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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Brilho anormal de estrela KIC 8462852 pode ser objecto extraterrestre

Captada pela sonda Kepler, da Nasa, a luz da estrela KIC 8462852, situada a cerca de 1.500 anos-luz da Terra, está a emitir um brilho anormal, o que está a causar alvoroço na comunidade científica
Imagem: Nasa
A forma estranha como a luz de uma estrela está a ser emitida levou astrónomos a especular que pode tratar-se de um objecto extraterrestre.

A notícia já foi divulgada por órgãos como o The Guardian, BBC, CNN ou agências de notícias como a AFP.

A estrela KIC 8462852, a cerca de 1.480 anos-luz da Terra (no nosso céu, na Constelação do Cisne), emite um brilho anormal, o que está a causar alvoroço na comunidade científica internacional, na imprensa e nas redes sociais.

O dados foram captados durante quatro anos (2009-2013) pela sonda Kepler, da Nasa. Tudo começou com a interpretação do fenómeno por um astrónomo americano, Jason Wright, da Penn State University.

Incapaz de dar uma explicação natural ao fenómeno, Wright aventou a hipótese de que as flutuações irregulares no brilho da estrela poderiam ser “mega-estruturas” a orbitar em torno do astro, e que, a ser artificiais, só poderiam ser “de origem extraterrestre”. Wright também relativiza: “A hipótese de o objecto ser de origem extraterrestre deve ser a última a ser avançada, mas não deve ser ignorada”.Isto bastou para que a notícia corresse mundo.

O que as observações da sonda Kepler mostram é que algo provoca perturbações irregulares na luz da estrela KIC 8462852 de forma periódica. O que afasta a hipótese de se tratar de um planeta, diz Wright.

Outros cientistas dizem que se pode tratar de um fenómeno natural, como fragmentos de planetas que colidiram ou detritos de cometas. Em termos comparativos, é preciso explicar que se o objecto em questão fosse do tamanho de Júpiter (o maior planeta do nosso Sistema Solar, dez vezes maior que a Terra), obstruiria a luz da estrela KIC 8462852 em cerca de 1%. Mas o objecto em torno daquele astro obstrói a estrela em cerca de 15%. O que deixa os astrónomos sem explicação.

Uma das hipóteses avançadas para o brilho estranho da estrela KIC 8462852 é a luz está a ser perturbada por fragmentos de cometas Imagem: Nasa


O artigo de Jason Wright “é muito consistente”, disse à AFP Jean Schneider, do Observatório de Paris. “Os autores são muito sérios e reconhecidos nesta área” e “a sua hipótese é coerente”. Já Steve Howell, cientista-chefe da missão Kepler, mostrou-se mais céptico. “Dizer imediatamente que se trata de extraterrestres é muito precipitado”, escreveu num email à AFP.

Desde então, a especulação cresceu para evocar uma nave espacial, uma construção ou uma frota alienígena. “Fenómenos estranhos, na astronomia, existem desde sempre”, recorda Schneider. “Nos cientistas, há uma reflexão sobre os extraterrestres que é relevante, que não tem nada de ilógico ou delirante”, considera o astrónomo.

Por seu lado, Wright considera que as perturbações no brilho da estrela podem dever-se à presença de uma Esfera de Dyson. A Esfera de Dyson é uma hipótese descrita pelo físico Freeman Dyson em 1960. Em busca de um meio para localizar civilizações extraterrestres muito avançadas, Dyson especulou que estas seriam capazes de construir uma esfera que envolvesse a estrela para se alimentar em energia a partir do astro. “[A Esfera de Dyson] é algo plausível”, afirma Schneider.

Entretanto, o Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, em inglês) – que há 50 anos tenta captar através de rádio-telescópios sinais de rádio de baixa frequência no espaço, à procura de vida inteligente extraterrestre – obteve autorização para apontar os seus aparelhos na direcção do astro. Esperam-se assim novas observações em Janeiro e Maio de 2016, que possam levar a alguma conclusão.

FENÓMENOS INEXPLICADOS ALIMENTAM A IMAGINAÇÃO 

Em 1877, Giovanni Schiaparelli e Percival Lowell, dois reputados astrónomos na época, observaram linhas escuras na superfície de Marte e pensaram que uma civilização avançada tinha ali construído um vasto sistema de irrigação. Foi o que fez nascer o mito dos canais de Marte e dos marcianos. Em 1909, um novo telescópio captou imagens mais nítidas de Marte. Foi o fim do sonho: nenhum vestígio de canais, a origem das linhas era natural.

Em 1967, os rádio-astrónomos Jocelyn Bell e Antony Hewish detectaram um sinal desconhecido: a sua extrema regularidade e periodicidade também sugeria extraterrestres. O sinal foi chamado, durante um tempo, LGM-1, para ’Little Green Men-1’ (homenzinhos verdes). Mas ao ser analisado, descobriu-se que o sinal era causado por um pulsar.

