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domingo, 18 de outubro de 2015
Descobertas ondas misteriosas num disco de formação de um proto-planeta
Com o auxílio de imagens do Very Large Telescope do ESO e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos descobriram estruturas únicas e totalmente inesperadas no seio do disco de poeira que rodeia a estrela AU Microscopii.
Este episódio do ESOcast mostra estas estruturas do tipo de ondas que se deslocam rapidamente, as quais não se parecem com nada que tenha sido observado, ou mesmo previsto, até à data.
Fonte: ESO (texto, fotos e vídeo)
sábado, 25 de julho de 2015
Novas imagens da sonda New Horizons revelam que Plutão está coberto por uma névoa
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| Foto: Nasa |
A sonda, que passou perto do desconhecido Plutão na semana passada, numa missão que arrancou há quase uma década, continua a enviar informação para a equipa da NASA. A equipa diz que até agora só analisou 5% de todo o conteúdo gravado pela sonda na sua viagem de nove anos pelo Sistema Solar até Plutão.
Depois de cadeias de montanhas e vastas planícies geladas, as novas imagens revelam vapores que se elevam até 130 km na atmosfera do planeta, com duas camadas distintas, uma a 80 km de altitude e outra a 50 km de altitude.
"Esses vapores são essenciais para criar hidrocarbonetos e são os responsáveis pela cor avermelhada da superfície do planeta", explicou Michael Summers, um dos cientistas da Nasa.
A norte de uma região baptizada "Sputnik Planum" (do tamanho do estado do Texas), as imagens mostram também sinais de movimentos de placas de gelo na superfície. Placas de gelo que não são constituídas por água, mas por azoto, metano e monóxido de carbono.
"As nossas expectativas foram mais que superadas. Com gelo (de metano e azoto) solto, uma substância exótica na sua superfície, cordilheiras e uma ampla bruma, Plutão está a mostrar uma diversidade verdadeiramente emocionante de geologia planetária", disse em comunicado John Grunsfeld, um dos directores-adjuntos da NASA.
Conhecer melhor a Cintura de Kuiper
A sonda New Horizons vai continuar a enviar dados até 2016.
Neste momento, a sonda está para além da órbita de Plutão, e vai estudar mais amplamente a Cintura de Kuiper.
A Cintura de Kuiper é a regio do espaço que vai desde a órbita de Neptuno até aos confins do Sistema Solar. Os astrónomos acreditam que nesta região existam mais de 100 mil pequenos corpos celestes. Destes, são conhecidos 12 com diâmetro de quase ou mais de 1000 km. Há inclusive um, Éris, com maior massa que Plutão, apesar de ser ultrapassado em volume, segundo as novas medições da New Horizons.
Além de Plutão e Éris, os outros 10 corpos celestes conhecidos nesta região são: Charon, Makemake, Haumea, Sedna, Orco, 2007 OR10, Quaoar, Ixion, Varuna e 2002 AW197.
Esta notícia foi também publicada no site do CONTACTO
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Meio milhar de asteróides ameaçam a Terra
Cerca de 500 asteróides ameaçam potencialmente a Terra, um problema para o qual especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA) encontraram soluções que parecem ter saído de um filme de ficção científica.
"Temos cerca de 500 objectos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês) identificados que poderiam, dentro de um século, eventualmente tocar a Terra, mas a probabilidade é muito baixa, em alguns casos de um em um milhão", explicou Detlef Koschny, chefe do sector de NEO na ESA.
"Seguimos as suas rotas, tentamos prever o que poderiam ser e se, eventualmente, representam um risco", explicou Koschny a partir do centro operacional dos NEO na cidade italiana de Frascati, perto de Roma.
"Em caso de perigo real, temos duas soluções actualmente viáveis ", acrescentou o especialista. "O primeiro é o acidente de movimento cósmico", disse. "Imagine um veículo, que é o asteróide, e um outro veículo, que é a nossa ferramenta, colidindo com ele e desviando-o da sua trajectória. Por conta da pressão, é possível desviá-lo gradualmente da Terra", afirmou.
"A segunda solução é destruir o asteróide com uma explosão nuclear", acrescenta Koschny. A questão é: como olhar para um objecto espacial que viaja a 3.600 km/h com um outro objecto lançado para interceptá-lo com a mesma velocidade?"
A partir de uma experiência americana, chamada Deep Impact, sabemos que é possível alcançar todos os objectos que tenham mais de 100 metros de diâmetro. Estamos cada vez mais perto de satélites auto-guiados por uma câmara, porque não teríamos tempo para dirigi-los a partir da Terra", explica o cientista.
"É mais fácil quando é o Bruce Willis quem o faz", brinca Richard Tremayne-Smith, co-presidente da Conferência de Defesa Planetária (Planetary Defence Conference, PDC), numa alusão ao filme americano "Armageddon" (1998), em que o actor destrói um asteróide que ameaça a Terra.
"A defesa planetária era um hobby há dez anos. Hoje, tornou-se uma preocupação global", aponta William Ailor, segundo co-presidente do PDC.
A PDC é um encontro sério e envolve especialistas da Nasa, da ESA e de outras instituições, mas também há lugar para jogos. "Um dos jogos consiste em simular uma crise [provocada] por uma possível queda de um asteróide na Terra, com três pessoas a desempenhar o papel de autoridades políticas, conselheiros científicos, representantes das populações ameaçadas e a imprensa", explicou Debbie Lewis, especialista em gestão de catástrofes.
"Precisamos de acordos de comando, controlo, coordenação e comunicação a nível internacional", insistiu a especialista. É que os danos causados pela queda de um asteróide podem ser gigantescos em função do tamanho.
Segundo vários especialistas, 75% das diferentes formas de vida na Terra, inclusive os dinossauros, desapareceram devido à queda de um enorme asteróide há 65 milhões de anos. "Devemos estar preparados, o despertador já tocou, mas teimamos em desligá-lo", afirmou Lewis.
"Temos cerca de 500 objectos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês) identificados que poderiam, dentro de um século, eventualmente tocar a Terra, mas a probabilidade é muito baixa, em alguns casos de um em um milhão", explicou Detlef Koschny, chefe do sector de NEO na ESA.
"Seguimos as suas rotas, tentamos prever o que poderiam ser e se, eventualmente, representam um risco", explicou Koschny a partir do centro operacional dos NEO na cidade italiana de Frascati, perto de Roma.
"Em caso de perigo real, temos duas soluções actualmente viáveis ", acrescentou o especialista. "O primeiro é o acidente de movimento cósmico", disse. "Imagine um veículo, que é o asteróide, e um outro veículo, que é a nossa ferramenta, colidindo com ele e desviando-o da sua trajectória. Por conta da pressão, é possível desviá-lo gradualmente da Terra", afirmou.
"A segunda solução é destruir o asteróide com uma explosão nuclear", acrescenta Koschny. A questão é: como olhar para um objecto espacial que viaja a 3.600 km/h com um outro objecto lançado para interceptá-lo com a mesma velocidade?"
A partir de uma experiência americana, chamada Deep Impact, sabemos que é possível alcançar todos os objectos que tenham mais de 100 metros de diâmetro. Estamos cada vez mais perto de satélites auto-guiados por uma câmara, porque não teríamos tempo para dirigi-los a partir da Terra", explica o cientista.
"É mais fácil quando é o Bruce Willis quem o faz", brinca Richard Tremayne-Smith, co-presidente da Conferência de Defesa Planetária (Planetary Defence Conference, PDC), numa alusão ao filme americano "Armageddon" (1998), em que o actor destrói um asteróide que ameaça a Terra.
"A defesa planetária era um hobby há dez anos. Hoje, tornou-se uma preocupação global", aponta William Ailor, segundo co-presidente do PDC.
A PDC é um encontro sério e envolve especialistas da Nasa, da ESA e de outras instituições, mas também há lugar para jogos. "Um dos jogos consiste em simular uma crise [provocada] por uma possível queda de um asteróide na Terra, com três pessoas a desempenhar o papel de autoridades políticas, conselheiros científicos, representantes das populações ameaçadas e a imprensa", explicou Debbie Lewis, especialista em gestão de catástrofes.
