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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Luxemburgo vota "Lei do Espaço" a 13 de Julho

O Conselho de Estado do Luxemburgo não emitiu qualquer parecer contra o projeto-lei sobre a exploração de recursos espaciais, a chamada "Lei do Espaço", que deverá ser apresentado e sumetida ao voto na Câmara dos Deputados a 13 de julho próximo.

O diploma, apresentado em 15 de novembro do ano passado pelo ministro da Economia, Etienne Schneider, prevê que as empresas com sede no Luxemburgo e que exerçam actividade na exploração dos recursos espaciais, possam ser os únicos proprietários desses materiais, o que não é o caso nos EUA, o único outro país do mundo a ter já legislado sobre esta matéria.

Outra diferença com o "space act" assinado por Barack Obama em 2015, o projecto-lei luxemburguês não exige que o proprietário da empresa tenha a nacionalidade do país onde está sediada ou que uma maioria de accionistas sejam daí naturais.

No entanto, os accionistas que possuam mais de 10% das partes de uma empresa desse sector, deverão estar devidamente identificados, exige o diploma.

O texto exige ainda que todas as missões espaciais estejam cobertas por um seguro adequado para todos os riscos e as empresas deverão ainda provar que são financeiramente sólidas.

O diploma especifica ainda que uma empresa ou o Estado luxemburguês não poderão constituir-se proprietários de um corpo celeste, mas apenas dos recursos do mesmo.

Desde o anúncio público do ministro Schneider de querer lançar o país na indústria mineria espacial, na primavera de 2016, que várias empresas americanas instalaram as suas sedes europeias no Grão-Ducado, com vista a poderem ser as primeiras a beneficiar desta lei. É o caso da Deep Space Industries, da Planetary Resources e da Laboratory Resources, entre outras.

Colaboração internacional e legislação europeia 

O Governo do Luxemburgo também tem envidado esforços junto da Comissão Europeia para criar um quadro legal na matéria ao nível europeu. O Executivo luxemburguês já assinou igualmente acordos de parceria nesta matéria com o Japão, os EUA, os Emirados Árabes Unidos e mais recentemente com Portugal, por ocasião da visita de António Costa, a 5 de abril, ao Grão-Ducado.

JLC
in Contacto
29.06.2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ministro da Economia do Luxemburgo anuncia criação de fundo nacional para financiar exploração de asteróides

O ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider Foto: JLC


O ministro da Economia do Luxemburgo, Etienne Schneider, espera fazer aprovar no Parlamento a “Lei do Espaço” até final do ano, criar em 2018 uma agência espacial nacional e um Fundo Espacial, para impulsionar este novo setor económico, que o Governo fixou como aposta em 2016.

“Fazer dinheiro!”, tal foi a resposta pragmática e direta do ministro da Economia, Etienne Schneider, quando um anónimo lhe perguntou: “Qual o objetivo final do Luxemburgo ao criar uma agência espacial e apostar na exploração de asteróides?”.

A pergunta foi feita durante o ’Space Forum’ (Fórum do Espaço) do ICT Spring, o Encontro das Novas Tecnologias e do Espaço (este assunto apenas figura no evento desde 2016), que decorreu a 9 e 10 de maio em Kirchberg, pelo oitavo ano consecutivo.

Um bilhete para Marte 

“Até ao fim deste ano deverá estar criado o quadro legal para que empresas sedeadas no Luxemburgo possam explorar os recursos naturais do espaço, o ’space act’ (Lei do Espaço), como alguns lhe chamam. Eu gostaria de ver criada a Agência Espacial Luxemburguesa antes de outubro de 2018 [altura das próximas legislativas], porque a oposição já me comprou um bilhete só de ida para Marte”, brincou Schneider, deixando indiretamente o recado que se os cristãos-sociais (CSV) vierem a governar podem não ver este projeto como prioridade.

“Vamos criar também um Fundo Nacional do Espaço para financiar a agência espacial. A agência espacial luxemburguesa não será uma entidade estatal, mas uma empresa, uma parceria público-privada entre companhias do ramo espacial e institutos públicos luxemburgueses de investigação e tecnologia, e que terá fins principalmente comerciais.

Ou seja, as missões serão decididas consoante o interesse económico que suscitarem”, revelou o ministro, desmistificando assim o sonho de muitos de verem nascer no país algo como uma NASA luxemburguesa.

Schneider foi poético ao citar “Space Oddity” e “Life on Mars” de David Bowie. “Ele inspirou-me a mim e o espaço inspirava-o a ele”. Mas logo voltou à Terra: “Não temos as infraestruturas nem a capacidade para termos baseados os elementos normais de uma indústria espacial pesada no Luxemburgo”, explicou. O ministro disse que a iniciativa SpaceResources.lu, que o seu ministério lançou em 2016 com o intuito de explorar os recursos naturais do espaço é algo “natural”, que se inscreve na “tradição de precursor do Luxemburgo na indústria espacial”.

E recordou que em 1985 o Governo luxemburguês criou a SES-Société Européenne de Satélites, que é hoje a maior operadora de satélites de telecomunicações do mundo, projeto que começou por ter muita resistência da sociedade e até do parlamento luxemburguês. Schneider revelou ainda que o Governo procura atualmente outros executivos que apoiem o Grão-Ducado para conseguir levar a debate na ONU a alteração do Tratado do Espaço de 1967, que é omisso na questão da exploração dos recursos naturais do espaço.

A Universidade e o LIST, Instituto de Ciência e Tecnologia do Luxemburgo, estão já a trabalhar nesta área, disse o ministro, elogiando o espectrómetro que o LIST conseguiu miniaturizar e que permite determinar os materiais existentes em asteróides.

O titular da pasta da Economia recordou que este novo setor de atividade, a desenvolver em paralelo com o da logística, visa diversificar a economia nacional e, a termo, diminuir a dependência que o país tem do setor financeiro.

Produzir robôs em massa... no Luxemburgo

Jim Keravala, diretor da OffWorld, anunciou que a empresa vai instalar-se no Grão-Ducado e vai começar a produzir robôs em grande escala a partir de 2019. Os robots que Keravala tenciona produzir no Grão-Ducado têm o tamanho de formigas e visam fornecer o setor espacial luxemburguês, bem como outras empresas no estrangeiro.

A notícia foi dada no mesmo debate em que participou o ministro da Economia, que elogiou a iniciativa.

 Baseada em Los Angeles, a OffWorld pretende instalar uma filial no Luxemburgo em 2018 e abrir uma unidade de produção no ano seguinte.

