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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Europa lança satélite para procurar ondas gravitacionais teorizadas por Einstein

Lisa Pathfinder Imagem: CNES
A Europa lança hoje a partir da Guiana francesa um satélite destinado a preparar caminho a um futuro observatório espacial para detectar as famosas ondas gravitacionais teorizadas por Albert Einstein.

As ondas gravitacionais são ondulações no espaço e no tempo previstas pela Teoria da Relatividade desenvolvida pelo físico Albert Einstein.

Actualmente, observatórios instalados em países como os EUA ou a Itália procuram encontrar provas concretas da existência destas ondas gravitacionais que se propagam à velocidade da luz.

“Ter um observatório no espaço vai permitir ver grandes deslocações de massa no universo, acontecimentos muito violentos como uma colisão de galáxias e a fusão de dois buracos negros”, explicou, citado pela AFP, o físico francês Pierre Binétruy, da Universidade de Paris – Diderot.

O físico adiantou que se espera alcançar uma “reconstrução histórica do Universo” e regressar a “eventos muito importantes” que se seguiram ao Big Bang - a teoria dominante do desenvolvimento inicial do universo.

Baptizado como LISA, o observatório pode vir a ser uma realidade em 2030 se o satélite LISA Pathfinder (batedor ou desbravador) conseguir desempenhar o papel que se espera.

sábado, 18 de julho de 2015

Descoberta estrela canibal no sistema binário Gaia14aae

Uma equipa de astrónomos descobriu um sistema estelar binário (duas estrelas) onde uma está a "comer" a outra, uma observação cheia de promessas para a compreensão da morte das estrelas - anunciou a Universidade de Cambridge, na sexta-feira.

"É a primeira vez que observamos uma estrela-anã branca super densa a roubar o gás de seu binómio ao canibalizá-la", explicou a universidade, responsável pelo estudo.

O sistema binário, baptizado Gaia14aae, está situado a cerca de 730 anos-luz na constelação de Draco (Dragão). Observadas pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), em Agosto de 2014, as duas estrelas tornaram-se cinco vezes mais brilhantes num espaço de 24 horas.

Para os astrónomos, a luminosidade repentina ocorreu quando a anã branca - tão densa que em comparação uma colher de café da sua matéria teria a massa de um elefante - começou a devorar a sua companheira, maior do que ela.

Os efeitos gravitacionais da anã branca muito densa são tão fortes que forçam a sua companheira a se aproximar dela. Além do lado curioso, o Gaia14aae é um sistema binário de eclipses. O plano de revolução dos dois astros está sensivelmente alinhado com a Terra e as duas estrelas eclipsam-se mutuamente quase a cada 50 minutos.

"É muito raro vermos um sistema binário tão bem alinhado", declarou a pesquisadora Heather Campbell, do Instituto de Astronomia de Cambridge. "Assim, podemos observar este sistema estelar com grande precisão e compreender melhor como é feito e como evoluiu", garantiu. Os astrónomos ainda não sabem se a estrela-anã vai devorar completamente a sua companheira ou se as duas vão provocar uma supernova, uma gigantesca explosão que marcará a morte de ambas.

sábado, 6 de junho de 2015

Sonda euro-japonesa BepiColombo que vai estudar Mercúrio em 2024 tem tecnologia portuguesa


A sonda BepiColombo, cujo lançamento está previsto para Janeiro de 2017 e que tem como objectivo estudar Mercúrio, numa missão euro-nipónica, tem tecnologia portuguesa, da empresa Active Space Technologies.

A empresa lusa concebeu a mecânica e o isolamento térmico de um dos instrumentos. A Active Space Technologies, multinacional portuguesa especialista em tecnologia aeroespacial, esteve envolvida na concepção da estrutura do espectrómetro (instrumento óptico para medir as propriedades da luz numa determinada faixa do espectro electromagnético) que permitirá fazer a análise dos níveis de sódio da atmosfera do planeta.

O gestor de projectos da empresa, João Ricardo, explicou que foram usados materiais como alumínio e titânio para que o instrumento seja, ao mesmo tempo, leve e resistente, "sobreviva ao período de lançamento" e a "ciclos térmicos muito abruptos".

A sonda BepiColombo é um projecto das agências espaciais europeia ESA e japonesa JAXA e é composta por dois módulos, o Orbitador Planetário de Mercúrio, de desenho europeu, e o Orbitador Magnetosférico de Mercúrio, de concepção nipónica.

O espectrómetro em cuja construção a Active Space Technologies, com sede em Coimbra, participa é um dos cinco instrumentos que compõem o Orbitador Magnetosférico de Mercúrio. Enquanto o Orbitador Planetário de Mercúrio, que vai estar mais próximo do planeta, vai examinar a sua superfície, o Orbitador Magnetosférico de Mercúrio, numa órbita mais excêntrica, vai estudar a magnetosfera.

A missão BepiColombo, assim designada em homenagem ao cientista italiano Giuseppe (Bepi) Colombo (1920-1984), que desenvolveu estudos sobre Mercúrio, é a primeira missão europeia ao planeta mais pequeno e mais próximo do Sol.

A nova data de lançamento foi apontada para 27 de Janeiro de 2017. O custo da missão está estimado em 1.200 milhões de euros. A agência espacial europeia, da qual Portugal é um dos países-membros, espera que a sonda chegue a Mercúrio em Janeiro de 2024 e explore o planeta durante pelo menos um ano terrestre (o equivalente a quatro anos mercurianos), enfrentando temperaturas que podem exceder os 350ºC.

A agência espacial norte-americana NASA teve a sonda Messenger na órbita de Mercúrio durante quatro anos, mas esta chegou ao fim da sua vida no final de Abril de 2015. Ler mais aqui

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Meio milhar de asteróides ameaçam a Terra

Cerca de 500 asteróides ameaçam potencialmente a Terra, um problema para o qual especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA) encontraram soluções que parecem ter saído de um filme de ficção científica.

"Temos cerca de 500 objectos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês) identificados que poderiam, dentro de um século, eventualmente tocar a Terra, mas a probabilidade é muito baixa, em alguns casos de um em um milhão", explicou Detlef Koschny, chefe do sector de NEO na ESA.

"Seguimos as suas rotas, tentamos prever o que poderiam ser e se, eventualmente, representam um risco", explicou Koschny a partir do centro operacional dos NEO na cidade italiana de Frascati, perto de Roma.

"Em caso de perigo real, temos duas soluções actualmente viáveis ", acrescentou o especialista. "O primeiro é o acidente de movimento cósmico", disse. "Imagine um veículo, que é o asteróide, e um outro veículo, que é a nossa ferramenta, colidindo com ele e desviando-o da sua trajectória. Por conta da pressão, é possível desviá-lo gradualmente da Terra", afirmou.

"A segunda solução é destruir o asteróide com uma explosão nuclear", acrescenta Koschny. A questão é: como olhar para um objecto espacial que viaja a 3.600 km/h com um outro objecto lançado para interceptá-lo com a mesma velocidade?"

A partir de uma experiência americana, chamada Deep Impact, sabemos que é possível alcançar todos os objectos que tenham mais de 100 metros de diâmetro. Estamos cada vez mais perto de satélites auto-guiados por uma câmara, porque não teríamos tempo para dirigi-los a partir da Terra", explica o cientista.

"É mais fácil quando é o Bruce Willis quem o faz", brinca Richard Tremayne-Smith, co-presidente da Conferência de Defesa Planetária (Planetary Defence Conference, PDC), numa alusão ao filme americano "Armageddon" (1998), em que o actor destrói um asteróide que ameaça a Terra.

