sexta-feira, 16 de maio de 2014
Medida pela primeira vez a duração de um dia num exoplaneta
Com o auxílio de observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO (VLT) conseguiu-se, pela primeira vez, determinar a taxa de rotação de um exoplaneta. Descobriu-se que Beta Pictoris b (HD 39060) tem um dia que dura apenas 8 horas, um valor muito menor do que o observado em qualquer planeta no Sistema Solar - o equador do exoplaneta desloca-se a quase 100 mil quilómetros por hora.
Este novo resultado permite estender aos exoplanetas a relação entre massa e rotação observada no Sistema Solar. Técnicas semelhantes permitirão aos astrónomos mapear exoplanetas com todo o pormenor, no futuro, utilizando o European Extremely Large Telescope (E-ELT).
O exoplaneta Beta Pictoris b orbita a estrela visível a olho nu Beta Pictoris, que se situa a cerca de 63 anos-luz de distância da Terra na constelação austral do Pintor.
Este planeta foi descoberto há quase seis anos, tendo sido um dos primeiros exoplanetas para o qual se conseguiu obter uma imagem directa. Este objeto orbita a sua estrela a uma distância que é de apenas oito vezes a distância Terra-Sol - o que faz com que seja o exoplaneta mais próximo da sua estrela para o qual se obteve uma imagem directa.
Com o auxílio do instrumento CRIRES montado no VLT, uma equipa de astrónomos holandeses da Universidade de Leiden e do Instituto Holandês de Investigação Espacial (SRON, acrónimo do holandês) descobriram que a velocidade de rotação equatorial do exoplaneta Beta Pictoris b é de quase 100 mil km por hora.
Comparativamente, o equador de Júpiter tem uma velocidade de cerca de 47 mil quilómetros por hora, enquanto o da Terra viaja a apenas a 1.700 quilómetros por hora.
Beta Pictoris b é mais de 16 vezes maior que a Terra e possui 3.000 vezes mais massa que o nosso planeta, no entanto um dia neste exoplaneta dura apenas 8 horas.
“Não sabemos porque é que alguns planetas rodam mais depressa que outros,” diz o co-autor deste trabalho Remco de Kok, “mas esta primeira medição da rotação de um exoplaneta mostra que a tendência observada no Sistema Solar de que os planetas de maior massa rodam mais depressa, pode aplicar-se de igual modo aos exoplanetas, o que nos leva a pensar que este efeito deve ser alguma consequência universal do modo como os planetas se formam.”
Beta Pictoris b é um planeta muito jovem, apenas com cerca de 20 milhões de anos (comparativamente, a Terra tem 4,5 mil milhões de anos de idade).
Com o passar do tempo, espera-se que o exoplaneta arrefeça e encolha, o que fará com que rode ainda mais depressa. Por outro lado, outro tipo de processos podem influenciar a variação da rotação de um planeta. Por exemplo, a rotação da Terra está a diminuir com o tempo, em consequência das interacções de maré com a nossa Lua.
Os astrónomos usaram uma técnica muito precisa chamada espectroscopia de alta dispersão para separar a luz nas suas cores constituintes - diferentes comprimentos de onda no espectro. O princípio do efeito Doppler (ou desvio de Doppler) permitiu que a equipa utilizasse a variação em comprimento de onda para detectar que as diferentes partes do planeta se estavam a mover a velocidades diferentes e em direcções opostas relativamente ao observador. Retirando cuidadosamente os efeitos da estrela progenitora, muito mais brilhante, conseguiram extrair o sinal correspondente à rotação do planeta.
“Medimos os comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta com uma precisão de um sobre cem mil, o que faz com que as medições sejam sensíveis aos efeitos Doppler que nos revelam a velocidade dos objetos emissores,” diz o autor principal Ignas Snellen.
“Usando esta técnica descobrimos que as diferentes partes da superfície do planeta se deslocam na nossa direcção ou na direcção oposta a velocidades diferentes, o que só pode significar que o planeta roda em torno do seu eixo.”
Esta técnica está relacionada com a técnica de obtenção de imagens Doppler, usada já há várias décadas para mapear a superfície das estrelas e, recentemente, a de uma anã castanha - Luhman 16B. A rápida rotação de Beta Pictoris b significa que no futuro será possível fazer um mapa global do planeta, mostrando possíveis padrões de nuvens e tempestades enormes.