"Precisamos de acordos de comando, controlo, coordenação e comunicação a nível internacional", insistiu a especialista. É que os danos causados pela queda de um asteróide podem ser gigantescos em função do tamanho.
Segundo vários especialistas, 75% das diferentes formas de vida na Terra, inclusive os dinossauros, desapareceram devido à queda de um enorme asteróide há 65 milhões de anos. "Devemos estar preparados, o despertador já tocou, mas teimamos em desligá-lo", afirmou Lewis.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
EUA e Rússia querem criar estação orbital ISS-2 em 2024
A Rússia e os Estados Unidos pretendem criar, em conjunto, uma nova estação espacial a partir de 2024 (poderia vir a chamar-se ISS-2), disse recentemente o chefe da Roscosmos, a agência espacial russa, Igor Komarov.
“A Roscosmos e a Nasa [agência espacial dos Estados Unidos] vão trabalhar em conjunto no programa da futura estação orbital, um projecto aberto a todos os países que pretendam juntar esforços”, disse Komarov, numa conferência de imprensa em Baikonur, no Cazaquistão.
As duas agências espaciais pensam assim prolongar até 2024 o serviço da actual Estação Espacial Internacional (ISS).
A Rússia e os Estados Unidos também concordaram em unificar as normas técnicas dos sistemas de acoplagem das suas naves espaciais.
Americanos e russo planeiam voos em conjunto para Marte
Na mesma conferência de imprensa, o administrador da Nasa, Charles Bolden, lembrou que a Rússia e os Estados Unidos pretendem criar um programa conjunto de voos para Marte.
A ISS começou a ser construída em 1997 e já custou mais de 100 mil milhões de dólares. Está em órbita a uma altitude de 335 a 460 quilómetros, pesa mais de 450 toneladas, e desloca-se a 27 mil quilómetros por hora.
A ISS conta com a participação de 16 países: o programa foi lançado pelos EUA em 1983, a Rússia aderiu em 1993, e quando a construção começou juntaram-se ao projecto onze países europeus da ESA, o Brasil, o Japáo e o Canadá. A ISS tem residentes em permanência desde 2000.
Os EUA tinham previsto retirar-se da ISS em 2016/2017, segundo os planos delineados em 2004 pela Administração de George W. Bush, que previa concentrar esses fundos no programa Constelação, para regressar à Lua.
O abandono da ISS em 2016/2017 poderia criar atritos com os 15 países que colaboram actualmente no projecto e aí têm investido muitos milhares em pesquisas e missões, pelo que, depois da Administração Obama adiar sine die o programa Constelação em 2010, os EUA e a Rússia decidiram num primeiro tempo prolongar a vida da ISS até 2020, e agora anunciaram um novo prolongamento até 2024.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Hew Horizons revela que Plutão pode ter calota polar
Plutão pode ter uma calota de gelo polar, dizem agora os cientistas da Nasa, depois de analisar as imagens mais recentes da nave espacial New Horizons, que se aproxima do distante planeta-anão.
A New Horizons passa por Plutão em 14 de Julho e já começou o envio de imagens do corpo celeste e da sua lua Charon, satélite de tamanho semelhante ao do Texas.
A Nasa combinou 13 imagens tiradas ao longo de seis dias em Abril com material do instrumento de reconhecimento de imagens de longo alcance, Lorri, para fazer um curta-metragem.
Apesar de serem pixelizadas, as imagens mostram áreas claras e escuras na superfície de Plutão. Essas áreas foram identificadas pela primeira vez com o telescópio Hubble há anos, mas como as características de Plutão estão a ficar melhor conhecidas graças à New Horizons, a Nasa está a começar a duvidar se uma área de luz intensa indica efectivamente a presença de uma calota polar em Plutão.
"Esse brilho na região polar de Plutão pode ser causado por uma calota de neve altamente reflexiva na superfície", explica a Nasa. "A 'neve', neste caso, é provavelmente gelo de nitrogénio molecular congelado. As observações da New Horizons em Julho vão definitivamente determinar se a hipótese está correcta ou não".
Plutão foi durante muito tempo considerado o nono planeta no Sistema Solar e o mais afastado do sol. A sua "categoria" foi redefinida e o corpo celeste foi reclassificado como planeta-anão em 2006.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Os argumentos para convencer a opinião pública da importância da exploração espacial
Que argumentos avançar para convencer a opinião pública que é benéfico e até necessário investir na exploração espacial? Foi a esta pergunta que tentou responder a escritora americana Joelle Renstrom, que escreve habitualmente sobre a relação entre ciência e ficção científica.
No blogue Future Tense (Futuro Simples) - que é uma colaboração entre a revista em linha Slate, o instituto New America e a Universidade Estadual do Arizona, Renstrom começa por recordar que regularmente a Nasa enfrenta o mesmo desafio: não saber se o orçamento que lhe vai ser outorgado pelas autoridades estatais vai sofrer cortes.
E lá têm os seus dirigentes que ir reinventar novos (velhos) argumentos para tentar convencer os políticos e o público a "gastar" dinheiro na exploração espacial. Uma tarefa tanto mais árdua numa época de crise em que a opinião pública depressa se torna susceptível nestas questões e vê com olhos críticos que o Governo gaste demasiado dinheiro em certos sectores em detrimento de outros que esta considera mais importantes.
1960-1980: Do argumento geopolítico de Kennedy ao desígnio filosófico de Carl Sagan
A autora diz que "é ao passado que temos de ir procurar os bons argumentos". Recordando que em 1962 John F. Kennedy conseguiu galvanizar um país inteiro em torno de um objectivo comum - chegar à Lua, feito histórico alcançado em apenas sete anos -, Renstrom lembra que no seu apelo o presidente norte-americano recorreu a argumentos em torno da segurança interna e do orgulho da nação face a um inimigo geopolítico e ideológico, a URSS. "A retórica política de Kennedy fez duplicar o orçamento da Nasa entre 1962 e 1963, e quadruplicar entre 1962 e 1966".
Joelle Renstrom recorda também os argumentos filosóficos que o famoso astrónomo, cosmólogo, astrofísico e astrobiólogo Carl Sagan tentou difundir nos seus trabalhos de vulgarização científica nos anos 1970 e 1980 (como por exemplo na série "Cosmos", que alcançou sucesso mundial). Sagan explanava, com um entusiasmo e um carisma que contagiaram gerações de novos cientistas, que a exploração espacial, e a ciência em geral, elevam e sublimam a Humanidade na sua essência enquanto civilização. Ao mesmo tempo apelava para que isso não nos tornasse arrogantes, antes humildes, e lembrava o lugar do nosso pequeno "ponto azul pálido" (a Terra) na imensidão vasta e incomensurável do Universo.
No entanto, lamenta Renstrom, "actualmente, até o pupilo de Sagan, Neil deGrasse Tyson [astrónomo e cosmólogo] considera que esses argumentos estão estafados, porque as massas não se interessam pelo que não dá resultados imediatos".
Renstrom lamenta ainda que hoje em dia "até os argumentos mais básicos sobre os benefícios práticos e tecnológicos que trazem a exploração e as descobertas espaciais não respondem às perguntas porque devemos investir dinheiro neste sector e porquê agora".
No seu artigo, Joelle Renstrom não o menciona, mas eu lembro que nos anos 1990, a baixa nas verbas para a Nasa, provocada, entre outros pontos, pela explosão do vaivém Challenger (em 1986), e o desmembramento da União Soviética (1991), levaram os EUA a colaborar com a Rússia na criação de uma estação orbital.
A China, Marte e "o comércio do espaço"
A autora verifica que actualmente EUA e Rússia já não são competidoras, antes colaboradoras, na exploração espacial, inclusive "a Nasa recorre às cápsulas russas Soyuz" para enviar os seus astronautas até à estação espacial internacional (ISS), que é hoje um projecto que reagrupa 16 países,
Mas há um novo jogador em campo, precisa Renstrom. "A entrada da China na corrida espacial pode reacender uma competição sã entre nações". A autora admite que um discurso ideológico à Kennedy para galvanizar os EUA "contra uma nação comunista" [como era a URSS nos anos 1960 e como é hoje a China] "é obsoleto e não funcionaria". Mas o outro argumento de Kennedy - ser primeiros e sê-lo porque podemos - pode tocar os americanos no seu orgulho de grande nação.