"A defesa planetária era um hobby há dez anos. Hoje, tornou-se uma preocupação global", aponta William Ailor, segundo co-presidente do PDC.

A PDC é um encontro sério e envolve especialistas da Nasa, da ESA e de outras instituições, mas também há lugar para jogos. "Um dos jogos consiste em simular uma crise [provocada] por uma possível queda de um asteróide na Terra, com três pessoas a desempenhar o papel de autoridades políticas, conselheiros científicos, representantes das populações ameaçadas e a imprensa", explicou Debbie Lewis, especialista em gestão de catástrofes.

"Precisamos de acordos de comando, controlo, coordenação e comunicação a nível internacional", insistiu a especialista. É que os danos causados pela queda de um asteróide podem ser gigantescos em função do tamanho.

Segundo vários especialistas, 75% das diferentes formas de vida na Terra, inclusive os dinossauros, desapareceram devido à queda de um enorme asteróide há 65 milhões de anos. "Devemos estar preparados, o despertador já tocou, mas teimamos em desligá-lo", afirmou Lewis.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Os argumentos para convencer a opinião pública da importância da exploração espacial

Que argumentos avançar para convencer a opinião pública que é benéfico e até necessário investir na exploração espacial? Foi a esta pergunta que tentou responder a escritora americana Joelle Renstrom, que escreve habitualmente sobre a relação entre ciência e ficção científica.

No blogue Future Tense (Futuro Simples) - que é uma colaboração entre a revista em linha Slate, o instituto New America e a Universidade Estadual do Arizona, Renstrom começa por recordar que regularmente a Nasa enfrenta o mesmo desafio: não saber se o orçamento que lhe vai ser outorgado pelas autoridades estatais vai sofrer cortes.

E lá têm os seus dirigentes que ir reinventar novos (velhos) argumentos para tentar convencer os políticos e o público a "gastar" dinheiro na exploração espacial. Uma tarefa tanto mais árdua numa época de crise em que a opinião pública depressa se torna susceptível nestas questões e vê com olhos críticos que o Governo gaste demasiado dinheiro em certos sectores em detrimento de outros que esta considera mais importantes.


1960-1980: Do argumento geopolítico de Kennedy ao desígnio filosófico de Carl Sagan

A autora diz que "é ao passado que temos de ir procurar os bons argumentos". Recordando que em 1962 John F. Kennedy conseguiu galvanizar um país inteiro em torno de um objectivo comum - chegar à Lua, feito histórico alcançado em apenas sete anos -, Renstrom lembra que no seu apelo o presidente norte-americano recorreu a argumentos em torno da segurança interna e do orgulho da nação face a um inimigo geopolítico e ideológico, a URSS. "A retórica política de Kennedy fez duplicar o orçamento da Nasa entre 1962 e 1963, e quadruplicar entre 1962 e 1966".

Joelle Renstrom recorda também os argumentos filosóficos que o famoso astrónomo, cosmólogo, astrofísico e astrobiólogo Carl Sagan tentou difundir nos seus trabalhos de vulgarização científica nos anos 1970 e 1980 (como por exemplo na série "Cosmos", que alcançou sucesso mundial). Sagan explanava, com um entusiasmo e um carisma que contagiaram gerações de novos cientistas, que a exploração espacial, e a ciência em geral, elevam e sublimam a Humanidade na sua essência enquanto civilização. Ao mesmo tempo apelava para que isso não nos tornasse arrogantes, antes humildes, e lembrava o lugar do nosso pequeno "ponto azul pálido" (a Terra) na imensidão vasta e incomensurável do Universo.

No entanto, lamenta Renstrom, "actualmente, até o pupilo de Sagan, Neil deGrasse Tyson [astrónomo e cosmólogo] considera que esses argumentos estão estafados, porque as massas não se interessam pelo que não dá resultados imediatos".

Renstrom lamenta ainda que hoje em dia "até os argumentos mais básicos sobre os benefícios práticos e tecnológicos que trazem a exploração e as descobertas espaciais não respondem às perguntas porque devemos investir dinheiro neste sector e porquê agora".

No seu artigo, Joelle Renstrom não o menciona, mas eu lembro que nos anos 1990, a baixa nas verbas para a Nasa, provocada, entre outros pontos, pela explosão do vaivém Challenger (em 1986), e o desmembramento da União Soviética (1991), levaram os EUA a colaborar com a Rússia na criação de uma estação orbital.

A China, Marte e "o comércio do espaço"

A autora verifica que actualmente EUA e Rússia já não são competidoras, antes colaboradoras, na exploração espacial, inclusive "a Nasa recorre às cápsulas russas Soyuz" para enviar os seus astronautas até à estação espacial internacional (ISS), que é hoje um projecto que reagrupa 16 países,

Mas há um novo jogador em campo, precisa Renstrom. "A entrada da China na corrida espacial pode reacender uma competição sã entre nações". A autora admite que um discurso ideológico à Kennedy para galvanizar os EUA "contra uma nação comunista" [como era a URSS nos anos 1960 e como é hoje a China] "é obsoleto e não funcionaria". Mas o outro argumento de Kennedy - ser primeiros e sê-lo porque podemos - pode tocar os americanos no seu orgulho de grande nação.

A China acabou de colocar um rover na Lua, tem uma estação espacial (Tiangong 3) já a orbitar (para já, não habitada) e o próximo objectivo é enviar um taikonauta (astronauta chinês) até Marte. Renstrom propõe Marte como meta para competir com a China.
Aspecto da estação espacial chinesa Tiangong 3 quando estiver terminada

Renstrom não o menciona mas também a Índia, o Brasil ou o Irão querem lançar-se na corrida espacial, mas pensa que há um argumento de peso que pode estimular o financiamento na exploração espacial nesta segunda década do século XXI: "a competição entre empresas privadas".

O "comércio do espaço" pode ter (já tem) várias vertentes. Primeiro, diz Renstrom, o turismo espacial, que "está a tornar acessível a órbita baixa da Terra a cada vez mais pessoas". Renstrom diz que conta com "a mediatização de turistas espaciais famosos", e dá o exemplo de Lady Gaga, para impulsionar o turismo espacial.

A escritora refere também o pioneirismo da Space X, a primeira companhia privada a conseguir um contrato para enviar uma nave até à ISS, o que prova que "o mercado do frete espacial tem capacidade para se desenvolver". A empresa "está a desenvolver naves tipo vaivém" e "conseguiu roubar um contrato ao foguetão europeu Ariane 5 para colocar em órbita satélites comerciais".

Hoje em dia, diz, "as empresas privadas conseguem construir naves por metade do preço da Nasa". Ou seja, a autora considera que o investimento no espaço pode impulsionar a economia americana e mundial, globalmente estagnadas, e que isso, sim, é um argumento que pode sensibilizar os políticos e o homem da rua.

Renstrom não o diz, mas acrescento eu, numa das suas conferências, Neil deGrasse Tyson afirma que a pessoa que quiser ser o primeiro trilionário do Mundo deve investir na exploração do espaço, porque é aí que se encontram inúmeros recursos, que podem valer milhões, biliões, triliões.

Renstrom evoca deGrasse Tyson mas para lembrar que o astrónomo considera que "a exploração espacial deve ser feita pelos governos, quando se trata de atingir novas fronteiras, depois disso as empresas privadas poderiam desbravar trilhos".

