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sexta-feira, 30 de outubro de 2015
ESA: Detectado pela primeira vez oxigénio num cometa - "Churi"
Moléculas de oxigénio foram detectadas pela primeira vez num cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko, uma descoberta que surpreendeu os cientistas e pode rever os modelos sobre a formação do Sistema Solar, divulgou esta semana a agência espacial europeia ESA.
"Não estávamos propriamente à espera de encontrar oxigénio no cometa - e em tamanha abundância - porque o oxigénio é tão quimicamente reactivo. Logo, foi totalmente uma surpresa", afirmou, citada num comunicado da ESA, a investigadora Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna, na Suíça, que está envolvida na missão da sonda europeia Rosetta, que estuda o cometa 67P.
Segundo a cientista, a descoberta sugere que as moléculas de oxigénio podem ter sido incorporadas no cometa, durante a sua formação, o que "não é facilmente explicado pelos actuais modelos de formação do Sistema Solar".
Os resultados da investigação foram publicados na revista Nature e revelam que o oxigénio molecular encontrado na atmosfera (coma ou cabeleira) do cometa poderá ser mais antigo do que o Sistema Solar, que data de há mais de quatro mil milhões de anos.
Em declarações à agência AFP, o co-autor do estudo André Bieler, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, admitiu que será talvez necessário "mudar os modelos atuais sobre a formação do Sistema Solar", uma vez que "não prevêem a presença de oxigénio molecular num cometa".
Trata-se da primeira vez que é detectado oxigénio molecular num cometa. A presença deste gás já tinha sido confirmada noutros corpos celestes gelados, como as luas de Júpiter e de Saturno.
O espectrómetro Rosina, um dos instrumentos-chave da sonda Rosetta, fez medições do gás entre Setembro de 2014 e Março de 2015, quando o cometa 67P se aproximava do Sol. Rosina encontrou cerca de 4% de oxigénio molecular (em relação ao vapor de água) no coma do cometa, com a taxa a manter-se estável ao fim de meses. O oxigénio é o quarto gás mais significativo no 67P, depois do vapor de água, do monóxido de carbono e do dióxido de carbono.
Para os cientistas, tal não significa que há vida no cometa. Porém, acreditam que os cometas transportaram elementos essenciais à vida para a Terra, durante a sua formação. Apesar de o oxigénio ser o terceiro elemento mais abundante no Universo, a sua versão molecular é difícil de detectar, mesmo nas nuvens de gás e poeira onde nascem as estrelas, pois o oxigénio é bastante reactivo, "parte-se" para se unir a outros átomos e moléculas (ao combinar-se com átomos de hidrogénio, forma a água, por exemplo).
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Cientistas japoneses demonstram em laboratório que cometas podem estar na origem da vida na Terra
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| O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (ou simplesmente 'Churi') Foto: ESA |
Os cientistas, que apresentam esta quarta-feira os resultados da sua pesquisa durante a conferência de geoquímica Goldschmidt2015, em Praga, compilaram uma lista de substâncias para reproduzir a reacção em laboratório.
Os cientistas misturaram aminoácidos, gelo e substâncias silicatadas a temperaturas de 196 Celsius negativos, uma mistura presente nos cometas, como constataram as últimas missões espaciais.
Depois, os cientistas adicionaram um gás propulsor para simular o efeito de uma colisão do cometa com a Terra, o que fez com que alguns dos aminoácidos se transformassem em peptídeos de cadeia curta, moléculas complexas frequentemente consideradas fundamentais para o desenvolvimento da vida.
"As nossas experiências mostraram que o frio existente nos cometas teve um impacto decisivo nesta síntese", destaca, em comunicado, Haruna Sugahara, da Agência Japonesa para a Ciência.
"A produção de peptídeos de cadeia curta é uma das etapas decisivas na evolução química das moléculas. Uma vez iniciado o processo, vai ser necessário muito menos energia para formar as cadeias de peptídeos mais longas seja num ambiente terrestre ou aquático", pode ainda ler-se no comunicado.
