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quarta-feira, 2 de março de 2016

Astronautas Scott Kelly, Mikhail Kornienko e Sergueï Volkov regressaram à Terra após quase um ano na ISS

O astronauta americano Scott Kelly Foto: NASA
Três astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS), incluindo o norte-americano Scott Kelly e os russos Mikhail Kornienko e Sergueï Volkov, que passaram quase um ano no espaço, regressaram esta quarta-feira à Terra após uma experiência que antecede uma potencial missão a Marte.

Os cosmonautas russos Sergueï Volkov e Mikhaïl Kornienko e o astronauta americano Scott Kelly aterraram conforme previsto nas estepes do Cazaquistão pelas 4h27 (+ 1h no Luxemburgo), anunciaram o centro de controlo russo Roscosmos e a NASA.

Kelly e Kornienko passaram 340 dias na ISS para preparar futuras missões a Marte, enquanto Volkov esteve a bordo mais de cinco meses.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Astronautas da ISS refugiaram-se durante uma hora por perigo de colisão com lixo espacial

Foto: NASA
Três astronautas da Estação Espacial Internacional (EEI) refugiaram-se, esta quinta-feira, durante quase uma hora, perante receios de uma colisão dos destroços de um antigo satélite russo à deriva no espaço, que não se concretizou, informou a NASA.

Os restos do antigo satélite meteorológico aproximavam-se da ISS à velocidade de mais de 12,8 quilómetros por segundo, pelo que foi comunicado aos três astronautas para procurarem refúgio.

Os astronautas refugiaram-se na nave Soyuz, amarrada à ISS, preparados para abandonar a estação perante uma possível colisão, que não ocorreu, pelo que ao fim de uma hora, os três homens puderam regressar. “Os restos do satélite russo passaram ao largo da Estação Espacial Internacional de forma segura.

Foi ordenado à tripulação o regresso à ISS”, disse a NASA na sua conta da rede social Twitter. Os três astronautas a bordo da ISS são o norte-americano Scott Kelly e os russos Mikhail Kornienko e Gennady Padalka.

Esta foi a quarta vez em 15 anos em que a ISS accionou este procedimento de precaução, indicou a NASA, que estima a existência de cerca de 500 mil pedaços de detritos espaciais que possam representar uma ameaça para naves como a ISS.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Russo bate recorde de permanência no espaço: 803 dias

O cosmonauta Gennady Padalka 

O astronauta russo Guennadi Padalka, comandante da Estação Espacial Internacional (ISS), tornou-se no homem que mais tempo passou no espaço com um total de 803 dias, informou à AFP a agência espacial russa. "O recorde é oficial", afirmou o porta-voz da Roscosmos.

Padalka, de 57 anos, realiza sua quinta missão no espaço, e bateu na segunda-feira, 30 de Junho, o recorde que pertencia anteriormente a outro cosmonauta russo, Serguei Krikalev, de acordo com a imprensa russo.

No seu regresso à Terra, prevista para 11 de Setembro, Padalka terá passado mais de 877 dias no espaço, ou seja, dois anos e quatro meses.

Já em 1998, Padalka tinha passado 199 dias na estação russa Mir. Em 2004, 2009 e 2012 ficou na ISS e, em Março último, voltou à ISS na companhia do seu compatriota Mikhail Kornienko e do americano Scott Kelly.

Krikalev, que detinha o recorde de permanência no espaço até agora, foi apelidado de "o último cidadão da URSS" porque voltou à Terra em Dezembro de 1991, depois da queda da União Soviética.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

EUA e Rússia querem criar estação orbital ISS-2 em 2024


A Rússia e os Estados Unidos pretendem criar, em conjunto, uma nova estação espacial a partir de 2024 (poderia vir a chamar-se ISS-2), disse recentemente o chefe da Roscosmos, a agência espacial russa, Igor Komarov.

“A Roscosmos e a Nasa [agência espacial dos Estados Unidos] vão trabalhar em conjunto no programa da futura estação orbital, um projecto aberto a todos os países que pretendam juntar esforços”, disse Komarov, numa conferência de imprensa em Baikonur, no Cazaquistão.

As duas agências espaciais pensam assim prolongar até 2024 o serviço da actual Estação Espacial Internacional (ISS).

A Rússia e os Estados Unidos também concordaram em unificar as normas técnicas dos sistemas de acoplagem das suas naves espaciais.

Americanos e russo planeiam voos em conjunto para Marte

Na mesma conferência de imprensa, o administrador da Nasa, Charles Bolden, lembrou que a Rússia e os Estados Unidos pretendem criar um programa conjunto de voos para Marte.

A ISS começou a ser construída em 1997 e já custou mais de 100 mil milhões de dólares. Está em órbita a uma altitude de 335 a 460 quilómetros, pesa mais de 450 toneladas, e desloca-se a 27 mil quilómetros por hora.

A ISS conta com a participação de 16 países: o programa foi lançado pelos EUA em 1983, a Rússia aderiu em 1993, e quando a construção começou juntaram-se ao projecto onze países europeus da ESA, o Brasil, o Japáo e o Canadá. A ISS tem residentes em permanência desde 2000.

Os EUA tinham previsto retirar-se da ISS em 2016/2017, segundo os planos delineados em 2004 pela Administração de George W. Bush, que previa concentrar esses fundos no programa Constelação, para regressar à Lua.