Espero que estes argumentos sejam suficientes para que os Estados continuem a investir no espaço.

Nos anos 1980, a Nasa previa fazer chegar o primeiro homem a Marte em 2015 e criar a primeira colónia marciana em 2045. Temos, portanto, 15 a 20 anos de atraso. Atraso provocado, entre outros precalços de agenda, pelas explosões dos vaivéns Challenger (1986) e Discovery (2002), pela crise financeira 2008-2015, que levou a Administração Obama a abandonar o programa americano "Constellation" para regressar à Lua.

Em contrapartida, o tempo de vida da ISS foi prolongado, de 2016 para 2024; Nasa, ESA, Rússia, Japão e outras nações colaboram cada vez mais; as missões Kepler, Hubble e outras têm descoberto um número exponencial de exoplanetas. Sinais que deixam adivinhar que melhores tempos estão a chegar no que concerne o investimento e o empenho da Humanidade na exploração espacial.




sábado, 2 de maio de 2015

Imagem em 3D revela pormenores nunca antes vistos dos Pilares da Criação



Com o auxílio do instrumento MUSE montado no Very Large Telescope do ESO, os astrónomos criaram a primeira imagem completa a três dimensões dos famosos Pilares da Criação na Nebulosa da Águia, ou Messier 16.

As novas observações mostram como é que os diferentes pilares de poeira deste objecto icónico estão distribuídos no espaço e revelam muitos detalhes novos - incluindo um jacto, nunca visto antes, lançado por uma estrela jovem.

A radiação intensa e os ventos estelares emitidos pelas estrelas brilhantes do enxame associado esculpiram os Pilares da Criação ao longo do tempo e deverão fazer com que estes desapareçam completamente dentro de cerca de três milhões de anos.

A imagem original dos famosos Pilares da Criação foi obtida pelo telescópio espacial Hubble da NASA/ESA há duas décadas atrás, tendo-se tornado imediatamente uma das imagens mais famosas e evocativas. Desde essa altura, estas nuvens, que se estendem ao longo de alguns anos-luz [1], têm espantado tanto cientistas como público em geral.

As estruturas salientes, assim como o enxame estelar próximo NGC 6611, fazem parte de uma região de formação estelar chamada Nebulosa da Águia, ou Messier 16.

A nebulosa e os restantes objectos associados situam-se a cerca de 7.000 anos-luz de distância da Terra, na constelação da Serpente.

Os Pilares da Criação são um exemplo típico de estruturas em forma de colunas que se desenvolvem em nuvens gigantes de gás e poeira, locais de nascimento de novas estrelas. As colunas surgem quando enormes estrelas azuis-esbranquiçadas do tipo O e B recentemente formadas emitem enormes quantidades de radiação ultravioleta e ventos estelares que sopram a matéria menos densa para longe da sua vizinhança.

As zonas de gás e poeira mais densas podem, no entanto, resistir a essa erosão por mais tempo. Por detrás de tais bolsas de poeira espessa, o material está protegido deste olhar intenso e devastador das estrelas O,B. Este “escudo” dá origem a “caudas” ou “trombas de elefante”, as quais observamos sob a forma de pilares de matéria poeirenta e que apontam em sentido contrário às estrelas brilhantes.

O instrumento MUSE do ESO montado no Very Large Telescope mostrou a evaporação constante a que estão sujeitos os Pilares da Criação com um detalhe sem precedentes, revelando a sua orientação.

O MUSE mostrou que a ponta do pilar da esquerda está virada para nós, por cima de um pilar que na realidade se situa por trás do NGC 6611, contrariamente aos outros pilares. É sobre esta ponta que incide a maior parte da radiação emitida pelas estrelas do NG 6611 e, consequentemente, parece-nos muito mais brilhante do que os pilares da esquerda em baixo, do centro e da direita, cujas pontas apontam na direcção contrária, relativamente a nós.

Os astrónomos esperam compreender melhor como é que as estrelas jovens do tipo O e B, como as que se encontram no NGC 6611, influenciam a formação das estrelas subsequentes. Estudos numerosos identificaram protoestrelas a formarem-se no interior destas nuvens - o que faz delas verdadeiros Pilares da Criação.

Este novo estudo mostra também evidências de duas estrelas em gestação nos pilares do centro e da esquerda, assim como um jacto lançado por uma estrela jovem que escapou detecção até agora. A formação de mais estrelas em meios como o dos Pilares da Criação, pressupõe a existência de uma verdadeira corrida contra o tempo, uma vez que a radiação intensa emitida pelas estrelas que já brilham continua a desfazer os pilares.

Ao medir a taxa de evaporação dos Pilares da Criação, o MUSE deu aos astrónomos uma janela de tempo para além da qual estas estruturas deixam de existir. Os pilares perdem cerca de 70 vezes a massa do Sol a cada um milhão de anos. Com base na sua massa actual, que é cerca de 200 vezes a massa solar, os Pilares da Criação terão uma duração de vida esperada de talvez mais uns três milhões de anos - um piscar de olhos no tempo cósmico. Assim, estas colunas cósmicas icónicas poderiam também aptamente chamar-se Pilares da Destruição.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lançamento da sonda europeia Solar Orbiter adiado para Outubro de 2018

O Solar Orbiter vai estudar o sol durante sete anos Imagem: ESA
O lançamento da sonda Solar Orbiter, cuja missão é estudar o vento solar e as partículas energéticas do Sol, vai ser adiado para Outubro de 2018, anunciou esta semana a Agência Espacial Europeia (ESA).

"A decisão de adiar o lançamento [inicialmente previsto para Julho de 2017] foi tomada de modo a assegurar que todos os objectivos científicos da missão sejam alcançados, sendo necessário para isso testar todas as componentes do sistema antes do envio da sonda para o local de lançamento", explicou o chefe do projecto, Philippe Kletzkine, num comunicado citado pela agência francesa AFP.

A Solar Orbiter, que será enviada para o espaço por um lançador fornecido pela NASA a partir de Cabo Canaveral, na Florida (EUA), vai demorar três anos e meio para chegar à sua órbita operacional em torno do Sol.

A sonda europeia estará mais próxima do Sol (a 43 milhões de quilómetros) do que Mercúrio está desta estrela, e vai recolher imagens e dados das regiões polares e da face do Sol que não é visível a partir da Terra.

Esta missão faz parte do programa Visão Cósmica 2015-2025 da ESA e tem uma duração prevista de sete anos, até 2025.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Portugal passa a integrar programa da Estação Espacial Internacional

Foto: NASA
Portugal vai integrar dois novos programas científicos de exploração espacial, incluindo o da Estação Espacial Internacional (ISS), disse hoje à Lusa o ministro da Educação e Ciência, que participou numa reunião da Agência Espacial Europeia, no Luxemburgo.

“Há muito boas novidades para Portugal, que mantém a sua colaboração na Agência Espacial Europeia (ESA) nos programas nos quais já participava e que adere agora a dois novos: o Programa da Estação Espacial Internacional e o Programa de Exploração Lunar”, associado ao primeiro, explicou à agência Lusa Nuno Crato, depois de participar hoje na reunião da ESA.

O ministro da Educação e Ciência sublinhou o país “lucra com a sua participação na ESA a vários níveis”, quer pelo envolvimento de cientistas portugueses no trabalho da agência espacial, “que lhes permite utilizar a tecnologia mais sofisticada”, quer pela possibilidade de desenvolvimento da tecnologia e das empresas portuguesas.