“Os nossos minirobôs são aparelhos inteligentes do tamanho de formigas, pequenos mas robustos, altamente adaptáveis a qualquer tarefa ou missão, seja num asteróide, planeta, satélite ou sonda, são modulares, reconfiguráveis, podem autoreparar-se e autoreplicar-se, e têm uma enorme capacidade de ’deep learning’ (aprendizagem autónoma)”, explicou o patrão da empresa americana.

O primeiro trilionário “O setor espacial, que tem globalmente um volume de negócios que já se eleva hoje a milhares de milhões de dólares, pode rapidamente tornar-se um negócio trilionário”, disse Chris Lewicki, presidente da americana Planetary Resources, que trabalha há um ano com a SpaceResources.lu.

Lewicki retomou assim uma ideia lançada em 2015 pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do Observatório de Nova Iorque, que disse que o primeiro trilionário do mundo seria aquele que investisse na exploração de minérios do espaço, como o ouro e a platina.

 “Quando há potencialidades económicas há sempre investidores privados que aparecem”, disse, por seu lado, Jean-Jacques Dordain, ex-diretor da Agência Espacial Europeia (ESA) e atual conselheiro do ministro Schneider em assuntos do espaço.

O Governo luxemburguês deve agora pensar em abrir “avenidas” para facilitar as colaborações entre o setor privado e o setor público neste ramo, disse Lewicki, como um recado ao ministro.

Evocando empresas como a Space X, a Blue Origin (lançadores de foguetões e satélites) ou a Bigelow (habitação orbital e lunar), Lewicki considera que “a revolução industrial espacial” terá as mesmas caraterísticas da revolução industrial do séc. XIX, e que vai mexer com todos os setores, desde o comércio aos transportes, passando pela habitação, a saúde, etc.

O americano aproveitou para anunciar que a sua empresa, que tem uma filial no Luxemburgo desde 2016, está a recrutar talentos, desde engenheiros a grafistas. “Vamos trabalhar cada vez mais no espaço e a Terra será a nossa nova zona residencial, que deve ser protegida a todo o custo, até porque não podemos esgotar os recursos naturais do nosso planeta quando existem recursos inesgotáveis no espaço”, disse Dordain numa nota mais ambientalista.

O ICT Spring atraiu durante dois dias cerca de cinco mil visitantes, e contou com a participação de mais de 500 empresas e uma centena de conferencistas de 72 países do ramo das novas tecnologias, robótica, inovação, indústria digital, cibersegurança, fintech e ciências do espaço.

José Luís Correia, 
in Contacto, 17/05/2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Luxemburgo quer acordo multilateral sobre a exploração de recursos espaciais


O vice primeiro-ministro e ministro da Economia do Luxemburgo, Étienne Schneider, defendeu sexta-feira a assinatura de um acordo multilateral a nível internacional sobre a exploração e utilização dos recursos espaciais, durante uma visita oficial ao Japão.

O ministro luxemburguês tem-se desdobrado em deslocações ao estrangeiro com o objetivo de encontrar parceiros para desenvolver o projeto luxemburguês de explorar mineiro proveniente de asteróides. Mas Etienne Schneider procura também angariar apoios para um acordo multilaterala nível internacioal sobre a exploração e a utilização de recursos espaciais.

“O progresso tecnológico vai fornecer acesso a fontes de energia e matérias-primas fora da atmosfera terrestre, particularmente os recursos disponíveis em milhões de asteróides que gravitam no sistema solar. Para evitar no futuro a colonização do espaço por qualquer potência mundial, o ‘Outer Space Treaty’ – Tratado do Espaço dassinado na ONU em 1967 – deve ser adaptado às realidades atuais que regulam claramente a exploração e o uso pacífico de recursos espaciais, bem como a responsabilidade sobre os detritos espaciais”, defendeu Schneider no final dos quatro dias de visita ao Japão.

 Um estudo publicado recentemente por uma agência japonesa revela que há mais de 100 milhões de detritos e peças consideradas lixo a orbitar a Terra. A poluição espacial é causada por destroços de equipamentos antigos, como satélites, por exemplo, que podem vir a prejudicar a exploração espacial.

“A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países deverá fazer avançar o desenvolvimento deste novo setor económico”, considera Schneider. O governante luxemburguês reuniu com o ministro japonês da Ciência e Tecnologia, Toshiei Mizuochi, e com o ministro japonês encarregado pela política espacial, Yosuke Tsuruho. Com os dois responsáveis, Schneider abordou uma potencial cooperação entre o Japão e o Grão-Ducado na iniciativa luxemburguesa SpaceResources.lu.

“Quero chegar também às Nações Unidas e dar um primeiro passo em direção a um consenso internacional para alcançar um acordo multilateral entre todos os países que partilhem os mesmos pontos de vista sobre este assunto. A convergência de interesses e sinergias tecnológicas entre os diferentes países fará avançar o desenvolvimento deste novo setor económico de forma sustentável e equitativa”, defendeu Schneider perante os ministros nipónicos.

Recentemente, a empresa japonesa Ispace, que tem a sua filial europeia no Grão-Ducado, assinou um protocolo de cooperação com o Estado luxemburguês, para enviar um robô à Lua. Uma missão que terá como objetivo enviar dados da Lua para a Terra. Durante a visita, Schneider procurou ainda reforçar as relações económicas bilaterais com o Japão.

in Contacto, 26/04/2017

quinta-feira, 19 de maio de 2016

“O Luxemburgo soube transformar uma ameaça em oportunidade”, diz Jean-Jacques Dourdain, ex-director da ESA

O ministro da economia do Luxemburgo, Etienne Schneider, e
Jean-Jacques Dourdain, ex-director da ESA
Foto: ESA
“Com o projecto de extrair minério em asteróides, o Luxemburgo soube transformar uma ameaça em oportunidade”, considera Jean-Jacques Dordain, ex-director da Agência Espacial Europeia (ESA) e actual consultor do Governo luxemburguês para as questões espaciais. 

A afirmação do francês, engenheiro de formação e que dirigiu a ESA entre 2003 e 2015, foi feita durante o Fórum ICT Spring, encontro sobre novas tecnologias que decorreu na semana passada, em Kirchberg.

Este ano, o fórum foi dedicado ao Espaço, como forma de responder à agenda científica e económica traçada recentemente pelo ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider. Em Fevereiro o ministro anunciou que o Governo do Luxemburgo quer adoptar um quadro legal que permita às empresas privadas que decidam instalar-se no país para explorarem minério espacial de terem assegurados os “seus direitos” aos recursos extraídos dos asteróides.