Sugahara destaca aind que os impactos dos cometas, que costumam estar associados a eventos de extinção em massa, provavelmente também deram um 'empurrãozinho' na formação da vida. Um processo similar pode ter-se produzido noutros locais do Universo.
Os resultados da investigação de Haruna Sugahara e Koichi Mimura, da Universidade de Nagoia, ainda não foram publicados, mas segundo Mark Burchell, da Universidade de Kent, "constituem um passo em frente importante no estudo sobre a origem das moléculas complexas no Universo".
A missão da sonda europeia Rosetta, que acompanhou o cometa 67P/Churiumov-Guerasimenko, confirmou que o corpo celeste era rico em matéria orgânica.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Encontradas duas famílias de cometas em torno da estrela Beta Pictoris
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| Impressão artística de exocometas em torno de Beta Pictoris Fonte: ESO |
O instrumento HARPS em operação no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foi utilizado no censo mais completo feito até à data de cometas em torno de outra estrela.
Uma equipa de astrónomos franceses estudou quase 500 cometas individuais que orbitam a estrela Beta Pictoris e descobriram que estes objetos pertencem a duas famílias distintas de exocometas: exocometas velhos que fizeram já várias passagens próximo da estrela e exocometas mais jovens que se formaram provavelmente da recente destruição de um ou mais objectos maiores.
Os novos resultados serão publicados na revista Nature a 23 de Outubro de 2014.
A Beta Pictoris é uma estrela jovem situada a cerca de 63 anos-luz de distância do Sol. Tem apenas 20 milhões de anos de idade e encontra-se rodeada por um disco de material enorme - um sistema planetário jovem muito ativo onde o gás e a poeira são produzidos tanto pela evaporação de cometas como pela colisão de asteróides.
Flavien Kiefer (IAP/CNRS/UPMC), autor principal do novo estudo explica: ”A Beta Pictorias é um alvo muito interessante! Observações detalhadas dos seus exocometas fornecem pistas que nos ajudam a compreender que processos ocorrem neste tipo de sistemas planetários jovens.”
Durante quase 30 anos os astrónomos observaram variações subtis na radiação emitida pela Beta Pictoris, que se pensava serem causadas pela passagem de cometas em frente da própria estrela. Os cometas são corpos pequenos - com alguns quilómetros de tamanho - ricos em gelos que se evaporam quando o corpo se aproxima da estrela, produzindo enormes caudas de gás e poeira, que podem absorver alguma da radiação que passa através delas.
A fraca luz emitida pelos exocometas é ofuscada pela radiação da estrela brilhante e por isso não se conseguem obter imagens diretas destes objetos a partir da Terra. Para estudar os exocometas da Beta Pictoris, a equipa analisou mais de 1000 observações obtidas entre 2003 e 2011 com o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile.
Os investigadores seleccionaram uma amostra de 493 exocometas diferentes. Alguns exocometas foram observadas por diversas vezes e durante algumas horas. Uma análise detalhada permitiu obter medições da velocidade e tamanho das nuvens de gás. Foram também deduzidas algumas das propriedades orbitais de cada um dos cometas, como a forma e orientação da órbita e a distância à estrela. Este tipo de análise efectuada em várias centenas de exocometas pertencentes a um único sistema exoplanetário é única.
O trabalho revelou a presença de dois tipos distintos de famílias de exocometas: uma família de exocometas cujas órbitas são controladas por um planeta de grande massa [1] e outra família, provavelmente originada pela destruição recente de um ou mais objetos maiores. Diferentes famílias de cometas existem igualmente no Sistema Solar.
Os exocometas da primeira família apresentam uma variedade de órbitas e mostram atividade relativamente fraca com baixas taxas de produção de gás e poeira, o que sugere que estes cometas gastaram já o seu conteúdo em gelo durante múltiplas passagens perto da Beta Pictoris.