“Esta técnica pode ser utilizada numa amostra muito maior de exoplanetas com a excelente resolução e sensibilidade que terá o E-ELT e um espectrógrafo de imagem de alta dispersão. Com o instrumento METIS (Mid-infrared E-ELT Imager and Spectrograph) que está a ser planeado, seremos capazes de fazer mapas globais de exoplanetas e caracterizar planetas muito mais pequenos do que Beta Pictoris b”, diz o Investigador Principal do METIS e co-autor do novo artigo científico que descreve estes resultados, Bernhard Brandl.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Cientistas acreditam ter descoberto como se formam as estrelas magnéticas
As estrelas magnéticas são os estranhos restos extremamente densos que resultam de explosões de supernovas. São os objectos com o campo magnético mais poderoso que se conhecem no Universo - milhões de vezes mais potentes que os mais fortes imãs na Terra.
Uma equipa de astrónomos, usando o Very Large Telescope do ESO (VLT), descobriu pela primeira vez a estrela companheira de uma estrela magnética. Esta descoberta ajuda a explicar como é que estes objectos se formam - um debate que já dura há 35 anos - e porque é que esta estrela tão particular não colapsou para formar um buraco negro, como seria de esperar.
Quando uma estrela de massa muito elevada colapsa sob o efeito da sua própria gravidade durante a explosão de uma supernova, dá origem a uma estrela de neutrões ou a um buraco negro. As estrelas magnéticas são uma forma peculiar e muito exótica de estrela de neutrões.
Tal como todos estes objectos estranhos, as estrelas magnéticas são muito pequenas e possuem campos magnéticos extremamente potentes. As superfícies destes objectos emitem enormes quantidades de raios gama quando sofrem um ajustamento súbito chamado “tremor de estrela”, resultado das enormes forças a que as suas crostas estão sujeitas.
O enxame estelar Westerlund 1, situado a 16 mil anos-luz de distância da Terra, na constelação austral do Altar, acolhe uma das duas dúzias de estrelas magnéticas conhecidas na Via Láctea. É a chamada CXOU J16470.2-455216, que muito tem intrigado os astrónomos.
“O nosso trabalho anterior mostrou que a estrela magnética no enxame Westerlund 1 deve ter nascido de uma explosão de uma estrela moribunda com cerca de 40 vezes a massa do nosso Sol, o que em si mesmo constitui um problema, já que se pensa que estrelas com estes valores de massa colapsem para dar origem a buracos negros e não a estrelas de neutrões. Na altura não percebemos como é que este objecto poderia ter originado uma estrela magnética”, diz Simon Clark, autor principal do artigo que descreve estes resultados.
Os astrónomos propuseram uma solução para este mistério, sugerindo que a estrela magnética se teria formada a partir das interacções entre duas estrelas de elevada massa que orbitariam em torno uma da outra num sistema binário tão compacto que caberia no interior da órbita da Terra em torno do Sol.
No entanto, até agora não tinha sido detectada nenhuma estrela companheira na posição da estrela magnética de Westerlund 1. Por isso, os astrónomos utilizaram o VLT para a procurarem noutras regiões deste enxame. Fizeram uma busca de estrelas fugidias - objectos que escapam do enxame com velocidades muito elevadas - que poderiam ter sido ejectadas para fora da sua órbita pela explosão da supernova que deu origem à estrela magnética.
Uma estrela, chamada Westerlund 1-5, parece corresponder aos critérios de busca dos astrónomos. “Esta estrela não só possui um movimento consistente com o facto de ter recebido um “pontapé” da supernova mas é também demasiado brilhante para ter nascido como estrela isolada. Mais ainda, possui uma composição rica em carbono altamente invulgar, impossível de obter numa estrela única - uma pista importante que nos mostra que se deve ter formado originalmente com uma companheira num binário de estrelas”, acrescenta Ben Ritchie (Open University), um dos autores do artigo.
Astrónomos reconstituem formação de estrela magnética
Esta descoberta permitiu aos astrónomos reconstruir a história da vida estelar que deu origem à formação da estrela magnética, em vez do esperado buraco negro.