O único fenómeno captado do espaço que continua até hoje sem explicação é o “sinal Wow” (o astrónomo que captou o sinal anotou “Wow” junto ao registo, para assinalar o seu espanto). ’Wow’ foi um sinal rádio muito potente, emitido em banda estreita (10 khz), captado em 15 de Agosto de 1977 pelo rádio-telescópio The Big Ear, da Universidade do Ohio. Pensa-se que a sua origem estivesse na estrela Chi1 Sagitarii, na Constelação do Sagitário. Durou 72 segundos e nunca mais foi ouvido.

A procura de vida extraterrestre continua

Em Julho deste ano, um projecto de procura de vida extraterrestre, chamado "Breakthrough Listen", foi lançado pela seríssima Royal Society Science Academy de Londres. Um projecto científico orçado em 100 milhões de dólares.

Regularmente, "é preciso fazer uma reflexão sobre a existência de outras civilizações, é algo lógico", acredita Jean Schneider, "não há nada a partir de um ponto de vista científico que permita descartar a sua existência".

JLC / com agências 
in CONTACTO, 28/10/2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cientistas japoneses demonstram em laboratório que cometas podem estar na origem da vida na Terra

O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (ou simplesmente  'Churi') Foto: ESA
O impacto dos cometas que atingiram a Terra há 4 mil milhões de anos pode ter tido um papel no surgimento da vida na Terra, afirma um grupo de cientistas japoneses, que tentou reproduzir esta "fórmula" em laboratório.

Os cientistas, que apresentam esta quarta-feira os resultados da sua pesquisa durante a conferência de geoquímica Goldschmidt2015, em Praga, compilaram uma lista de substâncias para reproduzir a reacção em laboratório.

Os cientistas misturaram aminoácidos, gelo e substâncias silicatadas a temperaturas de 196 Celsius negativos, uma mistura presente nos cometas, como constataram as últimas missões espaciais.

Depois, os cientistas adicionaram um gás propulsor para simular o efeito de uma colisão do cometa com a Terra, o que fez com que alguns dos aminoácidos se transformassem em peptídeos de cadeia curta, moléculas complexas frequentemente consideradas fundamentais para o desenvolvimento da vida.

"As nossas experiências mostraram que o frio existente nos cometas teve um impacto decisivo nesta síntese", destaca, em comunicado, Haruna Sugahara, da Agência Japonesa para a Ciência.

"A produção de peptídeos de cadeia curta é uma das etapas decisivas na evolução química das moléculas. Uma vez iniciado o processo, vai ser necessário muito menos energia para formar as cadeias de peptídeos mais longas seja num ambiente terrestre ou aquático", pode ainda ler-se no comunicado.

Sugahara destaca aind que os impactos dos cometas, que costumam estar associados a eventos de extinção em massa, provavelmente também deram um 'empurrãozinho' na formação da vida. Um processo similar pode ter-se produzido noutros locais do Universo.

Os resultados da investigação de Haruna Sugahara e Koichi Mimura, da Universidade de Nagoia, ainda não foram publicados, mas segundo Mark Burchell, da Universidade de Kent, "constituem um passo em frente importante no estudo sobre a origem das moléculas complexas no Universo".

A missão da sonda europeia Rosetta, que acompanhou o cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko, confirmou que o corpo celeste era rico em matéria orgânica.

domingo, 31 de maio de 2015

Bas Lansdorp (Mars One), o holandês que quer enviar humanos para Marte

O holandês Bas Lansdorp é co-fundador e administrador da Mars One, empresa que planeia enviar humanos para Marte a partir de 2027 Foto: Manuel Dias
O holandês Bas Lansdorp é co-fundador e administrador da Mars One, empresa que planeia enviar humanos para Marte a partir de 2027.

Ao CONTACTO concedeu a única entrevista no Luxemburgo. Bas Lansdorp é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Twente (Holanda). Trabalhou entre 2003 e 2008 na Universidade de Tecnologia de Delft. Em 2008, criou uma empresa onde desenvolveu um novo método de gerar energia eólica, companhia que vendeu em 2011 para criar a Mars One.

CONTACTO: Porque razão quis criar um projecto que está a tentar enviar humanos para Marte? 

Bas Lansdorp: Lancei este projecto porque eu próprio quero ir a Marte. Penso que ir a Marte vai ser dos feitos mais importantes que a Humanidade vai fazer no século XXI. Não importa se é a Mars One que vai fazê-lo ou outros. Daqui a 500 ou mil anos, quando as crianças estudarem o século XXI, vão aprender que este foi o século em que a Humanidade começou a instalar-se noutros planetas. Não vão estudar que facções estavam em guerra na Síria ou a crise económica, vão aprender os feitos importantes da Humanidade e a chegada a Marte vai ser uma delas.

CONTACTO: Portanto, você estaria disposto a ir para Marte? 