A China acabou de colocar um rover na Lua, tem uma estação espacial (Tiangong 3) já a orbitar (para já, não habitada) e o próximo objectivo é enviar um taikonauta (astronauta chinês) até Marte. Renstrom propõe Marte como meta para competir com a China.
Renstrom não o menciona mas também a Índia, o Brasil ou o Irão querem lançar-se na corrida espacial, mas pensa que há um argumento de peso que pode estimular o financiamento na exploração espacial nesta segunda década do século XXI: "a competição entre empresas privadas".
O "comércio do espaço" pode ter (já tem) várias vertentes. Primeiro, diz Renstrom, o turismo espacial, que "está a tornar acessível a órbita baixa da Terra a cada vez mais pessoas". Renstrom diz que conta com "a mediatização de turistas espaciais famosos", e dá o exemplo de Lady Gaga, para impulsionar o turismo espacial.
A escritora refere também o pioneirismo da Space X, a primeira companhia privada a conseguir um contrato para enviar uma nave até à ISS, o que prova que "o mercado do frete espacial tem capacidade para se desenvolver". A empresa "está a desenvolver naves tipo vaivém" e "conseguiu roubar um contrato ao foguetão europeu Ariane 5 para colocar em órbita satélites comerciais".
Hoje em dia, diz, "as empresas privadas conseguem construir naves por metade do preço da Nasa". Ou seja, a autora considera que o investimento no espaço pode impulsionar a economia americana e mundial, globalmente estagnadas, e que isso, sim, é um argumento que pode sensibilizar os políticos e o homem da rua.
Renstrom não o diz, mas acrescento eu, numa das suas conferências, Neil deGrasse Tyson afirma que a pessoa que quiser ser o primeiro trilionário do Mundo deve investir na exploração do espaço, porque é aí que se encontram inúmeros recursos, que podem valer milhões, biliões, triliões.
Renstrom evoca deGrasse Tyson mas para lembrar que o astrónomo considera que "a exploração espacial deve ser feita pelos governos, quando se trata de atingir novas fronteiras, depois disso as empresas privadas poderiam desbravar trilhos".
Espero que estes argumentos sejam suficientes para que os Estados continuem a investir no espaço.
Nos anos 1980, a Nasa previa fazer chegar o primeiro homem a Marte em 2015 e criar a primeira colónia marciana em 2045. Temos, portanto, 15 a 20 anos de atraso. Atraso provocado, entre outros precalços de agenda, pelas explosões dos vaivéns Challenger (1986) e Discovery (2002), pela crise financeira 2008-2015, que levou a Administração Obama a abandonar o programa americano "Constellation" para regressar à Lua.
Em contrapartida, o tempo de vida da ISS foi prolongado, de 2016 para 2024; Nasa, ESA, Rússia, Japão e outras nações colaboram cada vez mais; as missões Kepler, Hubble e outras têm descoberto um número exponencial de exoplanetas. Sinais que deixam adivinhar que melhores tempos estão a chegar no que concerne o investimento e o empenho da Humanidade na exploração espacial.
No blogue Future Tense (Futuro Simples) - que é uma colaboração entre a revista em linha Slate, o instituto New America e a Universidade Estadual do Arizona, Renstrom começa por recordar que regularmente a Nasa enfrenta o mesmo desafio: não saber se o orçamento que lhe vai ser outorgado pelas autoridades estatais vai sofrer cortes.
E lá têm os seus dirigentes que ir reinventar novos (velhos) argumentos para tentar convencer os políticos e o público a "gastar" dinheiro na exploração espacial. Uma tarefa tanto mais árdua numa época de crise em que a opinião pública depressa se torna susceptível nestas questões e vê com olhos críticos que o Governo gaste demasiado dinheiro em certos sectores em detrimento de outros que esta considera mais importantes.
1960-1980: Do argumento geopolítico de Kennedy ao desígnio filosófico de Carl Sagan
A autora diz que "é ao passado que temos de ir procurar os bons argumentos". Recordando que em 1962 John F. Kennedy conseguiu galvanizar um país inteiro em torno de um objectivo comum - chegar à Lua, feito histórico alcançado em apenas sete anos -, Renstrom lembra que no seu apelo o presidente norte-americano recorreu a argumentos em torno da segurança interna e do orgulho da nação face a um inimigo geopolítico e ideológico, a URSS. "A retórica política de Kennedy fez duplicar o orçamento da Nasa entre 1962 e 1963, e quadruplicar entre 1962 e 1966".
Joelle Renstrom recorda também os argumentos filosóficos que o famoso astrónomo, cosmólogo, astrofísico e astrobiólogo Carl Sagan tentou difundir nos seus trabalhos de vulgarização científica nos anos 1970 e 1980 (como por exemplo na série "Cosmos", que alcançou sucesso mundial). Sagan explanava, com um entusiasmo e um carisma que contagiaram gerações de novos cientistas, que a exploração espacial, e a ciência em geral, elevam e sublimam a Humanidade na sua essência enquanto civilização. Ao mesmo tempo apelava para que isso não nos tornasse arrogantes, antes humildes, e lembrava o lugar do nosso pequeno "ponto azul pálido" (a Terra) na imensidão vasta e incomensurável do Universo.
No entanto, lamenta Renstrom, "actualmente, até o pupilo de Sagan, Neil deGrasse Tyson [astrónomo e cosmólogo] considera que esses argumentos estão estafados, porque as massas não se interessam pelo que não dá resultados imediatos".
Renstrom lamenta ainda que hoje em dia "até os argumentos mais básicos sobre os benefícios práticos e tecnológicos que trazem a exploração e as descobertas espaciais não respondem às perguntas porque devemos investir dinheiro neste sector e porquê agora".
No seu artigo, Joelle Renstrom não o menciona, mas eu lembro que nos anos 1990, a baixa nas verbas para a Nasa, provocada, entre outros pontos, pela explosão do vaivém Challenger (em 1986), e o desmembramento da União Soviética (1991), levaram os EUA a colaborar com a Rússia na criação de uma estação orbital.
A China, Marte e "o comércio do espaço"
A autora verifica que actualmente EUA e Rússia já não são competidoras, antes colaboradoras, na exploração espacial, inclusive "a Nasa recorre às cápsulas russas Soyuz" para enviar os seus astronautas até à estação espacial internacional (ISS), que é hoje um projecto que reagrupa 16 países,
Mas há um novo jogador em campo, precisa Renstrom. "A entrada da China na corrida espacial pode reacender uma competição sã entre nações". A autora admite que um discurso ideológico à Kennedy para galvanizar os EUA "contra uma nação comunista" [como era a URSS nos anos 1960 e como é hoje a China] "é obsoleto e não funcionaria". Mas o outro argumento de Kennedy - ser primeiros e sê-lo porque podemos - pode tocar os americanos no seu orgulho de grande nação.
A China acabou de colocar um rover na Lua, tem uma estação espacial (Tiangong 3) já a orbitar (para já, não habitada) e o próximo objectivo é enviar um taikonauta (astronauta chinês) até Marte. Renstrom propõe Marte como meta para competir com a China.
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| Aspecto da estação espacial chinesa Tiangong 3 quando estiver terminada |
Renstrom não o menciona mas também a Índia, o Brasil ou o Irão querem lançar-se na corrida espacial, mas pensa que há um argumento de peso que pode estimular o financiamento na exploração espacial nesta segunda década do século XXI: "a competição entre empresas privadas".
O "comércio do espaço" pode ter (já tem) várias vertentes. Primeiro, diz Renstrom, o turismo espacial, que "está a tornar acessível a órbita baixa da Terra a cada vez mais pessoas". Renstrom diz que conta com "a mediatização de turistas espaciais famosos", e dá o exemplo de Lady Gaga, para impulsionar o turismo espacial.
