentemente...

CONTACTO: O Manoel de Oliveira?... 

G. e I.B: Sim, exactamente, somos grandes amigos do filho do Manoel de Oliveira, o José de Oliveira [trata-se de José Manuel Brandão Carvalhais de Oliveira, nascido em 1944, ndR].

CONTACTO/Luxemburger Wort: O vosso tema de predilecção é o Big Bang e o nascimento do Universo, aliás foi o tema de tese dos vossos doutoramentos. Mas nos vossos livros mais recentes têm vindo a defender uma nova teoria, a de que o Universo é redondo. Podem explicar-nos de forma simples? 

G. e I.B: A noção de Universo e da sua forma colocam-se hoje da mesma forma do que quando houve a discussão sobre se a Terra era plana ou redonda. Hoje em dia, a comunidade científica pensa que o Universo é plano, mas o meu irmão e eu afirmamos que é redondo. Neste tipo de conceito temos que pensar em três dimensões, porque vivemos num espaço que tem três dimensões: comprimento, largura e altura. Os resultados dos nossos cálculos, em matemática e em física teórica, fazem-nos concluir que o espaço é curvo. Trata-se de uma curvatura muito ligeira, muito atenuada, mas não obstante ela existe e é, além disso, positiva, ‘marginalmente positiva’, como dizemos em termos científicos. Se fosse negativa o Universo era um hiperbolóide. Mas é positiva. Por isso o Universo é redondo. Os últimos resultados científicos parecem dar-nos razão. Os dados conseguidos pelos satélites astronómicos WMAP [Nasa, ndR] e Planck [da Agência Espacial Europeia, ESA, ndR] – os últimos resultados do satélite Planck foram apresentados em Fevereiro – levam-nos a pensar que o Universo tem efectivamente três dimensões e que é portanto redondo e não plano.

Imagem do satélite WMAP, da Nasa, sobre a radiação cósmica de fundo, que mostra o Universo pouco tempo depois de nascer, ou seja, pouco tempo após o Big Bang (cerca de 380 mil anos depois do Big Bang)
Imagem: WMAP/Nasa


CONTACTO/LW: O Universo parece-se com uma bola de râguebi, como nas imagens da radiação cósmica de fundo que o satélite WMAP mostrou? 

G. e I. B.: (risos) Não! Eu diria que se parece mais com uma bola de futebol. Neste caso é o princípio da isotropia [propriedade de um sólido quando se expande de igual modo para todos os lados quando lhe é acrescentada energia térmica, ndR] que se aplica, e aqui é a forma esférica a preferida e não a elipsóide. Mas, atenção, quando dizemos que o Universo se parece mais com uma bola de futebol é relativo, porque na realidade o Universo tem três dimensões e a bola de futebol apenas duas.

CONTACTO/LW: Os cientistas dizem que o Big Bang, que deu origem ao Universo, aconteceu há 13,7 mil milhares de anos. É essa a idade do Universo ou é apenas o nosso horizonte cósmico, ou seja, não conseguimos ver além e por isso não sabemos se é mais antigo? 

G. e I. B.: Hoje conhecemos melhor a extensão do Universo no tempo do que no espaço. Temos uma visão menos precisa da sua extensão no espaço do que da sua extensão no tempo. Hoje, pensamos que o Universo tem cerca de 46 mil milhões de anos-luz de raio, pela sua acção de expansão, mas não temos bem a certeza, pode ser bem mais. Quanto à idade do Universo, temos uma ideia bem mais precisa. Em 2013, o satélite Planck demonstrou que o Universo tem cerca de 13,820 mil milhões de anos e que é portanto um pouco mais velho do que pensávamos, e que rondava os 13,7 mil milhões de anos. O que nos interessa a nós é o que havia antes do Big Bang [tema das suas teses de doutoramento, ndR]. Mas aí, entramos no mundo das hipóteses. Trata-se do instante de Planck, o momento em que o Universo nasceu. O que está antes desse instante está fora da realidade, desta realidade, fora do tempo. Aliás, o tempo nasceu nesse momento. Essa realidade existiu numa outra forma de tempo, um tempo imaginário, na acepção que os matemáticos dão à palavra “imaginário” [noção criada por René Descartes em 1637, ndR].