B.L.: Sim, claro que quero. Não nas primeiras viagens, porque não sou qualificado para o fazer, mas nas missões posteriores. Sou teimoso, impaciente e aborreço-me com facilidade, o que são boas qualidades para um empresário. Por exemplo, estou aborrecido que ninguém esteja a organizar missões para Marte, por isso vou eu fazê-lo. Mas estas são péssimas qualidades para fazer parte da primeira missão, porque a primeira equipa vai ter apenas quatro pessoas, que vão ter que viver num ambiente muito condicionado durante dois anos até chegar a segunda equipa. Talvez mais tarde eu possa ir e levar a minha família. Aliás, se não tivesse família eu ia já na primeira missão. O facto de ser uma viagem só de ida não é de todo um problema para mim. Ir para Marte é comparável às pessoas, entre eles muitos portugueses, que há 100 anos emigravam para a América ou para a Austrália e que nunca regressaram.

CONTACTO: Dos 200 mil candidatos que se inscreveram para integrar o projecto em 2013 quantos ainda estão em liça? 

B.L.: Em Abril de 2013 abrimos as inscrições, recebemos 200 mil candidaturas. Em Janeiro de 2014 reduzimos o número de candidatos para mil, depois para 700 e em Fevereiro último seleccionámos 100 pessoas de 35 países: 50 homens e 50 mulheres, 39 americanos, 31 europeus, 16 asiáticos, sete africanos e sete da Oceânia. Têm entre 19 e 60 anos, 48 têm entre 26 e 35 anos. Penso que já não há portugueses na lista, mas também já não há holandeses. Em Julho anunciaremos as seis equipas finais, de quatro elementos cada, dois homens e duas mulheres.

CONTACTO: Que qualidades devem ter os candidatos? Têm que ter formações específicas em engenharia, medicina, agricultura...? 

B.L.: Têm de estar de boa saúde, ser inteligentes, porque vão ter que aprender novas competências. Uma das qualidades que mais procuramos é o espírito de equipa. Têm que ser pessoas que funcionam ao seu máximo integrados num grupo. Queremos enviar os melhores para Marte, mas sobretudo as melhores equipas, que têm de trabalhar e conviver juntas, e sobreviver a qualquer situação difícil. As suas vidas vão depender dos outros membros da equipa. Consideramos que ter conhecimentos em medicina, engenharia ou agricultura – para cultivar lá a sua própria comida – são menos importantes neste momento, porque são competências que lhes podemos ensinar. Temos 10 anos para o fazer. A primeira missão tripulada está planeada para 2027, em dez anos alguém pode formar-se em engenharia e depois em medicina.

Depois, as competências em engenharia que procuramos não são forçosamente as que uma pessoa aprendeu na universidade. Não queremos alguém que desenhe um novo sistema de suporte de vida, mas alguém que saiba trabalhar com o sistema que vamos enviar, consiga perceber a avaria e que componente trocar para a consertar. Na verdade, um canalizador com uma experiência de cinco anos, que até perceba de electricidade, e que só não foi para a universidade porque a família não tinha recursos, para nós é um candidato mais adaptado para este trabalho do que alguém com um doutoramento em Física Teórica.

"Ainda há 100 candidatos em liça para ir colonizar Marte, de 35 países diferentes."
Foto: Manuel Dias

CONTACTO: Porque diz que ninguém está a trabalhar para enviar missões tripuladas para Marte? A Nasa está a fazer simulações de missões em Marte no deserto do Utah. A Nasa, os europeus (ESA), os russos e até os chineses tem missões para Marte agendadas para daqui a 20 anos. 

B.L.: As agências espaciais dizem que querem enviar missões para Marte daqui a 20 anos e algumas, como a Nasa, já o dizem há 45 anos. O problema é o mesmo para todos: é a missão de regresso, que é algo complexo e que até agora ninguém conseguiu resolver. Chegar a Marte não é um problema, o que é complicado é fazer regressar a tripulação. Seria preciso construir lá uma base de lançamento o que é muito difícil... Nós resolvemos eliminar essa parte da equação. Sem o problema do regresso, podemos concentrar-nos em todos os elementos para montar uma colónia em Marte que consiga auto-sustentar-se e criar as condições para a ida de mais pessoas.

CONTACTO: Ao mesmo tempo as agências espaciais criticam muito o seu projecto... 

B.L.: Se o nosso projecto não fosse criticado isso significaria que não estaríamos a fazer nada de muito excitante ou desafiante.

CONTACTO: Se bem percebi, a viagem de ida não é um problema, quer dizer que a tecnologia já existe? 

B.L.: Neste momento não é preciso inventar nada novo para enviar seres humanos para Marte. Tudo o que precisamos, como um sistema de aterragem ou um sistema de suporte de vida, já existe.

CONTACTO: Já resolveram a questão de como sustentar quatro tripulantes durante sete meses, que é o tempo que dura a viagem? 

B.L.: Os tripulantes vão consumir comida desidratada, cerca de 60 gramas por dia. A matemática é simples: 60 gramas a multiplicar por quatro pessoas, a multiplicar por 200 dias, ou seja, são necessários 500 kg em comida. Os astronautas da estação espacial internacional (ISS) ficam cerca de seis meses no espaço, por isso...

"Quero desepenhar um papel na chegada a Marte".