A escritora refere também o pioneirismo da Space X, a primeira companhia privada a conseguir um contrato para enviar uma nave até à ISS, o que prova que "o mercado do frete espacial tem capacidade para se desenvolver". A empresa "está a desenvolver naves tipo vaivém" e "conseguiu roubar um contrato ao foguetão europeu Ariane 5 para colocar em órbita satélites comerciais".
Hoje em dia, diz, "as empresas privadas conseguem construir naves por metade do preço da Nasa". Ou seja, a autora considera que o investimento no espaço pode impulsionar a economia americana e mundial, globalmente estagnadas, e que isso, sim, é um argumento que pode sensibilizar os políticos e o homem da rua.
Renstrom não o diz, mas acrescento eu, numa das suas conferências, Neil deGrasse Tyson afirma que a pessoa que quiser ser o primeiro trilionário do Mundo deve investir na exploração do espaço, porque é aí que se encontram inúmeros recursos, que podem valer milhões, biliões, triliões.
Renstrom evoca deGrasse Tyson mas para lembrar que o astrónomo considera que "a exploração espacial deve ser feita pelos governos, quando se trata de atingir novas fronteiras, depois disso as empresas privadas poderiam desbravar trilhos".
Espero que estes argumentos sejam suficientes para que os Estados continuem a investir no espaço.
Nos anos 1980, a Nasa previa fazer chegar o primeiro homem a Marte em 2015 e criar a primeira colónia marciana em 2045. Temos, portanto, 15 a 20 anos de atraso. Atraso provocado, entre outros precalços de agenda, pelas explosões dos vaivéns Challenger (1986) e Discovery (2002), pela crise financeira 2008-2015, que levou a Administração Obama a abandonar o programa americano "Constellation" para regressar à Lua.
Em contrapartida, o tempo de vida da ISS foi prolongado, de 2016 para 2024; Nasa, ESA, Rússia, Japão e outras nações colaboram cada vez mais; as missões Kepler, Hubble e outras têm descoberto um número exponencial de exoplanetas. Sinais que deixam adivinhar que melhores tempos estão a chegar no que concerne o investimento e o empenho da Humanidade na exploração espacial.
sábado, 2 de maio de 2015
Imagem em 3D revela pormenores nunca antes vistos dos Pilares da Criação
Com o auxílio do instrumento MUSE montado no Very Large Telescope do ESO, os astrónomos criaram a primeira imagem completa a três dimensões dos famosos Pilares da Criação na Nebulosa da Águia, ou Messier 16.
As novas observações mostram como é que os diferentes pilares de poeira deste objecto icónico estão distribuídos no espaço e revelam muitos detalhes novos - incluindo um jacto, nunca visto antes, lançado por uma estrela jovem.
A radiação intensa e os ventos estelares emitidos pelas estrelas brilhantes do enxame associado esculpiram os Pilares da Criação ao longo do tempo e deverão fazer com que estes desapareçam completamente dentro de cerca de três milhões de anos.
A imagem original dos famosos Pilares da Criação foi obtida pelo telescópio espacial Hubble da NASA/ESA há duas décadas atrás, tendo-se tornado imediatamente uma das imagens mais famosas e evocativas. Desde essa altura, estas nuvens, que se estendem ao longo de alguns anos-luz [1], têm espantado tanto cientistas como público em geral.
As estruturas salientes, assim como o enxame estelar próximo NGC 6611, fazem parte de uma região de formação estelar chamada Nebulosa da Águia, ou Messier 16.
A nebulosa e os restantes objectos associados situam-se a cerca de 7.000 anos-luz de distância da Terra, na constelação da Serpente.
Os Pilares da Criação são um exemplo típico de estruturas em forma de colunas que se desenvolvem em nuvens gigantes de gás e poeira, locais de nascimento de novas estrelas. As colunas surgem quando enormes estrelas azuis-esbranquiçadas do tipo O e B recentemente formadas emitem enormes quantidades de radiação ultravioleta e ventos estelares que sopram a matéria menos densa para longe da sua vizinhança.
As zonas de gás e poeira mais densas podem, no entanto, resistir a essa erosão por mais tempo. Por detrás de tais bolsas de poeira espessa, o material está protegido deste olhar intenso e devastador das estrelas O,B. Este “escudo” dá origem a “caudas” ou “trombas de elefante”, as quais observamos sob a forma de pilares de matéria poeirenta e que apontam em sentido contrário às estrelas brilhantes.
O instrumento MUSE do ESO montado no Very Large Telescope mostrou a evaporação constante a que estão sujeitos os Pilares da Criação com um detalhe sem precedentes, revelando a sua orientação.
O MUSE mostrou que a ponta do pilar da esquerda está virada para nós, por cima de um pilar que na realidade se situa por trás do NGC 6611, contrariamente aos outros pilares. É sobre esta ponta que incide a maior parte da radiação emitida pelas estrelas do NG 6611 e, consequentemente, parece-nos muito mais brilhante do que os pilares da esquerda em baixo, do centro e da direita, cujas pontas apontam na direcção contrária, relativamente a nós.
Os astrónomos esperam compreender melhor como é que as estrelas jovens do tipo O e B, como as que se encontram no NGC 6611, influenciam a formação das estrelas subsequentes. Estudos numerosos identificaram protoestrelas a formarem-se no interior destas nuvens - o que faz delas verdadeiros Pilares da Criação.
Este novo estudo mostra também evidências de duas estrelas em gestação nos pilares do centro e da esquerda, assim como um jacto lançado por uma estrela jovem que escapou detecção até agora. A formação de mais estrelas em meios como o dos Pilares da Criação, pressupõe a existência de uma verdadeira corrida contra o tempo, uma vez que a radiação intensa emitida pelas estrelas que já brilham continua a desfazer os pilares.
Ao medir a taxa de evaporação dos Pilares da Criação, o MUSE deu aos astrónomos uma janela de tempo para além da qual estas estruturas deixam de existir. Os pilares perdem cerca de 70 vezes a massa do Sol a cada um milhão de anos. Com base na sua massa actual, que é cerca de 200 vezes a massa solar, os Pilares da Criação terão uma duração de vida esperada de talvez mais uns três milhões de anos - um piscar de olhos no tempo cósmico. Assim, estas colunas cósmicas icónicas poderiam também aptamente chamar-se Pilares da Destruição.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Sonda Messenger revelou que Mercúrio tem gelo polar e agora vai mergulhar até à morte
Uma sonda da Nasa que orbitou o planeta Mercúrio durante os últimos quatro anos prepara-se para mergulhar na superfície do planeta no final deste mês, quando ficar sem combustível.
A sonda Messenger (sigla em inglês para "Superfície, Espaço, Ambiente, Geoquímica e Alinhamento de Mercúrio") vai terminar a sua missão, como previsto, por altura do dia 30 de Abril.
A missão da Messenger devia ter durado apenas um ano, mas como estava a funcionar bem e a enviar dados interessantes, a Nasa prolongou a sua vida ao máximo.
Crateras polares de Mercúrio podem conter água
A principal descoberta da sonda aconteceu em 2012, quando descobriu uma espessa camada de gelo nas regiões polares de Mercúrio, fornecendo "apoio convincente para a hipótese de que o planeta abriga abundante água congelada e outros materiais voláteis em crateras polares", explicou a Nasa.
"Pela primeira vez os cientistas começaram a ver claramente um capítulo na história de como os planetas internos, incluindo a Terra, adquiriram água e alguns dos blocos químicos de construção da vida", explicou a agência em comunicado.
Os cientistas acreditam que o planeta mais próximo do Sol provavelmente obteve a sua água quando cometas e asteróides voláteis ricos em materiais minerais colidiram com o planeta.
A sonda Messenger foi lançada em 2004 e viajou durante mais de seis anos antes de finalmente começar a orbitar Mercúrio em 18 de Março de 2011.
Uma vez que a sonda não tripulada for expelida do propulsor, deixa de ser capaz de compensar a gravidade e vai cair, atingindo o planeta a mais de 234,6 km/h, no lado do planeta oposto à Terra. Não são por isso esperadas imagens do impacto.