“O Luxemburgo é o lugar certo para lançar este projecto de explorar asteróides. É um país com tradição no espaço, com a SES, que é a segunda operadora mundial de satélites [baseada em Betzdorf] e na extracção de minério, graças ao seu passado siderúrgico. E como praça financeira é também o local certo para encontrar investimento para este novo sector”, acrescentou Dordain, na conferência dedicada a este tema, integrada no Fórum ICT.

“Fiquei muito surpreendido e contente quando o Estado luxemburguês me contactou”, confiou Dordain, para quem esta decisão do Grão-Ducado é “inteligente”.

 “A Terra é finita e a penúria de minérios vai aumentar nos próximos anos. É preciso olhar mais além. Ao investir na exploração de minérios do espaço, que tem recursos minerais ilimitados, não só vamos poupar o nosso planeta à extracção intensiva como pode revelar-se uma formidável nova fonte de rendimentos, que podem ser substanciais”, disse o consultor.

No público, alguém lembrou que o chefe-astrónomo do Observatório de Nova Iorque, Neal deGrasse Tyson, já dissera em 2013 que “o primeiro trilionário do mundo será alguém que souber extrair os recursos naturais dos asteróides, que são raros na Terra, mas abundantes no espaço, como a água, a platina, o ouro e o irídio”.

“Apesar de ser uma indústria ainda pequena à escala global, em 2014 o sector espacial cresceu 9% em relação ao ano anterior e atingiu os 330 mil milhões de dólares anuais. Cerca de 76% da economia espacial mundial está ligada aos voos comerciais, o resto são investimentos governamentais” das nações ditas espaciais – EUA, Rússia, Canadá, UE, Japão e China – lembrou, por seu lado, Daniel Faber, da Deep Space Industries (DSI), com a qual o Governo luxemburguês assinou um contrato para a exploração de asteróides.

Para o australiano da DSI, “os asteróides são as “baratas do espaço”. Silêncio na sala. “Eu explico”, continua Faber, “para mim, os asteróides são como as baratas porque podemos usá-los e esmagá-los antes que mordam”. Gargalhada geral. Sem o objectivo de ser um “designío nacional”, como o lançado por John F. Kennedy, que queria que os EUA fossem a primeira nação a chegar à Lua nos anos 60, o Governo do Luxemburgo vê este projecto como algo transversal a toda a sociedade e economia do país.

 “O Governo luxemburguês está empenhado em atrair o maior número de sectores da economia nacional para o seu projecto de exploração e extracção de minérios em asteróides, da educação à saúde, passando pelas telecomunicações, novas tecnologias, indústria e outros”, garantiu Mathias Link, que é também um dos consultores de Etienne Schneider para o espaço.

Depois de o Presidente Obama ter promulgado o ’Space Act’ nos EUA, legislação que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas em asteróides e na Lua, “o Luxemburgo foi o primeiro país do mundo a reagir e apenas dois meses depois (em Fevereiro deste ano) lançou este projecto”, recordou Mathias Link.

“Actualmente há cada vez mais empresas privadas a apostar neste sector, que vêem o espaço como uma grande oportunidade económica, e apraz-nos afirmar que o Luxemburgo está no pelotão da frente”, acrescentou Link.

“O sector espacial está a mudar e a democratizar-se muito rapidamente. Hoje o acesso ao espaço é cada vez mais barato”, disse Dordain.

“ÁGUA VAI SER O RECURSO NATURAL DO SÉC. XXI” 

Um dos elementos essenciais que estas novas empresas contam encontrar nos asteróides é água, que existe também em cometas, muitos planetas e até na Lua. “A água vai ser o recurso natural do século XXI, como o petróleo foi o do século XX”, disse por seu lado Chris Lewicki, que trabalhou dez anos como engenheiro na NASA e agora dirige a sua própria empresa, a Planetary Resources, que também planeia explorar asteróides.

“Vamos precisar de água nas futuras estações espaciais, a ISS [a Estação Espacial Internacional] só deverá funcionar até 2024, e nas viagens interplanetárias”, disse Lewicki. Ao que alguém no público lembrou que da água pode também ser extraído o oxigénio para os sistemas de vida das naves. “Para quê levar água da Terra se ela existe no espaço?”, perguntou o patrão da Planetary Resources, que também está em negociações com o Governo luxemburguês.

 Para Lewicki, “a Humanidade tem que ir além da Lua e da órbita baixa da Terra”, onde orbita a ISS. “Está na altura de expandirmos a esfera económica humana no Sistema Solar”. Jean-Jacques Dordain concorda: “Explorar os recursos do espaço vai tornar o voo espacial mais fácil e isso vai ajudar-nos a chegar a Marte e a explorar o resto do Sistema Solar”.

NAVE SERÁ CONSTRUÍDA NO LUXEMBURGO 

Daniel Faber aproveitou para revelar o que envolve o contrato da DSI com o Estado luxemburguês. A primeira fase passa pela concepção da nave Prospector-X, protótipo para voos-teste, e que deverá ser construída no Grão-Ducado. As naves seguintes serão a Prospector-1, que vai deixar a órbita terrestre e pousar num asteróide, a Harvester-X, que testará a extracção de minério num asteróide, e a Harvester-1, pensada já para a extracção em grande escala. Para já, a empresa californiana tem apenas um escritório no boulevard Royal, na capital luxemburguesa, e não adiantou mais pormenores sobre em que unidade fabril, existente ou futura, será construída a ou as naves.

Durante esta palestra, a empresa japonesa Ispace e a alemã PT-Scientists, apresentaram os seus robots-rovers lunares, ambos candidatos ao “Google Lunar Xprize”, concurso internacional que vai atribuir 30 milhões de dólares ao projecto mais promissor para explorar o nosso satélite natural. Os donos da DSI e da Planetary Resources quiseram saber se os rovers podiam circular em asteróides e outros corpos celestes, mas admitem que o facto de haver água e prata na Lua não é suficiente para suscitar o seu interesse.

“A Lua não é interessante, os asteróides são mais ricos em recursos”, disseram. O debate com os especialistas abordou ainda o futuro da propulsão de naves, os vaivéns ’low-cost’ com decolagem e aterragem vertical, os sistemas de vida das naves, as comunicações espaciais, as plataformas orbitais e o futuro incerto da ISS, os lançadores de foguetões e a viagem para Marte, assuntos que saíram em poucos anos da ficção científica para fazer parte da ciência e das notícias do dia-a-dia.

No Fórum ICT Spring Luxembourg 2016 estiveram especialistas de 72 países e nos diferentes debates foram abordados temas como a conectividade global, o sector da e-Saúde e a “era da abundância”, termo inspirado na série Star Trek sobre uma hipotética economia anti-capitalista futurista, e que neste caso concreto debateu a forma como a tecnologia está (ou não) a fomentar o bem-estar da Humanidade.