Na primeira fase deste processo, a estrela de maior massa do par começa a ficar sem combustível, transferindo as suas camadas mais exteriores para a companheira de menor massa - que está destinada a tornar-se uma estrela magnética - e fazendo com que esta rode cada vez mais depressa. Esta rotação rápida parece ser o ingrediente essencial na formação do campo magnético muito intenso da estrela magnética.
Numa segunda fase, e como resultado desta transferência de matéria, a companheira fica com tanta massa que, por sua vez, descarta uma enorme quantidade desta matéria recém adquirida. A maior parte dessa massa perde-se no espaço mas uma pequena quantidade volta à estrela original que vemos ainda hoje a brilhar, a Westerlund 1-5.
“É este processo de troca de material que conferiu à Westerlund 1-5 uma assinatura química tão invulgar e permitiu que a massa da sua companheira diminuísse para níveis suficientemente baixos, dando assim origem a uma estrela magnética em vez de um buraco negro - um jogo da “batata quente” estelar com consequências cósmicas!”, conclui o membro da equipa Francisco Najarro (Centro de Astrobiologia, Espanha).
Assim, o facto de uma estrela pertencer a um sistema binário parece ser um ingrediente essencial na confecção de uma estrela magnética. A rotação rápida criada pela transferência de matéria entre as duas estrelas é necessária para dar origem ao campo magnético extremamente intenso e uma segunda fase de transferência de material faz com que a estrela destinada a tornar-se uma estrela magnética "emagreça" o suficiente para não colapsar sob a forma de buraco negro no momento da sua morte.
Uma equipa de astrónomos, usando o Very Large Telescope do ESO (VLT), descobriu pela primeira vez a estrela companheira de uma estrela magnética. Esta descoberta ajuda a explicar como é que estes objectos se formam - um debate que já dura há 35 anos - e porque é que esta estrela tão particular não colapsou para formar um buraco negro, como seria de esperar.
Quando uma estrela de massa muito elevada colapsa sob o efeito da sua própria gravidade durante a explosão de uma supernova, dá origem a uma estrela de neutrões ou a um buraco negro. As estrelas magnéticas são uma forma peculiar e muito exótica de estrela de neutrões.
Tal como todos estes objectos estranhos, as estrelas magnéticas são muito pequenas e possuem campos magnéticos extremamente potentes. As superfícies destes objectos emitem enormes quantidades de raios gama quando sofrem um ajustamento súbito chamado “tremor de estrela”, resultado das enormes forças a que as suas crostas estão sujeitas.
O enxame estelar Westerlund 1, situado a 16 mil anos-luz de distância da Terra, na constelação austral do Altar, acolhe uma das duas dúzias de estrelas magnéticas conhecidas na Via Láctea. É a chamada CXOU J16470.2-455216, que muito tem intrigado os astrónomos.
“O nosso trabalho anterior mostrou que a estrela magnética no enxame Westerlund 1 deve ter nascido de uma explosão de uma estrela moribunda com cerca de 40 vezes a massa do nosso Sol, o que em si mesmo constitui um problema, já que se pensa que estrelas com estes valores de massa colapsem para dar origem a buracos negros e não a estrelas de neutrões. Na altura não percebemos como é que este objecto poderia ter originado uma estrela magnética”, diz Simon Clark, autor principal do artigo que descreve estes resultados.
Os astrónomos propuseram uma solução para este mistério, sugerindo que a estrela magnética se teria formada a partir das interacções entre duas estrelas de elevada massa que orbitariam em torno uma da outra num sistema binário tão compacto que caberia no interior da órbita da Terra em torno do Sol.
No entanto, até agora não tinha sido detectada nenhuma estrela companheira na posição da estrela magnética de Westerlund 1. Por isso, os astrónomos utilizaram o VLT para a procurarem noutras regiões deste enxame. Fizeram uma busca de estrelas fugidias - objectos que escapam do enxame com velocidades muito elevadas - que poderiam ter sido ejectadas para fora da sua órbita pela explosão da supernova que deu origem à estrela magnética.