"Pela primeira vez na história temos um conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que nos mostra um mundo fascinante como parte de nosso sistema solar diversificado", disse John Grunsfeld, administrador associado da direcção de Missões Científicas da Nasa. A Nasa vai continuar a analisar os dados obtidos a partir da sonda durante os próximos anos.
A sonda Messenger (sigla em inglês para "Superfície, Espaço, Ambiente, Geoquímica e Alinhamento de Mercúrio") vai terminar a sua missão, como previsto, por altura do dia 30 de Abril.
A missão da Messenger devia ter durado apenas um ano, mas como estava a funcionar bem e a enviar dados interessantes, a Nasa prolongou a sua vida ao máximo.
Crateras polares de Mercúrio podem conter água
A principal descoberta da sonda aconteceu em 2012, quando descobriu uma espessa camada de gelo nas regiões polares de Mercúrio, fornecendo "apoio convincente para a hipótese de que o planeta abriga abundante água congelada e outros materiais voláteis em crateras polares", explicou a Nasa.
"Pela primeira vez os cientistas começaram a ver claramente um capítulo na história de como os planetas internos, incluindo a Terra, adquiriram água e alguns dos blocos químicos de construção da vida", explicou a agência em comunicado.
Os cientistas acreditam que o planeta mais próximo do Sol provavelmente obteve a sua água quando cometas e asteróides voláteis ricos em materiais minerais colidiram com o planeta.
A sonda Messenger foi lançada em 2004 e viajou durante mais de seis anos antes de finalmente começar a orbitar Mercúrio em 18 de Março de 2011.
Uma vez que a sonda não tripulada for expelida do propulsor, deixa de ser capaz de compensar a gravidade e vai cair, atingindo o planeta a mais de 234,6 km/h, no lado do planeta oposto à Terra. Não são por isso esperadas imagens do impacto.
"Pela primeira vez na história temos um conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que nos mostra um mundo fascinante como parte de nosso sistema solar diversificado", disse John Grunsfeld, administrador associado da direcção de Missões Científicas da Nasa. A Nasa vai continuar a analisar os dados obtidos a partir da sonda durante os próximos anos.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Lançamento da sonda europeia Solar Orbiter adiado para Outubro de 2018
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| O Solar Orbiter vai estudar o sol durante sete anos Imagem: ESA |
"A decisão de adiar o lançamento [inicialmente previsto para Julho de 2017] foi tomada de modo a assegurar que todos os objectivos científicos da missão sejam alcançados, sendo necessário para isso testar todas as componentes do sistema antes do envio da sonda para o local de lançamento", explicou o chefe do projecto, Philippe Kletzkine, num comunicado citado pela agência francesa AFP.
A Solar Orbiter, que será enviada para o espaço por um lançador fornecido pela NASA a partir de Cabo Canaveral, na Florida (EUA), vai demorar três anos e meio para chegar à sua órbita operacional em torno do Sol.
A sonda europeia estará mais próxima do Sol (a 43 milhões de quilómetros) do que Mercúrio está desta estrela, e vai recolher imagens e dados das regiões polares e da face do Sol que não é visível a partir da Terra.
Esta missão faz parte do programa Visão Cósmica 2015-2025 da ESA e tem uma duração prevista de sete anos, até 2025.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Nasa lança missão com dois irmãos gémos para medir impacto da gravidade zero no corpo humano
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| (Da esq.p/ a dta.) Scott Kelly (Nasa) e os russos Gennady Padalka e Mikhail Kornienko (Roscosmos) Foto: Reuters |
Scott Kelly e Mikhail Kornienko, engenheiros de voo, seguirão a bordo de uma nave russa Soyuz, que, se tudo correr conforme o programado, descolará do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 20h42 (hora do Luxemburgo).
Com a dupla irá também outro cosmonauta russo, Gennady Padalka, que regressará, no entanto, à Terra ao fim de seis meses. Kelly, Kornienko e Padalka vão juntar-se a outros três colegas, que se encontram na estação espacial desde Novembro, incluindo a astronauta Samantha Cristoforetti, a primeira mulher italiana que viajou para o espaço.
A maioria das expedições à Estação Espacial Internacional dura quatro a seis meses. Com esta missão, numa nova colaboração entre as agências espaciais norte-americana NASA e russa Roscosmos, os cientistas esperam compreender melhor a forma como o corpo humano reage e se adapta no espaço durante um longo período de tempo.
Numa nota, a NASA, onde trabalha o astronauta Scott Kelly, explicou que a expedição é fundamental quando se tenciona levar o homem a Marte, uma viagem que durará mais de um ano.
Segundo a NASA, a longa exposição a um ambiente de gravidade zero pode afetar, de muitas maneiras, o corpo humano, nomeadamente suscitar alterações na visão, atrofia muscular e perda óssea. Para a agência espacial norte-americana, "a psicologia humana é também uma área de investigação importante", atendendo a que os astronautas vão circular, na estação espacial, em espaços confinados e estar isolados do resto das pessoas.
Enquanto Scott Kelly estiver em órbita, o seu irmão gémeo, Mark Kelly, que foi também astronauta da NASA, irá participar em estudos genéticos comparativos. Os testes vão ajudar os especialistas a identificarem melhor qualquer alteração no corpo humano decorrente da longa exposição à gravidade zero.
terça-feira, 3 de março de 2015
Desvendado um mistério com mais de meio século na atmosfera de Vénus
Pela primeira vez em mais de 50 anos, uma equipa internacional, da qual fazem parte os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA - www.iastro.pt/) Pedro Machado e David Luz, desvendou o mistério da nuvem “Y” de Vénus, descrevendo o mecanismo que a suporta e reproduzindo, de forma inédita, a sua evolução temporal.
O planeta Vénus está coberto por uma densa camada de nuvens sem quaisquer características de relevo. Porém, quando observado no ultravioleta, apresenta estruturas escuras impressionantes. A origem da maior destas estruturas, que cobre quase todo o disco do planeta e tem a forma de "Y", tem sido um mistério desde a sua descoberta há mais de cinco décadas. No início, os astrónomos pensavam que o Y era apenas um aglomerado de nuvens arrastadas pelo vento, mas em 1973, os dados da missão Mariner 10 (NASA) revelaram que a estrutura não só se propaga como um todo, como fá-lo a uma velocidade diferente do meio envolvente.
De acordo com Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) “Este estudo permitiu levantar o véu de um mistério que persiste há muito tempo sobre a atmosfera de Vénus, o que nos deixou muito entusiasmados. Concluímos que a estrutura observada é na realidade uma onda à escala planetária. Contudo, a princípio não sabíamos de que tipo de fenómeno ondulatório se tratava, visto não se enquadrar em nenhum dos casos conhecidos". xxxxEstas estruturas escuras revelaram a presença de grandes quantidades de um composto ainda desconhecido, que absorve a radiação ultravioleta e obscurece essas regiões. As observações destas estruturas permitiram ainda inferir a característica de “super-rotação” da atmosfera de Vénus - enquanto o planeta demora 243 dias para girar sobre si mesmo, a atmosfera dá uma volta em torno do planeta a cada quatro dias.
"Uma onda do tamanho da Y deve desempenhar um papel-chave para explicar porque é que a atmosfera roda sessenta vezes mais rápido do que a superfície, de modo que compreender essa estrutura é crucial", afirma Javier Peralta, investigador do Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC) e responsável por este estudo, em destaque na revista Scienceeescolhido como capa da GeophysicalResearchLetters.
Os investigadores deduziram uma nova onda atmosférica compatível com a rotação extremamente lenta de Vénus e que explica, com uma simplicidade surpreendente, muitas das características observadas na onda Y.
Esta onda não está confinada somente à região equatorial, mas também está limitada às altitudes onde os ventos atingem a sua intensidade máxima, o que explica porque a Y só se observa no topo das nuvens de Vénus.