“Estarmos na Estação Espacial Internacional é muito importante para nós e é a primeira vez que estamos. O Programa de Exploração Lunar é um programa novo, em que vamos estar desde o princípio. E, portanto, as nossas empresas de ‘software’, de construção relacionadas com o espaço vão participar neste esforço e vão poder ter encomendas destes programas”, declarou Nuno Crato.

O ministro sublinhou ainda que o Programa de Exploração Lunar “é muito importante para a Europa, porque há uma grande competição nesse domínio”. Apesar de a participação em programas específicos implicar o pagamento de quotas adicionais, para além daquela que já é paga para pertencer à ESA, Nuno Crato garantiu que estas novas participações não aumentam o valor das contribuições pagas anualmente pelo país, uma vez que os valores pagos pela participação em programas mais antigos vão diminuindo à medida que vão sendo executados.

“A nossa colaboração global é sensivelmente a mesma”, disse, ressalvando ainda que é preciso ter em conta o retorno do investimento feito.

O ministro da Educação e Ciência referiu que, por cada milhão de euros investido por Portugal nestes programas, é esperado um retorno pelo menos de igual valor, “mas isso não está garantido”.

As empresas portuguesas competem para atingirem um valor de encomendas pelo menos igual àquele que foi investido, mas, “ao não conseguirem apresentar propostas que atinjam os níveis de exigência tecnológica necessária, não conseguem esses contratos”.

“Isso significa um desafio que é importante para toda a indústria portuguesa, porque não se trata de encomendas rotineiras, mas sim de alto valor de incorporação tecnológica, ou seja, desafios para a indústria portuguesa e que a obrigam a desenvolver-se”, disse. Ainda assim, Nuno Crato afirmou que tem sido possível atingir nos últimos anos “um retorno de 100%” e até mesmo ultrapassá-lo.

Luxemburgo: ESA dá luz verde para construir Ariane 6


Decorreu esta terça-feira, 2 de Dezembro, no Luxemburgo, uma reunião do Conselho Ministerial (C/M14) da Agência Espacial Europeia (ESA), onde foi dado "luz verde" à construção do foguetão Ariane 6, que deverá suceder ao actual Ariane 5, a partir de 2020.

Na reunião de hoje foram discutidas três resoluções:

1) a resolução sobre o acesso da Europa ao espaço, que reconhece para a Europa os valores estratégico e socioeconómico na manutenção do acesso independente, confiável e acessível ao espaço para clientes institucionais e comerciais e realça os novos princípios de governança relacionados com a exploração do próximo lançador europeu Ariane 6 e da evolução do Vega, Vega-C;

2) a resolução sobre a estratégia de exploração espacial da Europa, abordando os três objectivos da ESA (órbita baixa da Terra (LEO), Lua e Marte) e, em particular para o destino LEO, o programa da Estação Espacial Internacional (ISS);

3) e, por fim, a resolução sobre a evolução da ESA.

Ariane 5, um foguetão fiável com mais de 60 lançamentos bem sucedidos 

As actividades espaciais requerem acesso independente ao espaço. Por isso, a decisão sobre a próxima geração de lançadores da Europa tem uma importância fundamental.

O Ariane 5, que teve origem na Reunião Ministerial de 1985, é um caso notável de sucesso europeu: conta já com mais de 60 lançamentos bem sucedidos, assegurou mais de 50% do mercado de serviços de lançamento e gerou benefícios económicos diretos para a Europa superiores a 50 mil milhões de euros.

No entanto, o mercado mundial de serviços de lançamento está a mudar rapidamente, tanto na oferta e como na procura. Do lado da oferta, há agora novos prestadores não-europeus de serviços de lançamento com preços altamente competitivos, criando desafios ao modelo de negócio do Ariane 5. Do lado da procura, os satélites também estão a mudar.

O mercado comercial, que consiste principalmente em satélites de telecomunicações, favorece a introdução da propulsão elétrica, o que poderá acabar com a tendência das últimas décadas de aumento progressivo do volume dos satélites e vai exigir novas estratégias na colocação de satélites em órbita. Ao mesmo tempo, o lançamento de satélites institucionais europeus tem aumentado, em particular com a criação das constelações Galileu e Copérnico, o que gera um mercado bastante estável para lançamentos regulares de satélites de média dimensão.

Ariane 6, a partir de 2020

Em resposta a estas rápidas mudanças, o Executivo da ESA e a indústria de lançadores europeus definiram um lançador Ariane 6 modular com duas configurações para servir os segmentos de lançamento médio e pesado a partir de 2020, e um sistema de lançamento Vega atualizado (o Vega C) para servir o segmento do pequeno lançamento.

O Ariane 6 vai beneficiar da reutilização optimizada dos resultados intercalares (Midterm Evolution) do Ariane 5, de investimentos e da utilização de um motor de foguetão com propulsor sólido (P120C) comum à primeira fase do Vega C e ao propulsor do Ariane 6.

No Luxemburgo, foi pedido aos ministros que decidissem sobre o desenvolvimento do Ariane 6 e do Vega C os quais, por causa das suas características modulares e de flexibilidade, poderão satisfazer as exigências do mercado institucional europeu e competir no mercado mundial.

Estas decisões estão associadas a uma nova governança para o sector europeu de lançadores, criando responsabilidades acrescidas para a indústria e para os Estados participantes, que decidiram sobre a continuação do Ariane 6 em 2016 em função de um conjunto de critérios técnicos e financeiros, incluindo os compromissos respectivos na fase de exploração comercial.

O orçamento necessário dos Estados-Membros para a conclusão do Ariane 6 e do programa de desenvolvimento Vega C é de 3,8 mil milhões de euros.

Exploração espacial e a ISS 

Para o sucesso dos três objectivos de exploração da ESA (LEO, Lua, Marte), a Estação Espacial Internacional (ISS) é um elemento fundamental.

Além das actividades de investigação de valor inestimável que são realizadas a bordo da ISS, a Estação proporciona experiências muito ricas para a ESA e os para os seus parceiros internacionais que serão essenciais para planear as próximas etapas da exploração espacial.

As decisões dos ministros destinam-se a apoiar as actividades de exploração da ISS pela ESA para os próximos três anos (até 2017), com o custo de 820 milhões de euros, e a apoiar as actividades de investigação (Programa ELIPS), com financiamento adicional.

Para contribuir para os custos de operação comum da ISS e aproveitando a experiência adquirida com o ATV, a ESA está a desenvolver o novo veículo de tripulação multifunções (Multi-Purpose Crew Vehicle Service Module, MPCV-ESM) da NASA.

O financiamento para o desenvolvimento do MPCV-ESM está incluído nos 820 milhões de euros a serem financiados pelo C/M14.

Destino Lua

Em relação ao "destino Lua", a ESA propõe uma discussão preparatória sobre as contribuições para as missões da Rússia Luna-Resource Lander (lançamento previsto para 2019) e Lunar Polar Sample Return (com lançamento previsto no início dos anos 2020).

Programa ExoMars 

A decisão definitiva sobre estas contribuições será tomada na Reunião Ministerial de 2016. Em relação ao "destino Marte", o ambicioso programa ExoMars da ESA, envolvendo missões a Marte em 2016 e 2018, também está em cima da mesa para ser assinado, de modo a garantir a execução do programa ExoMars.

Além disso, o programa de preparação de exploração robótica de Marte (Mars Exploration Robotic Preparation Programme, MREP-2) é proposto para novas subscrições, para permitir a preparação adequada das futuras atividades de exploração, conduzindo a uma ampla participação na missão Mars Sample Return em que a Europa deve estar envolvida como um parceiro de pleno direito.