Os exocometas da segunda família encontram-se muito mais ativos e deslocam-se em órbitas quase idênticas, o que sugere que os membros desta família têm todos a mesma origem: provavelmente a destruição de um objeto maior cujos fragmentos se encontram numa órbita rasante da estrela Beta Pictoris.
Flavien Kiefer conclui: “Esta é a primeira vez que um estudo estatístico determina a física e órbitas de um grande número de exocometas. Este trabalho dá-nos um olhar fantástico sobre os mecanismos que estavam presentes no Sistema Solar logo após a sua formação, há cerca de 4,5 mil milhões de anos atrás.”
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Cometa passa perto de Marte
Um cometa do tamanho de uma pequena montanha passou bem perto
de Marte neste domingo, um encontro que acontece uma vez a cada um milhão de
anos.
O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto mais próximo de Marte às 18h27 GMT (+1h no Luxemburgo) deste domingo, passando pelo planeta vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h e a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.
Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. "É uma óptima oportunidade", adiantou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte.
O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring, em Janeiro de 2013. Acredita-se que o corpo tenha tido a sua origem há biliões de anos, na Nuvem de Oort, uma região que envolve o nosso sistema solar e de onde partem cometas que "permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar", segundo a Nasa.
O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira passagem por Marte, e só regressa para uma nova visita ao planeta vermelho dentro de um milhão de anos, assim que completar uma volta em torno do Sol.
Antes de o cometa entrar na órbita marciana, a Nasa reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven, para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.
O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto mais próximo de Marte às 18h27 GMT (+1h no Luxemburgo) deste domingo, passando pelo planeta vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h e a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.
Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. "É uma óptima oportunidade", adiantou Nick Schneider, da missão da sonda Maven em Marte.
O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano Siding Spring, em Janeiro de 2013. Acredita-se que o corpo tenha tido a sua origem há biliões de anos, na Nuvem de Oort, uma região que envolve o nosso sistema solar e de onde partem cometas que "permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar", segundo a Nasa.
O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira passagem por Marte, e só regressa para uma nova visita ao planeta vermelho dentro de um milhão de anos, assim que completar uma volta em torno do Sol.
Antes de o cometa entrar na órbita marciana, a Nasa reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven, para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Sonda europeia Rosetta acordou hoje ao fim de 31 meses de hibernação
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| Foto: ESA |
"Olá, mundo!" escreveu a agência europeia no Twitter, a imitar o sinal enviado do espaço pela sonda, enquanto um vídeo colocado na internet mostrou os cientistas a festejar no centro de controlo da missão em Darmstadt, Alemanha, quando receberam sinal da sonda.
A Rosetta está a perseguir o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e quando o alcançar torna-se a primeira missão espacial e encontrar-se com um, a primeira a tentar aterrar na superfície de um cometa e a primeira a seguir um cometa quando este der a volta ao Sol, escreve a ESA em comunicado.
Desde que foi lançada em 2004, a Rosetta fez três aproximações à Terra e uma a Marte para ajudá-la a preparar o caminho com destino ao 67P/Churyumov-Gerasimenko, tendo encontrado os asteroides Steins e Lutetia pelo caminho.
Em Junho de 2011, a sonda, que funciona a energia solar, foi colocada em hibernação, já que se encontrava a cerca de 800 milhões de quilómetros do Sol, o que era demasiado longe para captar energia solar suficiente. Agora, a "apenas" 673 milhões de quilómetros do Sol, a sonda já tem energia suficiente para funcionar a 100%, pelo que o seu "despertador" interno a acordou hoje, quando se encontra a nove milhões de quilómetros do cometa que persegue, escreve a agência europeia.
Após aquecer os seus instrumentos de navegação, sair de uma rotação estabilizadora e acertar a sua antena principal com a Terra, a Rosetta enviou um sinal, que foi recebido na estação Goldstone da NASA na Califórnia às 19h18 (hora do Luxemburgo), durante a primeira janela de oportunidade que a sonda teve para comunicar com a Terra.