O resultado mais surpreendente deste estudo foi verificar que a forma de "Y" é devida à distorção que os ventos produzem nesta onda. "O vento forte que sopra para o oeste em Vénus é aproximadamente constante entre o Equador e as latitudes médias. Contudo, como em latitudes altas o raio do paralelo do lugar é menor, os ventos completam uma volta ao planeta mais rapidamente do que no Equador, de modo que a onda vai sendo distorcida - explica Javier Peralta. Foi emocionante ver como essa nova onda de escala planetária toma a forma de um "Y", à medida que os ventos venusianos a distorcem".
Fonte: Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
sábado, 20 de dezembro de 2014
Missão Kepler renasce e descobre uma nova "super Terra"
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| Imagem artística da super terra HIP 116454 b - Crédito Harvard-Smithsonian CfA |
Depois de ter terminado a sua missão principal, devido a uma avaria em Maio de 2013, a missão espacial Kepler (NASA) ganha agora uma nova vida. A extensão da missão, denominada K2, acabou de provar a sua importância ao detetar o planeta HIP 116454 b, com cerca de 2,5 vezes o tamanho da Terra, através do método dos trânsitos. Os resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.
Para garantir a fiabilidade dos dados da K2, outros instrumentos foram usados para repetir a deteção. O satélite canadiano MOST confirmou o trânsito observado pelo Kepler, enquanto o espectrógrafo HARPS-N (Telescopio Nazionale Galileo, Ilhas Canárias), com o método das velocidades radiais, confirmou a natureza planetária do HIP 116454 b, revelando ainda que a sua massa é quase 12 vezes superior à da Terra, o que o coloca na categoria das “super-terras”.
“Este é um importante resultado pois mostra que o satélite Kepler, através da missão K2, continua a poder fazer ciência do mais alto nível. É também mais um planeta rochoso a juntar-se à lista, mas bem maior e mais massivo que a Terra”, considera Pedro Figueira, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Universidade do Porto.
A missão principal do Kepler exigia a medição muito precisa das variações do brilho das estrelas observadas. Para alcançar este tipo de precisão, o satélite tinha de se manter perfeitamente apontado para as estrelas a observar. No entanto, essa precisão deixou de ser possível em maio do ano passado, quando a segunda das quatro "reaction wheels" avariou.
A missão estendida K2 só foi possível graças à criatividade da equipa. Esta implica que o satélite seja apontado ao longo da linha da eclíptica (a projecção do plano do Sistema Solar no nosso céu), usando a pressão de radiação da nossa estrela para compensar uma das "reaction wheels". Apesar de a precisão ser menor do que antes, é ainda possível caracterizar estrelas brilhantes próximas, e detectar planetas na gama das “Super-Terras”, que não existem no nosso Sistema Solar.
A estrela HIP 116454 encontra-se a 180 anos-luz de distância, na direcção da constelação Peixes. Com 0,77 vezes o diâmetro do Sol e cerca de 5.400º C à superfície, esta estrela anã laranja é ligeiramente mais pequena e menos quente que o nosso Sol.
O planeta demora apenas 9,1 dias a orbitar a sua estrela, a uma distância de menos de 14 milhões de quilómetros, ou seja, 4,25 vezes mais perto que Mercúrio está do Sol.
Ricardo Cardoso Reis (IA)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Sonda New Horizons prepara-se para explorar Plutão e Charon
Depois de nove anos de viagem, a sonda americana New Horizons chegou finalmente perto de Plutão e saiu no sábado da sua hibernação para se preparar a lançar a a primeira exploração ao planeta-anão e da sua lua Charon. A nova fase da missão deverá começar a 15 de Janeiro de 2015.
A sonda vai estar ao mais perto de Plutão em meados de Julho de 2015.
A New Horizons tem como missão recolher dados sobre a geologia de Plutão e de Charon, de modo a estabelecer uma topografia.
Plutão tem 2.300 km de diâmetro, é mais pequeno que a Lua e a sua massa é 500 vezes mais fraca que a da Terra. O planeta tem cinco luas e a sua órbita em torno do Sol demora 247,7 anos.
"A New Horizons está a funcionar bem, a mais de quatro mil milhões de quilómetros da Terra, mas este é o momento de acordar e de começar a trabalhar", disse no sábado Alice Bowman, responsável
da missão no Laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins.
Desde o seu lançamento em Janeiro de 2006, a New Horizons esteve 1.873 dias em hibernação, ou seja, dois terços da sua viagem de nove anos. Esta paragem permitiu preservar as componentes electrónicas, os circuitos eléctricos bem como os sistemas de bordo. Permitiu também à Nasa reduzir custos de funcionamento da missão.
A sonda hibernou 18 vezes desde que foi lançada, o maior período durou 202 dias, e a última durou 99 dias. Um computador de bordo faz semanalmente uma análise sobre o estado de funcionamento da nave e envia uma mensagem para a Terra, que demora mais de 4 horas a chegar.
A nave transporta a bordo sete instrumentos, entre os quais se encontram espectómetros que vão fazer imagens em infra-vermelho e ultra-violeta, além de duas câmaras, das quais uma é telescópica e de alta resolução, dois potentes espectómetros de partículas e um detector de poeiras espaciais.
A atmosfera que rodeia Plutão, descoberta em 1988, torna impossível a colocação em órbita de uma nave em volta do planeta-anão, o que obriga a New Horizons a fazer uma observação a uma certa distância.
Última fase da missão: Observar três corpos celestes na Cintura de Kuiper
Depois de terminar a sua missão, a New Horizons vai continuar a sua viagem para tentar aproximar-se de alguns corpos celestes da Cintura de Kuiper, um vasto anel que se estende entre 30 a 55 UA do Sol e que se pensa ter-se formado aquando da criação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 mil milhões de anos.
Graças ao telescópio espacial Hubble, a equipa que lançou a New Horizons identificou três corpos celestes interessantes na Cintura de Kuiper que merecem ser melhor observados, o que deverá acontecer em 2019.
Quantos planetas e planetóides tem o Sistema Solar?
A exploração a estes três objectos vai permitir melhor responder a esta pergunta.
Com um diâmetro de 25 a 55 km, os objectos transneptunianos situam-se a 1,5 mil milhões de kms de Plutão. Os objectos "1110113Y" e "0720090f" são os mais prometedores.
Estes três corpos podem tornar-se os 18º 19º e 20º mundos a girar em torno do sol. Actualmente, 17 "mundos" fazem parte do Sistema Solar: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Ceres, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão, Haumea (2003 EL61), Makemake (2005 FY9), Eris (Xena), 2007OR, Quoar, Sedna e Orcus, sem contar com as luas de alguns deles,
Há oito planetas, um planeta-anão, e outros são chamados planetóides, objectos transneptunianos e são candidatos ao título de planeta-anão.
Em Março de 2014, os cientistas descobriram o corpo celeste 2012 VP113 que supõem ser um planeta-anão,com um periélio (ponto da órbita mais próximo do Sol) a 80 UA do Sol. Até esta descoberta, Sedna era o planetóide com o mais longíquo periélio do Sistema Solar.
Depois desta última missão, a sonda vai ainda continuar a sua exploração até aos confins da Cintura de Kuiper, a cerca de 60 UA do Sol.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Primeiro voo-teste da nave Orion foi um sucesso e Nasa já pensa em Marte
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| A cápsula Orion foi recuperada no Pacífico pelo USS Anchorage Foto: NASA |
A Orion, lançada como previsto às 13h05 (GMT+1) de sexta-feira, desde a base aérea do Cabo Canaveral, pousou no oceano Pacífico, a cerca de mil quilómetros das costas mexicanas da península da Baja California, graças à ajuda de três enormes paraquedas.
Esta é a primeira nave norte-americana desde a Apolo capaz de transportar astronautas além da órbita terrestre e eventualmente até Marte.
Com 8,6 toneladas e forma semelhante à da cápsula Apolo, que partiu à conquista da Lua em 1969, a 'Orion' efectuou duas órbitas à Terra, a segunda das quais a 5.800 quilómetros de altitude, ou seja, a quase 14 vezes a distância a que a Estação Espacial Internacional se encontra do solo (420 quilómetros).
