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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

China constrói maior rádiotelescópio do mundo em Guizhou para procurar vida extratterestre

Foto: China National Space Agency (CNSA)
A China vai deslocar quase 10 mil pessoas para abrir espaço para a construção do maior radiotelescópio do mundo, com o objectivo de detectar sinais de vida extraterrestre, avançou hoje a imprensa estatal.

O rádiotelescópio "Five hundred meter Aperture Spherical Telescopeestrutura" (FAST), com 500 metros de altura, será erguido no cantão de Pingtang, província de Guizhou, sudoeste do país, e irá começar a operar este ano.

Os funcionários locais deverão realojar 9.110 residentes dentro de uma área de cinco quilómetros em redor da construção, de acordo com a agência oficial chinesa Xinhua.

O objectivo é "criar um ambiente seguro para a difusão de ondas eletromagnéticas", escreve a Xinhua, citando um funcionário local, Li Yuecheng.

Os residentes serão recompensados em 12 mil yuan (cerca de 1.650 euros) e alguns receberão subsídios extra para alojamento, indica a agência.

O radiotelescópio a ser construído em Guizhou deverá custar 1,2 mil milhões de yuan (165 milhões de euros) e superará o actual maior do mundo, localizado no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, e que tem 300 metros de diâmetro.

Citado anteriormente pela Xinhua, o director do Sociedade Astronómica da China referiu que a alta sensibilidade do aparelho "ajudará a procurar por vida inteligente fora da galáxia".

Pequim tem um plano de exploração espacial orçamentado em milhares de milhões de euros, que prevê a construção de uma estação espacial permanente na órbita da Terra e, possivelmente, uma missão humana na Lua.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

China anuncia sexta missão tripulada em 2016


O calendário espacial da China para 2016 inclui uma missão tripulada, a sexta deste tipo realizada pelo país, bem como o lançamento do segundo laboratório no espaço, confirmou a empresa responsável pelos projectos ao jornal oficial China Daily.

A Corporação Aeroespacial de Ciência e Tecnologia da China indicou que em 2016 será lançada a nave tripulada Shenzhou 11, cujo principal objectivo será acoplar-se com o laboratório espacial Tiangong 2, que também será colocado em órbita em 2016.

A China realizou, até agora, cinco missões tripuladas, a primeira em 2003 e a mais recente em 2013, enviando para o espaço dez taikonauta (como se designam os astronautas chineses), oito homens e duas mulheres.

As duas últimas missões tiveram como destino o primeiro laboratório espacial chinês, o Tiangong-1, que agora será substituído por uma segunda versão como parte do programa da China para estabelecer uma estação espacial permanente em torno da Terra a partir de 2018.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Os argumentos para convencer a opinião pública da importância da exploração espacial

Que argumentos avançar para convencer a opinião pública que é benéfico e até necessário investir na exploração espacial? Foi a esta pergunta que tentou responder a escritora americana Joelle Renstrom, que escreve habitualmente sobre a relação entre ciência e ficção científica.

No blogue Future Tense (Futuro Simples) - que é uma colaboração entre a revista em linha Slate, o instituto New America e a Universidade Estadual do Arizona, Renstrom começa por recordar que regularmente a Nasa enfrenta o mesmo desafio: não saber se o orçamento que lhe vai ser outorgado pelas autoridades estatais vai sofrer cortes.

E lá têm os seus dirigentes que ir reinventar novos (velhos) argumentos para tentar convencer os políticos e o público a "gastar" dinheiro na exploração espacial. Uma tarefa tanto mais árdua numa época de crise em que a opinião pública depressa se torna susceptível nestas questões e vê com olhos críticos que o Governo gaste demasiado dinheiro em certos sectores em detrimento de outros que esta considera mais importantes.


1960-1980: Do argumento geopolítico de Kennedy ao desígnio filosófico de Carl Sagan

A autora diz que "é ao passado que temos de ir procurar os bons argumentos". Recordando que em 1962 John F. Kennedy conseguiu galvanizar um país inteiro em torno de um objectivo comum - chegar à Lua, feito histórico alcançado em apenas sete anos -, Renstrom lembra que no seu apelo o presidente norte-americano recorreu a argumentos em torno da segurança interna e do orgulho da nação face a um inimigo geopolítico e ideológico, a URSS. "A retórica política de Kennedy fez duplicar o orçamento da Nasa entre 1962 e 1963, e quadruplicar entre 1962 e 1966".