O futuro da ESA 

O terceiro tema na agenda dos ministros no Luxemburgo, a evolução da ESA, centrou-se no objectivo de criar condições para que a ESA mantenha o seu papel de líder mundial entre as instituições dedicadas ao espaço, e abordou as relações-chave da ESA com os seus parceiros e respectiva eficiência.

Os principais parceiros da ESA são: os seus Estados-Membros, a comunidade científica, a indústria, a União Europeia, outros Estados europeus não-membros e Estados não europeus.

Estas relações estão intrinsecamente interligadas e são impulsionadas pelo objectivo comum de criar um sector espacial europeu competitivo e assegurar o máximo retorno sobre o investimento público no espaço.

O Conselho Ministerial anterior, em 2012, decidiu criar um Fórum de Alto Nível que envolvesse a indústria, os Estados.Membros e o executivo da ESA. O Fórum reuniu-se duas vezes e fez uma série de recomendações ao diretor geral da ESA.

A mais importante foi a de pedir que seja dada maior responsabilidade à indústria nos programas de I&D da ESA, com maior partilha de riscos e de retornos. O Fórum também propôs que a ESA aumentasse a sua presença no desenvolvimento de serviços espaciais e se preparasse para ser um agente económico no sector espacial de envio de dados.

Desde 2012, foram tomadas medidas para fortalecer os relacionamentos da ESA com os seus Estados-Membros, procurando melhorar a coordenação e a cooperação nos programas espaciais na Europa, através da partilha de informações sobre os programas espaciais nacionais.

A relação da ESA com a UE, tanto na definição dos programas como no contexto em que o sector espacial europeu actua é de importância vital para a Europa. O C/M12 mandatou o director geral da ESA a elaborar e avaliar cenários conjuntos com a Comissão Europeia para responder a uma série de objectivos de desenvolvimento desse relacionamento.

Depois de intensas discussões entre as delegações dos Estados-Membros, os ministros foram convidados a confirmar a preferência dos Estados-Membros pela relação entre a ESA e a UE que mantém a ESA como uma organização do espaço intergovernamental independente de classe mundial e faz da ESA o parceiro de longo prazo escolhido pela UE para a definição e implementação da Política Espacial Europeia, juntamente com os respectivos Estados-Membros.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Portugueses lideram detecção inédita na atmosfera de Vénus

Imagem artística da sonda Venus Express e o planeta Vénus Créditos ESA-Venus Express

Uma equipa internacional, liderada por investigadores portugueses do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), realizou a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir da Terra.

Esta medição foi realizada através de observações inéditas, sincronizadas entre a sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) Venus Express e o Telescópio Canadá-France-Hawaii (CFHT), no Havai. 

Uma das razões do interesse científico actual por Vénus é compreender como, tendo-se formado na proximidade da Terra e com uma composição inicial muito semelhante, este planeta evoluiu de maneira completamente diferente.

Através de observações sincronizadas a partir de uma sonda espacial e um telescópio terrestre foi possível detetar pela primeira vez o chamado vento meridional, uma componente da circulação geral da atmosfera que nunca havia sido medida a partir da Terra.

Este estudo abre as portas à monitorização autónoma da atmosfera de Vénus e do seu clima a partir da Terra, complementando as capacidades das missões espaciais.

Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) não esconde o seu entusiasmo: “estamos muito contentes com os resultados deste trabalho. Por um lado, conseguimos a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir de observações com telescópios terrestres; por outro lado, realizámos o primeiro projecto de observações sincronizadas entre uma sonda espacial (Venus Express da Agência Espacial Europeia) e um telescópio no solo (CFHT – Havai).

Nos resultados agora publicados é notória a pertinência deste género de projetos dada a sua complementaridade e ao facto de constituir uma validação cruzada das diferentes técnicas utilizadas”.
A evolução deste projecto vai contribuir de uma forma decisiva para distinguir, entre os exoplanetas que têm sido descobertos na última década em órbita de estrelas longínquas, os que poderão ser habitáveis como a Terra e quais serão inóspitos, como Vénus.

David Luz (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) realçou ainda que “a técnica de medição de ventos utilizada (velocimetria Doppler) foi desenvolvida e aperfeiçoada pelo nosso grupo podendo vir a seu utilizada no estudo das atmosferas de outros planetas do Sistema Solar e no futuro, também, no caso dos exoplanetas”.

Para realizar as medições espaciais, a sonda Venus Express foi previamente programada para recolher imagens pormenorizadas do planeta, exatamente nos mesmos dias e horas em que os astrónomos realizavam as observações na Terra, com o auxílio do telescópio CFHT, situado no cume de Mauna Kea na maior ilha do Havai (EUA).

As imagens foram depois analisadas de forma a detectar com precisão o movimento das nuvens e medir a velocidade com que se moviam.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

NASA e ESA interessadas em desenvolver projectos científicos nos Açores

Estação da ESA na ilha de Santa Maria, nos Açores Foto: LUSA
O administrador da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) Jorge Gabriel revelou hoje que a NASA e a ESA, as agências espaciais norte-americana e europeia, estão interessadas em desenvolver projectos de natureza científica nos Açores.

“Estabelecemos um conjunto de contactos com entidades internacionais, nomeadamente com a agência americana NASA e com a Agência Espacial Europeia [ESA], que têm interesse em desenvolver programas de natureza mais científica nos Açores”, revelou.

Jorge Gabriel, que falava aos jornalistas na sequência de uma audiência da administração da FLAD com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, especificou que o objectivo é aproveitar equipamentos já existentes, designadamente na ilha de Santa Maria (alguns deles já ligados à ESA), e potenciar a posição geográfica do arquipélago em projectos de observação.

O administrador da FLAD referiu, por outro lado, que em cima da mesa está também um projecto de levantamento do lixo espacial, que põe em causa as missões espaciais.

Jorge Pereira revelou que a fundação está a trabalhar em outras iniciativas na área da ciência e tecnologia que possam potenciar o desenvolvimento económico dos Açores, como o “reforço significativo” da participação da região no programa comunitário Horizonte 2020.

“Esta acção passa por uma participação mais substancial e efectiva das empresas, câmaras de comércio e câmaras municipais, ou seja, todas as actividades que têm, de alguma forma, uma actividade económica, no sentido de permitir que muitos dos conhecimentos desenvolvidos na universidade possam justamente aportar valor económico a ser utilizado pelas empresas nos seus negócios”, explicou.

domingo, 16 de novembro de 2014

Rosetta: Crónica da primeira “acometagem”

Foto: ESA

A passada quarta-feira, dia 12 de Novembro de 2014, não foi um dia qualquer. Muito pelo contrário, acolheu um acontecimento que já está na história da ciência e logo da humanidade: o robot Filae pousou na superfície do cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

Foi a primeira vez na história da humanidade que tal foi tentado e conseguido.

Depois de ter sido transportado até à órbita do cometa a bordo da sonda Rosetta, numa viagem de 10 anos que terminou no passado dia 6 de Agosto de 2014, o pequeno Filae, autêntico laboratório científico, protagonizou o sonho de uma missão planeada à distância de 20 anos!

No dia 12, o Filae foi ejectado da sonda Rosetta às 9h03 (GMT) e percorreu cerca de 22,5 km até à superfície do cometa.

Depois de uma descida de sete horas, o sinal a confirmar o sucesso chegou à Terra às 16h03. Quão difícil foi a “acometagem”?

