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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Luxemburgo quer acordo multilateral sobre a exploração de recursos espaciais


O vice primeiro-ministro e ministro da Economia do Luxemburgo, Étienne Schneider, defendeu sexta-feira a assinatura de um acordo multilateral a nível internacional sobre a exploração e utilização dos recursos espaciais, durante uma visita oficial ao Japão.

O ministro luxemburguês tem-se desdobrado em deslocações ao estrangeiro com o objetivo de encontrar parceiros para desenvolver o projeto luxemburguês de explorar mineiro proveniente de asteróides. Mas Etienne Schneider procura também angariar apoios para um acordo multilaterala nível internacioal sobre a exploração e a utilização de recursos espaciais.

“O progresso tecnológico vai fornecer acesso a fontes de energia e matérias-primas fora da atmosfera terrestre, particularmente os recursos disponíveis em milhões de asteróides que gravitam no sistema solar. Para evitar no futuro a colonização do espaço por qualquer potência mundial, o ‘Outer Space Treaty’ – Tratado do Espaço dassinado na ONU em 1967 – deve ser adaptado às realidades atuais que regulam claramente a exploração e o uso pacífico de recursos espaciais, bem como a responsabilidade sobre os detritos espaciais”, defendeu Schneider no final dos quatro dias de visita ao Japão.

 Um estudo publicado recentemente por uma agência japonesa revela que há mais de 100 milhões de detritos e peças consideradas lixo a orbitar a Terra. A poluição espacial é causada por destroços de equipamentos antigos, como satélites, por exemplo, que podem vir a prejudicar a exploração espacial.

“A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países deverá fazer avançar o desenvolvimento deste novo setor económico”, considera Schneider. O governante luxemburguês reuniu com o ministro japonês da Ciência e Tecnologia, Toshiei Mizuochi, e com o ministro japonês encarregado pela política espacial, Yosuke Tsuruho. Com os dois responsáveis, Schneider abordou uma potencial cooperação entre o Japão e o Grão-Ducado na iniciativa luxemburguesa SpaceResources.lu.

“Quero chegar também às Nações Unidas e dar um primeiro passo em direção a um consenso internacional para alcançar um acordo multilateral entre todos os países que partilhem os mesmos pontos de vista sobre este assunto. A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países fará avançar o desenvolvimento deste novo setor económico de forma sustentável e equitativa”, defendeu Schneider perante os ministros nipónicos.

Recentemente, a empresa japonesa Ispace, que tem a sua filial europeia no Grão-Ducado, assinou um protocolo de cooperação com o Estado luxemburguês, para enviar um robô à Lua. Uma missão que terá como objetivo enviar dados da Lua para a Terra. Durante a visita, Schneider procurou ainda reforçar as relações económicas bilaterais com o Japão.

in Contacto, 26/04/2017

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Íris Científica 2", um livro de António Piedade sobre a ciência, o tempo, o espaço e o Universo

António Piedade 
Foi recentemente publicado o livro "Íris Científica 2". Trata-se de um novo livro de divulgação de ciência, da autoria do bioquímico António Piedade.

O autor baseou-se nas crónicas de ciência que tem escrito para a imprensa e editou-as de modo a se adaptarem ao formato de livro. Parece redundante dizer isto mas o autor começa pelo princípio, isto é, pelo início da formação do Universo e pelo vazio, para logo de seguida falar da matéria e do tempo.

De seguida, dedica uns capítulos à saúde humana, permitindo-nos revisitar temas científicos actuais e que tanto interesse suscitam, disponibilizando interessantes explicações sobre cromossomas, diabetes, bactérias, vírus, reprodução e a estrutura do cérebro.

Outro tema caro ao autor, e que tem destaque neste livro, é a astronomia, assunto que também merece a atenção ao longo de vários capítulos. Aqui, podemos ler sobre a pesquisa de exoplanetas, área de pesquisa em que equipas portuguesas têm dado cartas, investigação espacial e fenómenos astronómicos como as chuvas de estrelas.

Do espaço, o autor retorna à Terra para voltar a falar de biologia e de temas relacionados com estratégias de sobrevivência e de adaptação à natureza: formigas que estreitam relações com acácias, rãs que sobrevivem a temperaturas negativas e o percurso evolutivo dos coelhos europeus.