O sinal foi imediatamente confirmado pelo centro de operações da ESA em Darmstadt e a notícia divulgada através da conta @ESA_Rosetta, no Twitter. “Temos o nosso caça-cometas de volta", disse Alvaro Giménez, diretor de Ciência e Exploração Robótica da ESA, citado no comunicado da agência. “Com a Rosetta, vamos levar a exploração de cometas a um novo nível", acrescentou.
Rosetta deverá ajudar a responder a muitas perguntas
Os cometas são considerados os elementos primordiais do sistema solar e pensa-se que tenham ajudado a colocar água na Terra e talvez até os ingredientes da vida, mas muitas questões fundamentais sobre estes enigmáticos objetos permanecem um mistério. Com a Rosetta, os cientistas esperam responder a muitas dessas perguntas. "Todas as outras missões com cometas foram aproximações, com a captura de momentos fugidios na vida destas arcas do tesouro geladas", disse Matt Taylor, cientista no projeto Rosetta, da ESA. Com a Rosetta, acrescentou, será possível "seguir a evolução de um cometa numa base diária e durante um ano, o que dará uma visão única sobre o seu comportamento e, em última análise, poderá ajudar a decifrar o seu papel na formação do Sistema Solar".
Para já, a sonda será sujeita a verificações essenciais aos seus elementos, mas no próximo mês de Maio esperam-se as primeiras imagens do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, embora nessa altura a sonda esteja ainda a dois milhões de quilómetros do alvo.
Rosetta encontra-se em Agosto de 2014 com o cometa
No final de Maio, o aparelho fará uma manobra fundamental para se alinhar com o local onde, em Agosto, se encontrará com o cometa.
A sonda Rosetta, que se assemelha a uma grande caixa negra, pesa três toneladas e está equipada com duas placas solares que podem rodar 180 graus, para conseguir captar a máxima energia.
A missão Rosetta custa mil milhões de euros.
(Um vídeo sobre a missão da sonda Rosetta)
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Cientistas perderam de vista cometa Ison: está oculto ou foi derretido pelo Sol?
O cometa Ison aparentemente não resistiu à provação de passar perto do Sol, concluíram na quinta-feira à noite os astrónomos que observavam o fenómeno após examinar imagens transmitidas por vários satélites de observação solar.
"Parece que o cometa ISON provavelmente não sobreviveu ao seu périplo", concluiu Karl Battams, cometólogo do Laboratório de Pesquisa Naval de Washington, durante a mesa-redonda organizada pela TV da Nasa ontem à noite.
"Acabo de ver as últimas imagens de satélite e não vejo nada a sair por detrás do disco solar; este poderia ser o golpe final", acrescentou o cientista deixando entender que o Sol terá derretido o enorme bloco de gelo espacial.
O mesmo concluiu Phil Plait, astrónomo editor do site "Bad Astronomy". "Não acredito que o cometa tenha sobrevivido", afirmou. O cometa "Ison parece ter desaparecido, ter-se desintegrado nas últimas horas", continuou Dean Pesnell, um físico solar, encarregado científico do "Solar Dynamics Observatory" ou SDO, um satélite da Nasa para observar o Sol.
"Não vemos nada e tanto o SDO quanto o SOHO (Observatório Solar e Heliosférico) são muito bons detectores de cometas", insistiu. O SOHO é uma iniciativa conjunta da Nasa e da ESA, a agência espacial europeia.
Estava previsto que Ison, um bloco de gelo e pedra espacial proveniente da Nuvem de Oort (zona que faz fronteira entre o espaço intersideral e o nosso sistema solar), se aproximaria até 1,17 milhão de quilômetros da superfície solar na quinta-feira à noite (hora de Paris), enfrentando temperaturas de 2.700 graus e perdendo três milhões de toneladas por segundo. Aparentemente, o cometa volatilizou-se, derretido pelo Sol, antes de chegar a esta zona. A maior parte dos cientistas tinham previsto que Ison não sobreviveria a esta aproximação com o Sol.