Joelle Renstrom recorda também os argumentos filosóficos que o famoso astrónomo, cosmólogo, astrofísico e astrobiólogo Carl Sagan tentou difundir nos seus trabalhos de vulgarização científica nos anos 1970 e 1980 (como por exemplo na série "Cosmos", que alcançou sucesso mundial). Sagan explanava, com um entusiasmo e um carisma que contagiaram gerações de novos cientistas, que a exploração espacial, e a ciência em geral, elevam e sublimam a Humanidade na sua essência enquanto civilização. Ao mesmo tempo apelava para que isso não nos tornasse arrogantes, antes humildes, e lembrava o lugar do nosso pequeno "ponto azul pálido" (a Terra) na imensidão vasta e incomensurável do Universo.

No entanto, lamenta Renstrom, "actualmente, até o pupilo de Sagan, Neil deGrasse Tyson [astrónomo e cosmólogo] considera que esses argumentos estão estafados, porque as massas não se interessam pelo que não dá resultados imediatos".

Renstrom lamenta ainda que hoje em dia "até os argumentos mais básicos sobre os benefícios práticos e tecnológicos que trazem a exploração e as descobertas espaciais não respondem às perguntas porque devemos investir dinheiro neste sector e porquê agora".

No seu artigo, Joelle Renstrom não o menciona, mas eu lembro que nos anos 1990, a baixa nas verbas para a Nasa, provocada, entre outros pontos, pela explosão do vaivém Challenger (em 1986), e o desmembramento da União Soviética (1991), levaram os EUA a colaborar com a Rússia na criação de uma estação orbital.

A China, Marte e "o comércio do espaço"

A autora verifica que actualmente EUA e Rússia já não são competidoras, antes colaboradoras, na exploração espacial, inclusive "a Nasa recorre às cápsulas russas Soyuz" para enviar os seus astronautas até à estação espacial internacional (ISS), que é hoje um projecto que reagrupa 16 países,

Mas há um novo jogador em campo, precisa Renstrom. "A entrada da China na corrida espacial pode reacender uma competição sã entre nações". A autora admite que um discurso ideológico à Kennedy para galvanizar os EUA "contra uma nação comunista" [como era a URSS nos anos 1960 e como é hoje a China] "é obsoleto e não funcionaria". Mas o outro argumento de Kennedy - ser primeiros e sê-lo porque podemos - pode tocar os americanos no seu orgulho de grande nação.

A China acabou de colocar um rover na Lua, tem uma estação espacial (Tiangong 3) já a orbitar (para já, não habitada) e o próximo objectivo é enviar um taikonauta (astronauta chinês) até Marte. Renstrom propõe Marte como meta para competir com a China.
Aspecto da estação espacial chinesa Tiangong 3 quando estiver terminada

Renstrom não o menciona mas também a Índia, o Brasil ou o Irão querem lançar-se na corrida espacial, mas pensa que há um argumento de peso que pode estimular o financiamento na exploração espacial nesta segunda década do século XXI: "a competição entre empresas privadas".

O "comércio do espaço" pode ter (já tem) várias vertentes. Primeiro, diz Renstrom, o turismo espacial, que "está a tornar acessível a órbita baixa da Terra a cada vez mais pessoas". Renstrom diz que conta com "a mediatização de turistas espaciais famosos", e dá o exemplo de Lady Gaga, para impulsionar o turismo espacial.

A escritora refere também o pioneirismo da Space X, a primeira companhia privada a conseguir um contrato para enviar uma nave até à ISS, o que prova que "o mercado do frete espacial tem capacidade para se desenvolver". A empresa "está a desenvolver naves tipo vaivém" e "conseguiu roubar um contrato ao foguetão europeu Ariane 5 para colocar em órbita satélites comerciais".