A cápsula entrou na atmosfera terrestre a mais de 32 mil km/hora e 10 minutos depois pousou no oceano.
A nave foi depois recuperada pelo navio de transporte anfíbio USS Anchorage, que a transportou até ao porto de San Diego, na Califórnia.
Este voo visava analisar os sistemas da cápsula e, em particular, o escudo térmico que a protege e que deve resistir a temperaturas de 2.200 graus celsius.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
NASA: Lançamento bem sucedido para primeiro voo-teste da cápsula Orion, sucessora do Space Shuttle
A cápsula Orion, que a agência espacial americana Nasa pretende que seja a sucessora do Space Shuttle, foi hoje lançada de Cabo Canaveral, na Florida, a bordo do foguetão Delta IV, eram 13h05 (hora do Luxemburgo).
Este primeiro voo-teste significa um investimento de biliões de dólares e tem o objectivo de preparar o regresso dos Estados Unidos às viagens espaciais tripuladas e sobretudo fora da órbita terrestre.
A cápsula vai dar duas voltas à Terra e alcançará 5.800 km de altitude, isto é, 15 vezes mais distante que o ponto onde a ISS (Estação Espacial Internacional) orbita o nosso planeta.
O voo deverá durar 4h24 e regressar ainda hoje à Terra, mergulhando no oceano Pacífico.
Orion vai permitir viajar mais longe que a órbita terrestre
Inicialmente, a cápsula Orion foi concebida para levar astronautas americanos de volta à Lua, como parte do programa Constellation da Nasa, mas este começou por ser cancelado devido a razões orçamentais pelo presidente Barack Obama, em 2010.
A Nasa resgatou então o design da cápsula, na qual investiu 4,7 mil milhões de dólares entre 2005 a 2009, e desenvolveu o conceito para enviar humanos até um asteroide ou até Marte nas próximas décadas.
Se este voo-teste e outros que estão previstos forem bem sucedidos, será uma excelente notícia para a Nasa, que ficou sem recursos para enviar os seus próprios astronautas até à ISS desde que encerrou, em 2011, sua frota de Space Shuttles, agora peças de museu.
Actualmente, os astronautas americanos dependem das naves russas Soyuz para ir e voltar da ISS.
Se os testes com a cápsula Orion forem conclusivos, isso acalmará um pouco os nervos dos especialistas espaciais, depois de dois voos comerciais ter acabado em desastre: o foguetão Antares, da empresa Orbital Sciences, explodiu em Outubro, quando viajava para a ISS e, apenas dois dias depois, um piloto morreu e outro ficou bastante ferido na explosão da nave da Virgin SpaceShipTwo.
Este voo-teste da Orion "é absolutamente o mais importante que a agência espacial terá feito este ano", disse William Hill, encarregado de desenvolvimento dos sistemas de exploração da Nasa.
A Orion pode vir a ser a primeira nave americana a viajar longe no espaço sideral, desde as missões Apolo, enviadas até à Lua nos anos 1960 e 1970.
O voo-teste visa avaliar o rendimento da cápsula diante de desafios-chave como a separação por estágios do foguetão, a elevada radiação e calor abrasador aquando da reentrada (c. 2.200°C), bem como a chegada em pára-quedas nas águas do Pacífico, a sudoeste de San Diego, na Califórnia.
Críticas ao projecto Orion
Os críticos do projecto Orion, que também incluiu a construção dos foguetões mais poderosos do mundo (Space Launch System, SLS), condenam o seu custo e a falta de atenção da administração americana, já a braços com problemas financeiros, que estes consideram mais importantes quea exploração espacial.
A última estimativa da Nasa indica que o desenvolvimento da SLS/Orion vai custar entre 19 e 22 mil milhões de dólares até 2021, muito acima dos 18 mil milhões estimados em 2011.
O primeiro voo-teste do Orion com tripulantes a bordo está previsto para 2021.
Depois disto, é um mistério qual será o destino exacto da nave. As missões futuras poderiam incluir uma viagem a um asteroide ou uma visita a Marte em 2030, embora a Nasa não tenha estabelecido nem planos, nem orçamento precisos.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
NASA e ESA interessadas em desenvolver projectos científicos nos Açores
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| Estação da ESA na ilha de Santa Maria, nos Açores Foto: LUSA |
“Estabelecemos um conjunto de contactos com entidades internacionais, nomeadamente com a agência americana NASA e com a Agência Espacial Europeia [ESA], que têm interesse em desenvolver programas de natureza mais científica nos Açores”, revelou.
Jorge Gabriel, que falava aos jornalistas na sequência de uma audiência da administração da FLAD com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, especificou que o objectivo é aproveitar equipamentos já existentes, designadamente na ilha de Santa Maria (alguns deles já ligados à ESA), e potenciar a posição geográfica do arquipélago em projectos de observação.
O administrador da FLAD referiu, por outro lado, que em cima da mesa está também um projecto de levantamento do lixo espacial, que põe em causa as missões espaciais.
Jorge Pereira revelou que a fundação está a trabalhar em outras iniciativas na área da ciência e tecnologia que possam potenciar o desenvolvimento económico dos Açores, como o “reforço significativo” da participação da região no programa comunitário Horizonte 2020.
“Esta acção passa por uma participação mais substancial e efectiva das empresas, câmaras de comércio e câmaras municipais, ou seja, todas as actividades que têm, de alguma forma, uma actividade económica, no sentido de permitir que muitos dos conhecimentos desenvolvidos na universidade possam justamente aportar valor económico a ser utilizado pelas empresas nos seus negócios”, explicou.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Antares explode seis segundos depois de descolar
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| Foto: NASA |
O foguetão Antares, da empresa norte-americana Orbital Sciences, que transportava a cápsula não tripulada Cygnus para a Estação Espacial Internacional (ISS) explodiu hoje seis segundos depois do seu lançamento, informou a NASA.
“O foguetão Antares teve um acidente logo após a decolagem”, informou o centro de controle da Nasa, em Houston.
A causa da explosão, que ocorreu às 18h22 (hora local) após a decolagem de Walops Island, na Virginia, ainda não é conhecida.
Segundo um comentador da televisão da Nasa, “não há indicação de que existam pessoas em perigo”, mas houve “danos materiais significativos”.
A cápsula Cygnus tinha como missão entregar 2,2 toneladas de mantimentos e de experiências científicas à ISS, onde estão seis astronautas.
De acordo com a Orbital, este foi o primeiro lançamento nocturno do lançador Antares.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Sonda norte-americana Maven entra na órbita de Marte
A sonda espacial norte-americano Maven, encarregada de desvendar os mistérios do desaparecimento de grande parte da atmosfera de Marte num passado longínquo, realizou com sucesso, esta semana, a entrada na órbita do planeta vermelho, informou a NASA.
A Maven (sigla inglesa para Evolução Volátil e Atmosférica de Marte) entrou na órbita marciana ao fim de dez meses de viagem e depois de ter percorrido 711 milhões de quilómetros.
A nave, que vale cerca de 500 milhões de euros, deverá começar a funcionar em Novembro deste ano, alimentada com energia solar, debruçando-se, pela primeira vez na história das missões a Marte, sobre na atmosfera do planeta.
Esta notícia foi também publicada no site do jornal CONTACTO
terça-feira, 24 de junho de 2014
Cientistas dizem que elevador espacial é possível e deve substituir foguetões
A ideia não é nova, mas é cada vez mais levada a sério pelos cientistas. Para a Academia Internacional de Astronáutica, a construção de um elevador espacial é não só possível como vai fazer parecer os foguetões lançadores como coisas do passado.
É a conclusão de um impressionante e detalhado relatório de 300 páginas publicado em Fevereiro de 2014 por aquele organismo, que se propôs analisar as possibilidades técnicas, tecnológicas, orçamentais e até a viabilidade comercial de um tal projecto.
À primeira vista, um elevador espacial parece ser coisa de um romance de ficção científica, mas os cientistas afirmam que não, e que é algo perfeitamente possível e até uma melhor solução do que através de foguetões.