"Acredito que talvez tenha 30% de chances de fazê-lo", tinha prognosticado Carey Lisse, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins.
O Ison é/era "como uma bola de neve perdida", explicou, e "talvez a metade ou a terça parte é água, portanto é/era bastante frágil". Também é/era menor do que a maioria dos cometas, com 1,2 km de diâmetro.
Este artigo foi igualmente publicado no site wort.lu/pt
"Parece que o cometa ISON provavelmente não sobreviveu ao seu périplo", concluiu Karl Battams, cometólogo do Laboratório de Pesquisa Naval de Washington, durante a mesa-redonda organizada pela TV da Nasa ontem à noite.
"Acabo de ver as últimas imagens de satélite e não vejo nada a sair por detrás do disco solar; este poderia ser o golpe final", acrescentou o cientista deixando entender que o Sol terá derretido o enorme bloco de gelo espacial.
O mesmo concluiu Phil Plait, astrónomo editor do site "Bad Astronomy". "Não acredito que o cometa tenha sobrevivido", afirmou. O cometa "Ison parece ter desaparecido, ter-se desintegrado nas últimas horas", continuou Dean Pesnell, um físico solar, encarregado científico do "Solar Dynamics Observatory" ou SDO, um satélite da Nasa para observar o Sol.
"Não vemos nada e tanto o SDO quanto o SOHO (Observatório Solar e Heliosférico) são muito bons detectores de cometas", insistiu. O SOHO é uma iniciativa conjunta da Nasa e da ESA, a agência espacial europeia.
Estava previsto que Ison, um bloco de gelo e pedra espacial proveniente da Nuvem de Oort (zona que faz fronteira entre o espaço intersideral e o nosso sistema solar), se aproximaria até 1,17 milhão de quilômetros da superfície solar na quinta-feira à noite (hora de Paris), enfrentando temperaturas de 2.700 graus e perdendo três milhões de toneladas por segundo. Aparentemente, o cometa volatilizou-se, derretido pelo Sol, antes de chegar a esta zona. A maior parte dos cientistas tinham previsto que Ison não sobreviveria a esta aproximação com o Sol.
"Acredito que talvez tenha 30% de chances de fazê-lo", tinha prognosticado Carey Lisse, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins.
O Ison é/era "como uma bola de neve perdida", explicou, e "talvez a metade ou a terça parte é água, portanto é/era bastante frágil". Também é/era menor do que a maioria dos cometas, com 1,2 km de diâmetro.
Este artigo foi igualmente publicado no site wort.lu/pt
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Cometa Ison passa hoje perto do Sol, mas dificilmente será observável
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| Foto: Hubble |
O cometa Ison vai passar hoje perto do Sol, mas dificilmente será observável a partir da Terra, porque o seu brilho será ofuscado pelo do "astro-rei", indicou o Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL).
O Ison, que foi avistado pela primeira vez em Setembro do ano passado por astrónomos russos, é um cometa especial que vem da nuvem de Oort, uma camada que rodeia todo o Sistema Solar e que, acreditam os cientistas, é formada pelos restos da nebulosa que deu lugar ao Sol e aos planetas, há cerca de 4.600 milhões de anos.
Em declarações à agência Lusa, o director do Departamento de Mediação Científica do CAAUL, João Retrê, referiu que, quando o cometa passar, "o ponto da sua órbita mais perto do Sol será extremamente difícil" de observá-lo a partir da Terra, mesmo recorrendo a telescópios. João Retrê explicou que, devido à proximidade do cometa com o "astro-rei", o brilho do Ison "será ofuscado pelo brilho do Sol, perdendo o contraste relativamente ao brilho de fundo do céu".