Tenha o seguinte em consideração: o cometa, a cerca de 511 milhões de km da Terra, estava a mover-se a mais de 15 km/s, rodopiando, expelindo gáses e dando as boas-vindas ao File com uma superfície acidentada e efectivamente desconhecida!

A lenta descida foi efectuada sem navegação activa, funcionando as leis da física, principalmente a da atracção gravítica entre o Filae e o cometa.

Contudo, a descida do Filae não correu exactamente como planeado. O cometa tem uma gravidade muito fraca: na Terra o Filae pesava 100 kg, enquanto que no cometa só pesa 10 g (cerca de um pacote de açúcar)!

A velocidade de escape ronda os 0,5 m/s (a velocidade a que um objecto se tem de mover para escapar à gravidade da Terra é igual a 11,2 km/s). O Filae aterrou ao dobro daquela velocidade, pelo que os ressaltos ocorreram.

Os dados enviados mostraram que o Filae ressaltou duas vezes! Só à terceira vez é que ele se imobilizou na superfície do cometa! O primeiro impacto fê-lo voltar para o espaço e viajar durante uma hora e 50 minutos a uma velocidade de 38 cm/s.

Depois, voltou a tocar no cometa e deu um segundo salto bem mais pequeno: voou durante sete minutos, a 3 cm/s. Sete minutos depois, finalmente, pousou no local que se vê na fotografia. O Filae não está no local desejado, designado como Agilkia.

Os cientistas ainda não sabem exactamente onde está, mas pensam ficou a 1 km do local inicialmente escolhido. Os cientistas também revelaram que uma das três pernas não está no chão. O Filae está por isso numa posição inclinada e parcialmente à sombra.

Em Agilkia esperavam-se sete horas de luz solar, a fim de recarregar a bateria secundária do Filae e assim prolongar a sua missão científica.

No local onde se encontra, o Filae recebe cerca de hora e meia de luz (a cada 12 horas), o que reduz as hipóteses de uma missão mais longa. Felizmente, a sua antena está a apontar para cima e não existiram problemas de comunicação com a Rosetta.

Foi exactamente através desta comunicação que foram enviadas as informações científicas sobre a natureza do cometa, que poderão fornecer-nos pistas sobre a constituição inicial do nosso sistema solar e eventualmente sobre a origem de algumas moléculas que se julgam terem sido necessárias para o desenvolvimento da vida na Terra.

Para já, a análise pelo Filae dos gases que são expelidos pelo cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko revela a abundância de água, monóxido e dióxido de carbono, assim como de outras moléculas mais complexas cuja identificação está a ser efectuada.

Na sexta-feira à tarde, o Filae conseguiu perfurar a superfície do cometa para analisar a composição de material menos exposto às agruras do espaço. Aguardam-se com muitas expectativas os resultados da sua análise química.

António Piedade 
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Philae já pousou no cometa "Chury"


A sonda Philae pousou com sucesso na superfície do cometa '67/P Churyumov-Gerasimenko', onde ficará durante os próximos meses para estudar aquele corpo celeste, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA). 

A sonda Philae pousou hoje com sucesso na superfície do cometa '67/P Churyumov-Gerasimenko', onde ficará durante os próximos meses para estudar aquele corpo celeste, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

A sonda pousou às 17h02 (GMT+1), segundo o centro de controlo de operações da ESA, localizado em Darmstadt, na Alemanha.

"Estamos no cometa", anunciou a agência. Os cientistas esperam que instrumentos de medição da sonda possam desvendar alguns segredos sobre a composição dos cometas.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Nasce o maior instituto de investigação em astrofísica de Portugal

As duas maiores instituições portuguesas de investigação em astrofísica - o Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) e o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) - anunciaram a 29 de Outubro a sua fusão, dando origem ao Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

Este é um passo fundamental na consolidação da investigação científica, formação e divulgação de astronomia e astrofísica em Portugal, e no reforço da participação nacional nos grandes projetos internacionais na área das ciências do espaço.

José Afonso (IA e Universidade de Lisboa), coordenador do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) e do recém-formado IA comenta: “O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço representa o culminar de uma colaboração de vários anos entre as duas instituições de referência na área em Portugal.”

Já para o director do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), Pedro Avelino (IA e Universidade do Porto), “este passo tornará ainda mais robusta a investigação nacional na área das ciências do espaço, a área de investigação em que Portugal tem maior impacto internacional.”

As actividades do IA estão estruturadas em torno de três grandes grupos de investigação – Origem e Evolução de Estrelas e Planetas ; Galáxias, Cosmologia, e a Evolução do Universo e ainda Instrumentação e Sistemas.

A participação dos investigadores do IA, em alguns dos maiores projectos internacionais nestas áreas de vanguarda, tornará ainda mais importante o papel de Portugal junto das grandes instituições europeias, como a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Observatório Europeu do Sul (ESO).

Por sua vez, a participação no desenvolvimento de tecnologias de ponta para a observação astronómica, no contexto dessas instituições internacionais, reforçará a colaboração já existente entre o IA e a indústria nacional.

O novo instituto tem também uma forte componente de divulgação científica na área das ciências do espaço, com um vasto leque de actividades dirigidas tanto às escolas como ao público em geral, centradas essencialmente no Planetário do Porto – Centro Ciência Viva e no Observatório Astronómico de Lisboa.

O IA integra ainda a rede de parceiros oficiais de divulgação do ESO, uma parceria exclusiva de instituições que colaboram regularmente com o ESO, em eventos e em projectos de divulgação ou educação informal.

Com o anúncio da criação do IA, é também lançada a iniciativa 30 dias IA. Ao longo do mês de
Novembro, será publicada nas suas redes sociais, informação diária sobre o novo instituto e o seu papel científico e tecnológico, tanto a nível nacional como internacional.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nasa lança concurso de ideias para explorar uma lua de Júpiter, Europa

Europa Foto: Nasa/Galileo
Depois da detecção de geisers de água de 200 km de altura na superfície de uma lua de Júpiter, Europa, que pode também ter um oceano sob uma camada de gelo, os cientistas relançaram o seu interesse em conhecer melhor aquele astro.

A agência espacial europeia ESA vai enviar a sonda Juice nos anos 2030, mas a Nasa prevê uma missão antes disso.

A missão até já tem nome: Missão Clipper. O que falta são ideias para que a missão seja financeiramente possível. O concurso de ideias destina-se à comunidade de cientistas e de engenheiros aeroespaciais, que deverão ter em conta alguns critérios: o orçamento da missão não pode ultrapassar mil milhões de dólares, sem contar o custo do lançador, e deverá responder ao maior número de prioridades científicas (recomendadas pelo relatório 2011 sobre exploração robótica do sistema solar, elaborado pela administração norte-americana).

"Fora da Terra, [a lua] Europa é o lugar do nosso sistema solar com a maior probabilidade de encontrar vida, e deveríamos explorá-la", tinha já afirmado Robert Pappalardo, cientista responsável do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da agência espacial americana Nasa, em Fevereiro de 2013.

"Europa é coberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano (líquido sob o gelo) em contacto com rochas no fundo, é geologicamente activa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida", explicou na altura.

A missão Clipper substituiu um anterior projecto para explorar Europa considerado demasiado dispendioso. Clipper tem custos de 2 mil milhões de dólares, mas ainda assim este orçamento revelou-se demasiado alto para a Nasa, devido aos cortes orçamentais que a agência espacial americana sofreu.