Foguetões são demasiado caros e obrigaram "nações espaciais" a cortar nas despesas
Lançar foguetões para o espaço é não só muito dispendioso (os lançamentos do Space Shuttle custavam cerca de 500 milhões de dólares) como a maior parte do lançador - 80% - é dedicado aos depósitos para o combustível, 14% para o resto da estrutura, e apenas 6% para a carga útil, incluindo a tripulação.
Além disso, os foguetões poluem, gastam muito em combustível e destinam-se a ser largados para ser destruídos na atmosfera, rico em desperdício e gastos.
A vantagem do elevador espacial é que um veiculo (eléctrico, robótico e/ou em piloto automático) poderá correr um cabo desde a base ao topo de uma torre situada no espaço, sem restrições de tamanho ou peso para a carga útil, com gastos de energia e um orçamento muito mais baixos.
Outra das vantagens deste tipo de transporte é que vai ser possível enviar uma tripulação muito maior do que nos foguetões convencionais até à órbita da Terra.
Esta invenção vai poder até relançar a corrida ao espaço, que tem sofrido dos cortes orçamentais em muitas das "nações espaciais", pode ler-se no relatório.
África sem fios graças a um elevador espacial-central de energia solar
O elevador espacial poderia funcionar à base de energia solar, captada no topo da torre, com uma exposição priviligiada e prolongada aos raios solares. E poderia até fornecer energia solar para a Terra.
No relatório, os cientistas aventam até a hipótese de o elevador fornecer África, ou as zonas rurais de países como a Índia ou a China, em electricidade à base de energia solar, poupando essas regiões de queimar combustíveis fósseis e poluentes e evitando-lhes o emaranhado de fios e postos eléctricos que desfiguraram os países ditos civilizados no século XX.
O relatório sugere até que a evacuação de lixo nuclear para a órbita solar se possa fazer através desse tipo de elevadores (no plural).
O elevador deverá ser construído no equador da Terra e elevar-se até a uma altura de 35 km (órbita geoestacionária) ou 99 km. No topo deverá ser construído um contra-peso geoestacionário (uma torre) que fará com que o cabo fique estabilizado sempre no mesmo ponto acima do Equador enquanto o planeta gira.
A ideia: De Tsiolkovsky a Arthur C. Clarke
O primeiro a ter a ideia foi o cientistas russo Konstantin Tsiolkovsky em 1895, inspirado pela edificação recente da Torre Eiffel, na Exposição Universal de Paris.
Tsiolkovsky considerou que uma torre similar poderia ser construída até à órbita geoestacionária da Terra, a 35 km de altura. Em 1959, um outro russo, Yuri N. Artsutanov voltou a pegar na ideia e sugeriu um cabo em vez de uma torre. A ideia viria a ser ridicularizada na revista americana New Scientist, em 1964. Mas menos de dois anos depois, foi a vez de quatro engenheiros americanos - Isaacs, Vine, Bradner e Bachus -, reinventarem o conceito, a que deram o nome de "Sky-Hook," projecto divulgado na revista "Science". Em 1975, Jerome Pearson sugeriu que o cabo deveria estender-se até à altitude de 144 km (a meio caminho da Lua) por forma a que o veículo que subisse e descesse o cabo deixasse de sofrer da força de atracção terrestre.
Mas quem realmente popularizou a ideia junto do grande público foi o romancista Arthur C. Clarke no seu romance "The Fountains of Paradise", em 1979. Uma ideia que, na altura, ninguém levou a sério. Quase 25 anos depois, em 2003, Clarke [que morreu em 2008] terá declarado: "Quando pararem de rir da ideia, levará apenas dez anos até construirem o elevador espacial... e já pararam de rir"
Nasa pensa no projecto desde o ano 2000
O primeiro relatório da Nasa sobre a possibilidade de construir um elevador espacial saiu em Agosto de 2000 e avançava que os progressos tecnológicos feitos na área da nanotecnologia eram promissores e poderiam ser utilizados nesta estrutura.
Na última década e meia, tanto a Nasa como a ESA tèm lançado vários concursos para apurar os melhores projectos de elevadores espaciais.
O relatório 2014 da Academia Internacional de Astronáutica preconiza que o elevador seja construído com nano-tubos em carbono, boron ou mesmo em nitrito por forma a que o material de construção seja super-resistente, ultra-leve e muito flexível, por forma a poder aguentar um cabo de 99 km de comprimento em contacto com uma estrutura em posição geoestacionária.
O relatório salienta que um material nano-tecnológico conveniente à construção do elevador espacial pode estar pronto no fim desta década.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Nasa lança concurso de ideias para explorar uma lua de Júpiter, Europa
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| Europa Foto: Nasa/Galileo |
A agência espacial europeia ESA vai enviar a sonda Juice nos anos 2030, mas a Nasa prevê uma missão antes disso.
A missão até já tem nome: Missão Clipper. O que falta são ideias para que a missão seja financeiramente possível. O concurso de ideias destina-se à comunidade de cientistas e de engenheiros aeroespaciais, que deverão ter em conta alguns critérios: o orçamento da missão não pode ultrapassar mil milhões de dólares, sem contar o custo do lançador, e deverá responder ao maior número de prioridades científicas (recomendadas pelo relatório 2011 sobre exploração robótica do sistema solar, elaborado pela administração norte-americana).
"Fora da Terra, [a lua] Europa é o lugar do nosso sistema solar com a maior probabilidade de encontrar vida, e deveríamos explorá-la", tinha já afirmado Robert Pappalardo, cientista responsável do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da agência espacial americana Nasa, em Fevereiro de 2013.
"Europa é coberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano (líquido sob o gelo) em contacto com rochas no fundo, é geologicamente activa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida", explicou na altura.
A missão Clipper substituiu um anterior projecto para explorar Europa considerado demasiado dispendioso. Clipper tem custos de 2 mil milhões de dólares, mas ainda assim este orçamento revelou-se demasiado alto para a Nasa, devido aos cortes orçamentais que a agência espacial americana sofreu.
A missão Clipper prevê colocar uma na órbita de Júpiter e realizar vários vôos de aproximação à lua, seguindo o exemplo da sonda Cassini, em Titan, uma lua de Saturno.
Se for aprovado, a missão "Clipper" pode ser lançada em 2021 e demoraria de três a seis anos para chegar à lua Europa.
Novo robot da Nasa em Marte em 2020
Em comparação, são necessários apenas seis meses para se chegar a Marte. Apesar dos cortes orçamentais, a Nasa vai enviar um novo robot para Marte em 2020, seguindo o exemplo do Curiosity, projecto orçado em 2,5 mil milhões de dólares. Tendo chegado ao planeta vermelho em Agosto de 2012, o Curiosity tem como objectivo determinar se Marte pode ter desenvolvido alguma forma de vida.
De acordo com os projectos actuais de exploração robótica da Nasa, os Estados Unidos não deverão voltar a enviar sondas à parte mais longínqua do sistema solar após a chegada da sonda Juno à órbita de Júpiter em 2016, programada para se despenhar no planeta um ano mais tarde.
Por outro lado, a Nasa pode participar na missão da ESA a Júpiter e às suas luas, baptizada de "Jupiter Icy Moon Explorer" (JUICE), com previsão de chegada para 2030.
Enceladus pode também abrigar vida
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| Enceladus Foto: Nasa/Cassini |
"Uma das perguntas fundamentais é saber se existe vida fora do sistema solar", disse ainda Pappalardo.
Enquanto Marte pode ter sido habitada há milhões de anos, Europa pode ser propícia à vida neste momento, insistiu o cientista.
"Se Europa é o melhor lugar do sistema solar para abrigar vida depois da Terra, Enceladus, uma lua de Saturno, também tem essa possibilidade", salientou, nessa mesma ocasião, Amanda Hendrix, do Instituto de ciência planetária de Tucson.
Enceladus conta com "um mar e um oceano de água líquida sob uma camada de gelo e é geologicamente activa com uma fonte de calor no pólo sul, além de um géiser que emite partículas de água", explicou Hendrix. Europa foi observada de perto pela primeira vez pelas sondas americanas Voyager em 1979 e Galileo nos anos 1990.
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