CONTACTO/LW: Vocês dizem que o Universo é feito de tal forma que é perfeito e que se for alterada a menor constante cosmológica, todo o Universo fica um caos, podia até nunca ter existido. Isso quer dizer que acreditam em Deus ou é uma conclusão matemática? 

G. e I. B.: É uma conclusão matemática. No entanto, já São Tomás de Aquino dizia que podemos ir para o ’Mistério Supremo’ através das vias da razão. Ou seja, mesmo não querendo ser religioso, o facto é que essas vias da razão nos levam em direcção da ideia de algo supremo. No entanto, nós temo-nos esforçado, em todos os nossos livros, em nunca falarmos directamente de Deus. Apenas constatamos que o Universo é ordenado.

CONTACTO/LW: Mas acreditam em Deus? 

G. e I.B.: Acreditamos no Deus de Einstein. Quando em 1936 um jovem reconheceu perguntou a Einstien se ele acreditava em Deus, este não lhe respondeu logo, mas prometeu-lhe escrever uma carta a responder, carta que é hoje mundialmente famosa. Na carta, Einstein diz que todos os que estudam de forma séria a Ciência vão acabar por compreender um dia que um espírito superior se manifesta nas leis do Universo. Quando Einstein diz isso está a pensar no espírito das leis, das leis da Física. A ordem a que obedecem as leis da Física reenvia para qualquer coisa que nós não definimos nos nossos livros, nem queremos, deixamos ao leitor o cuidado das suas próprias conclusões.

Igor (à esquerda) e Grichka (à direita) explicam que a informática quântica vai multiplicar por mil ou mesmo por um milhão o factor de aceleração do processamento de dados dos computadores
Foto: Guy Jallay

CONTACTO/LW: Foram convidados para vir ao Luxemburgo falar de computadores quânticos e da inteligência artificial. Concordam com o alerta feita pelo astrofísico Stephen Hawking sobre a inteligência artificial, que pode tornar-se um perigo para o Homem? 

G. e I.B.: Pode parecer que Hawking e outros cientistas estão alarmados pela emergência de grandes sistemas que aos poucos podem tornar-se desviantes em relação à mente humana. Estivemos com Hawking e perguntámos-lhe o que ele quis dizer. Ele explicou-nos que não teme tanto uma revolução a esse nível, mas que queria apenas chamar a atenção para os perigos que essa revolução pode causar. A Humanidade tem que entrar nesse novo mundo com precaução, mesmo se é um passo inevitável. Nós acreditamos que nunca a inteligência artificial será comparável à inteligência ou à consciência humanas. Com os computadores quânticos acederemos a uma inteligência artificial que terá capacidades fulgurantes e que poderá ter semelhanças com a consciência humana, mas nunca chegará a ser comparável com esta, nem constituirá um perigo para a Humanidade. Nos anos 1950, as pessoas também tinham medo do que os computadores poderiam fazer ao ser humano. Hoje vemos que aumentaram as nossas capacidades em termos de trabalho, de comunicação, a muitos níveis que eram inimagináveis há 60 anos. Vai passar-se o mesmo com a inteligência artificial, será uma nova ferramenta que nos permitirá dar o próximo passo na nossa evolução.

CONTACTO/LW: E quanto aos computadores quânticos, que ajudarão a desenvolver inteligência artificial, são já uma realidade? 

G. e I.B.: Há uma empresa canadiana que diz já produzir computadores quânticos, mas na realidade não são bem quânticos. Nós pensamos que essas novas máquinas serão uma realidade daqui a cinco ou dez anos.

CONTACTO/LW: Como é que um computador quântico funciona?