Hoje em dia, diz, "as empresas privadas conseguem construir naves por metade do preço da Nasa". Ou seja, a autora considera que o investimento no espaço pode impulsionar a economia americana e mundial, globalmente estagnadas, e que isso, sim, é um argumento que pode sensibilizar os políticos e o homem da rua.

Renstrom não o diz, mas acrescento eu, numa das suas conferências, Neil deGrasse Tyson afirma que a pessoa que quiser ser o primeiro trilionário do Mundo deve investir na exploração do espaço, porque é aí que se encontram inúmeros recursos, que podem valer milhões, biliões, triliões.

Renstrom evoca deGrasse Tyson mas para lembrar que o astrónomo considera que "a exploração espacial deve ser feita pelos governos, quando se trata de atingir novas fronteiras, depois disso as empresas privadas poderiam desbravar trilhos".

Espero que estes argumentos sejam suficientes para que os Estados continuem a investir no espaço.

Nos anos 1980, a Nasa previa fazer chegar o primeiro homem a Marte em 2015 e criar a primeira colónia marciana em 2045. Temos, portanto, 15 a 20 anos de atraso. Atraso provocado, entre outros precalços de agenda, pelas explosões dos vaivéns Challenger (1986) e Discovery (2002), pela crise financeira 2008-2015, que levou a Administração Obama a abandonar o programa americano "Constellation" para regressar à Lua.

Em contrapartida, o tempo de vida da ISS foi prolongado, de 2016 para 2024; Nasa, ESA, Rússia, Japão e outras nações colaboram cada vez mais; as missões Kepler, Hubble e outras têm descoberto um número exponencial de exoplanetas. Sinais que deixam adivinhar que melhores tempos estão a chegar no que concerne o investimento e o empenho da Humanidade na exploração espacial.




sábado, 31 de janeiro de 2015

China prevê enviar sonda a Marte até 2020

Não se sabe se a nave chinesa para Marte terá o mesmo nome da sua predecessora, Yinghuo-1,
 cuja missão fracassou em 2011

A China prevê enviar até 2020 uma sonda até Marte, que transportará um veículo teleguiado, após o fracasso de uma missão anterior com destino ao planeta vermelho.

"Prevemos realizar uma missão em Marte até 2020, que incluirá a entrada em órbita de uma sonda, a aterragem em Marte e a exploração à superfície com um veículo", declarou recentemente o cientista Peng Tao ao jornal China Daily.

A agência espacial chinesa não anunciou oficialmente a nova missão, mas o desejo do país de explorar o planeta vermelho não é nenhum segredo.

A China aperfeiçoou recentemente a sua tecnologia espacial, com o envio no final de 2013 da sonda Chang'e-3 à Lua e o desembarque de um veículo teleguiado, baptizado "Coelho de Jade", uma missão que foi considerada um "grande sucesso" pelo governo chinês.

O veículo lunar enfrentou alguns problemas mecânicos que o deixaram numa espécie de estado de coma durante vários meses.

A primeira missão chinesa para Marte terminou em fracasso em 2011. O satélite Yinghuo-1 (Pirilampo) tinha sido programado para estudar a superfície e o campo magnético do planeta vermelho.

A China destina milhões de dólares à conquista do espaço, considerada um símbolo da nova potência do país sob o governo do Partido Comunista.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Lua: Coelho de Jade dá sinais de vida


O rover chinês de exploração lunar "Coelho de Jade" (Yutu, no original), que tinha parado de funcionar na quarta-feira por causa de uma anomalia mecânica, "recuperou a consciência", noticiaram nesta quinta-feira as autoridades oficiais de Pequim.

"Recuperou a consciência! Pelo menos está vivo e temos chances de salvá-lo", declarou Pei Zhaoyu, porta-voz deste programa lunar, citado pela agência de notícias Xinhua.

A televisão estatal CCTV confirmou num microblogue este 'despertar' inesperado do veículo lunar, que tinha pousado em meados de Dezembro, para cair em coma profundo no fim de Janeiro.