Neste fórum foi também debatido como as novas tecnologias estão a mudar a forma de as empresas contratarem pessoal e até um novo desporto (tekball) que nasceu no Luxemburgo.

José Luís Correia 
in Contacto, 18/05/2016

sábado, 7 de maio de 2016

Governo luxemburguês assina acordo com empresa americana para exploração de minério em asteróides


O Governo luxemburguês assinou esta quinta-feira um memorando de entendimento com a empresa norte-americana especializada na exploração em voos espaciais, Deep Space Industries (DSI), e com o banco Société Nationale de Crédit et d'Investissement para a "exploração, uso e comercialização de recursos extraídos em asteróides", refere o Ministério da Economia em comunicado.

O acordo envolve uma cooperação entre o Governo e a Deep Space Industries para desenvolver e lançar a primeira nave, Prospector-X, que vai explorar recursos minerais em asteróides. "Esta promissora cooperação com a DSI, no âmbito da iniciativa spaceresources.lu, demonstra claramente o forte empenho do Governo luxemburguês em apoiar a exploração e uso futuro dos recursos espaciais.

As negociações para formalizar a nossa relação com outras empresas que operam neste domínio estão em andamento. O nosso objectivo é atrair actividades de investigação espacial e capacidades tecnológicas para o Luxemburgo, que alberga um sector espacial cada vez mais importante como parte dos nossos contínuos esforços para diversificar a economia nacional", disse o ministro da Economia, Etienne Schneider.

O primeiro passo para a exploração do espaço foi dado em Fevereiro, quando o Luxemburgo tornou-se no primeiro país a criar um quadro regulamentar e jurídico favorável às empresas que queiram explorar comercialmente o espaço. Essa iniciativa luxemburguesa teve lugar dois meses depois de Barack Obama ter promulgado o "Space Act", que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas nos asteróides e na Lua.

O "Space Act" estabelece que todos os recursos encontrados por um cidadão ou empresa norte-americana no satélite natural da Terra ou em corpos celestes passarão a pertencer a quem os descobriu. Um dos primeiros objectivos da Deep Space Industries é conseguir encontrar água no interior dos asteróides, que poderá servir como meio de propulsão da nave (em vez de outros combustíveis) e depois passar à exploração de metais preciosos como o outro ou a platina.

in Contacto.lu, 06/05/2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Luxemburgo lança-se na corrida ao ouro e minérios do espaço

O Luxemburgo quer atrair empresas e investidores para explorar os recursos naturais no espaço, incluindo minérios em asteróides, como o ouro ou a platina. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo ministro da Economia luxemburguês, Etienne Schneider, que sublinhou que o Grão-Ducado é o primeiro país europeu a criar um "quadro regulamentar e jurídico" favorável às empresas que queiram explorar comercialmente o espaço.

A iniciativa surge dois meses após a promulgação pelo presidente americano Barack Obama do "Space Act", uma lei que autoriza a exploração comercial das riquezas encontradas nos asteróides e na Lua. O "Space Act" estabelece que todos os recursos encontrados por um cidadão ou empresa norte-americana no satélite natural da Terra ou em corpos celestes passarão a pertencer a quem os descobriu.

"O Luxemburgo também quer ter um quadro regulamentar e jurídico para preparar a exploração do espaço", disse à AFP o ex-director da Agência Espacial Europeia (ESA), Jean-Jacques Dordain, conselheiro do Governo luxemburguês nesta matéria. As empresas privadas que decidam instalar-se no país para explorarem este sector terão assegurados os "seus direitos" aos recursos extraídos dos asteróides, como por exemplo minerais raros, explicou o ministro.

O Governo luxemburguês também vai investir na exploração comercial do espaço, financiando projectos de investigação e desenvolvimento nesta área ou investindo em empresas, através de participações directas no capital. O orçamento para esta iniciativa, baptizada spaceresources.lu, ainda não foi determinado.

"O nosso objectivo é permitir aceder a recursos valiosos que não estão ainda a ser explorados, situados em rochedos sem vida no espaço, sem prejudicar os habitats naturais", assegurou Etienne Schneider. Questionado sobre a razão para não desenvolver esta iniciativa no âmbito da Agência Espacial Europeia (ESA), uma organização de que o Luxemburgo e 22 Estados-membros fazem parte, o ministro disse que "o ritmo de trabalho da ESA não é o [s]eu".

Na Agência, "todos os projectos de investimento levam anos de discussão e depois discute-se durante anos onde é que os investimentos vão ser feitos e quais serão as consequências para cada Estado-membro", justificou.

"Além disso, eu sou ministro da Economia do Luxemburgo, e interessa-me atrair a actividade económica ao Luxemburgo e não à União Europeia em geral", reconheceu. Segundo o ministro, a empresa norte-americana Planetary Resources, que desenvolve técnicas para extrair minérios de asteróides, diz estar "ansiosa" para trabalhar com o Luxemburgo.

A empresa americana Deep Space Industries, que anunciou que vai começar a explorar minérios em asteróides já este ano, já se mostrou igualmente interessada, disse Schneider.

in Contacto.lu, 03/02/2016

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Nasa desmente rumores que asteróide vai colidir com a Terra em Setembro


A Nasa veio desmentir oficialmente na quarta-feira os rumores que circulam na internet e nas redes sociais que anunciam que Porto Rico e o Golfo do México vão receber o impacto de um poderoso asteróide entre 15 e 28 de Setembro, o que provocará a destruição dos Estados Unidos, América Central e do Sul.

"Não há nenhuma base científica - nem nenhuma prova - que um asteróide ou qualquer outro objecto celeste vai colidir com a Terra nessas datas", garante peremptório Paul Chodas, o chefe do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão) no site do JPL da agência espacial norte-americana.

"Não há perigo com asteróides conhecidos nos próximos 100 anos" Depois de a Nasa já ter esclarecido em diversas ocasiões nos últimos meses, a última das quais em Junho, que este rumor não tem fundamento, desta feita foi Paul Chodas que vem desmentir os anúncios que circulam em blogues e redes sociais.

"Todos os asteróides conhecidos potencialmente perigosos têm uma probablidade de menos de 0,01% de colidir com a Terra nos próximos 100 anos".

O cientista explica que "se houvesse algum objecto numa trajectória com a Terra, com uma colisão prevista para Setembro e de um tamanho suficiente para destruir o continente americano, a Nasa já o teria avistado há meses". Este ano, apenas os asteróides 2004 BL86 e 2014 YB35 passaram na vizinhança da Terra, mas "a sua passagem em Janeiro e Março era conhecida" e "nunca foi considerada perigosa" para o nosso planeta, acrescenta ainda Chodas.