G. e I. B.: Enquanto um computador convencional funciona com bits, os quânticos vão funcionar com “qbits”, ou seja “quantum bits” (bits quânticos). Todos conhecemos o aspecto de um chip electrónico. Recentemente, estivemos num laboratório onde estão a construir um computador quântico e o cérebro dessa nova geração de computadores não são chips mas fotões, partículas sub-atómicas de luz. O que nós vimos tinha o aspecto de uma esfera num gás de partículas. Enquanto o processador de um computador convencional utiliza um código binário, no qual uma informação ou é 1 ou é zero, num computador quântico a informação pode ser 1 e zero ao mesmo tempo, e até zero e 1 sobre-posicionados, e mesmo mais, toda uma multiplicidade de sobreposição de estados que podem até ser um elemento sólido e uma onda ao mesmo tempo. Estas capacidades fenomenais vão permitir uma aceleração do tratamento da informação de dados que vai ser multiplicada por um factor de mil, 10 mil, 100 mil, um milhão. Se pedirmos a um computador actual para calcular a previsão do estado do tempo para um mês, os cálculos vão levar cinco anos, tendo em conta o que hoje se sabe da ciência da meteorologia e da sua aleatoriedade, mas sobretudo é esse o limite dos computadores de hoje. Um computador quântico vai poder efectuar esses cálculos em cinco minutos. Vejam bem a diferença colossal. Os computadores quânticos são para breve, até porque há três grandes actores globais a investir fortemente nisso: a agência de segurança interna dos Estados Unidos (NSA), a IBM e a Google. A NSA quer mesmo ter um desses computadores já a funcionar em 2020.

CONTACTO/LW: Pensam que a informática quântica é o passo tecnológico que nos falta dar para podermos aplicar ao sector aero-espacial e podermos viajar até outros sistemas estelares? 

G. e I.B..: Na realidade, o que vai acontecer é uma verdadeira ’revolução quântica’, um passo gigante para a frente. Há quatro sectores que, a nosso ver, vão sofrer grandes pulos tecnológicos: a saúde, a energia, a indústria numérica e sim, a exploração espacial, também é uma delas. Portanto, sim, estamos convictos que os computadores quânticos vão ajudar a resolver muitos dos problemas que hoje enfrentamos nessa área, como por exemplo conseguir atravessar as grandes distâncias que nos separam dos sistemas estelares mais próximos.

José Luís Correia (CONTACTO) e Anne Fourney (WORT.LU) 
in wort.lu ,  contacto.lu e Jornal CONTACTO (27.05/2015)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Íris Científica 2", um livro de António Piedade sobre a ciência, o tempo, o espaço e o Universo

António Piedade 
Foi recentemente publicado o livro "Íris Científica 2". Trata-se de um novo livro de divulgação de ciência, da autoria do bioquímico António Piedade.

O autor baseou-se nas crónicas de ciência que tem escrito para a imprensa e editou-as de modo a se adaptarem ao formato de livro. Parece redundante dizer isto mas o autor começa pelo princípio, isto é, pelo início da formação do Universo e pelo vazio, para logo de seguida falar da matéria e do tempo.

De seguida, dedica uns capítulos à saúde humana, permitindo-nos revisitar temas científicos actuais e que tanto interesse suscitam, disponibilizando interessantes explicações sobre cromossomas, diabetes, bactérias, vírus, reprodução e a estrutura do cérebro.

Outro tema caro ao autor, e que tem destaque neste livro, é a astronomia, assunto que também merece a atenção ao longo de vários capítulos. Aqui, podemos ler sobre a pesquisa de exoplanetas, área de pesquisa em que equipas portuguesas têm dado cartas, investigação espacial e fenómenos astronómicos como as chuvas de estrelas.

Do espaço, o autor retorna à Terra para voltar a falar de biologia e de temas relacionados com estratégias de sobrevivência e de adaptação à natureza: formigas que estreitam relações com acácias, rãs que sobrevivem a temperaturas negativas e o percurso evolutivo dos coelhos europeus.

O livro termina com um final emotivo, com texto de homenagem a Marie Curie e dois textos inspirados em poemas de António Gedeão, pseudónimo do professor Rómulo de Carvalho que foi um homem do conhecimento ligado à divulgação de ciência – no dia do seu aniversário, celebra-se o Dia Nacional da Cultura Científica.

Este é mais do que um livro sobre ciência, é uma obra que é um serviço público, pois António Piedade foi basear-se em artigos científicos, aos quais geralmente apenas os académicos têm acesso, e transformou esse conhecimento em textos compreensíveis para o cidadão comum.

Muitos desses artigos reflectem a pesquisa de ponta que se faz em Portugal e, por isso, está também a divulgar o melhor da investigação nacional. Neste sentido, e apenas a título de exemplo, saliento a pesquisa realizada por Miguel Carneiro do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), e restante equipa, sobre o processo de domesticação do coelho-bravo e cujos resultados foram publicados em prestigiadas revistas internacionais como a Molecular Biology and Evolution.