Na quarta-feira, a agência Xinhua tinha anunciado em comunicado breve que o "Coelho de Jade" não poderia ser consertado para continuar a missão Chang'e-3 (nome de uma deusa lunar chinesa), o que provocou a consternação em todo o país.

A odisseia do veículo no satélite natural da Terra desperta grande interesse, sobretudo entre os internautas chineses, que inundaram as redes sociais com mensagens de preocupação e votos de que o veículo recuperasse.

"Ressuscitou, é fantástico!", comemorava um deles nesta quinta-feira. "Acordado, afinal? Vê-se que logo será São Valentim e a Festa das Lanternas", ironizou outro, fazendo referência à festa que encerra o ciclo de comemorações do Ano Novo lunar chinês.

Os admiradores chineses habituaram-se a seguir um microblogue não oficial que publicava mensagens na primeira pessoa, que pareciam emanar do "coelho" em órbita. Segundo a Xinhua, esta conta pertencia a um apaixonado das questões espaciais chinesas. "Adeus, Terra", "Adeus, humanos", escreveu este internauta quando se soube do grave percalço sofrido pelo Coelho de Jade, imaginando uma mensagem póstuma enviada do além. "Olá! Está alguém aí?", escreveu na quinta-feira de manhã, para o regozijo de muitos, o que se traduziu em muitos comentários na rede.

No final de Janeiro, a Administração estatal chinesa para a Ciência, a Tecnologia e a Indústria da Defesa Nacional tinha anunciado que o veículo de seis rodas, integrado por muitos dispositivos eletrónicos, tinha sofrido um problema mecânico devido  a "um contorno complicado da superfície da Lua". "O Coelho de Jade caiu inesperadamente num estado de sonolência. Temíamos que não conseguisse recuperar por causa das temperaturas extremamente baixas da noite lunar", explicou Pei.

"O problema começou antes do cair da noite lunar, quando um painel solar não conseguiu retractar-se, o que permitiu que o calor do rover se perdesse durante a noite glacial", explicou Morris Jones, um especialista australiano em temas espaciais. "Provavelmente, o frio danificou permanentemente alguns elementos do veículo, mas parece que outras peças continuam a funcionar", acrescentou.

A China tornou-se, em Dezembro, o terceiro país do mundo a conseguir colocarna Lua uma sonda espacial, a Chang'e-3. Esta proeza tecnológica marcou uma etapa importante no ambicioso programa espacial da China, que ambiciona tornar-se o primeiro país asiático a enviar um homem à Lua, provavelmente após 2025.

O "Coelho de Jade" tem como missão efectuar análises científicas, especialmente geológicas na Lua. Estava previsto que funcionasse três meses, durante os quais devia deslocar-se a uma velocidade máxima de 200 metros por hora.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Americanos e chineses com missões simultâneas na Lua

A sonda americana LADEE (Lunar Atmosphere and Dust Ambiente Explorer) e a sonda chinesa Chang'e-3 deverão cruzar-se em Dezembro na Lua, altura em que os dois países vão ter missões a decorrer simultaneamente no nosso satélie natural.

A Nasa lançou em Setembro uma nova sonda para orbitar a Lua, cuja missão é descobrir os segredos da sua fina atmosfera.

Esta sonda não tripulada (ver imagem), do tamanho de um pequeno carro, foi lançada a bordo de um foguetão Minotaur V, míssil intercontinental adaptado, do Centro Espacial Wallops na costa da Virgínia.


Com 383 quilos de peso e equipada com três instrumentos científicos, inclusive dois espectrómetros, a sonda LADEE vai colectar dados detalhados sobre a estrutura e a composição química da atmosfera lunar, que é muito fina, e determinará se a poeira permanece em suspensão. A poeira em suspensão poderia explicar o mistério das luzes observadas pelos astronautas da missão Apolo, entre 1969 e 1972, no horizonte lunar logo antes do amanhecer, disse a Nasa.

Uma melhor compreensão das características da atmosfera do vizinho celeste mais próximo da Terra poderia ajudar os cientistas a entender outros objectos do sistema solar, como o planeta Mercúrio ou os grandes asteróides, explicaram os especialistas a cargo desta missão que custou 280 milhões de dólares, iniciada em 2008.