Uma estrela, chamada Westerlund 1-5, parece corresponder aos critérios de busca dos astrónomos. “Esta estrela não só possui um movimento consistente com o facto de ter recebido um “pontapé” da supernova mas é também demasiado brilhante para ter nascido como estrela isolada. Mais ainda, possui uma composição rica em carbono altamente invulgar, impossível de obter numa estrela única - uma pista importante que nos mostra que se deve ter formado originalmente com uma companheira num binário de estrelas”, acrescenta Ben Ritchie (Open University), um dos autores do artigo.
Astrónomos reconstituem formação de estrela magnética
Esta descoberta permitiu aos astrónomos reconstruir a história da vida estelar que deu origem à formação da estrela magnética, em vez do esperado buraco negro.
Na primeira fase deste processo, a estrela de maior massa do par começa a ficar sem combustível, transferindo as suas camadas mais exteriores para a companheira de menor massa - que está destinada a tornar-se uma estrela magnética - e fazendo com que esta rode cada vez mais depressa. Esta rotação rápida parece ser o ingrediente essencial na formação do campo magnético muito intenso da estrela magnética.
Numa segunda fase, e como resultado desta transferência de matéria, a companheira fica com tanta massa que, por sua vez, descarta uma enorme quantidade desta matéria recém adquirida. A maior parte dessa massa perde-se no espaço mas uma pequena quantidade volta à estrela original que vemos ainda hoje a brilhar, a Westerlund 1-5.
“É este processo de troca de material que conferiu à Westerlund 1-5 uma assinatura química tão invulgar e permitiu que a massa da sua companheira diminuísse para níveis suficientemente baixos, dando assim origem a uma estrela magnética em vez de um buraco negro - um jogo da “batata quente” estelar com consequências cósmicas!”, conclui o membro da equipa Francisco Najarro (Centro de Astrobiologia, Espanha).
Assim, o facto de uma estrela pertencer a um sistema binário parece ser um ingrediente essencial na confecção de uma estrela magnética. A rotação rápida criada pela transferência de matéria entre as duas estrelas é necessária para dar origem ao campo magnético extremamente intenso e uma segunda fase de transferência de material faz com que a estrela destinada a tornar-se uma estrela magnética "emagreça" o suficiente para não colapsar sob a forma de buraco negro no momento da sua morte.
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| O enxame estelar Westerlund 1 |
Fonte: ESO
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Nave Soyuz pousa no Cazaquistão com astronautas da ISS
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| Foto: Nasa |
O russo Mikhail Tiurin, o americano Rick Mastracchio e o japonês Koichi Wakata - que tinham partido da Terra a 7 de Novembro com a chama olímpica dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi - pousaram nesta quarta à hora prevista, às 1h59 GMT (+1h no Luxemburgo), nas estepes do Cazaquistão (a uma centena de kms da cidade mais próxima, Djerskazan), a bordo da nave Soyuz.
Na ISS ficaram os russos Aleksandr Skvortsov e Oleg Artemiev e o americano Steven Swanson. Em 28 de Maio deverão chegar o alemão Alexandre Gerst, o americano Reid Wiseman e o russo Max Suraïev.
Wakata foi o primeiro japonês a ser comandante da ISS, comando que passou agora a Swanson. Wakata foi também o primeiro a falar com um robot, o Kirobo, a bordo da estação.
diqué mardi le vice-Premier ministre russe Dmitri Rogozine, connu pour sa rhétorique anti-occidentale. "Après 2020, nous aimerions réorienter ces moyens financiers dans des projets spatiaux ayant plus d'avenir", a-t-il poursuivi. En raison de la crise ukrainienne, l'agence spatiale américaine avait décidé début avril de suspendre tous ses contacts avec la Russie, à l'exception de la collaboration portant sur la Station spatiale internationale. Elle avait aussi annoncé vouloir prolonger jusqu'en 2024 la durée de vie de l'ISS. Depuis l'arrêt des navettes spatiales américaines, les vaisseaux russes Soyouz sont le seul moyen d'acheminer et de rapatrier les équipages de l'ISS.
Rússia quer retirar-se da ISS em 2020
Entretanto, e em resposta às sanções norte-americanas à Rússia, no âmbito da crise russa-ucraniana, o vice-primeiro-ministro russo Dmitri Rogozine anunciou esta terça-feira a decisão de Moscovo de retirar-se da ISS em 2020, segundo a agência de imprensa russa Interfax, que a AFP cita.