Através deste livro, o autor pretende dar continuidade a um projecto que iniciou em 2005, com o primeiro volume de "Íris Científica" e que terá continuidade no futuro, como revela na introdução. Com este, já são quatro os livros de divulgação publicados por António Piedade. Pois, que venham mais.

João Lourenço Monteiro (biólogo e comunicador de Ciência)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

domingo, 29 de junho de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Carl Sagan, Stephen Hawking e Arthur C. Clarke conversam sobre "Deus, o Universo e tudo o resto"

Um programa de televisão em 1988 conseguiu juntar três das maiores mentes científicas do planeta no final do século XX: Stephen Hawking (físico teórico e cosmologista), Carl Sagan (astrónomo, astrofísico e cosmologista) e o romancista Arthur C. Clarke.

Os três conversam sobre a grande teoria unificadora, o big bang, o conceito de tempo, buracos negros, vida extraterrestre, Marte e até a existência de Deus.

O programa tem o título sugestivo de "Deus, o Universo e tudo o resto". Vale a pena rever. Um momento único.

 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A expansão do Universo resumida em seis minutos

Cientistas e astrónomos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) criaram recentemente uma simulação 3D que mostra como terá sido criado o Universo e a sua evolução cósmica. O projecto foi baptizado "Illustris".

A animação resume em seis minutos um período de cerca de 13, 5 mil milhões de anos.

O modelo de Universo evolui num cubo virtual com 350 milhões de anos-luz quadrados e retrata um período que se estende desde 600 milhões de anos depois do Big Bang (o período da reionização do universo primevo, por assim dizer) até aos dias de hoje.

A animação revela a primeira aglomeração de matéria, as primeiras nebulosas, o surgimento das primeiras estrelas e galáxias e mostra depois a evolução de 50 mil galáxias, incluindo a nossa.

O trabalho necessitou cinco anos de trabalho, três meses de compilação de dados, 8 mil processadores informáticos, o equivalente a 2 mil anos de tempo de processamento num computador clássico, e representa meio-petabyte (10 à potência 15) de informação.

O resultado final mostra um Universo onde se vê a emergência das estrelas e galáxias, mas também a influência da matéria negra na expansão do cosmos.


sábado, 5 de abril de 2014

DD - Documentários ao Domingo: O Big Bang de João Magueijo

O cosmologista e físico teórico João Magueijo nasceu em Évora, em 1967, e faz hoje parte do Grupo de Física Teórica do Imperial College, em Londres.

É autor da Teoria VSL (Velocidade Variável da Luz), que veio questionar a premissa mais básica da Teoria da Relatividade de Einstein, a de que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante, e põe assim em questão o postulado de que a velocidade da luz é imutável..

Magueijo licenciou-se em Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e mudou-se depois para Cambridge, em Inglaterra.

Contou com uma bolsa do Trinity College para fazer o mestrado e o doutoramento, acabando por permanecer como investigador no St. John's College.

João Magueijo recebeu aos 11 anos um livro de seu pai que tinha sido escrito por Albert Einstein e Leopold Infeld, obra que diz ter revolucionado a sua vida.

terça-feira, 18 de março de 2014

Cientistas detectam ecos directos do Big Bang

A
A descoberta foi feita graças ao telescópio BICEP2, no Pólo Sul
Foto: Reuters
Cientistas americanos revelaram na segunda-feira, 17 de Março, a detecção pela primeira vez de ecos do Big Bang, ocorrido há 14 bilhões de anos, uma importante descoberta para entender as origens do universo. A teoria do Big Bang pode deixar assim de ser uma teoria e passar a ser um facto científico. Ao mesmo tempo, esta descoberta pode unificar a mecânica quântica e a mecânica celeste, num só, algo que os cientistas procuravam há décadas.

A detecção da existência destas ondulações de espaço-tempo, primeiro eco do Big Bang, previstas na teoria da relatividade de Albert Einstein, confirma a expansão extremamente rápida e violenta do universo na primeira fração de segundo de sua existência, uma fase conhecida como inflação cósmica. Esta teoria foi levantada pela primeira vez em 1979 pelo físico americano Alan Guth.