CONTACTO: Sim, mas a ISS é aprovisionada regularmente desde a Terra... 

B.L.: Mas a nossa nave já vai transportar todo o oxigénio e comida necessária, isso não vai ser um problema. As reservas de água vão funcionar como na ISS (a água que os astronautas consomem provém da sua própria urina filtrada e purificada, ndR). Os maiores desafios estão em Marte. Os sistemas de suporte de vida vão ser testados na Terra e deverão funcionar lá também. Os fatos dos astronautas é outra questão. A gravidade, a atmosfera, a areia e o pó de Marte não são como aqui na Terra, por isso não sabemos como os fatos vão funcionar e a velocidade do seu grau de usura.

CONTACTO: Um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) diz que o que vocês planeiam em Marte não é viável: não se sabe se é possível extrair água do gelo que existe no subsolo marciano e ter plantas num habitat fechado para a renovação do oxigénio é demasiado perigoso, porque é um ambiente inflamável e mesmo explosivo... 

B.L.: Ao contrário do que muitos jornalistas escreveram, depois de ter lido esse estudo, a nossa equipa não vai morrer ao fim de 68 dias em Marte. Assim que chegar, a equipa vai montar o sistema para fazer crescer a sua própria comida. Quanto à água, vamos testar a extracção de água nas primeiras missões robóticas. Se não funcionar, teremos que adiar o envio de seres humanos até resolver esse problema. A questão do oxigénio pode ser resolvida com o mesmo tipo de máquinas de oxigénio que todos os hospitais têm e que já é hoje utilizado para remover o dióxido de carbono na ISS.



CONTACTO: Com que empresas estão a trabalhar? 

B.L.: A Lockheed Martin (que constrói os foguetões da Nasa, ndR) está a trabalhar nas nossas missões não tripuladas, previstas para 2020, e deverá também conceber o sistema de aterragem das missões de transporte a enviar em 2024. A Paragon Space está a trabalhar nos sistemas de suporte de vida e nos fatos dos astronautas. Mas há muito mais empresas a trabalhar connosco.

CONTACTO: A primeira equipa que vai para Marte é composta por dois homens e duas mulheres. Vocês incentivam-nos ou desaconselham-nos a envolver-se sentimental e sexualmente uns com os outros? 

BL.: Cada equipa vai ter quatro pessoas, que já a partir de 2016 vão ser colocadas em simuladores habitacionais em zonas desérticas para simular a estadia em Marte...

CONTACTO: Já agora, onde vão ser esses simuladores? No Utah, onde a Nasa está fazer as suas simulações para Marte, ou na Islândia, que dizem ter um relevo muito parecido com o de Marte? 

B.L.: Ainda não posso revelar onde vai ser... Mas, respondendo à outra pergunta, note que os candidatos vão fazer parte da mesma equipa durante 10 anos. É muito irrealístico pensar que não se vão envolver sentimentalmente. Mas ao mesmo tempo, penso que é uma má ideia enviar casais para Marte, porque se o casal acabar pode quebrar a dinâmica da equipa. Temos que avaliar como cada um gere as suas relações com a equipa e isso também determina se esse é o grupo certo para ir. O que não podemos fazer é tentar interferir na natureza humana.

CONTACTO: Pensa que esses casais se reproduzirão em Marte? 

B.L.: Penso que não. Quando um casal pensa em ter filhos reflecte em que ambiente este vai crescer. Nos primeiros tempos em Marte, a colónia ainda vai ser um local muito perigoso para uma criança. E os pais teriam que equacionar se a criança cresceria de forma normal num planeta em que a gravidade é mais reduzida do que na Terra...

CONTACTO: Seria o primeiro marciano... 

B.L.: Sim, até pode ser. Eu cá acho que o primeiro marciano vai ser um rato nascido num dos laboratórios que montaremos em Marte. Antes de qualquer criança nascer em Marte, teremos que estudar o processo de gestação e crescimento de um ser vivo naquele planeta. Se os humanos querem um dia ser uma espécie multi-planetária têm que se reproduzir noutros planetas, mas esse não é o objectivo do projecto Mars One.

CONTACTO: Para gerar dinheiro para o vosso projecto, estava previsto os candidatos participarem num reality-show na televisão, no qual veríamos como são preparados para Marte, tipo programa “Survivor”. Vocês até tinham um contrato com a Endemol, empresa holandesa que produz programas como o “Big Brother” ou “A Casa dos Segredos”...

B.L.: Bem, o nosso conceito mudou um pouco. Pensámos melhor e em 2016 vamos fazer uma série de documentários nos quais vamos mostrar o processo de formação e de selecção dos candidatos, e como vamos escolher os quatro elementos de cada uma das seis equipas finalistas.

CONTACTO: A Endemol terminou o contrato com a Mars One, como vão fazer para produzir a série? 

B.L.: Já temos contrato com outra produtora, mas ainda não posso revelar qual.

CONTACTO: Você deixou a empresa de energia eólica que fundou em 2008 para se dedicar inteiramente a este projecto em 2011. A empresa Mars One já gera dinheiro que chegue para pagar salários? 