O abandono da ISS em 2016/2017 poderia criar atritos com os 15 países que colaboram actualmente no projecto e aí têm investido muitos milhares em pesquisas e missões, pelo que, depois da Administração Obama adiar sine die o programa Constelação em 2010, os EUA e a Rússia decidiram num primeiro tempo prolongar a vida da ISS até 2020, e agora anunciaram um novo prolongamento até 2024.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

ISS: Estação espacial internacional vai poder ser vista a passar sobre o Luxemburgo, na quinta-feira à noite


Screenshot: Google
A estação espacial internacional (ISS), que orbita em torno da Terra, passa na quinta-feira à noite sobre o Luxemburgo (ver imagem).

A passagem da ISS sobre o Grão-Ducado vai poder ser observada entre as 21h20 e as 21h25. Isto, se o céu permanecer sem nuvens.

A estação, que orbita o nosso planeta entre os 330 e os 400 km de altitude, poderá ser vista a olho nu ou, de preferência, com binóculos. Como a ISS é um aparelho de 100 x 100 x 30 deverá reflectir os raios do sol e emitir um brilho na noite luxemburguesa que não permitem confundi-la com outro objecto celeste.

Os primeiros módulos da ISS foram lançados em 1997. A estação orbital é uma colaboração entre as agências especiais amerciana Nasa, russa Roscomos, europeia ESA, canadiana CSA e japonesa Jaxa. A ISS deverá funcionar até, pelo menos, 2024.

Foto: afp

Este artigo também foi publicado no site do CONTACTO, em www.contacto.lu

sexta-feira, 27 de março de 2015

Nasa lança missão com dois irmãos gémos para medir impacto da gravidade zero no corpo humano

(Da esq.p/ a dta.) Scott Kelly (Nasa) e os russos Gennady Padalka e Mikhail Kornienko (Roscosmos) Foto: Reuters
Um astronauta norte-americano e um cosmonauta russo preparam-se para estar um ano na Estação Espacial Internacional (ISS), um feito inédito, com lançamento previsto para hoje, que visa testar a resistência do corpo humano no espaço por longos períodos.

Scott Kelly e Mikhail Kornienko, engenheiros de voo, seguirão a bordo de uma nave russa Soyuz, que, se tudo correr conforme o programado, descolará do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 20h42 (hora do Luxemburgo).

Com a dupla irá também outro cosmonauta russo, Gennady Padalka, que regressará, no entanto, à Terra ao fim de seis meses. Kelly, Kornienko e Padalka vão juntar-se a outros três colegas, que se encontram na estação espacial desde Novembro, incluindo a astronauta Samantha Cristoforetti, a primeira mulher italiana que viajou para o espaço.

A maioria das expedições à Estação Espacial Internacional dura quatro a seis meses. Com esta missão, numa nova colaboração entre as agências espaciais norte-americana NASA e russa Roscosmos, os cientistas esperam compreender melhor a forma como o corpo humano reage e se adapta no espaço durante um longo período de tempo.

Numa nota, a NASA, onde trabalha o astronauta Scott Kelly, explicou que a expedição é fundamental quando se tenciona levar o homem a Marte, uma viagem que durará mais de um ano.

Segundo a NASA, a longa exposição a um ambiente de gravidade zero pode afetar, de muitas maneiras, o corpo humano, nomeadamente suscitar alterações na visão, atrofia muscular e perda óssea. Para a agência espacial norte-americana, "a psicologia humana é também uma área de investigação importante", atendendo a que os astronautas vão circular, na estação espacial, em espaços confinados e estar isolados do resto das pessoas.

Enquanto Scott Kelly estiver em órbita, o seu irmão gémeo, Mark Kelly, que foi também astronauta da NASA, irá participar em estudos genéticos comparativos. Os testes vão ajudar os especialistas a identificarem melhor qualquer alteração no corpo humano decorrente da longa exposição à gravidade zero.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Robot Kirobo regressa à Terra após 18 meses no espaço

O robot Kirobo "conviveu" durante um ano e meio com o astronauta Koichi Wakata Foto: Jaxa/Toyota
Durante o ano e meio que esteve a bordo da ISS, o robot japonês Kirobo participou em pesquisas na Estação Espacial. Andróide é capaz de conversar de forma natural.

O pequeno robot japonês Kirobo regressou à Terra, depois de um ano e meio a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), anunciaram os responsáveis do programa, esta quinta-feira, dia 12.

O andróide, do tamanho de um chihuahua, chegou à ISS em Agosto de 2013, a bordo da qual participou, com os cientistas da estação orbital, em várias pesquisas e experiências, o que serviu para estudar a utilidade de um robot em situações de isolamento prolongado.

Kirobo é capaz de conversar de forma natural, como explicou o seu inventor, o engenheiro Tomotaka Takahashi.

O projecto "Kirobo" é o resultado de uma parceria entre a Universidade de Tóquio, a companhia Dentsu e o fabricante de automóveis Toyota. O Kirobo utiliza um programa de reconhecimento de voz criado pela Toyota. De acordo com os criadores, o robot pode ajudar a resolver problemas criados por uma "sociedade cada vez mais individualizada e menos comunicativa".

O robot "conviveu" com o astronauta Koichi Wakata no módulo japonês da ISS. A dupla foi acompanhada durante meses por crianças de escolas japonesas. O andróide foi apresentado oficialmente em 2013 no Japão

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Astronautas já podem beber cafés 'espresso' no espaço

Foto: Lavazza
Os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) já podem degustar um bom café graças a uma máquina de café expresso concebida para superar as restrições impostas pela falta de gravidade no espaço.