Verdadeiro avanço científico, esta descoberta é fruto de observações da radiação cósmica de fundo - uma baixa radiação remanescente do Big Bang - conseguidas graças a um telescópio BICEP2 no pólo Sul. "É o local na Terra mais próximo do espaço, onde o céu é mais seco, mais claro e mais estável", explicam os autores do estudo.

"É o ambiente ideal para observar as microondas difusas provenientes do Big Bang". "A detecção destas ondulações é um dos objectivos mais importantes da cosmologia na actualidade e resultado de um enorme trabalho realizado por uma grande quantidade de cientistas", destacou John Kovac, professor de Astronomia e de Física no CfA e chefe da equipa de investigação BICEP2 (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarization), que fez a descoberta.

"Era como encontrar uma agulha num palheiro, mas no seu lugar encontrámos uma barra de metal", disse o físico Clem Pryke, da Universidade de Minnesota, chefe adjunto da equipa. Para o físico teórico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, o avanço "representa um novo esclarecimento sobre algumas das questões mais fundamentais para saber porque existimos e como o universo começou". Esta descoberta unifica a mecânica quântica e a mecânica celeste "Esses resultados não são apenas a prova irrefutável da inflação cósmica, mas nos informam sobre o momento exacto desta expansão rápida do universo e da potência deste fenómeno", explicou.

Os dados recolhidos "confirmam também a relação profunda entre a mecânica quântica e a teoria da relatividade geral", ressaltaram esses astrofísicos. A física quântica descreve esses fenómenos numa escala atómica, o que a relatividade geral não pode explicar. Ao se movimentarem, as ondas gravitacionais comprimem o espaço, o que produz uma assinatura muito distinta na radiação cósmica de fundo. Como as ondas luminosas, estas são polarizadas, uma propriedade que descreve a orientação das suas oscilações.

"A nossa equipa procurou um tipo particular de polarização... própria da luz antiga", na pista de ondas gravitacionais cósmicas, indicou Jamie Bock, do California Institute of Technology da Califórnia, um dos co-autores desses trabalhos.

"Esta característica de uma polarização em vortex é a assinatura única das ondas gravitacionais... e é a primeira imagem directa dessas ondas através do céu primordial", sublinha Chao-Lin Kuo, um físico de Stanford, membro da equipa de investigadores. Para Tom LeCompte, um físico especialista em altas energias no CERN (Centro de Pesquisa Nuclear Europeu) e no Laboratório Nacional de Argone, perto de Chicago, que não participou nestes trabalhos, essa descoberta "é o maior anúncio na física há anos".

"Esta descoberta pode potencialmente valer o Prémio Nobel" aos seus autores, declarou à AFP, comparando esta descoberta ao do Boson de Higgs em 2012, a pedra angular da teoria do Modelo padrão, a partícula elementar que dá a sua massa a inúmeras outras partículas. Esta detecção directa de ondas gravitacionais é "notável e entusiasmante" na medida em que permite ver o que aconteceu "no primeiro instante após o Big Bang", explicou.

"Isto vai além do que estamos a tentar fazer com o Large Hadron Collider (o acelerador de partículas, situado entre a França e a Suíça) para ver como se comportava o universo em sua infância (...). Isto vai permitir olhar ainda mais para trás no tempo".

(Este artigo foi também publicado no site contacto.luwww.contacto.lu)

domingo, 3 de novembro de 2013

Einstein desintegrou-se

A nave europia Albert Einstein (ATV-4) desintegrou-se, como previsto, durante a sua reentrada na atmosfera, neste sábado, numa região desabitada do Pacífico Sul, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

A nave de abastecimento europeia foi desacoplada na segunda-feira da Estação Espacial Internacional (ISS), onde atracou em 15 de Junho.

"O quarto Veículo de Transferência Automática (ATV) da ESA, baptizado Albert Einstein, concluiu a sua missão de cinco meses junto à ISS. Hoje fez a sua reentrada na atmosfera e desintegrou-se como planeado numa área desabitada do Pacífico Sul ", informou a ESA em comunicado.

"Albert Einstein realizou uma série de manobras delicadas para que os astronautas pudessem ver a sua descolagem nas camadas superiores da atmosfera, o que fornecerá dados únicos sobre fenómenos de reentrada atmosférica", indica o comunicado, acrescentando que "o ATV-4 se desintegrou com segurança na atmosfera no dia 2 de Novembro às 12h04 UT".