Rumores persistentes, desmentidos regulares

A Nasa faz regularmente face a este tipo de rumores sem fundamento, que depressa empolam na internet e nas redes sociais.

Rumores de impacto de um asteróide com a Terra circularam já muitas vezes. Uma delas em 1999, depois várias vezes durante a primeira década do século XXI, e novamente em 2011. Paul Chodas recorda também, por exemplo, a psicose em torno da data de 21 de Dezembro de 2012, dia em que muitos internautas anunciavam o fim do mundo por um asteróide.

Desta vez, a Nasa achou que o assunto era sério o suficiente para esclarecer e tranquilizar o público no seu site. Paul Chodas diz que não é a primeira vez que a Nasa vem restabelecer a verdade científica dos factos neste tipo de rumores e admite que não seja a última.

Apocalipse, o regresso 

O asteróide Apophis passará perto da Terra em 2036
Foto: CNES
 
Anote na sua agenda o próximo "fim do mundo" por um asteróide: 13 de Abril de 2036. É o dia em que o asteróide Apophis passa perto da Terra.

Os astrónomos acreditam que há uma hipótese sobre 250 mil (o que é incrivelmente baixo à escala do Cosmos) de este asteróide colidir com o nosso planeta.

Outra data é a de 2126, quando o cometa Swift-Tuttle, que passou perto de nós em 1992, regressa e se arrisca dessa vez a colidir connosco.

Porque não se fala nestas datas? Porque as seitas apocalípticas e os pseudo-científicos (ainda) andam entretidos com datas e cometas mais próximos de nós. Depois de a colisão de Setembro não acontecer (como as anteriores não aconteceram), essas aves de mau augúrio irão depressa acaparar-se dos novos medos, das novas datas, dos novos fins.

JLC/com agência
esta notícia também foi publicada no site do CONTACTO

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cientistas japoneses demonstram em laboratório que cometas podem estar na origem da vida na Terra

O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (ou simplesmente  'Churi') Foto: ESA
O impacto dos cometas que atingiram a Terra há 4 mil milhões de anos pode ter tido um papel no surgimento da vida na Terra, afirma um grupo de cientistas japoneses, que tentou reproduzir esta "fórmula" em laboratório.

Os cientistas, que apresentam esta quarta-feira os resultados da sua pesquisa durante a conferência de geoquímica Goldschmidt2015, em Praga, compilaram uma lista de substâncias para reproduzir a reacção em laboratório.

Os cientistas misturaram aminoácidos, gelo e substâncias silicatadas a temperaturas de 196 Celsius negativos, uma mistura presente nos cometas, como constataram as últimas missões espaciais.

Depois, os cientistas adicionaram um gás propulsor para simular o efeito de uma colisão do cometa com a Terra, o que fez com que alguns dos aminoácidos se transformassem em peptídeos de cadeia curta, moléculas complexas frequentemente consideradas fundamentais para o desenvolvimento da vida.

"As nossas experiências mostraram que o frio existente nos cometas teve um impacto decisivo nesta síntese", destaca, em comunicado, Haruna Sugahara, da Agência Japonesa para a Ciência.

"A produção de peptídeos de cadeia curta é uma das etapas decisivas na evolução química das moléculas. Uma vez iniciado o processo, vai ser necessário muito menos energia para formar as cadeias de peptídeos mais longas seja num ambiente terrestre ou aquático", pode ainda ler-se no comunicado.

Sugahara destaca aind que os impactos dos cometas, que costumam estar associados a eventos de extinção em massa, provavelmente também deram um 'empurrãozinho' na formação da vida. Um processo similar pode ter-se produzido noutros locais do Universo.

Os resultados da investigação de Haruna Sugahara e Koichi Mimura, da Universidade de Nagoia, ainda não foram publicados, mas segundo Mark Burchell, da Universidade de Kent, "constituem um passo em frente importante no estudo sobre a origem das moléculas complexas no Universo".

A missão da sonda europeia Rosetta, que acompanhou o cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko, confirmou que o corpo celeste era rico em matéria orgânica.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Meio milhar de asteróides ameaçam a Terra

Cerca de 500 asteróides ameaçam potencialmente a Terra, um problema para o qual especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA) encontraram soluções que parecem ter saído de um filme de ficção científica.

"Temos cerca de 500 objectos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês) identificados que poderiam, dentro de um século, eventualmente tocar a Terra, mas a probabilidade é muito baixa, em alguns casos de um em um milhão", explicou Detlef Koschny, chefe do sector de NEO na ESA.

"Seguimos as suas rotas, tentamos prever o que poderiam ser e se, eventualmente, representam um risco", explicou Koschny a partir do centro operacional dos NEO na cidade italiana de Frascati, perto de Roma.

"Em caso de perigo real, temos duas soluções actualmente viáveis ", acrescentou o especialista. "O primeiro é o acidente de movimento cósmico", disse. "Imagine um veículo, que é o asteróide, e um outro veículo, que é a nossa ferramenta, colidindo com ele e desviando-o da sua trajectória. Por conta da pressão, é possível desviá-lo gradualmente da Terra", afirmou.

"A segunda solução é destruir o asteróide com uma explosão nuclear", acrescenta Koschny. A questão é: como olhar para um objecto espacial que viaja a 3.600 km/h com um outro objecto lançado para interceptá-lo com a mesma velocidade?"

A partir de uma experiência americana, chamada Deep Impact, sabemos que é possível alcançar todos os objectos que tenham mais de 100 metros de diâmetro. Estamos cada vez mais perto de satélites auto-guiados por uma câmara, porque não teríamos tempo para dirigi-los a partir da Terra", explica o cientista.

"É mais fácil quando é o Bruce Willis quem o faz", brinca Richard Tremayne-Smith, co-presidente da Conferência de Defesa Planetária (Planetary Defence Conference, PDC), numa alusão ao filme americano "Armageddon" (1998), em que o actor destrói um asteróide que ameaça a Terra.

"A defesa planetária era um hobby há dez anos. Hoje, tornou-se uma preocupação global", aponta William Ailor, segundo co-presidente do PDC.

A PDC é um encontro sério e envolve especialistas da Nasa, da ESA e de outras instituições, mas também há lugar para jogos. "Um dos jogos consiste em simular uma crise [provocada] por uma possível queda de um asteróide na Terra, com três pessoas a desempenhar o papel de autoridades políticas, conselheiros científicos, representantes das populações ameaçadas e a imprensa", explicou Debbie Lewis, especialista em gestão de catástrofes.

