Mostrar mensagens com a etiqueta Mu Arae. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mu Arae. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Entrevista com o astrofísico português Nuno Cardoso Santos

A estrela mu Arae e os planetas que orbitam à sua volta podem vir a ser rebaptizados com nomes portugueses numa votação online que termina às 23h59 de 31 de Outubro. O Jornal CONTACTO falou com Nuno Cardoso Santos, astrofísico português que ajudou a descobrir dois desses exoplanetas. 

Pode ler a reportagem completa, clicando aqui

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Vote e ajude a baptizar com nome portugues o sistema planetário mu Arae

Situado a cerca de 50 anos-luz da Terra, o sistema planetário mu Arae tem quatro exoplanetas conhecidos, em órbita da estrela, visível a olho nu na constelação do Altar. 

Pela primeira vez, a União Astronómica Internacional (IAU) abriu uma votação pública para baptizar 20 sistemas planetários. Nesse lote está o sistema mu Arae, no qual um dos exoplanetas foi descoberto por uma equipa internacional, liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Nuno Cardoso Santos.

Para Nuno Cardoso Santos (IA e Universidade do Porto), “um sistema planetário com nomes lusitanos faria justiça ao trabalho nesta área desenvolvido em Portugal, que é reconhecido internacionalmente".

"Talvez mais importante, ajudaria a reforçar a percepção positiva sobre a qualidade e o impacto da ciência que se faz no nosso país, em particular na área das ciências do espaço."

Como homenagem, o Planetário do Porto – Centro Ciência Viva submeteu nomes da cultura portuguesa para o concurso da IAU NameExoWorlds, que tem como objectivo celebrar o vigésimo aniversário da descoberta do primeiro exoplaneta em 1995.

O IA junta-se à homenagem, promovendo uma campanha internacional de apelo ao voto nos nomes portugueses. Se for a candidatura mais votada, a estrela Mu Arae passará a chamar-se Lusitânia, e os seus planetas, Adamastor, Esperança, Caravela e Saudade.

José Afonso (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) comenta: “Esta é uma oportunidade única de afirmar a cultura portuguesa para além do nosso planeta, baptizando pela primeira vez, ‘em português’, um dos novos sistemas planetários - uma homenagem a um povo e a uma cultura que é ainda mais adequada quando consideramos a contribuição portuguesa para a descoberta e caracterização deste sistema. E, quem sabe, talvez num futuro não muito distante os nossos descendentes assistam ao desembarque de colonizadores humanos nas ‘costas’ do planeta Esperança e se recordem da origem do seu nome”.

Situado a cerca de 50 anos-luz da Terra, o sistema planetário mu Arae tem quatro exoplanetas conhecidos, em órbita da estrela, visível a olho nu na constelação do Altar.

A votação decorre até às 23h59 do dia 31 de Outubro de 2015.

Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço 
Ciência na Imprensa Regional

Para ler + sobre este assunto, clique aqui

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Constelação do Altar: Uma estrela e quatro planetas podem vir a ter nomes portugueses

Representação artística do exoplaneta Mu Arae b

Há um sistema planetário a cerca de 50 anos-luz da Terra cuja estrela e planetas podem vir a ter nomes portugueses como Lusitânia, Caravela, Adamastor, Esperança e Saudade.

A decisão vai ser tomada depois de uma votação na internet, na qual o público pode participar até 31 de Outubro.

A União Astronómica Internacional (IAU, na sigla em inglês), único grupo de astrónomos profissionais reconhecido pela comunidade científica, anunciou a 11 de Agosto que está aberto o concurso público para dar nomes a 15 estrelas e 32 exoplanetas (ou planetas extra-solares, ou seja, que se situam fora do nosso Sistema Solar). O concurso decorre no site NameExoWorlds (http://nameexoworlds.iau.org/exoworldsvote) e nesse portal cada internauta tem o direito de votar nos nomes que prefere para atribuir a esses 47 astros e corpos celestes de 20 sistemas planetários diferentes.

Foto de família do sistema planetário Mu Arae 


A estrela Mu Arae com os seus quatro planetas 
Imagem: Sephirohq/CreativeCommons
Actualmente, o nome deste sistema planetário é Mu Arae ou HD 160691, mas a partir de Novembro pode passar a ficar conhecido por um nome bem português: o sistema planetário Lusitânia. Os quatro planetas que a orbitam receberiam os nomes de Caravela, Adamastor, Esperança e Saudade.

Lusitânia - a estrela Mu Arae é visível a olho nu no céu nocturno do hesmifério sul, na constelação de Ara (Altar, em latim). É uma estrela anã amarela semelhante ao nosso Sol, mas duas vezes mais luminosa. É cerca de 32% maior do que o nosso Sol e com cerca de 108% da massa da nossa estrela. Terá cerca de 6,4 mil milhões de anos, sendo assim mais velha que o nosso Sol (4,5 mil milhões de anos). Tem quatro planetas em sua órbita, três dos quais com massa semelhante à de Júpiter.

Caravela - Mu Arae b (ou HD 160691 b) é um exoplaneta com cerca de 1,676 vezes a massa de Júpiter. Tem uma órbita de 643,25 dias (1,76 anos) e situa-se na zona habitável da sua estrela, a uma distância de 1,97 UA (unidade astronómica: 1 UA equivale à distância Terra-Sol). É provavelmente um gigante gasoso. Se tiver satélites, podem conter água líquida. Foi o primeiro planeta deste sistema a ser descoberto, em 12/12/2000.