A ISSpresso pesa 20 kg e chegou à ISS no final de Novembro, ao mesmo tempo que uma astronauta italiana da Agência Espacial Europeia (ESA), Samantha Cristoforetti.

Esta máquina com cápsulas "extraterrestres" é o fruto de uma colaboração entre a Argotec, uma empresa de engenharia italiana especializada na concepção de sistemas aeronáuticos e na preparação de alimentos consumíveis no espaço, e a Lavazza, uma marca italiana de café.

Cristoforetti, de 37 anos, é a primeira astronauta italiana, e chegou à ISS a bordo de uma nave russa Soyuz lançada de Baikonur, no Cazaquistão. A bordo seguiam ainda o americano Terry Virts e o russo Anton Chkaplerov.

A bordo da ISS estão actualmente seis astronautas: Cristoforetti, Virts e Chkaplerov juntaram-se ao americano Barry Wilmore e aos russos Alexander Samokutiaiev e Elena Serova.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Portugal passa a integrar programa da Estação Espacial Internacional

Foto: NASA
Portugal vai integrar dois novos programas científicos de exploração espacial, incluindo o da Estação Espacial Internacional (ISS), disse hoje à Lusa o ministro da Educação e Ciência, que participou numa reunião da Agência Espacial Europeia, no Luxemburgo.

“Há muito boas novidades para Portugal, que mantém a sua colaboração na Agência Espacial Europeia (ESA) nos programas nos quais já participava e que adere agora a dois novos: o Programa da Estação Espacial Internacional e o Programa de Exploração Lunar”, associado ao primeiro, explicou à agência Lusa Nuno Crato, depois de participar hoje na reunião da ESA.

O ministro da Educação e Ciência sublinhou o país “lucra com a sua participação na ESA a vários níveis”, quer pelo envolvimento de cientistas portugueses no trabalho da agência espacial, “que lhes permite utilizar a tecnologia mais sofisticada”, quer pela possibilidade de desenvolvimento da tecnologia e das empresas portuguesas.

“Estarmos na Estação Espacial Internacional é muito importante para nós e é a primeira vez que estamos. O Programa de Exploração Lunar é um programa novo, em que vamos estar desde o princípio. E, portanto, as nossas empresas de ‘software’, de construção relacionadas com o espaço vão participar neste esforço e vão poder ter encomendas destes programas”, declarou Nuno Crato.

O ministro sublinhou ainda que o Programa de Exploração Lunar “é muito importante para a Europa, porque há uma grande competição nesse domínio”. Apesar de a participação em programas específicos implicar o pagamento de quotas adicionais, para além daquela que já é paga para pertencer à ESA, Nuno Crato garantiu que estas novas participações não aumentam o valor das contribuições pagas anualmente pelo país, uma vez que os valores pagos pela participação em programas mais antigos vão diminuindo à medida que vão sendo executados.

“A nossa colaboração global é sensivelmente a mesma”, disse, ressalvando ainda que é preciso ter em conta o retorno do investimento feito.

O ministro da Educação e Ciência referiu que, por cada milhão de euros investido por Portugal nestes programas, é esperado um retorno pelo menos de igual valor, “mas isso não está garantido”.

As empresas portuguesas competem para atingirem um valor de encomendas pelo menos igual àquele que foi investido, mas, “ao não conseguirem apresentar propostas que atinjam os níveis de exigência tecnológica necessária, não conseguem esses contratos”.

“Isso significa um desafio que é importante para toda a indústria portuguesa, porque não se trata de encomendas rotineiras, mas sim de alto valor de incorporação tecnológica, ou seja, desafios para a indústria portuguesa e que a obrigam a desenvolver-se”, disse. Ainda assim, Nuno Crato afirmou que tem sido possível atingir nos últimos anos “um retorno de 100%” e até mesmo ultrapassá-lo.

Luxemburgo: ESA dá luz verde para construir Ariane 6


Decorreu esta terça-feira, 2 de Dezembro, no Luxemburgo, uma reunião do Conselho Ministerial (C/M14) da Agência Espacial Europeia (ESA), onde foi dado "luz verde" à construção do foguetão Ariane 6, que deverá suceder ao actual Ariane 5, a partir de 2020.

Na reunião de hoje foram discutidas três resoluções:

1) a resolução sobre o acesso da Europa ao espaço, que reconhece para a Europa os valores estratégico e socioeconómico na manutenção do acesso independente, confiável e acessível ao espaço para clientes institucionais e comerciais e realça os novos princípios de governança relacionados com a exploração do próximo lançador europeu Ariane 6 e da evolução do Vega, Vega-C;

2) a resolução sobre a estratégia de exploração espacial da Europa, abordando os três objectivos da ESA (órbita baixa da Terra (LEO), Lua e Marte) e, em particular para o destino LEO, o programa da Estação Espacial Internacional (ISS);

3) e, por fim, a resolução sobre a evolução da ESA.

Ariane 5, um foguetão fiável com mais de 60 lançamentos bem sucedidos 

As actividades espaciais requerem acesso independente ao espaço. Por isso, a decisão sobre a próxima geração de lançadores da Europa tem uma importância fundamental.