"Quando deixámos a Lua (há 40 anos), pensávamos que era uma superfície menos antiga, sem atmosfera", disse John Grunsfeld, administrador associado da Nasa e encarregado de missões científicas.

"Graças às sondas de reconhecimento, descobrimos que a Lua é cientificamente muito mais interessante, que continua evoluindo e, de facto, tem uma espécie de atmosfera", acrescentou. Para Grunsfeld, esta missão "pode ajudar a entender melhor a diversidade do nosso sistema solar e sua evolução".

Mas o estudo da atmosfera lunar deve ser feito sem demora antes que as missões de exploração alterem este equilíbrio frágil, acrescentou Sarah Nole, cientista do programa LADEE.  "A atmosfera lunar é tão fina e frágil que um trem de aterragem pode afectá-la", advertiu Nole.

A sonda LADEE permaneceu os primeiros 40 dias muito acima da superfície lunar para realizar uma série de testes e utilizou uma nova tecnologia a laser de transmissão tão potente como a das redes de fibra óptica terrestre. Depois disso, iniciou a sua missão de estudo científico da atmosfera lunar, que vai durar 100 dias.

A última missão da Nasa à Lua foi em 2012 com o lançamento das sondas gémeas GRAIL, que estudaram o interior lunar e mediram o campo gravitacional lunar.

Antes disso, em 2009, os Estados Unidos lançaram as duas sondas LRO/LCROSS, que confirmaram a presença de água em forma de gelo num cratera no pólo sul da Lua.

Astronautas americanos pisaram pela primeira vez a Lua em 1969 e os últimos exploradores da era Apolo visitaram o satélite natural da Terra em 1972. A Nasa não tem, para já, planos de enviar uma missão tripulada para a Lua.

A sonda LADEE foi concebida quando a agência espacial americana tinha previsto voltar a enviar humanos à Lua como parte do programa Constellation, que o presidente Barack Obama cancelou por ter um orçamento alto demais.

O próximo projecto de exploração humana da Nasa é enviar uma missão tripulada a Marte até 2030.

Desde a era Apolo, em que foram enviadas 40 missões para a Lua, LADEE é a segunda sonda lunar que não é lançada de Cabo Cañaveral, na Flórida. Em 1994, a sonda Clementine partiu da Califórnia e a LADEE foi lançada do Centro Espacial de Wallops, situado a 270 km de Washington. Criado em 1945, essa base tem sido utilizada para lançar pequenas naves suborbitais e balões científicos.



A missão chinesa Chang'e-3

Vários países, especialmente a China, manifestaram a intenção de ir à Lua. Pequim anunciou o lançamento de uma sonda com um módulo de aterragem a lançar no final deste mês de Novembro.

Será a primeira sonda espacial chinesa com o objectivo de pousar em solo lunar e o primeiro engenho humano a pousar na Lua após 37 anos de ausência. A última sonda humana a pousar a Lua foi a Luna 24, em 1976, que trouxe amostras do solo lunar,

A sonda chinesa vai desembarcar na Lua um módulo rover que terá como tarefa explorar o satélite natural.  O rover tem seis rodas, pesa 120 kg e pode transportar 20 kg de carga. Foi concebido para percorrer 10 km de distância e a sua energia é fornecida por painéis solares. O rover integra um radar para estudar o subsolo lunar, uma câmara de filmar que pode transmitir em directo para a Terra e um telescópio óptico.

A sonda Chang'e-3 faz parte do programa lunar chinês que inclui em 2015 trazer amostras de rochas e solo lunares. A sonda tem nove meses de vida.

O lançamento da sonda, a primeira chinesa a pousar na Lua, acontecerá a partir do centro espacial de Xichang, num lançador "Longa Marcha 3B".

Esta missão significa muitas estreias para o programa espacial chinês:  aterragem num outro astro, missão com um rover-robot a bordo e utilização de um gerador nuclear eléctrico (para a aterragem).

A técnica para diminuir a velocidade e permitir uma aterragem suave no solo lunar ainda não foi revelada.