A missão Clipper prevê colocar uma na órbita de Júpiter e realizar vários vôos de aproximação à lua, seguindo o exemplo da sonda Cassini, em Titan, uma lua de Saturno.

Se for aprovado, a missão "Clipper" pode ser lançada em 2021 e demoraria de três a seis anos para chegar à lua Europa.

Novo robot da Nasa em Marte em 2020

Em comparação, são necessários apenas seis meses para se chegar a Marte. Apesar dos cortes orçamentais, a Nasa vai enviar um novo robot para Marte em 2020, seguindo o exemplo do Curiosity, projecto orçado em 2,5 mil milhões de dólares. Tendo chegado ao planeta vermelho em Agosto de 2012, o Curiosity tem como objectivo determinar se Marte pode ter desenvolvido alguma forma de vida.

De acordo com os projectos actuais de exploração robótica da Nasa, os Estados Unidos não deverão voltar a enviar sondas à parte mais longínqua do sistema solar após a chegada da sonda Juno à órbita de Júpiter em 2016, programada para se despenhar no planeta um ano mais tarde.

Por outro lado, a Nasa pode participar na missão da ESA a Júpiter e às suas luas, baptizada de "Jupiter Icy Moon Explorer" (JUICE), com previsão de chegada para 2030.

Enceladus pode também abrigar vida
Enceladus Foto: Nasa/Cassini


"Uma das perguntas fundamentais é saber se existe vida fora do sistema solar", disse ainda Pappalardo.

Enquanto Marte pode ter sido habitada há milhões de anos, Europa pode ser propícia à vida neste momento, insistiu o cientista.

"Se Europa é o melhor lugar do sistema solar para abrigar vida depois da Terra, Enceladus, uma lua de Saturno, também tem essa possibilidade", salientou, nessa mesma ocasião, Amanda Hendrix, do Instituto de ciência planetária de Tucson.

Enceladus conta com "um mar e um oceano de água líquida sob uma camada de gelo e é geologicamente activa com uma fonte de calor no pólo sul, além de um géiser que emite partículas de água", explicou Hendrix. Europa foi observada de perto pela primeira vez pelas sondas americanas Voyager em 1979 e Galileo nos anos 1990.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Indústria espacial europeia assinala 50 anos em 2014

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979 Imagem: ESA
Este ano, a indústria espacial da Europa celebra 50 anos de foguetões, de ciência e de satélites. Meio século de descobertas e de peripécias.

Esta indústria está por toda a parte, na navegação ou nas telecomunicações, mas na Europa os últimos 50 anos de espaço têm sido uma montanha-russa.

Os primeiros passos da Europa no espaço aconteceram no início da década de 1960 - no calor da Guerra Fria. O mundo começou a voltar as atenções para o espaço.

O Sputnik tinha enviado o primeiro sinal e havia uma competição constante entre os Estados Unidos e a União Soviética. O historiador John Krige recorda essa época: "O mundo era um lugar extremamente frágil e perigoso. A rivalidade das super potências teve provavelmente o seu auge na década de 1960, na crise dos mísseis em Cuba, quando eu era jovem... Pensei que seria o fim do mundo e creio que muitas pessoas também pensaram."

O italiano Eduardo Amaldi e o francês Pierre Auger - dois físicos europeus entraram neste clima de tensão. Acreditavam fervorosamente que os foguetões e os satélites deviam ser utilizados a favor da ciência e não dos conflitos.

Roger-Maurice Bonnet, o antigo director científico da ESA acrescenta: "Os países que construíram a indústria espacial da Europa foram aqueles que 20 anos antes estavam em guerra, uma guerra terrível. Estes países europeus que tinham estado em guerra reuniram-se e decidiram usar uma linguagem que os afastava do conflito - a linguagem da ciência."

Sob a liderança de Amaldi e de Auger, a Europa deu dois passos gigantes, fundando duas organizações espaciais: uma para foguetões, denominada ELDO e outra para a ciência, a ESRO.

Nos primeiros anos o orçamento era limitado, com tensões entre parceiros como o Reino Unido e França. Esta obrigação de financiar a ciência dentro da nova Agência Espacial Europeia (ESA) foi vista como um golpe de mestre, já que impulsionou o sector da investigação. Mas a Europa ainda precisava do seu próprio foguetão.

"Os alemães eram contra o desenvolvimento do Ariane e os britânicos eram extremamente hostis. Foi preciso os franceses dizerem para avançar. Foi francamente graças ao Gaulismo francês e a uma suposta motivação dos Estados Unidos que os franceses seguiram em frente. Foi, sem dúvida, o maior sucesso de todos os esforços espaciais europeus", completa John Krige.

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979. Embora possa ter sido projectado com o sector das telecomunicações em expansão em mente, também entrou em órbita em missões científicas. Um dos primeiros destaques foi o vôo da sonda Giotto com o cometa Halley em 1986.

Uma década depois, em 1996 houve um ponto baixo na odisseia no espaço europeia. O novo Ariane 5 fez o primeiro vôo de sempre levando os preciosos satélites científicos a bordo. Quarenta segundos depois explodiu em pleno ar. Roger-Maurice Bonnet nunca vai esquecer este dia: "Estes gigantes, os gestores de projeto, grandes homens, verdadeiros chefes a chorar num pequeno hangar atrás da estação controle do foguetão... Jurei que iria relançar a missão Cluster e foi isso que fizemos."

O Cluster ainda está activo e em 2005 a ESA, em conjunto com a Nasa, fez aterrar a sonda Huygens na superfície da lua de Saturno. Foi um novo marco na ciência. Conseguir financiamento foi sempre uma luta. Em todas as negociações está presente o princípio do retorno justo da ESA: o que um país investe recebe de volta em postos de trabalho. A odisseia no espaço da Europa dura há 50 anos e continua com satélites em órbita e com sondas na vanguarda do conhecimento.

Fonte: ESA

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Astronautas em testes no Havai... como se fosse em Marte

Foto: ESA
Testar equipamentos, procedimentos e até a resiliência humana para futuras missões a planetas distantes exige criatividade.

Astronautas voluntários podem passar algum tempo em câmaras hiperbáricas, naves que fazem montanhas russas, em bases isoladas na Antártida, grutas ou falsas naves espaciais ou ainda ficar na cama, dependendo do que se quer testar ou ensaiar.

Na imagem supra, a cientista Lucie Poulet do Centro Aeroespacial Alemão DLR participa na simulação de uma missão a Marte, dirigida pela Universidade do Havai, em Manoa, nos Estados Unidos.

Tudo foi pensado para a tripulação se sentir longe de casa. No pequeno habitáculo onde vivem é permitido apenas 12 minutos debaixo do duche, por semana, nada de comida fresca e a comunicação com amigos e família está muito limitada – é provocado um atraso de 20 minutos nas comunicações, como aconteceria numa viagem real a Marte, por exemplo.

As agências espaciais recorrem a simulações como esta, a Hawaii Space Exploration Analogue and Simulation, promovida pela NASA para avaliar como reagem as pessoas quando são enviadas para ambientes de stress intenso.

No espaço, a ajuda está muito longe, a luz solar é irregular, praticar exercício é difícil e a vida social está limitada.

A tripulação que se encontra no Havai "regressa" à Terra a 28 de Julho. Durante os seus quatro meses de isolamento, a equipa irá investigar novos sistemas de iluminação para fazer crescer plantas em estufas.

No final deste ano, os astronautas da ESA Thomas Pesquet e Andreas Mogensen irão juntar-se a uma simulação de duas semanas debaixo de água, promovida pela NASA, na costa da Florida, para testar novos equipamentos para missões espaciais futuras.