O Ariane 5, que teve origem na Reunião Ministerial de 1985, é um caso notável de sucesso europeu: conta já com mais de 60 lançamentos bem sucedidos, assegurou mais de 50% do mercado de serviços de lançamento e gerou benefícios económicos diretos para a Europa superiores a 50 mil milhões de euros.

No entanto, o mercado mundial de serviços de lançamento está a mudar rapidamente, tanto na oferta e como na procura. Do lado da oferta, há agora novos prestadores não-europeus de serviços de lançamento com preços altamente competitivos, criando desafios ao modelo de negócio do Ariane 5. Do lado da procura, os satélites também estão a mudar.

O mercado comercial, que consiste principalmente em satélites de telecomunicações, favorece a introdução da propulsão elétrica, o que poderá acabar com a tendência das últimas décadas de aumento progressivo do volume dos satélites e vai exigir novas estratégias na colocação de satélites em órbita. Ao mesmo tempo, o lançamento de satélites institucionais europeus tem aumentado, em particular com a criação das constelações Galileu e Copérnico, o que gera um mercado bastante estável para lançamentos regulares de satélites de média dimensão.

Ariane 6, a partir de 2020

Em resposta a estas rápidas mudanças, o Executivo da ESA e a indústria de lançadores europeus definiram um lançador Ariane 6 modular com duas configurações para servir os segmentos de lançamento médio e pesado a partir de 2020, e um sistema de lançamento Vega atualizado (o Vega C) para servir o segmento do pequeno lançamento.

O Ariane 6 vai beneficiar da reutilização optimizada dos resultados intercalares (Midterm Evolution) do Ariane 5, de investimentos e da utilização de um motor de foguetão com propulsor sólido (P120C) comum à primeira fase do Vega C e ao propulsor do Ariane 6.

No Luxemburgo, foi pedido aos ministros que decidissem sobre o desenvolvimento do Ariane 6 e do Vega C os quais, por causa das suas características modulares e de flexibilidade, poderão satisfazer as exigências do mercado institucional europeu e competir no mercado mundial.

Estas decisões estão associadas a uma nova governança para o sector europeu de lançadores, criando responsabilidades acrescidas para a indústria e para os Estados participantes, que decidiram sobre a continuação do Ariane 6 em 2016 em função de um conjunto de critérios técnicos e financeiros, incluindo os compromissos respectivos na fase de exploração comercial.

O orçamento necessário dos Estados-Membros para a conclusão do Ariane 6 e do programa de desenvolvimento Vega C é de 3,8 mil milhões de euros.

Exploração espacial e a ISS 

Para o sucesso dos três objectivos de exploração da ESA (LEO, Lua, Marte), a Estação Espacial Internacional (ISS) é um elemento fundamental.

Além das actividades de investigação de valor inestimável que são realizadas a bordo da ISS, a Estação proporciona experiências muito ricas para a ESA e os para os seus parceiros internacionais que serão essenciais para planear as próximas etapas da exploração espacial.

As decisões dos ministros destinam-se a apoiar as actividades de exploração da ISS pela ESA para os próximos três anos (até 2017), com o custo de 820 milhões de euros, e a apoiar as actividades de investigação (Programa ELIPS), com financiamento adicional.

Para contribuir para os custos de operação comum da ISS e aproveitando a experiência adquirida com o ATV, a ESA está a desenvolver o novo veículo de tripulação multifunções (Multi-Purpose Crew Vehicle Service Module, MPCV-ESM) da NASA.

O financiamento para o desenvolvimento do MPCV-ESM está incluído nos 820 milhões de euros a serem financiados pelo C/M14.

Destino Lua

Em relação ao "destino Lua", a ESA propõe uma discussão preparatória sobre as contribuições para as missões da Rússia Luna-Resource Lander (lançamento previsto para 2019) e Lunar Polar Sample Return (com lançamento previsto no início dos anos 2020).

Programa ExoMars 

A decisão definitiva sobre estas contribuições será tomada na Reunião Ministerial de 2016. Em relação ao "destino Marte", o ambicioso programa ExoMars da ESA, envolvendo missões a Marte em 2016 e 2018, também está em cima da mesa para ser assinado, de modo a garantir a execução do programa ExoMars.

Além disso, o programa de preparação de exploração robótica de Marte (Mars Exploration Robotic Preparation Programme, MREP-2) é proposto para novas subscrições, para permitir a preparação adequada das futuras atividades de exploração, conduzindo a uma ampla participação na missão Mars Sample Return em que a Europa deve estar envolvida como um parceiro de pleno direito.

O futuro da ESA 

O terceiro tema na agenda dos ministros no Luxemburgo, a evolução da ESA, centrou-se no objectivo de criar condições para que a ESA mantenha o seu papel de líder mundial entre as instituições dedicadas ao espaço, e abordou as relações-chave da ESA com os seus parceiros e respectiva eficiência.

Os principais parceiros da ESA são: os seus Estados-Membros, a comunidade científica, a indústria, a União Europeia, outros Estados europeus não-membros e Estados não europeus.

Estas relações estão intrinsecamente interligadas e são impulsionadas pelo objectivo comum de criar um sector espacial europeu competitivo e assegurar o máximo retorno sobre o investimento público no espaço.

O Conselho Ministerial anterior, em 2012, decidiu criar um Fórum de Alto Nível que envolvesse a indústria, os Estados.Membros e o executivo da ESA. O Fórum reuniu-se duas vezes e fez uma série de recomendações ao diretor geral da ESA.