Na mitologia chinesa, Chang'e é o nome de uma mulher que vivia na Lua, num palácio de jade. Esta é a terceira sonda espacial com este nome, duas anteriores foram enviadas em 2007 e 2010 para observar o satélite natural.

A sonda Chang'e-3 num deserto, numa fase-teste





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A partir de 2015, ISS é desactivada e a China lança a sua estação orbital - inversão das potênciais espaciais?

Onze anos depois de ter enviado o primeiro astronauta (taikonauta, em chinês) ao espaço, a China mantém o seu ambicioso programa espacial, que dá ao país prestígio militar e económico, enquanto a concorrente americana, Nasa, está paralisada devido a uma crise orçamentária.

Cronologia do programa espacial chinês

Em 15 de Outubro de 2003, o taikonauta Yang Liwei orbitou 14 vezes a Terra a bordo de uma nave Shenzhou 5, em 21 horas, abrindo o caminho da China para a exploração espacial.

O fato de um taikonauta Foto: AFP

Mais de 40 anos depois do voo histórico do soviético Yuri Gagarine, esta façanha fez da China o terceiro país, depois de URSS e dos Estados Unidos, capaz de enviar uma missão espacial tripulada.

Desde então, a China enviou mais dez taikonautas - oito homens e duas mulheres - ao espaço em cinco missões, assim como um módulo espacial para orbitar a Terra, o Tiangong-1.

O Estado, que financia este programa supervisionado pelo Exército investindo biliões de dólares, considera que se trata de um sinal importante do novo estatuto internacional do país, do seu domínio tecnológico e também da capacidade do Partido Comunista de modificar o destino de uma nação outrora castigada pela pobreza.

As ambições chinesas só ficarão plenamente satisfeitas no dia em que um chinês pisar a superfície da Lua, antecedido até ao fim deste ano pela sonda Chang'e-3.

O próximo objectivo é concluir a construção de uma estação espacial orbital, a Tiangong-3, até 2015.

Na mesma época, a Estação Espacial Internacional (ISS), desenvolvida por Estados Unidos, Europa, Rússia, Japão e Canadá, será abandonada depois de 20 anos de serviços.

Esta coincidência simbólica pode reflectir também o deslocamento dos centros de poder no mundo na próxima década.

O rápido desenvolvimento do programa espacial chinês contrasta profundamente com o dos Estados Unidos, que lançou o seu último foguetão em 2011 e cujos projectos de futuro são, por enquanto, vagos.

"Na Ásia, a China é considerada a líder regional da área espacial, o que dá ao país um verdadeiro prestígio militar e económico", afirma Joan Johnson-Freese, encarregada de assuntos de segurança no Colégio de Guerra da Marinha em Newport, e especialista em actividades espaciais chinesas. "No resto do mundo, a vantagem económica para a China é não ser considerada capaz de produzir apenas roupa barata", acrescentou.

A China ainda está longe das conquistas de Estados Unidos e da ex-União Soviética - embora tenha aprendido com os dois - e faltam pouco anos para conseguir construir a sua estação espacial.

Enquanto isso não acontece, Yang Liwei, general e vice-director da agência chinesa encarregada de programas tripulados,  recebe solicitações de países em vias de desenvolvimento que querem enviar astronautas até ao espaço.

"Gostaríamos de treinar astronautas de outros países e organizações que nos fazem este tipo de pedidos e adoraríamos realizar missões para astronautas estrangeiros", declarou, em Setembro, durante um seminário em Pequim organizado pela ONU e pela China sobre tecnologia espacial. O Paquistão já indicou que quer estar entre os primeiros.

O programa espacial chinês, previsto para os próximos 30 anos, baseia-se numa "vontade política que não tem que responder a um eleitorado para perdurar, algo que, evidentemente é muito mais difícil para as democracias", afirmou Johnson-Freese.

sábado, 12 de outubro de 2013

Astrofísicos americanos boicotam conferência da NASA

Geoff Marcy é um dos cientistas que boicota a conferência Foto: Nasa
Astrofísicos norte-americanos decidiram boicotar uma importante conferência sobre astronomia da NASA em Novembro, em protesto contra a decisão de excluir a participação de investigadores chineses.