"Precisamos de acordos de comando, controlo, coordenação e comunicação a nível internacional", insistiu a especialista. É que os danos causados pela queda de um asteróide podem ser gigantescos em função do tamanho.

Segundo vários especialistas, 75% das diferentes formas de vida na Terra, inclusive os dinossauros, desapareceram devido à queda de um enorme asteróide há 65 milhões de anos. "Devemos estar preparados, o despertador já tocou, mas teimamos em desligá-lo", afirmou Lewis.

domingo, 30 de março de 2014

DD - Documentários ao Domingo: O que nos falta para viajar até outras estrelas?

Viajar até outros sistemas estelares é um dos sonhos de alguns homens desde as primeiras histórias que evocavam outros mundos, textos escritos por clarividentes autores gregos e romanos, quando a maior parte da Humanidade ainda nem suspeitava da existência de outros planetas.

Do sonho à realidade

Esse sonho foi alimentado pela literatura de ficção e posteriomente a de ficção-científica. A palavra foi inventada nos anos 1920 pelo americano de origem luxemburguesa Hugo Gernsback, editor da revista Amazing Stories, e que na sua publicação deu a sua primeira oportunidade a jovens autores como H. P Lovecraft, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

Mas em 1961, depois do russo Yuri Gagarine se ter tornado o primeiro ser humano a viajar no espaço e de a corrida espacial ter realmente começado como um despique entre Estados Unidos e URSS, esse sonho transformou-se num objectivo.

Onde já chegámos 

Hoje, mais de 50 anos depois, apenas um círculo restrito de 600 seres humanos viajaram até ao espaço.

A nível internacional poucos países investem em agências espaciais nacionais, e destas apenas quatro puseram homens no espaço: a agência norte-americana Nasa, a agência russa Roskosmos, a agência europeia ESA e a chinesa CNSA.

O lugar mais longíquo até onde o Homem chegou foi a Lua, o nosso próprio satélite.

Onde queremos chegar 

O planeta mais próximo do nosso, Vénus, é um destino que não está, para já, no nosso itinerário de viagens tripuladas por ser um mundo mergulhado em chamas perpétuas e por isso inóspito ao Homem.

Marte, o segundo mais próximo, parece mais acolhedor. Com uma atmosfera 150 vezes menos densa que a da Terra, para aí viver o Homem terá que criar habitats próprios.

O que falta

Mas o que nos falta técnica, tecnologica e financeiramente para tornarmos as viagens interestelares uma realidade?

Melhor do que dissertar sobre a falta de interesse de potenciais investidores, dos limites das tecnologias actualmente existentes ou das que estão neste momento a ser inventadas e que nos permitiriam alcançar esse objectivo num futuro próximo, pensámos que apresentar-vos um documentário do canal National Geographic seria mais interessante e esclarecedor.

Partindo de uma premissa fictícia - que a Terra tem que ser evacuada dentro de 75 anos, ameaçada por um pulsar - a equipa do canal National Geographic entrevista físicos, astrónomos e engenheiros espaciais e explora as possibilidades reais, a curto e médio prazo, de viajarmos para fora do nosso planeta se realmente o tivéssemos que fazer.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Os asteróides também podem ter anéis

Imagem: ESO
Observações obtidas em diversos locais da América do Sul, incluindo o Observatório de La Silla do ESO (Observatório Europeu do SUL), levaram à descoberta surpreendente de que o asteróide distante Chariklo se encontra rodeado por dois anéis densos e estreitos.

Este é o menor objecto já descoberto com anéis, e apenas o quinto corpo no sistema solar - depois dos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno - com esta caraterística.

A origem dos anéis permanece um mistério, no entanto pensa-se que podem ser o resultado de uma colisão que criou um disco de detritos. Os novos resultados serão publicados online na revista Nature.

Além dos anéis de Saturno, que são um dos mais bonitos espectáculos no céu, outros anéis, menos proeminentes, também foram encontrados em torno dos outros planetas gigantes. Apesar de buscas cuidadosas, nunca se encontraram anéis em volta de outros objectos menores do sistema solar. Agora, observações do longínquo asteroide Chariklo, feitas quando este passava em frente a uma estrela, mostraram que este também se encontra rodeado por dois anéis estreitos.

“Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhes que obtivemos do sistema - foi para nós uma grande surpresa!”, diz Felipe Braga-Ribas (Observatório Nacional/MCTI, Rio de Janeiro, Brasil), que preparou a campanha de observações e é o autor principal do novo artigo científico que descreve estes resultados.

Chariklo é o maior membro de uma classe de asteróides conhecidos por Centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Urano, no sistema solar externo. Previsões da sua órbita mostraram que passaria em frente da estrela UCAC4 248-108672 no dia 3 de junho de 2013, quando observado a partir da América do Sul.

Assim, com o auxílio de telescópios em sete sítios diferentes, incluindo o telescópio dinamarquês de 1,54 metros e o telescópio TRAPPIST, ambos situados no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, os astrónomos puderam observar a estrela desaparecer durante alguns segundos, momento em que a sua luz foi bloqueada pelo Chariklo - num fenómeno conhecido por ocultação. No entanto, acabariam por descobrir muito mais do que esperavam.

Alguns segundos antes, e também alguns segundos depois, da ocultação principal ainda houve duas quedas de luz, ligeiras e muito curtas, no brilho aparente da estrela. Algo em torno de Chariklo estava a bloquear a luz! Ao comparar as observações feitas nos diversos locais, a equipa pôde reconstruir não apenas a forma e o tamanho do objecto propriamente dito, mas também a espessura, orientação, forma e outras propriedades dos anéis recém-descobertos.

A equipa descobriu que o sistema de anéis é composto por dois anéis bastante confinados, com apenas sete e três quilómetros de largura, respectivamente, separados entre si por um espaço vazio de nove quilômetros - e tudo isto em torno de um pequeno objecto com 250 quilómetros de diâmetro que orbita além da órbita de Saturno. “Acho extraordinário pensar que fomos capazes de detectar, não apenas o sistema de anéis, mas também precisar que este sistema é constituído por dois anéis claramente distintos”, acrescenta Uffe Gråe Jorgensen (Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga, Dinamarca), que também pertence à equipa. “Tento imaginar como será estar na superfície deste corpo gelado - tão pequeno que um carro desportivo veloz poderia atingir uma velocidade suficientemente para se lançar no espaço - e olhar para cima para um sistema de anéis com 20 quilómetros de largura e situado mil vezes mais próximo do que a Lua está da Terra”.