B.L.: Quando me demiti, vendi as minhas partes na empresa e isso deu-me algum conforto financeiro, o que faz com que eu não tenha de me preocupar com dinheiro. Neste momento, consigo pagar cinco das dez pessoas que trabalham na Mars One e isso dá-me uma grande satisfação.



CONTACTO: Continuam à procura de colaboradores? 

B.L.: Temos milhares de pessoas de todo o mundo que se oferecem para colaborar connosco gratuitamente, para fazer traduções, escrever textos, técnicos de imagem, grafistas. Temos um formulário no nosso site no qual as pessoas se podem inscrever se quiserem colaborar. O perfil das pessoas que procuramos depende de futuros projectos da Mars One.

CONTACTO: A título pessoal, acredita em marcianos? 

B.L..: (risos) Não acredito em homenzinhos verdes, mas acredito que encontraremos vida microbiana em Marte, ou descobriremos que a vida já existiu naquele planeta. Quanto a vida inteligente no Universo, tenho a total convicção que existe. Pode ser num milhar ou em mil milhões de planetas, mas algo deve existir algures. Seria demasiado arrogante pensar que somos os únicos seres inteligentes do Universo.

CONTACTO: Já pensou no que vai fazer depois de finalizado o projecto de chegar a Marte? 

B.L.: Hoje tenho 38 anos e acho que este projecto vai ocupar o resto da minha vida. Para mim, Marte é apenas o próximo passo a dar na nossa expansão no sistema solar.

José Luís Correia 
in contacto.lu e Jornal CONTACTO (27/05/2015)

(Vídeo promocional da Mars One)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Como pensam os extraterrestres?

O físico teórico Michio Kaku (City College, Nova Iorque) fala de como podem pensar, e sobretudo como não podem pensar, os cérebros de eventuais extraterrestres. Este é um dos tópicos do seu último livro, "Future of the Mind" (2014).

 

domingo, 29 de junho de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Carl Sagan, Stephen Hawking e Arthur C. Clarke conversam sobre "Deus, o Universo e tudo o resto"

Um programa de televisão em 1988 conseguiu juntar três das maiores mentes científicas do planeta no final do século XX: Stephen Hawking (físico teórico e cosmologista), Carl Sagan (astrónomo, astrofísico e cosmologista) e o romancista Arthur C. Clarke.

Os três conversam sobre a grande teoria unificadora, o big bang, o conceito de tempo, buracos negros, vida extraterrestre, Marte e até a existência de Deus.

O programa tem o título sugestivo de "Deus, o Universo e tudo o resto". Vale a pena rever. Um momento único.

 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nasa lança concurso de ideias para explorar uma lua de Júpiter, Europa

Europa Foto: Nasa/Galileo
Depois da detecção de geisers de água de 200 km de altura na superfície de uma lua de Júpiter, Europa, que pode também ter um oceano sob uma camada de gelo, os cientistas relançaram o seu interesse em conhecer melhor aquele astro.

A agência espacial europeia ESA vai enviar a sonda Juice nos anos 2030, mas a Nasa prevê uma missão antes disso.

A missão até já tem nome: Missão Clipper. O que falta são ideias para que a missão seja financeiramente possível. O concurso de ideias destina-se à comunidade de cientistas e de engenheiros aeroespaciais, que deverão ter em conta alguns critérios: o orçamento da missão não pode ultrapassar mil milhões de dólares, sem contar o custo do lançador, e deverá responder ao maior número de prioridades científicas (recomendadas pelo relatório 2011 sobre exploração robótica do sistema solar, elaborado pela administração norte-americana).

"Fora da Terra, [a lua] Europa é o lugar do nosso sistema solar com a maior probabilidade de encontrar vida, e deveríamos explorá-la", tinha já afirmado Robert Pappalardo, cientista responsável do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da agência espacial americana Nasa, em Fevereiro de 2013.

"Europa é coberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano (líquido sob o gelo) em contacto com rochas no fundo, é geologicamente activa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida", explicou na altura.

A missão Clipper substituiu um anterior projecto para explorar Europa considerado demasiado dispendioso. Clipper tem custos de 2 mil milhões de dólares, mas ainda assim este orçamento revelou-se demasiado alto para a Nasa, devido aos cortes orçamentais que a agência espacial americana sofreu.

A missão Clipper prevê colocar uma na órbita de Júpiter e realizar vários vôos de aproximação à lua, seguindo o exemplo da sonda Cassini, em Titan, uma lua de Saturno.

Se for aprovado, a missão "Clipper" pode ser lançada em 2021 e demoraria de três a seis anos para chegar à lua Europa.

Novo robot da Nasa em Marte em 2020

Em comparação, são necessários apenas seis meses para se chegar a Marte. Apesar dos cortes orçamentais, a Nasa vai enviar um novo robot para Marte em 2020, seguindo o exemplo do Curiosity, projecto orçado em 2,5 mil milhões de dólares. Tendo chegado ao planeta vermelho em Agosto de 2012, o Curiosity tem como objectivo determinar se Marte pode ter desenvolvido alguma forma de vida.