O boicote foi revelado pela imprensa britânica.

O professor de astronomia da Universidade da Califórnia, Geoff Marcy, disse esta semana à AFP que a exclusão dos cientistas chineses é "totalmente vergonhosa e contrária à ética".

"Não posso participar por razões de consciência numa conferência que discrimina, como esta faz", escreveu num e-mail dirigido aos organizadores do colóquio.

A conferência, que deverá decorrer entre 4 e 8 de Novembro, em Mountain View, na Calfórnia, vai tratar sobre a descoberta de exoplanetas com o telescópio americano Kepler.  "Esta conferência trata de planetas que estão a biliões de km, sem nenhum aspecto vinculado à segurança nacional", acrescentou Marcy.

A NASA rejeitou as inscrições de cientistas chineses para a conferência com base na lei de Março do Congresso que interdita todos os cidadãos chineses de entrar em edifícios da agência espacial, explicou à France Presse John Logsdon, da agência espacial norte-americana.

No entanto, o redactor da lei, o congressista republicano Frank Wolf explicou em carta aberta ao chefe da Nasa, Charles Bolden, que a agência espacial "interpretou mal" o diploma, que "não impõe nenhuma restrição sobre as actividades de cidadãos chineses, a menos que estes sejam representantes oficiais do governo", o que não é o caso dos astrofísicos convidados para a conferência da Nasa.

Quem vai ganhar este braço-de-ferro, os astrofísicos ou a Nasa?

sábado, 21 de setembro de 2013

Sonda chinesa na Lua antes do final de 2013

A China quer enviar até ao final de 2013 a sua primeira sonda espacial com o objectivo de pousar em solo lunar.

As fases de elaboração e construção para a missão sem tripulantes Chang'e-3 terminaram e entrou oficialmente na fase de lançamento, anunciou em Agosto a Agência do Estado para a Ciência, Tecnologia e Indústria, segundo a agência oficial de imprensa chinesa, Xinhua.

O lançamento da sonda, a primeira chinesa a pousar na Lua, deverá acontecer desde o centro espacial de Xichang.

A técnica para diminuir a velocidade e permitir à sonda pousar no nosso satélite natural ainda não foi revelada.

Na mitologia chinesa, Chang'e é o nome de uma mulher que vivia na Lua, num palácio de jade. A China tinha já baptizado com o mesmo nome duas sondas espaciais lançadas em 2007 e 2010 para observar a Lua.

A China prepara igualmente missões tripuladas para a Lua, antes do fim desta década.

Será que veremos brevemente na Lua uma bandeira do Império do Meio içada ao lado da americana?

Fotomontagem

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Nave chinesa Shenzhou-10 regressou à Terra

A nave espacial chinesa Shenzhou-10 regressou hoje à Terra com três astronautas a bordo, entre as quais uma mulher, Wang Yaping, após duas semanas em órbita do planeta.

A nave, lançada no dia 11 de Junho, aterrou hoje cerca das 8h da manhã (2h da madrugada no Luxemburgo) na Mongólia Interior, uma das regiões autonómas da China, no norte do país.

No dia anterior, o Presidente chinês, Xi Jinping, descreveu a exploração espacial como "uma parte do sonho de tornar a China mais forte".

"Com o desenvolvimento de programas espaciais, o povo chinês alcançará avanços ainda maiores", disse Xi Jinping, numa conversa telefónica com os astronautas chineses que se encontravam há 13 dias no módulo espacial Tiangong -1.

"Sentimo-nos muito orgulhosos por poder contribuir para a realização do sonho espacial da nação chinesa", afirmou o comandante da missão, o astronauta Nie Haisheng.

Foi a mais prolongada missão do programa espacial chinês, e incluiu a acoplagem manual e automática com o módulo Tiangong-1, o embrião da futura estação espacial da China.

A estação espacial chinesa deverá estar operacional em 2020 (ver imagem). 