O livro termina com um final emotivo, com texto de homenagem a Marie Curie e dois textos inspirados em poemas de António Gedeão, pseudónimo do professor Rómulo de Carvalho que foi um homem do conhecimento ligado à divulgação de ciência – no dia do seu aniversário, celebra-se o Dia Nacional da Cultura Científica.

Este é mais do que um livro sobre ciência, é uma obra que é um serviço público, pois António Piedade foi basear-se em artigos científicos, aos quais geralmente apenas os académicos têm acesso, e transformou esse conhecimento em textos compreensíveis para o cidadão comum.

Muitos desses artigos reflectem a pesquisa de ponta que se faz em Portugal e, por isso, está também a divulgar o melhor da investigação nacional. Neste sentido, e apenas a título de exemplo, saliento a pesquisa realizada por Miguel Carneiro do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), e restante equipa, sobre o processo de domesticação do coelho-bravo e cujos resultados foram publicados em prestigiadas revistas internacionais como a Molecular Biology and Evolution.

Através deste livro, o autor pretende dar continuidade a um projecto que iniciou em 2005, com o primeiro volume de "Íris Científica" e que terá continuidade no futuro, como revela na introdução. Com este, já são quatro os livros de divulgação publicados por António Piedade. Pois, que venham mais.

João Lourenço Monteiro (biólogo e comunicador de Ciência)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Exposição europeia sobre o Espaço inaugurada esta sexta-feira em Lisboa

A exposição "European Space Expo" chega a Lisboa, onde é hoje inaugurada, para mostrar o que se faz na indústria do Espaço e os benefícios da tecnologia espacial para as populações.

A exposição, que já precorreu 17 cidades europeias, é organizada pela Comissão Europeia e fica patente até 9 de Dezembro, na praça do Comércio, e tem entrada gratuita. A mostra apresenta informação sobre diversos programas europeus, como o sistema de observação terrestre Copernicus e o sistema de navegação EGNOS/Galileo, com o qual será possível perceber quando um animal escapou à manada, definir rotas aéreas que perturbem menos as populações ou planear melhor as redes de distribuição de gás, luz e água.

No quiosque "Espaço fabricado em Portugal", os visitantes podem aceder a informação sobre as empresas nacionais que participam nos programas da Agência Espacial Europeia, incluindo o EGNOS e o Galileo. A exposição inclui equipamentos como um "OmniGlobe" - holograma interativo da atmosfera terrestre - ou um modelo de um satélite Galileo. Na "European Space Expo" haverá apresentações de 15 minutos, seguidas de perguntas e respostas, sobre tecnologia espacial e astronomia.

A 7 de Dezembro, o astronauta italiano da Agência Espacial Europeia Paolo Nespoli partilhará a sua experiência como engenheiro de voo na missão MagISStra, na conferência "Seis Meses fora deste Mundo". A exposição é inaugurada pelo vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo, Antonio Tajani, e pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.

Na cerimónia participa Alexandre Lourenço, a criança portuguesa que vai dar o seu nome a um dos satélites Galileo. A "European Space Expo" conta com a colaboração da Câmara Municipal de Lisboa, da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, do Planetário Calouste Gulbenkian e do Turismo de Lisboa. A mostra itinerante já foi vista por mais de 300 mil pessoas.

(Este artigo foi publicado no site wort.lu/pt)

sábado, 26 de outubro de 2013

"Gravity", de Alfonso Cuarón


À primeira vista, um filme sobre astronautas a trabalhar na ISS na órbita da Terra podia deixar pensar que nos iríamos aborrecer. É o que costuma acontecer a quem assiste aos diferidos das missões da Nasa, quando difundidas na televisão no Science ou no Discovery Channel.

Mas o filme é um bom compromisso entre realismo e entretenimento, graças ao talento do realizador Alfonso Cuarón e de actores como George Clonney e Sandra Bullock. Temos o astronauta veterano (Clooney), com as suas piadas que tentam aligeirar o perigo constante que é trabalhar no espaço, e temos a "rookie" (Bullock), que está a fazer o seu baptismo no vazio. Mas o realizador não parece interessado em explorar em profundidade as personagens, como se fossem meros actores secundários.

Uma das coisas que mais me impressionou foram os silêncios. Porque no espaço não havendo ar, não há som. Por vezes, o único ruído que o astronauta ouve é a sua própria respiração. Respirar também é uma palavra-chave neste filme. Nunca um "huit clos" claustrofóbico se desenrolou num espaço tão vasto e tão aberto. A sensação de podermos sufocar a cada segundo é permanente.