De acordo com os projectos actuais de exploração robótica da Nasa, os Estados Unidos não deverão voltar a enviar sondas à parte mais longínqua do sistema solar após a chegada da sonda Juno à órbita de Júpiter em 2016, programada para se despenhar no planeta um ano mais tarde.

Por outro lado, a Nasa pode participar na missão da ESA a Júpiter e às suas luas, baptizada de "Jupiter Icy Moon Explorer" (JUICE), com previsão de chegada para 2030.

Enceladus pode também abrigar vida
Enceladus Foto: Nasa/Cassini


"Uma das perguntas fundamentais é saber se existe vida fora do sistema solar", disse ainda Pappalardo.

Enquanto Marte pode ter sido habitada há milhões de anos, Europa pode ser propícia à vida neste momento, insistiu o cientista.

"Se Europa é o melhor lugar do sistema solar para abrigar vida depois da Terra, Enceladus, uma lua de Saturno, também tem essa possibilidade", salientou, nessa mesma ocasião, Amanda Hendrix, do Instituto de ciência planetária de Tucson.

Enceladus conta com "um mar e um oceano de água líquida sob uma camada de gelo e é geologicamente activa com uma fonte de calor no pólo sul, além de um géiser que emite partículas de água", explicou Hendrix. Europa foi observada de perto pela primeira vez pelas sondas americanas Voyager em 1979 e Galileo nos anos 1990.

domingo, 25 de maio de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Os exoplanetas semelhantes à Terra

Um documentário recente sobre os exoplanetas semelhantes à Terra, que podem até nem ser tão raros como se pensava no Universo, como sugere um novo estudo. Uma em cada cinco estrelas observadas pela missão Kepler tem planetas na sua zona habitável, onde o aparecimento de água líquida é teoricamente possível. Nesse caso, o exoplaneta mais próximo que pode abrigar vida estará apenas a 12 anos-luz da Terra...


domingo, 20 de abril de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Star Trek, entre a realidade e a ficção

No documentário de hoje, o canal História e o seu programa "Segredos do Universo" visitam o último filme "Star Trek - Into Darkness" , de JJ Abrams para estudar seriamente o que nos falta para chegar a essa realidade: construir uma nave como a USS Enterprise, viajar até às estrelas tão facilmente como o fazem em Star Trek, explorar planetas fora do nosso sistema solar, a física da velocidade warp , entre muitos outros aspectos, entre a realidade da tecnologia actual e a ficção do que mostra o filme. O realizador do filme e conceituados cientistas participaram neste documentário.

 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

"Vamos encontrar vida inteligente extraterrestre até 2040", diz SETI

Seth Shostak Foto: SETI
Seth Shostak, do Instituto SETI (sigla em inglês para "Search for Extraterrestrial Intelligence", Instituto de Procura de Inteligencia Extraterrestre) garante que a primeira detecção de vida extraterrestre inteligente acontecerá nos próximos 25 anos, até 2040.

No próximo quatro de século, os cientistas da Terra terão detectado cerca de um milhão de sistemas solares (até hoje, foram detectados apenas algumas centenas), "uma quantidade que nos assegurará encontrar sinais electromagnéticos extraterrestres", disse Shostak numa intervenção durante a conferencia NIAC (NASA Innovative Advanced Concepts Symposium - Conferencia sobre Conceitos Inovativos Avançados da NASA), que teve lugar na Universidade de Stanford, em 6 de Fevereiro último.

Para Shostak, seres extraterrestres inteligentes não fazem parte da ficção científica, são uma realidade. Que falta provar. O optimismo deste especialista do SETI baseia-se em observações de planetas feitas pelo telescópio espacial Kepler, "que demonstrou que a nossa galáxia está repleta de mundos capazes de ter vida como a conhecemos", recordou Shostak.

"A minha dedução é que se apenas uma em cada cinco estrelas da Via Láctea (a nossa galáxia terá cerca de 200 biliões de estrelas) tem pelo menos um planeta onde a vida poderia aparecer, então há pelo menos dezenas de biliões de mundos semelhantes a Terra onde a vida é possível. Não apenas vida, mas vida inteligente e que se desenvolveu até ser capaz de enviar sinais electromagnéticos em direçcão do cosmos, como a civilização humana faz todos os dias", disse.

Shostak explicou que é isso que faz o SETI diariamente desde 1960 desde a sua sede em Mountain View, na Califórnia, numa procura que se iniciou com o astrónomo Frank Drake. A tecnologia permitiu ao SETI melhorar, aumentar e sistematizar a procura de sinais extraterrestres. Desde há cerca de uma década existe mesmo a possibilidade de cada internauta ligar-se ao SETI e ajudar na procura dos sinais alienígenas, o que multiplicou exponencialmente a capacidade do SETI na sua procura, que em muito se assemelha a busca de uma agulha num palheiro.