Adamastor - Mu Arae c (HD 160691 c) pode ser considerado a "Vénus" do sistema Mu Arae, já que se situa entre 0,07529 e 0,10659 UA, com uma órbita de 9,6 dias. Tem uma massa de cerca de 14 vezes a da Terra, com fortes probabilidades de ser um planeta rochoso como a Terra. Descoberto a 26/08/2004 por uma equipa internacional, em que participou o astrofísico português Nuno Cardoso Santos. Foi o primeiro exoplaneta de tipo 'Neptuno quente' a ser descoberto.

Esperança - Mu Arae d (HD 160691 d) tem cerca de metade da massa de Júpiter, uma órbita de 310 dias, e está a uma distância de 0.921 UA. É provável que seja um gigante gasoso. Descoberto a 5/08/2006. 

Saudade - Mu Arae e (HD 160691 e). É um gigante gasoso com a massa de 1,8 vezes a de Júpiter, mas de dimensão mais pequena. O planeta orbita a sua estrela em 11 anos, a uma distância de 5,235 UA, o equivalente à distância que separa o Sol de Júpiter. Foi descoberto em 13/06/2002.

Os nomes oficialmente escolhidos serão anunciados em Novembro pela IAU.

Prefere os nomes portugueses ou estes?

Em competição com os nomes portugueses há ainda seis outras propostas.

Uma equipa espanhola propõe os nomes Cervantes, Quijote, Dulcineia, Rocinante e Sancho.

Uma equipa japonesa propôs Daikokuten, Ebis, Bishimonte, Benzaiten e Fukurokuju. 

Um grupo colombo-panamiano sugeriu Humantahú, Tutruica, Armucura, Dabeiba e Karagabi. 

Há também uma proposta "floral": Camellia, Hibiscus, Helianthus, Lotus e Riza.

Uma outra proposta, mais anglófona, deixa em competição os nomes: Minerals, Another Gaia, Hotsprings, Mysteria e Reitoh. 

Finalmente, há um grupo que propôs nomes inspirados no universo de ficção científica criado pelo autor americano Robert Heinlein: RobertHeinlein, Podkayne, Pixel, LazarusLong e NoisyRhysling.

Cristiano Ronaldo e Fernão de Magalhães já homenageados

Já existem no céu nocturno dois nomes de portugueses famosos.

A galáxia CR7 (COSMOS Redshift 7), descoberta em Junho deste ano pelo astrónomo português David Sobral, foi baptizada em homenagem a Cristiano Ronaldo, que também é conhecido por CR7.

As "Nuvens de Magalhães" são duas galáxias anãs satélites da Via Láctea (a nossa galáxia). Ambas são visíveis a olho nu, mas apenas no hemisfério sul. Fernão de Magalhães, na sua circum-navegação ao globo em 1519-1522, foi o primeiro europeu a ter observado as 'nuvens', o que levou à sua denominação actual. Na verdade, o astrónomo persa Al-Soufi já recenseara estas galáxias seis séculos antes, no ano de 924.

Há também "regiões" com nomes portugueses ou lusófonos em, pelo menos, mais tres corpos celestes do nosso sistema solar.

Em Marte, vales e crateras com nomes portugueses ou lusófonos: os vales Tagus, Munda e Durius, no hemisfério sul marciano, referem-se aos rios Tejo, Mondego e Douro. As crateras Aveiro, Funchal e Lisboa situam-se no hemisfério norte marciano, enquanto que a cratera Fernão de Magalhães fica no hemisfério sul de Marte. Há ainda as crateras em homenagem às caravelas São Pantaleão e São Cristóvão (que faziam parte da frota de Bartolomeu Dias quando dobrou o Cabo da Boa Esperança em 1488), bem como às da frota de Vasco da Gama para a India, São Gabriel, São Rafael e Bérrio. Há também crateras com nomes brasileiros (Campos, Caxias, Gandu, Labria, Lagarto, Lins, Mafra, Peixe, Viana, Xui), moçambicanos (Chefu, Nune, Santaca) ou angolanos (Longa).

Na Lua, existem as crateras Vasco da Gama, Pedro Nunes (matemático portugues), Fernão de Magalhães e Santos Dumont (aviador e inventor brasileiro).

Em 2013, a IAU atribuiu também o nome da artista plástica portuguesa Maria Helena Vieira da Silva a uma cratera em Mercúrio. Em Mercúrio é tradição baptizar as crateras com nomes de artistas mortos.

2000 exoplanetas descobertos desde 1995 

Desde 1995, data de descoberta do primeiro planeta exterior ao nosso Sistema Solar, já foram descobertos cerca de 2 mil exoplanetas. Os planetas extra-solares que vão sendo descobertos são 'baptizados' com um nome relacionado com o telescópio pelo qual foram descobertos (por exemplo o exoplaneta Kepler 22b, que foi descoberto pela missão Kepler em 2010), ou por um código de letras e números - por exemplo HD 189733 b, em que a primeira sequência (HD189733) designa a estrela e a letra em minúscula designa o planeta.

200 mil milhões de estrelas

Haverá oportunidade para "baptizar" muitos outros planetas e estrelas, já que a IAU prevê lançar novas consultas públicas nos próximos tempos para encontrar nomes para 305 exoplanetas de 260 sistemas planetários descobertos entre 1995 e 2008. Como os cientistas calculam que possam existir cerca de 200 mil milhões de estrelas só na nossa galáxia, e que em torno da maioria orbitam planetas, haverá forma de agradar "a gregos e troianos" nos próximos anos e mesmo décadas. A não ser que seja descoberta vida inteligente nesses sistemas e que os indígenas protestem contra o nome dado etnocentricamente e de forma abusiva por nós, terráqueos.

José Luís Correia