A aproximação do cometa ao Sol poderá culminar na sua explosão ou, caso contrário, poderá fornecer aos cientistas pistas sobre a sua formação.Na sua viagem até à periferia do Sol, o cometa estará a 1,8 milhões de quilómetros do "astro-rei" e atingirá uma temperatura de cerca de cinco mil graus.
O director do Departamento de Mediação Científica do CAAUL adiantou que, se o Ison não for "destruído pelas forças gravitacionais a que estará sujeito na sua passagem pelo periélio [ponto da órbita do cometa mais perto do Sol], poderá ser observado durante grande parte da noite a partir, aproximadamente, de meados de Dezembro e durante Janeiro".
A melhor altura para tentar observá-lo a olho nu, ou com equipamentos, será no início de Dezembro, a leste, antes do nascer do Sol. "A partir da segunda quinzena de Dezembro, o brilho do cometa terá diminuído tanto que só o conseguiremos observar recorrendo ao auxílio de telescópios ou binóculos", sustentou João Retrê.
(Este artigo foi igualmente publicado no site wort.lu/pt)
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| Imagem: AP |
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Fragmento de cometa é encontrado pela primeira vez na Terra
Uma equipa de cientistas sul-africanos identificou pela primeira vez vestígios de um cometa que explodiu sobre o Egipto ao entrar na atmosfera há 28 milhões de anos, segundo notícia avançada pela Universidade de Witwatersrand (Wits), em Joanesburgo.
Além de destruir toda forma de vida na região de impacto, a explosão causou um aumento da temperatura da areia até os 2.000° C, o que provocou a formação de uma quantidade impressionante de cristais de silício amarelo, dispersos por 6.000 km2 pelo deserto do Saara.
A peça central de um broche do faraó Tutancamon, que representa um escaravelho, foi feita a partir desse cristal, garante a universidade.
Graças ao estudo de uma pedra preta misteriosa, encontrada em 1996 por um geólogo egípcio dentro de um de cristal de silício, a equipa científica acredita ter encontrado "o primeiro exemplar conhecido do núcleo de um cometa" e da "primeira prova de um cometa que entrou na atmosfera terrestre e explodiu"-
"A pedra pesa 30 gramas, contem um componente extraterrestre e 65% de carbono, enquanto os meteoritos contêm apenas 3% de carbono", explicou à AFP o professor catedrático Jan Krammers, do departamento de Geologia da Universidade de Joanesburgo.
A explosão também deu origem a diamantes microscópicos. Os diamantes formam-se quando o carbono é submetido a temperatura e pressão extremas.
Os cometas, que são pedras de gelo misturadas com poeira espacial, "visitam regularmente os nossos céus", explica, por seu lado, o professor David Block, citado no comunicado de Wits, onde chefia o laboratório de poeira cósmica.
Mas nunca até agora tinha sido encontrado um cometa na Terra. Até o momento só tinha sido identificada poeira rica em carbono no gelo do Ártico ou partículas de poeira microscópicas na alta atmosfera.
"Os cometas contêm a chave que permite compreender a formação do nosso aistema aolar e esta descoberta oferece-nos uma ocasião sem precedentes para estudar o material dos cometas em primeira mão", diz Block.
Além de destruir toda forma de vida na região de impacto, a explosão causou um aumento da temperatura da areia até os 2.000° C, o que provocou a formação de uma quantidade impressionante de cristais de silício amarelo, dispersos por 6.000 km2 pelo deserto do Saara.
A peça central de um broche do faraó Tutancamon, que representa um escaravelho, foi feita a partir desse cristal, garante a universidade.
Graças ao estudo de uma pedra preta misteriosa, encontrada em 1996 por um geólogo egípcio dentro de um de cristal de silício, a equipa científica acredita ter encontrado "o primeiro exemplar conhecido do núcleo de um cometa" e da "primeira prova de um cometa que entrou na atmosfera terrestre e explodiu"-
"A pedra pesa 30 gramas, contem um componente extraterrestre e 65% de carbono, enquanto os meteoritos contêm apenas 3% de carbono", explicou à AFP o professor catedrático Jan Krammers, do departamento de Geologia da Universidade de Joanesburgo.