No entanto, lamentou Shostak, o financiamento do Instituto SETI continua a ser um problema constante. Um dos telescópios do SETI - o Allen Telescope Array, no norte da Califórnia - foi concebido para ser formado por 350 antenas de rádio, mas apenas 42 foram construídas até hoje. Entre Abril e Dezembro de 2011, esse telescópio teve mesmo de parar de funcionar devido a falta de financiamento.

"A estimativa de 25 anos que vos dou neste momento depende do financiamento continuado do projecto SETI", avisou Shostak.

Shostak recordou ainda que existem tres formas actualmente de procurar vida extraterrestre, quando há 50 anos apenas o SETI se tinha lançado nessa senda. Há os que, como o SETI, procuram civilizações extraterrestres inteligentes; os que procuram organismos simples no nosso sistema solar, como em Marte, ou na lua Europa, de Júpiter; e depois há ainda os cientistas que se concentram em encontrar vida microbiana em exoplanetas próximos. Este último grupo de investigadores vai ser substancialmente auxiliado pelo telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2018 e que vai ter mais capacidade de encontrar exoplanetas do que o seu antecessor, o telescópio Kepler.

"Um destes grupos de cientistas vai encontrar vida extraterrestre e acredito que seja nas próximas duas décadas, ou o mais tardar até 2040", garantiu Shostak.

Neste vídeo, uma das conferencias onde Seth Shostak explicou porque acredita que vamos encontrar vida extraterrestre inteligente nos próximos 25 anos:

domingo, 10 de novembro de 2013

DD - Documentários ao Domingo: "A Vida para Além da Terra - Estamos sozinhos?"

Hoje apresentamos mais um episódio da série "Nova", hoje dedicada às missões que têm como tarefa descobrir sinais de vida bacteriológica e/ou inteligente para além das margens conhecidas da Terra, na imensidão do oceano cósmico, o Universo.


domingo, 18 de agosto de 2013

DD - Documentário ao Domingo - "Sobrevíveriamos ao Primeiro Contacto?"

Os produtores do programa "Through the Wormhole" voltaram a convidar o carismático Morgan Freeman para uma terceira temporada desta série que já se tornou famosa mundialmente.

E para abrir a temporada 3 escolheram um daqueles temas que a maior parte dos documentários sérios se privam: Sobrevíveriamos ao Primeiro Contacto?, entenda-se o primeiro contacto com seres de outros mundos.


 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Presumível sinal extra-terrestre foi ouvido faz hoje exactamente 36 anos




O sinal "Wow", um sinal rádio em banda estreita (1420 Mhz), foi captado pelo rádiotelescópio The Big Ear, da Universidade do Ohio (EUA), do Instituto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) em 15 de Agosto de 1977, às 23h16.

O sinal teve origem na constelação do Sagitário (no céu da Terra). Nessa zona, a única estrela visível é Tau Sagitarii.

O sinal astrofísico Jerry R. Ehman foi quem detectou o fenómeno no momento em que trabalhava com o radiotelescópio do SETI. Estupefacto por perceber que o som que estava a escutar - 30 vezes mais potente que o som do espaço profundo -  só podia ter origem artifical e não terrestre, Ehman assinalou no papel o ponto que correspondia ao sinal, acrescentando o comentário "Wow" na margem. Essa palavra de espanto deu nome ao sinal.

Este é considerado por muitos o único sinal recebido na Terra que se suspeita ser de origem extra-terrestre. Durou 72 segundos 

No entanto, nunca mais se fez ouvir o mesmo sinal, do qual se desconhece a natureza ou significado.

Aquando do 30°aniversário do sinal, em 2007, Ehman escreveu um relatório sobre o que se descobriu nas três décadas passadas sobre o fenómeno e deduz que não se tratava de um sinal com origem num asteróide, satélite, avião, nave espacial terrestre, cintilamento estelar ou lente gravitacional (formada devido a uma distorção no espaço-tempo causada pela presença de um corpo de grande massa entre uma estrela e um observador).

Uma das explicações propostas para explicar este sinal é ter sido o reflexo de emissores de rádio da Terra sobre os satélites, mas alguns especailistas argumentam que esses reflexos não podem ter a energia detectada. Outros aventam fenómenos físicos ainda desconhecidos pelo Homem.

Outro pormenor sério a considerar é que o sinal foi ouvido na frequência de 1420 Mhz, uma frequência protegida e proibida, já que pode ser apenas utilizada para operações astronómicas, o que faz suspeitar que se possa ter tratado de um sinal militar.

O sinal teve origem na constelação do Sagitário (no céu da Terra). Nessa zona, a única estrela visível é Tau Sagitarii Fonte: Wikipédia




domingo, 11 de agosto de 2013

DD - Documentários ao Domingo - "Qual o aspecto que podem ter os extra-terrestres?"

"Qual o aspecto que podem ter os extra-terrestres?", é o tema do episódio (E10, T2)do programa "Through the Wormhole" de hoje.

Ora aí está uma pergunta que muitos de nós nos fazemos, sobretudo quando confrontados com as hipóteses extravagantes apresentadas pela nossa literatura e cinema de ficção-científica.