"Sonho chinês" ("Zhong Guo meng") tornou-se uma das expressões mais citadas do discurso oficial na China desde que Xi Jinping assumiu a chefia do Partido Comunista Chinês, em Novembro passado, e é geralmente entendida como uma manifestação da crescente confiança económica e científica da China.

A China lançou o primeiro astronauta há apenas dez anos.

A estação orbital chinesa deverá estar pronta em 2020

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quais são as ambições espaciais chinesas?

A piloto Liu Yang, de 33 anos, foi a primeira taikonauta (astronauta) chinesa, que integrou o primeiro voo tripulado em Junho de 2012, a bordo da nave Shenzhou 9
Por ocasião do lançamento do segundo voo tripulado chinês, a 11 de Junho último, o site de notícias francês Atlantico.fr entrevistou o general da Força Área francesa Jean-Vincent Brisset sobre as ambições da China na conquista espacial, e o militar considera que o Império do Meio quer chegar a ser uma potência espacial de primeira ordem, em pé de igualdade das outras três:  NASA, ESA e Roscocosmos (Rússia).

O general, que é especialista em operações de guerra e já escreveu um livro sobre a China, recorda que aquele país gigante chegou muito tarde à corrida espacial. Apesar de ter lançado o seu primeiro satélite em 1970, entre a década de 1970 e 1990 não mostrou interesse em desenvolver esse sector.

No final dos anos 90, a China começou por pensar que poderia tornar-se uma lançadora espacial comercial low-cost, e foi adiando sucessivamente os voos tripulados, considerados demasiado dispendiosos e não rentáveis.

Mas como os lançadores chineses não tinham sido testados suficientemente, os clientes não lhes faziam confiança. Depois, os custos da optimização dos lançadores, que hoje têm excelentes desempenhos, tornaram o preço dos lançamentos pouco atractivo para os potenciais clientes.

Só no virar do século é que os dirigentes chineses se aperceberam que o êxito de uma conquista espacial seria o caminho mais directo para conseguirem também êxito nos lançamentos espaciais comerciais.

Assim, no princípio do século XXI, a China voltou à corrida espacial e estabeleceu como meta colocar em órbita uma estação espacial até 2020.

Mas a China tem persistido em trabalhar sozinha, quando as outras três agências entenderam que apenas juntas podem aventurar-se em viagens tripuladas mais frequentes e na exploração espacial cada vez mais longíqua, compara Brisset. A Estação Espacial Internacional (ISS) é bom um exemplo dessa colaboração frutífera para as três partes. As três continuam, no entanto, a ser concorrentes comerciais já que propõem cada uma o seu próprio sistema de colocar satélites em órbita.

No entanto, o general gaulês pensa que a China continua a ter um atraso técnico de três ou quatro décadas na conquista espacial, e o facto dessa indústria estar, por enquanto, apenas na mão do Estado (
CNSA, Chinese National Space Administration), não vai atenuar essa distância com as outras três potências nos próximos anos.

E, acrescenta ainda o militar, se os EUA voltarem à corrida espacial, como parece ser o caso, então esse atraso vai ainda alargar-se mais. Os projectos de exploração do sistema solar, aos quais a Nasa quer voltar, estão longe das possibilidades chinesas. É mais provável que a competição com países como a India e o Japão nesse domínio possam fazer avançar as coisas mais rapidamente.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Lixo espacial


O número de detritos que flutuam no espaço atingiu um “ponto crítico”, ameaçando cada vez mais os satélites e os astronautas.

A Nasa contabiliza actualmente mais de 22 mil detritos à deriva na órbita terrestre e estima em milhões o número dos que possam ser ainda registados. Destes, cerca de meio milhão devem ter entre um a dez centímetros de diâmetro e podem entrar em colisão e deteriorar ou destruir outros engenhos espaciais ou ferir astronautas.

Estes detritos são da mais diversa origem e tamanho: desde bocados de foguetões largados das naves russas e dos Space Shuttle americanos, até antigos satélites de comunicação e militares desactivados.

Por exemplo, há quatro anos, a China testou mísseis anti-satélites, que pulverizaram um satélite em 150 mil fragmentos.

Diagrama que mostra os milhares de detritos
que a Nasa calcula existirem na órbita terrestre