A mais importante foi a de pedir que seja dada maior responsabilidade à indústria nos programas de I&D da ESA, com maior partilha de riscos e de retornos. O Fórum também propôs que a ESA aumentasse a sua presença no desenvolvimento de serviços espaciais e se preparasse para ser um agente económico no sector espacial de envio de dados.

Desde 2012, foram tomadas medidas para fortalecer os relacionamentos da ESA com os seus Estados-Membros, procurando melhorar a coordenação e a cooperação nos programas espaciais na Europa, através da partilha de informações sobre os programas espaciais nacionais.

A relação da ESA com a UE, tanto na definição dos programas como no contexto em que o sector espacial europeu actua é de importância vital para a Europa. O C/M12 mandatou o director geral da ESA a elaborar e avaliar cenários conjuntos com a Comissão Europeia para responder a uma série de objectivos de desenvolvimento desse relacionamento.

Depois de intensas discussões entre as delegações dos Estados-Membros, os ministros foram convidados a confirmar a preferência dos Estados-Membros pela relação entre a ESA e a UE que mantém a ESA como uma organização do espaço intergovernamental independente de classe mundial e faz da ESA o parceiro de longo prazo escolhido pela UE para a definição e implementação da Política Espacial Europeia, juntamente com os respectivos Estados-Membros.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cápsula Dragon já regressou à Terra



A cápsula não tripulada Dragon desceu neste domingo, sem problemas, no oceano Pacífico diante da costa do México, horas após abandonar a Estação Espacial Internacional (ISS), informaram a Nasa e a empresa americana SpaceX.

Dragon tocou o mar às 19h05 GMT (+1h no Luxemburgo), tal como estava previsto, menos de seis horas após desatracar da ISS para iniciar seu regresso à Terra.

A nave de seis toneladas separou-se do braço robótico da ISS às 13h26 GMT, depois de ter passado 28 dias acoplada à plataforma.

A Dragon foi lançada em 18 de Abril a bordo do foguetão Falcon 9 da base de Cabo Canaveral, Flórida.

A Nasa apela a empresas privadas como a Spacex para abastecer a ISS. Nesta ocasião, a Dragon transportou 2,2 toneladas de carga, incluindo comida, trajes espaciais, peças de reposição e equipamentos para 150 experimentos na estação orbital.

Com base num contrato de 1,6 mil milhões de dólares com a Nasa, a SpaceX deve realizar 12 missões até a ISS.

A Nasa também tem contrato de abastecimento da ISS de 1,9 mil milhões de dólares com a Orbital Sciences Corporation, cuja cápsula Cygnus realizou a primeira entrega em Janeiro.

SpaceX, Boeing e Sierra Nevada também foram seleccionadas pela Nasa para desenvolver naves que transportem pessoas para a ISS e outros destinos, que deverão estar operacionais até 2017.

O lançamento anterior de uma cápsula Dragon ocorreu em Março de 2013.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Nave Soyuz pousa no Cazaquistão com astronautas da ISS

Foto: Nasa
Três astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) regressaram na madrugada desta quarta-feira à Terra, após mais de seis meses no espaço (188 dias), informou a Nasa - a agência espacial norte-americana.

O russo Mikhail Tiurin, o americano Rick Mastracchio e o japonês Koichi Wakata - que tinham partido da Terra a 7 de Novembro com a chama olímpica dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi - pousaram nesta quarta à hora prevista, às 1h59 GMT (+1h no Luxemburgo), nas estepes do Cazaquistão (a uma centena de kms da cidade mais próxima, Djerskazan), a bordo da nave Soyuz.

Na ISS ficaram os russos Aleksandr Skvortsov e Oleg Artemiev e o americano Steven Swanson. Em 28 de Maio deverão chegar o alemão Alexandre Gerst, o americano Reid Wiseman e o russo Max Suraïev.

Wakata foi o primeiro japonês a ser comandante da ISS, comando que passou agora a Swanson. Wakata foi também o primeiro a falar com um robot, o Kirobo, a bordo da estação.

diqué mardi le vice-Premier ministre russe Dmitri Rogozine, connu pour sa rhétorique anti-occidentale. "Après 2020, nous aimerions réorienter ces moyens financiers dans des projets spatiaux ayant plus d'avenir", a-t-il poursuivi. En raison de la crise ukrainienne, l'agence spatiale américaine avait décidé début avril de suspendre tous ses contacts avec la Russie, à l'exception de la collaboration portant sur la Station spatiale internationale. Elle avait aussi annoncé vouloir prolonger jusqu'en 2024 la durée de vie de l'ISS. Depuis l'arrêt des navettes spatiales américaines, les vaisseaux russes Soyouz sont le seul moyen d'acheminer et de rapatrier les équipages de l'ISS.

Rússia quer retirar-se da ISS em 2020

Entretanto, e em resposta às sanções norte-americanas à Rússia, no âmbito da crise russa-ucraniana, o vice-primeiro-ministro russo Dmitri Rogozine anunciou esta terça-feira a decisão de Moscovo de retirar-se da ISS em 2020, segundo a agência de imprensa russa Interfax, que a AFP cita.

A Nasa divulgou em Janeiro que pretendia prolongar a missão da estação internacional até, pelo menos, 2024, quando o fim de vida da estação orbital estava previsto [pela administração G.W. Bush em 2004] para o ano de 2016.