Era o que pensavam até agora?

No entanto, a verdade é que - a existirem - os alienígenas podem ser bem mais diferentes e estranhos do que algum autor de ficção-científica alguma vez imaginou.

 

domingo, 23 de junho de 2013

Documentários ao Domingo - Donde viemos?

O tema de hoje: Donde Viemos? é o quinto episódio da primeira temporada do programa "Through the Wormhole", apresentado Morgan Freeman.

O tema de hoje vai mostrar como a vida na Terra teve origem fora deste planeta: não só um asteróide pode ter trazido os elementos essenciais à vida, como mesmo antes da Terra se formar numa nuvem de gás que viria a tornar-se no nosso sistema solar, já alguns elementos de base tinham sido criados nessas gigantes fábricas que são as estrelas em fusão.

Analisando as possibilidades da vida na Terra, esta pode não ter apenas uma árvore da Vida como supunhamos até agora, mas duas ou até três.

E se no nosso pequeno planeta podem existir três árvores da Vida diferentes, que excêntricas possibilidades existem por esse cosmos fora.

domingo, 16 de junho de 2013

Documentário ao Domingo - Tema de hoje: Estamos sozinhos no Universo?

"Documentários ao Domingo" no nosso blogue apresenta hoje o episódio 6 (temporada 1) da série "Through the Wormhole", com Morgan Freeman, que hoje vai tentar responder à pergunta: "Estamos sozinhos no Universo?".

Bom filme!

 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Você disse E.T.?

Desde os anos 1940 que se fala em discos voadores e quase sempre a sua chegada está associada ao fim da Humanidade, medo quiçá importado do romance "A Guerra dos Mundos" (1898) de H.G. Wells.

Antes disso, os extraterrestres (E.T.) que se encontravam na literatura eram pacíficos. Voltaire imaginou Micromégas (1752), vindo de Sirius, e Cyrano de Bergerac evocava os Selenitas em "Impérios da Lua" (1650). Ambos os autores se inspiravam livremente em Luciano de Samósata (120-180), um dos primeiros a escrever sobre ETs.  

Há mais de meio século que milhares de pessoas dizem avistar ovnis (Objectos Voadores Não Identificados), desde a notícia que uma nave ET se teria despenhado em Roswell (Novo México) em 1947.

Nos anos 1980 apareceram os que afirmam ser abduzidos por ETs.

O autor do vídeo difundido nas televisões do mundo inteiro em 1995, em que se via a autópsia de um alienígena, admitiu em 2006 que este era falso.  

Em 1977, o Instituto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) pensou ter detectado um sinal extraterrestre (sinal "wow"), mas não conseguiu voltar a ouvir o sinal nem a provar a sua origem.

Apesar da ausência de provas, cada vez mais gente diz acreditar em seres de outros mundos e avistar ovnis. Muitas vezes esses avistamentos não passam de miragens ou de fenómenos ópticos mal interpretados como, por exemplo, a entrada na atmosfera de restos de satélites ou de metoritos.

O SETI prescruta os céus desde 1960 e (excepto o incidente de 1977) nunca detectou nenhum sinal extraterrestre.

Nos anos 1970, um histérico Sheldan Nidle anunciava para 1996 uma invasão extraterrestre, segundo uma mensagem por ele interceptada. Depois de 1996, Nidle explicou que a Federação Galáctica interveio por nós e não permitiu o ataque.

De incrédulos, os cientistas passaram a aceitar a possibilidade de vida extraterrestre quando o primeiro exoplaneta (que se situa fora do sistema solar) foi descoberto em 1990. Entretanto, já foram detectados mais de 850 exoplanetas, mas foi até hoje impossível determinar se alguns desses abrigam vida, bacteriológica ou inteligente.

Perante a eventualidade de um possível "primeiro contacto", o Vaticano assumiu em 2008 que se existirem "outros seres no Universo", estes devem ser considerados "nossos irmãos"  (José Gabriel Funes, astrónomo-chefe do Observatório do Vaticano).  

Mas o "primeiro contacto" ainda não aconteceu e sem sabermos se existem, não podemos imaginar se são perigosos ou amistosos. O físico Stephen Hawking considera que a Humanidade não sobreviveria a um primeiro contacto com uma civilização extraterrestre.

(artigo publicado em 21/12/2012 no jornal CONTACTO, no Dossier "Quem tem medo do fim do Mundo?")

domingo, 14 de abril de 2013

Classificação científica dos ...extraterrestres (?)



Cosmic Connexion : Classification du vivant... par Cargo_Films

Luxemburgo, 14 de Abril -
Um documentário franco-alemão sério (mas com humor) que tenta o impensável, o indescritível, o inclassificável: classificar de forma científica os extraterrestres que pululam no nosso imaginário, popularizados pela literatura de ficção-científica, cinema e televisão desde o século XIX.

Uma pequena jóia que explora o futuro possível da exobiologia, um filmezinho com muita piada e deveras instrutivo. Talvez um dia venha a ter uma aplicação prática...