Embora muitas questões permaneçam ainda sem resposta, os astrónomos pensam que este tipo de anel deve ter-se formado a partir dos restos deixados depois de uma colisão. Os restos teriam ficado confinados como dois estreitos anéis devido à presença de pequenos satélites, que supostamente existirão. “Por isso, além dos anéis, é provável que Chariklo tenha também, pelo menos, um pequeno satélite à espera de ser descoberto”, acrescenta Felipe Braga Ribas.

Os anéis poderão mais tarde dar origem à formação de um pequeno satélite. Tal sequência de eventos, a uma escala muito maior, pode explicar a formação da nossa própria Lua nos primeiros tempos do sistema solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteróides. Os líderes do projecto deram aos anéis os nomes informais de Oiapoque e Chuí, dois rios que se encontram próximos dos extremos norte e sul do Brasil, respectivamente.

Fonte: ESO 

(Este artigo também foi publicado no site CONTACTO.lu)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Anatomia de um asteróide

Foto: ESO
Com o auxílio do New Technology Telescope (NTT) do ESO descobriu-se a primeira evidência de que os asteróides têm uma estrutura interna extremamente variada.

Ao fazer medições muito precisas, astrónomos descobriram que partes diferentes do asteróide Itokawa têm densidades diferentes. Descobrir o que se encontra no interior dos asteróides, além de revelar segredos sobre a sua formação, pode também informar-nos sobre o que acontece quando corpos celestes colidem no Sistema Solar e dar-nos pistas sobre como se formam os planetas.

Com o auxílio de observações muito precisas obtidas a partir do solo, Stephen Lowry (Universidade de Kent, RU) e colegas mediram a velocidade à qual o asteróide próximo da Terra (25143) Itokawa gira e como é que esta taxa de rotação varia com o tempo, combinando seguidamente estas observações com trabalho teórico inovador sobre como é que os asteróides irradiam calor.

Este pequeno asteróide é bastante intrigante uma vez que apresenta a estranha forma de um amendoim, como foi revelado pela sonda japonesa Hayabusa em 2005.

Para investigar a sua estrutura interna, a equipe de Lowry utilizou, entre outras, imagens recolhidas entre 2001 e 2013 pelo New Technology Telescope (NTT) do ESO, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, para medir a variação do brilho do objecto à medida que este gira.

Estes dados foram depois usados para deduzir o período de rotação do asteróide de modo muito preciso e determinar como é que este período varia com o tempo. Esta informação, quando combinada com a forma do asteróide, permitiu explorar o seu interior - revelando pela primeira vez a complexidade que se encontra no seu núcleo.

“Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteróide”, explica Lowry.

“Podemos ver que Itokawa tem uma estrutura extremamente variada - esta descoberta é um importante passo em frente na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar”.

A rotação de um asteróide e de outros pequenos corpos no espaço pode ser afectada pela luz solar. Este fenómeno, conhecido por efeito Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), ocorre quando a radiação solar absorvida pelo objecto é re-emitida pela sua superfície sob a forma de calor.

Quando a forma do asteróide é muito irregular, o calor não é irradiado de modo homogéneo, o que cria no corpo um torque, pequeno mas contínuo, que muda a sua taxa de rotação. A equipe de Lowry determinou que a taxa à qual o asteróide gira está lentamente a acelerar devido ao efeito YORP. A variação na velocidade de rotação é minúscula - uns meros 0,045 segundos por ano, no entanto este resultado é muito diferente do esperado e apenas pode ser explicado se as duas partes do objecto em forma de amendoim tiverem densidades diferentes.

Esta é a primeira vez que os astrónomos encontram provas da estrutura interna dos asteróides extremamente variada. Até agora, as propriedades do interior dos asteróides apenas podiam ser inferidas através de medições globais aproximadas da densidade.

Este resultado levou a muita especulação relativamente à formação de Itokawa. Uma possibilidade é que o asteróide se tenha formado a partir de duas componentes de um asteróide duplo depois de ter havido colisão e fusão dos dois objectos.

Lowry acrescenta, “descobrir que os asteróides não têm interiores homogéneos tem implicações importantes, particularmente para os modelos de formação de asteróides binários. Este resultado poderá igualmente ser aplicado em trabalhos que visam diminuir as colisões de asteróides com a Terra ou em planos para futuras viagens a estes corpos rochosos”.

Esta nova capacidade de sondar o interior de um asteróide é um importante passo em frente e pode ajudar-nos a desvendar muitos dos segredos destes objectos misteriosos.

Este trabalho foi descrito no artigo científico intitulado “The Internal Structure of Asteroid (25143) Itokawa as Revealed by Detection of YORP Spin-up”, de Lowry et al. , e publicado na revista especializada Astronomy & Astrophysics. 

Fonte: ESO

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Asteróide com seis caudas surpreende astrónomos


Um asteróide foi captado entre Agosto e Setembro pelo telescópio espacial Hubble e espantou os astrónomos norte-americanos, por ter a aparência de um cometa com seis caudas e a girar sobre si próprio, foi hoje anunciado.

Um asteróide foi captado entre Agosto e Setembro pelo telescópio espacial Hubble e espantou os astrónomos norte-americanos, por ter a aparência de um cometa com seis caudas e a girar sobre si próprio, foi hoje anunciado. "Ficámos literalmente estupefactos com o que vimos", afirmou David Jewitt, astrónomo da Universidade da Califórnia (Los Angeles) que descobriu o asteróide, a partir de observações feitas em Setembro.

A equipa de astrónomos descreveu o asteróide com a forma de um regador automático de relva, que projectava poeiras através de seis caudas, como um cometa, e que mudava várias vezes de forma. A descoberta foi descrita num estudo publicado hoje na revista científica norte-americana Astrophysical Journal Letters.

(Esta notícia foi também publicada no site wort.lu/pt)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Asteróides, uma ameaça real


A possibilidade que um cometa (proveniente da cintura de Kuiper, para além da órbita de Neptuno e, geralmente, com cauda) ou que um asteróide (proveniente da cintura interna de asteróides, sem cauda) colida com a Terra é real. Já aconteceu no passado e pode voltar a ocorrer.

Há 65 milhões de anos, um cometa que tinha 18 km de diâmetro atingiu o Golfo do México numa explosão mais de mil milhões de vezes superior à bomba de Hiroshima, o que terá provocado tsunamis e terramotos nunca antes vistos à escala global, levantou nuvens de poeira e fumo que cobriram a luz do sol durante centenas de anos, o que arrefeceu o globo (Inverno nuclear) e terá conduzido à extinção de 50 % das espécies, entre eles os dinossauros.

Em 1908, um asteróide com cerca de 50 metros de diâmetro explodiu na Sibéria, na região de Tunguska, com a potência de várias centenas de bombas de Hiroshima. Ficou registado como um sismo de nível 4 na Escala de Richter, destruiu a floresta num raio de 20 km e provocou danos até uma centena de quilómetros de distância.