Fonte: ESA

domingo, 30 de março de 2014

DD - Documentários ao Domingo: O que nos falta para viajar até outras estrelas?

Viajar até outros sistemas estelares é um dos sonhos de alguns homens desde as primeiras histórias que evocavam outros mundos, textos escritos por clarividentes autores gregos e romanos, quando a maior parte da Humanidade ainda nem suspeitava da existência de outros planetas.

Do sonho à realidade

Esse sonho foi alimentado pela literatura de ficção e posteriomente a de ficção-científica. A palavra foi inventada nos anos 1920 pelo americano de origem luxemburguesa Hugo Gernsback, editor da revista Amazing Stories, e que na sua publicação deu a sua primeira oportunidade a jovens autores como H. P Lovecraft, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Robert A. Heinlein, entre muitos outros.

Mas em 1961, depois do russo Yuri Gagarine se ter tornado o primeiro ser humano a viajar no espaço e de a corrida espacial ter realmente começado como um despique entre Estados Unidos e URSS, esse sonho transformou-se num objectivo.

Onde já chegámos 

Hoje, mais de 50 anos depois, apenas um círculo restrito de 600 seres humanos viajaram até ao espaço.

A nível internacional poucos países investem em agências espaciais nacionais, e destas apenas quatro puseram homens no espaço: a agência norte-americana Nasa, a agência russa Roskosmos, a agência europeia ESA e a chinesa CNSA.

O lugar mais longíquo até onde o Homem chegou foi a Lua, o nosso próprio satélite.

Onde queremos chegar 

O planeta mais próximo do nosso, Vénus, é um destino que não está, para já, no nosso itinerário de viagens tripuladas por ser um mundo mergulhado em chamas perpétuas e por isso inóspito ao Homem.

Marte, o segundo mais próximo, parece mais acolhedor. Com uma atmosfera 150 vezes menos densa que a da Terra, para aí viver o Homem terá que criar habitats próprios.

O que falta

Mas o que nos falta técnica, tecnologica e financeiramente para tornarmos as viagens interestelares uma realidade?

Melhor do que dissertar sobre a falta de interesse de potenciais investidores, dos limites das tecnologias actualmente existentes ou das que estão neste momento a ser inventadas e que nos permitiriam alcançar esse objectivo num futuro próximo, pensámos que apresentar-vos um documentário do canal National Geographic seria mais interessante e esclarecedor.

Partindo de uma premissa fictícia - que a Terra tem que ser evacuada dentro de 75 anos, ameaçada por um pulsar - a equipa do canal National Geographic entrevista físicos, astrónomos e engenheiros espaciais e explora as possibilidades reais, a curto e médio prazo, de viajarmos para fora do nosso planeta se realmente o tivéssemos que fazer.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sonda europeia Rosetta acordou hoje ao fim de 31 meses de hibernação

Foto: ESA
A sonda Rosetta, lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) há 10 anos para ir ao encontro do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, acordou hoje e está operacional, ao fim de 31 meses de hibernação, anunciou a ESA.

"Olá, mundo!" escreveu a agência europeia no Twitter, a imitar o sinal enviado do espaço pela sonda, enquanto um vídeo colocado na internet mostrou os cientistas a festejar no centro de controlo da missão em Darmstadt, Alemanha, quando receberam sinal da sonda.

A Rosetta está a perseguir o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e quando o alcançar torna-se a primeira missão espacial e encontrar-se com um, a primeira a tentar aterrar na superfície de um cometa e a primeira a seguir um cometa quando este der a volta ao Sol, escreve a ESA em comunicado.

Desde que foi lançada em 2004, a Rosetta fez três aproximações à Terra e uma a Marte para ajudá-la a preparar o caminho com destino ao 67P/Churyumov-Gerasimenko, tendo encontrado os asteroides Steins e Lutetia pelo caminho.

Em Junho de 2011, a sonda, que funciona a energia solar, foi colocada em hibernação, já que se encontrava a cerca de 800 milhões de quilómetros do Sol, o que era demasiado longe para captar energia solar suficiente. Agora, a "apenas" 673 milhões de quilómetros do Sol, a sonda já tem energia suficiente para funcionar a 100%, pelo que o seu "despertador" interno a acordou hoje, quando se encontra a nove milhões de quilómetros do cometa que persegue, escreve a agência europeia.

Após aquecer os seus instrumentos de navegação, sair de uma rotação estabilizadora e acertar a sua antena principal com a Terra, a Rosetta enviou um sinal, que foi recebido na estação Goldstone da NASA na Califórnia às 19h18 (hora do Luxemburgo), durante a primeira janela de oportunidade que a sonda teve para comunicar com a Terra.

O sinal foi imediatamente confirmado pelo centro de operações da ESA em Darmstadt e a notícia divulgada através da conta @ESA_Rosetta, no Twitter. “Temos o nosso caça-cometas de volta", disse Alvaro Giménez, diretor de Ciência e Exploração Robótica da ESA, citado no comunicado da agência. “Com a Rosetta, vamos levar a exploração de cometas a um novo nível", acrescentou.

Rosetta deverá ajudar a responder a muitas perguntas

Os cometas são considerados os elementos primordiais do sistema solar e pensa-se que tenham ajudado a colocar água na Terra e talvez até os ingredientes da vida, mas muitas questões fundamentais sobre estes enigmáticos objetos permanecem um mistério. Com a Rosetta, os cientistas esperam responder a muitas dessas perguntas. "Todas as outras missões com cometas foram aproximações, com a captura de momentos fugidios na vida destas arcas do tesouro geladas", disse Matt Taylor, cientista no projeto Rosetta, da ESA. Com a Rosetta, acrescentou, será possível "seguir a evolução de um cometa numa base diária e durante um ano, o que dará uma visão única sobre o seu comportamento e, em última análise, poderá ajudar a decifrar o seu papel na formação do Sistema Solar".

Para já, a sonda será sujeita a verificações essenciais aos seus elementos, mas no próximo mês de Maio esperam-se as primeiras imagens do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, embora nessa altura a sonda esteja ainda a dois milhões de quilómetros do alvo.

Rosetta encontra-se em Agosto de 2014 com o cometa

No final de Maio, o aparelho fará uma manobra fundamental para se alinhar com o local onde, em Agosto, se encontrará com o cometa.

A sonda Rosetta, que se assemelha a uma grande caixa negra, pesa três toneladas e está equipada com duas placas solares que podem rodar 180 graus, para conseguir captar a máxima energia.

A missão Rosetta custa mil milhões de euros.

(Um vídeo sobre a missão da sonda Rosetta)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sonda europeia GAIA vai desenhar mapa 3D da Via Láctea

A sonda espacial Gaia, o mais complexo telescópio construído na Europa pela Agência Espacial Europeia (ESA), chegou no dia 8 de Janeiro ao chamado ponto "L2" (Lagrange 2), a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, de onde vai capturar imagens para cartografar a Via Láctea em três dimensões.

O engenho da ESA foi lançado a 19 de Dezembro, a bordo de num foguetão russo Soyuz, desde o Centro Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa.

A sonda Gaia, que deverá permitir desenhar um mapa de mil milhões de estrelas, fez uma "manobra crítica" para colocar-se num dos pontos de Lagrange, os lugares do sistema solar onde um objecto pode manter-se em órbita estacionária em relação à Terra e ao Sol, explica a ESA em comunicado.

O que é a sonda Gaia? (veja o vídeo)