Rogozine, conhecido pelas suas declarações anti-ocidentais, disse que depois dessa data, Moscovo "já não vai mais precisar da ISS" e deverá "investir esse dinheiro em projectos com mais futuro".

Moscovo pretende também proibir os EUA de utilizar motores russos para os seus foguetões com fins militares.

Rogozine tinha já criticado a utilização pelos americanos das cápsulas Soyuz, e chegou mesmo a convidar Washington a enviar os seus astronautas "em trampolim" para o espaço. Mas, para já, Rogozine não pôs fim ao contrato muito lucrativo que acabou de ser assinado entre os dois países, para que os EUA pudessem continuar a utilizar as Soyuz, levando Moscovo a arrecadar 457,9 milhões de dólares.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A nave não tripulada Cygnus chegou à ISS

A primeira nave não tripulada Cygnus da Orbital Sciences Corporation chegou hoje à Estação Espacial Internacional, informou a Agência Espacial norte-americana (NASA).

De acordo com a NASA, a acoplagem da nave de carga que transportava o primeiro carregamento de mantimentos destinados ao posto espacial de investigação registou-se às 11h08 de domingo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Estação Espacial Internacional (ISS) vai ficar em órbita até 2024

Foto. AFP
A Estação Espacial Internacional (ISS) deverá funcionar até 2024, mais quatro anos do que a previsão mais recente, anunciou esta semana a agência espacial norte-americana, NASA.

"É um anúncio formidável" para todos os envolvidos na estação, em que participam 16 países, comentou William Gersteinmaier, um dos administradores da NASA para a área da exploração.

A estação espacial funciona há 15 anos e tinha sido previsto que continuasse em actividade até 2020.

(Esta notícia foi igualmente publicada no site wort.lu/pt)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A partir de 2015, ISS é desactivada e a China lança a sua estação orbital - inversão das potênciais espaciais?

Onze anos depois de ter enviado o primeiro astronauta (taikonauta, em chinês) ao espaço, a China mantém o seu ambicioso programa espacial, que dá ao país prestígio militar e económico, enquanto a concorrente americana, Nasa, está paralisada devido a uma crise orçamentária.

Cronologia do programa espacial chinês

Em 15 de Outubro de 2003, o taikonauta Yang Liwei orbitou 14 vezes a Terra a bordo de uma nave Shenzhou 5, em 21 horas, abrindo o caminho da China para a exploração espacial.

O fato de um taikonauta Foto: AFP

Mais de 40 anos depois do voo histórico do soviético Yuri Gagarine, esta façanha fez da China o terceiro país, depois de URSS e dos Estados Unidos, capaz de enviar uma missão espacial tripulada.

Desde então, a China enviou mais dez taikonautas - oito homens e duas mulheres - ao espaço em cinco missões, assim como um módulo espacial para orbitar a Terra, o Tiangong-1.

O Estado, que financia este programa supervisionado pelo Exército investindo biliões de dólares, considera que se trata de um sinal importante do novo estatuto internacional do país, do seu domínio tecnológico e também da capacidade do Partido Comunista de modificar o destino de uma nação outrora castigada pela pobreza.

As ambições chinesas só ficarão plenamente satisfeitas no dia em que um chinês pisar a superfície da Lua, antecedido até ao fim deste ano pela sonda Chang'e-3.

O próximo objectivo é concluir a construção de uma estação espacial orbital, a Tiangong-3, até 2015.

Na mesma época, a Estação Espacial Internacional (ISS), desenvolvida por Estados Unidos, Europa, Rússia, Japão e Canadá, será abandonada depois de 20 anos de serviços.

Esta coincidência simbólica pode reflectir também o deslocamento dos centros de poder no mundo na próxima década.

O rápido desenvolvimento do programa espacial chinês contrasta profundamente com o dos Estados Unidos, que lançou o seu último foguetão em 2011 e cujos projectos de futuro são, por enquanto, vagos.

"Na Ásia, a China é considerada a líder regional da área espacial, o que dá ao país um verdadeiro prestígio militar e económico", afirma Joan Johnson-Freese, encarregada de assuntos de segurança no Colégio de Guerra da Marinha em Newport, e especialista em actividades espaciais chinesas. "No resto do mundo, a vantagem económica para a China é não ser considerada capaz de produzir apenas roupa barata", acrescentou.

A China ainda está longe das conquistas de Estados Unidos e da ex-União Soviética - embora tenha aprendido com os dois - e faltam pouco anos para conseguir construir a sua estação espacial.

Enquanto isso não acontece, Yang Liwei, general e vice-director da agência chinesa encarregada de programas tripulados,  recebe solicitações de países em vias de desenvolvimento que querem enviar astronautas até ao espaço.

"Gostaríamos de treinar astronautas de outros países e organizações que nos fazem este tipo de pedidos e adoraríamos realizar missões para astronautas estrangeiros", declarou, em Setembro, durante um seminário em Pequim organizado pela ONU e pela China sobre tecnologia espacial. O Paquistão já indicou que quer estar entre os primeiros.

O programa espacial chinês, previsto para os próximos 30 anos, baseia-se numa "vontade política que não tem que responder a um eleitorado para perdurar, algo que, evidentemente é muito mais difícil para as democracias", afirmou Johnson-Freese.

sábado, 9 de novembro de 2013

Tocha olímpica vai viajar no espaço

Os cosmonautas russos Oleg Kotov e Serguei Riazanski e o astronauta americano Michael Hopkins (Foto: AFP)

A tocha olímpica chegou quinta-feira a bordo da nave russa Soyuz à Estação Espacial Internacional (ISS).