A ficção-científica e Hollywood imaginaram muitas vezes este possível fim do mundo, mas só em 1994 quando o cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu com Jupiter é que a comunidade científica ficou alertada, percebendo que esta era uma ameaça real.

Uma estrela cadente nada mais é que um pequeno asteróide que se desintegra ao entrar na atmosfera terrestre, formando meteoritos, que podem ter desde alguns centímetros até vários metros e se diferenciam das pedras terrestres porque são magnéticos.

Anualmente, caem cerca de 50 mil meteoritos na Terra, o que representa 30 mil toneladas de pedras vindas do espaço*.

Um asteróide é potencialmente perigoso para a Terra quando tem mais de 150 metros de diâmetro. Há já oito anos que os astrónomos observam incansavelmente os céus à procura de possíveis objectos massivos que cruzem a órbita da Terra (geocruzadores) e já identificaram cerca de oito mil asteróides ou cometas deste tipo, ou seja que constituem um perigo potencial para a Terra. 

Mas nenhum destes geocruzadores tem "encontro marcado" com a Terra este ano ou numa data próxima.

Conscientes da ameaça, americanos e europeus trabalham actualmente na detecção (Spaceguard Survey, Programa Neo, http://neo.jpl.nasa.gov/ ) e recenseamento destes corpos, mas estudam também como desviá-los da Terra.

Os cientistas avisam, no entanto, que se um corpo celeste verdadeiramente ameaçador for descoberto em rota de colisão com o nosso planeta, tudo dependerá se for detectado a tempo e se não for demasiado voluminoso para poder ser desviado.

(artigo publicado em 21/12/2012 no jornal CONTACTO, no Dossier "Quem tem medo do fim do Mundo?")

* [à semelhança da chuva de meteoritos que caiu sobre a Rússia em Fevereiro de 2013]

terça-feira, 21 de maio de 2013

NASA divulga vídeo do impacto de um asteróide na Lua

A agência espacial norte-americana NASA divulgou esta segunda-feira um vídeo que mostra o impacto de um asteroide na Lua e que viajava a 90 mil quilómetros, causando uma explosão visível da Terra sem telescópio.

A NASA informou que o asteroide, que provocou a explosão no dia 17 de Março, pesava cerca de 40 quilos e media entre 30 e 40 centímetros de diâmetro.

O vídeo, mostra a maior colisão que já se observou na superfície lunar, captada por um satélite de observação da Lua.

Os cientistas destacaram que o brilho do impacto foi dez vezes maior do que algum jamais visto no satélite da Terra e que a explosão foi equivalente a cinco toneladas de dinamite.

O objecto espacial, do tamanho de uma pedra grande, atingiu a superfície lunar de Mare Imbrium, no dia 17 de Março.

“Qualquer pessoa que estivesse a observar a Lua conseguia ver a explosão sem ser preciso utilizar um telescópio”, concluiu a NASA.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um asteróide chamado Portugal

Luxemburgo, 11 de Abril - O asteróide 3933 Portugal (1986 EN4) foi descoberto em 12 de Março de 1986 pelo astrónomo dinamarquês Richard Martin West, no Observatório La Silla (ESO), no Chile.

É um pequeno corpo celeste, irregular e de cor escura, planetóide (troiano), proveniente da cintura principal externa de asteróides, tem cerca de 10 km de diâmetro, orbita o sol entre Marte e Júpiter, a 485 milhões de km do Sol (cerca de três vezes mais afastado do que a Terra), com uma órbita quase circular de 5,9 anos (2.137 dias) em torno da nossa estrela. Apresenta uma órbita caracterizada por um semi-eixo maior de 3,2479002 UA e com uma exentricidade de 0,0967363, inclinada de 1,70434° relativamente à elíptica.

O nome de baptismo "Portugal" aconteceu para comemorar a adesão de Portugal à organização astronómica do Observatório Europeu do Sul (ESO), em 1990.

Segundo o Jet Propulsion Laboratory, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, da NASA, este asteróide foi avistado pela primeira vez em 1953 e pela última vez a 7 de Janeiro de 2013.

Os astrónomos amadores Alberto Fernando, José Ribeiro, e Filipe Alves conseguiram captar imagens de 3933 Portugal em 2004, e em 2009 foi a vez de João Gregório (imagem supra) também conseguir fazer fotos ao asteróide

Mais informações em http://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=3933.

sábado, 30 de março de 2013

Está aberta a caça ao asteróide

Luxemburgo, 30 de Março - A NASA está decidida em caçar um asteróide. Não é preciso ser um grande asteróide, a NASA diz que se contenta com um pequeno modelo de sete metros, pesando meia tonelada. Técnica e tecnologicamente o feito é possível, dizem os cientistas, só falta o mais importante: o financiamento.

Assim, o orçamento que a NASA quer apresentar à administração americana para 2014 vai incluir um pacote de 100 milhões de dólares para construir a pequena nave robótica que terá como missão capturar o corpo celeste.

Onde: algures nas imediações da Lua. 
Quando: lá para 2025.

A ideia seduziu a Casa Branca, mesmo se o presidente Obama já disse que neste tipo de operações, assim como o regresso do Homem à Lua, ainda nesta década, só é viável se for não apenas financiado pelo erário público mas igualmente por investimento privado.

A NASA tem dois argumentos de peso para atrair investidores. O primeiro é que esta tecnologia pode vir a servir a médio prazo às empresas que já sonham em fazer exploração de minério espacial. O segundo é estarem a contribuir para o estudo de um sistema que previna a colisão de asteróides maciços com a Terra, o que diz respeito a toda a Humanidade.

Imagem: Rick Sternbach/Keck Institute for Space Studies

quinta-feira, 28 de março de 2013

Programa russo para combater ameaças espaciais pronto no fim deste ano

Luxemburgo, 28 de Março - No último dia 12, o presidente do grupo de especialistas em ameaças espaciais do Conselho do Espaço da Academia das Ciências da Rússia, Boris Chustov declarou que é preciso criar um sistema baseado tanto na terra como no espaço para detectar objetos espaciais perigosos, como o meteorito que caiu na cidade de Tcheliabinsk.

Para o diretor do Instituto de Astronomia Aplicada, Aleksandr Ipatov, a Rússia deve melhorar seu sistema de observação de asteróides para poder oferecer uma resposta eficaz às ameaças espaciais. “Para criar esse sistema, é preciso, em primeiro lugar, catalogar todos os asteróides”, disse Ipatov.

Ler mais na página da Gazeta Russa  



Foto/Vídeo: NASA