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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Complexo de onde Neil Armstrong descolou para a Lua está à venda

O local de lançamento, de onde descolou a Missão Apolo 11, com Neil Armstrong a bordo, em direcção da Lua, em 1969, está à venda.

O complexo situa-se junto ao Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, na Flórida e custa 100 mil dólares mensais só em manutenção.

Quando a Nasa colocou o local à venda, esperava ficar aliviada dessas despesas até ao final de Setembro deste ano. Mas uma batalha entre dois milionários que querem comprar aquelas instalações está a dificultar a venda, já que cada um está a accionar os seus lóbis junto do congresso norte-americano.


Um deles é Elon Musk, proprietário da empresa SpaceX (Space Exploration Technologies, fundada em 2002), que pretende utilizar o complexo para lançar os seus foguteões Falcon para a estação espacial internacional (ISS), assegurando assim o abastecimento e o transporte de astronautas para a ISS, assegurando assim um proveitoso contrato com a Nasa.

Musk, que lançou a empresa de compra em linha Paypal e a fábrica de automóveis eléctricos Tesla Motors, quer construir uma base de lançamento no Texas. Mas enquanto a base texana visa os lançamentos comerciais, o complexo 39A serviria para os seus lançamentos sob contrato da Nasa.

Musk acusa o seu concorrente de nem sequer ter conseguido um voo orbital, enquanto que os seus Falcons já fizeram várias viagens à ISS, além de a SpaceXd ispor de uma carteira de mais de 50 clientes.

Por seu lado, Jeff Bezos, fundador da Amazon, quer adquirir a base de lançamento para a sua empresa Blue Origin. Esta empresa, fundada em 2000, está a trabalhar no fabrico de um vai-vem sub-orbital reutilizável (à semelhança do Space Shuttle), chamado "New Shepard". Uma nave fez um teste de voo em 2006 e um segundo aparelho foi testado em 2011.

Em Outubro do ano passado, ao saber que o complexo de lançamento tinha sido posto à venda, a Blue Origin protestou junto do Governo federal norte-americano, para que a sua oferta de compra da base fosse considerada em pé de igualdade com a SpaceX.

A Blue Origin tem atrás de si o apoio da Lockheed Martin e da Boeing, cujo monopólio no fabrico e venda ao Governo de aparelhos aéreos e satélites é disputado pela SpaceX.

O Serviço de Auditorias e Inquéritos Internos do Governo americano (GAO) vai discutir o assunto em 12 de Dezembro e deverá decidir a que empresa a Nasa pode vender o complexo 39A.

sábado, 20 de julho de 2013

O Homem chegou à Lua há 44 anos: 20 de Julho de 1969

Ao pisar pela primeira vez o solo lunar na missão Apollo 11, Neil Armstrong tornou-se a 20 de Julho de 1969 o primeiro homem a pisar a Lua, mas razões de ordem económica levaram o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, a suspender três anos depois o programa de exploração lunar e dar prioridade à construção do vaivém espacial.

Na decisão pesaram os elevados custos orçamentais associados à segurança dos astronautas, mas também a necessidade de um veículo espacial que pudesse ser lançado e regressar à Terra.

"Em vez de se enviarem homens para a Lua, pensou-se que seria mais vantajoso do ponto de vista económico lançar homens para órbitas muito mais próximas da Terra, e agora estamos a colher alguns frutos desse investimento, como a Estação Espacial Internacional (ISS) e todos os telescópios espaciais, como é o caso do Hubble", considerou, numa entrevista à Lusa, em 2009, o cientista espacial português Pedro Russo.

Por outro lado, "a construção do vaivém significou uma revolução tecnológica muito grande porque aproximou os voos espaciais das viagens de avião normais", acrescentava o cientista, que trabalha na Alemanha para a Agência Espacial Europeia (ESA).

Como exemplo, citava o facto do telescópio Hubble ter sido enviado para o espaço por um vaivém e das suas missões de reparação só terem sido possíveis graças à existência dessa aeronave.

Sobre os resultados das missões Apollo, Pedro Russo afirmava ter sido "uma enorme surpresa" o que se encontrou na Lua, comprovando algumas teorias sobre a sua formação e as relações com a Terra.

Ficaram, no entanto, muitas questões em aberto, nomeadamente em relação à existência de água e ao teor em hélio-3. Referia, a propósito, que alguns estudos apontavam na década de 1990 para a presença de zonas com bastante água no subsolo lunar, tanto em estado sólido como líquido, mas a sonda Clementine da NASA comprovou depois que não havia tanta água como se esperava.

Sobre o hélio-3, que supostamente permite fazer fusão nuclear muito mais limpa, também se desconhece com rigor qual a abundância desse gás na parte superior da primeira camada da Lua, o que permitiria lançar uma exploração quase geológica desse material.

A ESA tem um projecto de missão lunar associado ao programa Aurora, que tem como principal objectivo a exploração de Marte. Esse projecto visa trabalhar com os parceiros internacionais, nomeadamente com as agências espaciais dos EUA, Japão, China e Índia, para que haja uma missão tripulada conjunta à Lua no início de 2020 e em 2030, pela primeira vez, uma base lunar.

"Nas próximas duas décadas vamos certamente voltar à Lua com humanos para construir bases e continuar a exploração científica, tanto no domínio da geofísica, como do desenvolvimento de medicamentos ou de plantas na Lua", adiantava na altura Pedro Russo.

Isso será muito importante para futuras missões em Marte, mas também para incrementar o futuro turismo espacial, que tem vindo a crescer nos últimos anos, tanto para voos orbitais terrestres como para viagens à Estação Espacial Internacional, acrescentava.

Além de trabalhar para a equipa científica de um dos instrumentos da missão Vénus Express da ESA, desenvolvido pelo Instituto Max Planck, concretamente uma câmara que observa a evolução da atmosfera do planeta, Pedro Russo foi em 2009 o coordenador global das actividades do Ano Internacional da Astronomia, promovido conjuntamente pela União Astronómica Internacional e a UNESCO.

Este artigo foi também publicado no site www.wort.lu/pt www.wort.lu/pt