Os cosmonautas russos Oleg Kotov e Serguei Riazanski estão na ISS desde Setembro e uma das suas missões durante os 168 dias que vão estar a bordo da estação orbital internacional é fazer uma saída histórica no espaço com a tocha olímpica dos Jogos de Inverno de Sochi (Rússia), que vão ter lugar em Fevereiro de 2014. Uma estreia para a tocha olímpica.

A tocha chegou à Rússia em 6 de Outubro e o passeio no espaço está previsto para este sábado.

A tocha regressa depois à Terra e continua a sua viagem até a cidade russa às margens do Mar Negro.

Kotov e Riazanski chegaram em 26 de Setembro à ISS, acompanhados pelo astronauta americano Michael Hopkins.

Kotov é um médico militar de 47 anos, e comandante da missão, e Riazanski é um biólogo de 39 anos e engenheiro de bordo.

Hopkins tem 44 anos e é um oficial da aeronáutica.

A bordo da ISS foram recebidos pelo italiano Luca Parmitano, o russo Fiodor Yurchikhin e a americana Karen Nyberg.

(veja o vídeo da chegada da tocha olímpica à ISS)

domingo, 3 de novembro de 2013

Einstein desintegrou-se

A nave europia Albert Einstein (ATV-4) desintegrou-se, como previsto, durante a sua reentrada na atmosfera, neste sábado, numa região desabitada do Pacífico Sul, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

A nave de abastecimento europeia foi desacoplada na segunda-feira da Estação Espacial Internacional (ISS), onde atracou em 15 de Junho.

"O quarto Veículo de Transferência Automática (ATV) da ESA, baptizado Albert Einstein, concluiu a sua missão de cinco meses junto à ISS. Hoje fez a sua reentrada na atmosfera e desintegrou-se como planeado numa área desabitada do Pacífico Sul ", informou a ESA em comunicado.

"Albert Einstein realizou uma série de manobras delicadas para que os astronautas pudessem ver a sua descolagem nas camadas superiores da atmosfera, o que fornecerá dados únicos sobre fenómenos de reentrada atmosférica", indica o comunicado, acrescentando que "o ATV-4 se desintegrou com segurança na atmosfera no dia 2 de Novembro às 12h04 UT".

"A missão foi realizada com perfeição o que, como em qualquer missão espacial, representa um enorme sucesso para toda a equipa ATV", afirmou Alberto Novelli, chefe da missão ATV-4, citado pela ESA .

"A conclusão bem-sucedida desta quarta missão reflecte a maturidade do programa ATV e este novo sucesso abre o caminho para futuros projectos da ESA", acrescentou .

As manobras da nave europeia no espaço foram supervisionadas pelo centro de controlo, com sede em Toulouse (França), e gerido conjuntamente pela ESA e CNES.

Lançado em 5 de Junho a bordo de foguetão Ariane 5 a partir de Kourou (Guiana Francesa) , o ATV-4 transportou para a ISS uma carga de cerca de 7 toneladas de mantimentos (água, combustível, alimentos, equipamentos diversos) destinados aos astronautas que se revesam na ISS desde o ano 2000.

Com um peso total de 20,2 toneladas, esta foi a carga mais pesada já enviada pela Europa para o espaço. Cheio de todos os resíduos não perigosos gerados a bordo da ISS, a nave desintegrou-se finalmente na atmosfera, sob o efeito combinado do aquecimento devido à velocidade e pressão. Três ATV tiveram o mesmo destino: o Jules Verne, lançado em 2008, o Johannes Kepler, em 2011, e o Edoardo Amaldi, em 2012.

O ATV-4 Albert Einstein completou a sua missão com um recorde: deixou a ISS com a maior quantidade de lixo já carregado a bordo de uma nave.

O próximo veículo, o mais novo de uma série de cinco, é o ATV-5, a ser lançado em meados de 2014 foi baptizado Georges Lemaître, em homenagem ao físico belga que está na origem da teoria do Big Bang.

sábado, 26 de outubro de 2013

"Gravity", de Alfonso Cuarón


À primeira vista, um filme sobre astronautas a trabalhar na ISS na órbita da Terra podia deixar pensar que nos iríamos aborrecer. É o que costuma acontecer a quem assiste aos diferidos das missões da Nasa, quando difundidas na televisão no Science ou no Discovery Channel.

Mas o filme é um bom compromisso entre realismo e entretenimento, graças ao talento do realizador Alfonso Cuarón e de actores como George Clonney e Sandra Bullock. Temos o astronauta veterano (Clooney), com as suas piadas que tentam aligeirar o perigo constante que é trabalhar no espaço, e temos a "rookie" (Bullock), que está a fazer o seu baptismo no vazio. Mas o realizador não parece interessado em explorar em profundidade as personagens, como se fossem meros actores secundários.

Uma das coisas que mais me impressionou foram os silêncios. Porque no espaço não havendo ar, não há som. Por vezes, o único ruído que o astronauta ouve é a sua própria respiração. Respirar também é uma palavra-chave neste filme. Nunca um "huit clos" claustrofóbico se desenrolou num espaço tão vasto e tão aberto. A sensação de podermos sufocar a cada segundo é permanente.