A explosão também deu origem a diamantes microscópicos. Os diamantes formam-se quando o carbono é submetido a temperatura e pressão extremas.
Os cometas, que são pedras de gelo misturadas com poeira espacial, "visitam regularmente os nossos céus", explica, por seu lado, o professor David Block, citado no comunicado de Wits, onde chefia o laboratório de poeira cósmica.
Mas nunca até agora tinha sido encontrado um cometa na Terra. Até o momento só tinha sido identificada poeira rica em carbono no gelo do Ártico ou partículas de poeira microscópicas na alta atmosfera.
"Os cometas contêm a chave que permite compreender a formação do nosso aistema aolar e esta descoberta oferece-nos uma ocasião sem precedentes para estudar o material dos cometas em primeira mão", diz Block.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Asteróides, uma ameaça real
A possibilidade que um cometa (proveniente da cintura de Kuiper, para além da órbita de Neptuno e, geralmente, com cauda) ou que um asteróide (proveniente da cintura interna de asteróides, sem cauda) colida com a Terra é real. Já aconteceu no passado e pode voltar a ocorrer.
Há 65 milhões de anos, um cometa que tinha 18 km de diâmetro atingiu o Golfo do México numa explosão mais de mil milhões de vezes superior à bomba de Hiroshima, o que terá provocado tsunamis e terramotos nunca antes vistos à escala global, levantou nuvens de poeira e fumo que cobriram a luz do sol durante centenas de anos, o que arrefeceu o globo (Inverno nuclear) e terá conduzido à extinção de 50 % das espécies, entre eles os dinossauros.
Em 1908, um asteróide com cerca de 50 metros de diâmetro explodiu na Sibéria, na região de Tunguska, com a potência de várias centenas de bombas de Hiroshima. Ficou registado como um sismo de nível 4 na Escala de Richter, destruiu a floresta num raio de 20 km e provocou danos até uma centena de quilómetros de distância.
A ficção-científica e Hollywood imaginaram muitas vezes este possível fim do mundo, mas só em 1994 quando o cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu com Jupiter é que a comunidade científica ficou alertada, percebendo que esta era uma ameaça real.
Uma estrela cadente nada mais é que um pequeno asteróide que se desintegra ao entrar na atmosfera terrestre, formando meteoritos, que podem ter desde alguns centímetros até vários metros e se diferenciam das pedras terrestres porque são magnéticos.
Anualmente, caem cerca de 50 mil meteoritos na Terra, o que representa 30 mil toneladas de pedras vindas do espaço*.
Um asteróide é potencialmente perigoso para a Terra quando tem mais de 150 metros de diâmetro. Há já oito anos que os astrónomos observam incansavelmente os céus à procura de possíveis objectos massivos que cruzem a órbita da Terra (geocruzadores) e já identificaram cerca de oito mil asteróides ou cometas deste tipo, ou seja que constituem um perigo potencial para a Terra.
Mas nenhum destes geocruzadores tem "encontro marcado" com a Terra este ano ou numa data próxima.
Conscientes da ameaça, americanos e europeus trabalham actualmente na detecção (Spaceguard Survey, Programa Neo, http://neo.jpl.nasa.gov/ ) e recenseamento destes corpos, mas estudam também como desviá-los da Terra.
Os cientistas avisam, no entanto, que se um corpo celeste verdadeiramente ameaçador for descoberto em rota de colisão com o nosso planeta, tudo dependerá se for detectado a tempo e se não for demasiado voluminoso para poder ser desviado.
(artigo publicado em 21/12/2012 no jornal CONTACTO, no Dossier "Quem tem medo do fim do Mundo?")
* [à semelhança da chuva de meteoritos que caiu sobre a Rússia em Fevereiro de 2013]
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