Ficamos também de respiração cortada quando o filme nos enche os olhos de imagens fantásticas, lindíssimas do nosso planeta, do contorno dos continentes nos oceanos, das montanhas que vistas de cima parecem baixos relevos, das nuvens brancas e imensas derivando, das cores intensas de que a nossa Terra é feita quando comparadas com o pano de fundo escuro, negro, sem luz e sem cor do espaço que a rodeia e de quão pequenos somos ao lado da imensidade da criação e do Universo.

Outro dos pontos positivos deste filme é que nos mostra que apesar de a corrida ao espaço ter começado há 60 anos, apesar de já termos construído uma estação internacional a orbitar em volta da Terra e de colocarmos diariamente em órbita satélites, ainda estamos muito longe de dominarmos completamente o voo espacial, somos ainda pioneiros de uma bela história por escrever, somos Vascos da Gama e Bartolomeus Dias que mal deixaram a praia, e as viagens intergalácticas, que nos parecem óbvias e fáceis porque assim nos habituou a ficção-científica, não o são e, muito pelo contrário, qualquer gesto em falso no vazio pode ser-nos fatal.

Uma das outras personagens importantes do filme é a que dá título à obra, a gravidade, que nos acompanha das "margens do oceano cósmico", como gostava de lhe chamar Carl Sagan, até às águas do lago na cena final do filme. No derradeiro instante, a personagem principal cede o grande plano à areia, à t(T)erra, à gravidade, que é afinal a verdadeira protagonista deste filme.

JLCorreia

terça-feira, 21 de maio de 2013

Lixo espacial


O número de detritos que flutuam no espaço atingiu um “ponto crítico”, ameaçando cada vez mais os satélites e os astronautas.

A Nasa contabiliza actualmente mais de 22 mil detritos à deriva na órbita terrestre e estima em milhões o número dos que possam ser ainda registados. Destes, cerca de meio milhão devem ter entre um a dez centímetros de diâmetro e podem entrar em colisão e deteriorar ou destruir outros engenhos espaciais ou ferir astronautas.

Estes detritos são da mais diversa origem e tamanho: desde bocados de foguetões largados das naves russas e dos Space Shuttle americanos, até antigos satélites de comunicação e militares desactivados.

Por exemplo, há quatro anos, a China testou mísseis anti-satélites, que pulverizaram um satélite em 150 mil fragmentos.

Diagrama que mostra os milhares de detritos
que a Nasa calcula existirem na órbita terrestre

terça-feira, 26 de março de 2013

Voyager 1: O objecto mais longínquo feito pelo Homem encontra-se nas fronteiras do sistema solar



Luxemburgo, 26 de Março - A revista Geophysical Research Letters publicou a 20 de Março um estudo que sugere que a sonda Voyager 1, lançada em 5 de Setembro de 1977 pela NASA, já ultrapassou as fronteiras do sistema solar (heliosfera) e entrou no espaço interestelar.

No entanto, a NASA recusa essa hipótese. Diga-se que o debate já dura há uma década.

O responsável do estudo, Bill Webber, professor na reforma da Universidade do Novo México, assegura que os últimos dados recebidos da sonda, a 25 de Agosto último, revelam que esta já deixou a heliosfera.

No espaço onde agora viaja, a Voyager 1 deixou de revelar indícios dos ventos solares da nossa estrela (Sol) e começou a receber uma quantidade cada vez maior de raios cósmicos galácticos, que são partículas altamente carregadas em energia produzida pela nossa galáxia. Como dentro da heliosfera, "estamos" protegidos desses raios cósmicos, pois esta zona de influência do Sol desvia ou trava essas partículas, a conclusão parece ser que a sonda já deixou a heliosfera.

Para os especialistas da NASA, a sonda ainda se encontra na heliosfera ou na heliopausa, isto é, numa zona de turbulências fina entre a heliosfera e o espaço interestelar,  pois ainda não sofreu uma mudança de direcção do campo magnético como deverá acontecer quando chegar a essa zona exterior à influência do Sol.

A sonda Voyager 1 encontra-se actualmente a cerca de 114 UA da Terra. No nosso céu, a sua trajectória é no plano da constelação de Ophiuchus (Serpentário). Voyager 1 é actualmente o objecto criado pelo Homem que mais distante está da Terra.

(Vídeo/Foto: NASA)