Ficamos também de respiração cortada quando o filme nos enche os olhos de imagens fantásticas, lindíssimas do nosso planeta, do contorno dos continentes nos oceanos, das montanhas que vistas de cima parecem baixos relevos, das nuvens brancas e imensas derivando, das cores intensas de que a nossa Terra é feita quando comparadas com o pano de fundo escuro, negro, sem luz e sem cor do espaço que a rodeia e de quão pequenos somos ao lado da imensidade da criação e do Universo.

Outro dos pontos positivos deste filme é que nos mostra que apesar de a corrida ao espaço ter começado há 60 anos, apesar de já termos construído uma estação internacional a orbitar em volta da Terra e de colocarmos diariamente em órbita satélites, ainda estamos muito longe de dominarmos completamente o voo espacial, somos ainda pioneiros de uma bela história por escrever, somos Vascos da Gama e Bartolomeus Dias que mal deixaram a praia, e as viagens intergalácticas, que nos parecem óbvias e fáceis porque assim nos habituou a ficção-científica, não o são e, muito pelo contrário, qualquer gesto em falso no vazio pode ser-nos fatal.

Uma das outras personagens importantes do filme é a que dá título à obra, a gravidade, que nos acompanha das "margens do oceano cósmico", como gostava de lhe chamar Carl Sagan, até às águas do lago na cena final do filme. No derradeiro instante, a personagem principal cede o grande plano à areia, à t(T)erra, à gravidade, que é afinal a verdadeira protagonista deste filme.

JLCorreia

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Complexo de onde Neil Armstrong descolou para a Lua está à venda

O local de lançamento, de onde descolou a Missão Apolo 11, com Neil Armstrong a bordo, em direcção da Lua, em 1969, está à venda.

O complexo situa-se junto ao Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, na Flórida e custa 100 mil dólares mensais só em manutenção.

Quando a Nasa colocou o local à venda, esperava ficar aliviada dessas despesas até ao final de Setembro deste ano. Mas uma batalha entre dois milionários que querem comprar aquelas instalações está a dificultar a venda, já que cada um está a accionar os seus lóbis junto do congresso norte-americano.


Um deles é Elon Musk, proprietário da empresa SpaceX (Space Exploration Technologies, fundada em 2002), que pretende utilizar o complexo para lançar os seus foguteões Falcon para a estação espacial internacional (ISS), assegurando assim o abastecimento e o transporte de astronautas para a ISS, assegurando assim um proveitoso contrato com a Nasa.

Musk, que lançou a empresa de compra em linha Paypal e a fábrica de automóveis eléctricos Tesla Motors, quer construir uma base de lançamento no Texas. Mas enquanto a base texana visa os lançamentos comerciais, o complexo 39A serviria para os seus lançamentos sob contrato da Nasa.

Musk acusa o seu concorrente de nem sequer ter conseguido um voo orbital, enquanto que os seus Falcons já fizeram várias viagens à ISS, além de a SpaceXd ispor de uma carteira de mais de 50 clientes.

Por seu lado, Jeff Bezos, fundador da Amazon, quer adquirir a base de lançamento para a sua empresa Blue Origin. Esta empresa, fundada em 2000, está a trabalhar no fabrico de um vai-vem sub-orbital reutilizável (à semelhança do Space Shuttle), chamado "New Shepard". Uma nave fez um teste de voo em 2006 e um segundo aparelho foi testado em 2011.

Em Outubro do ano passado, ao saber que o complexo de lançamento tinha sido posto à venda, a Blue Origin protestou junto do Governo federal norte-americano, para que a sua oferta de compra da base fosse considerada em pé de igualdade com a SpaceX.

A Blue Origin tem atrás de si o apoio da Lockheed Martin e da Boeing, cujo monopólio no fabrico e venda ao Governo de aparelhos aéreos e satélites é disputado pela SpaceX.

O Serviço de Auditorias e Inquéritos Internos do Governo americano (GAO) vai discutir o assunto em 12 de Dezembro e deverá decidir a que empresa a Nasa pode vender o complexo 39A.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Fique a saber como ver a passagem da ISS - Estação Espacial Internacional


O turismo espacial ainda é um sonho para a maioria dos mortais, mas para os interessados em observar a Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), a Nasa está a ajudar na tarefa.

A Nasa lançou em 2012, um serviço que informa aos interessados quando a ISS é visível.

Os interessados podem inscrever-se no site da Nasa e passam a receber um e-mail algumas horas antes da ISS ser visível no céu.

Na hora comunicada pela Nasa, os assinantes do serviço devem apenas sair de casa e olhar para o céu nocturno e avistarem a passagem da ISS, sem necessitarem de recorrerem a nenhum instrumento ou equipamento especial.

"É impressionante ver a estação espacial sobrevoar-nos e perceber que o Homem construiu um complexo orbital que pode ser visto da Terra por quase todos", comenta na altura da inauguração deste serviço William Gerstenmaier, administrador associado da Nasa para a exploração humana e operações.

A ISS costuma ser visível ao amanhecer ou entardecer, quando a Lua é o corpo celeste mais luminoso. A estação é vista como um ponto de luz que se move rapidamente, semelhante a Vénus, explica a Nasa.

O serviço Spot the Station está disponível para todos, afirma a agência, segundo a qual a trajectória da estação cobre mais de 90% da população terrestre.

O registo deve ser feito na página spotthestation.nasa.gov