"A missão foi realizada com perfeição o que, como em qualquer missão espacial, representa um enorme sucesso para toda a equipa ATV", afirmou Alberto Novelli, chefe da missão ATV-4, citado pela ESA .

"A conclusão bem-sucedida desta quarta missão reflecte a maturidade do programa ATV e este novo sucesso abre o caminho para futuros projectos da ESA", acrescentou .

As manobras da nave europeia no espaço foram supervisionadas pelo centro de controlo, com sede em Toulouse (França), e gerido conjuntamente pela ESA e CNES.

Lançado em 5 de Junho a bordo de foguetão Ariane 5 a partir de Kourou (Guiana Francesa) , o ATV-4 transportou para a ISS uma carga de cerca de 7 toneladas de mantimentos (água, combustível, alimentos, equipamentos diversos) destinados aos astronautas que se revesam na ISS desde o ano 2000.

Com um peso total de 20,2 toneladas, esta foi a carga mais pesada já enviada pela Europa para o espaço. Cheio de todos os resíduos não perigosos gerados a bordo da ISS, a nave desintegrou-se finalmente na atmosfera, sob o efeito combinado do aquecimento devido à velocidade e pressão. Três ATV tiveram o mesmo destino: o Jules Verne, lançado em 2008, o Johannes Kepler, em 2011, e o Edoardo Amaldi, em 2012.

O ATV-4 Albert Einstein completou a sua missão com um recorde: deixou a ISS com a maior quantidade de lixo já carregado a bordo de uma nave.

O próximo veículo, o mais novo de uma série de cinco, é o ATV-5, a ser lançado em meados de 2014 foi baptizado Georges Lemaître, em homenagem ao físico belga que está na origem da teoria do Big Bang.

domingo, 2 de junho de 2013

Documentários ao Domingo - Tema de hoje: O que havia antes do Big Bang?

Mais um Documentário ao Domingo no nosso blogue, o quarto episódio (temporada 1) da série "Through the Wormhole", com Morgan Freeman. Hoje: O que havia antes do Big Bang?

Bom filme!

domingo, 12 de maio de 2013

Documentários de Domingo - Tema de hoje: O Universo foi criado por um criador, pelo Big Bang ou... por ambos?


Neste nosso blogue de vulgarização científica, queremos oferecer aos leitores um documentário aos domingos, para visualização individual ou em família.

A temática deste Documentários ao Domingo (DD) girará sempre em torno do que nos propomos fazer aqui: desvendar os mistérios do Universo, como este funciona, a evolução dos conhecimentos astronómicos e astrofísicos, e a conquista espacial pela Humanidade.

Inauguramos hoje este espaço com o primeiro episódio de um documentário intitulado "Through the Wormhole".

Lliteralmente, o título significa "Através do Buraco de Verme" e refere-se a um vortex, uma passagem hipotética que se pensa existir no tecido do espaço-tempo, o que permitiria encurtar as distâncias nas viagens interestelares. A denominação provem da analogia de uma minhoca ou verme que em vez de viajar na superfície de uma maçã, faz um buraco pelo miolo para chegar do ponto A ao ponto B numa distância mais curta.

Estes vortex são considerados possíveis, já que não contradizem a Teoria da Relatividade. Foram propostos pelo matemático Hermann Weyl (1921), pelos físicos Albert Einstein e Nathan Rosen (1935), e depois pelo físico John Wheeler (1957).

O sucesso imediato deste documentário nos Estados Unidos, onde estreou em 2010, no canal Science, deve-se também à fantástica apresentação do carismático actor Morgan Freeman. Actualmente, a série encontra-se na sua quarta temporada. Cada temporada tem uma dezena de episódios (a primeira tem apenas oito). O primeiro episódio da temporada 4 foi para o ar em 20 de Março de 2013 e os seguintes são difundidos a partir de Junho no Science Channel.

No episódio de estreia que hoje apresentamos, a série debruça-se sobre uma das questões que tem alimentado séculos de discórdia entre os estudiosos da Ciência e os guardiões da fé, qualquer que seja a religião: quem criou o Universo? este é obra de um criador, nasceu com o Big Bang ou... ambas as hipóteses?

Bom filme!