A Nasa divulgou em Janeiro que pretendia prolongar a missão da estação internacional até, pelo menos, 2024, quando o fim de vida da estação orbital estava previsto [pela administração G.W. Bush em 2004] para o ano de 2016.
Rogozine, conhecido pelas suas declarações anti-ocidentais, disse que depois dessa data, Moscovo "já não vai mais precisar da ISS" e deverá "investir esse dinheiro em projectos com mais futuro".
Moscovo pretende também proibir os EUA de utilizar motores russos para os seus foguetões com fins militares.
Rogozine tinha já criticado a utilização pelos americanos das cápsulas Soyuz, e chegou mesmo a convidar Washington a enviar os seus astronautas "em trampolim" para o espaço. Mas, para já, Rogozine não pôs fim ao contrato muito lucrativo que acabou de ser assinado entre os dois países, para que os EUA pudessem continuar a utilizar as Soyuz, levando Moscovo a arrecadar 457,9 milhões de dólares.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Nasa detecta buraco quadrado no Sol
A Nasa detectou recentemente um buraco que apareceu à superfície do Sol. A imagem foi filmada entre 5 e 7 de Maio e mostra um enorme e enigmático buraco quadrado na nossa estrela.
Sem ainda saberem do que se trata, os astrónomos mostram-se tranquilos e dizem que o fenómeno não é nada de preocupante e deverá tratar-se de um "buraco coronal, uma zona onde os ventos solares muito potentes sopram para o espaço". Ou seja, segundo os cientistas não se trata na realidade de um buraco mas de "uma falha na massa coronal que cintila devido à presença de círculos de luz em que pequenas partes de campo magnético solar aparecem à superfície do Sol". Um fenómeno, portanto, natural e que não deverá afectar o nosso planeta. Pelo menos, é o que explicam os astrónomos da Nasa.
Sem ainda saberem do que se trata, os astrónomos mostram-se tranquilos e dizem que o fenómeno não é nada de preocupante e deverá tratar-se de um "buraco coronal, uma zona onde os ventos solares muito potentes sopram para o espaço". Ou seja, segundo os cientistas não se trata na realidade de um buraco mas de "uma falha na massa coronal que cintila devido à presença de círculos de luz em que pequenas partes de campo magnético solar aparecem à superfície do Sol". Um fenómeno, portanto, natural e que não deverá afectar o nosso planeta. Pelo menos, é o que explicam os astrónomos da Nasa.
domingo, 11 de maio de 2014
DD - Documentários ao Domingo : O futuro na detecção de exoplanetas
O engenheiro aeroespacial Jeremy Kasdin, da Universidade de Princeton, fala-nos sobre o que os cientistas estão a conceber para a futura detecção de exoplanetas potencialmente habitáveis.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Australianos querem destruir lixo espacial com lasers
Uma equipa de cientistas australianos encontrou a solução para o lixo espacial que existe em torno do nosso planeta, composto por mais de 23 mil detritos, desde bocados de foguetões largados das naves russas e dos Space Shuttle americanos, até antigos satélites de comunicação e militares desactivados, potencialmente perigosos para missões espaciais e astronautas a trabalhar no espaço.
Os cientistas australianos propõem desfazer o lixo espacial com raios laser para que caia na atmosfera terrestre, onde se desintegraria.
"Queremos limpar o espaço para evitar o risco crescente de colisões e prevenir os tipos de incidentes contados no filme 'Gravity'", explica o director do centro de pesquisa astronómica e astrofísica da Universidade Nacional da Austrália, Matthew Colless.
Um novo centro de pesquisa com a participação, entre outros, da Nasa, vai começar a funcionar este ano para isolar as partes menores de lixo espacial e prever a sua trajectória graças ao observatório de Mount Stromlo, em Canberra. O objetivo é desviar estes restos (satélites fora de serviço, corpos de foguetões...) de sua trajectória, atingindo-os com raios laser a partir da Terra. O que fará os detritos diminuir a sua velocidade e cair na atmosfera, onde se desentagrariam.
O responsável pelo novo centro, Ben Greene, também considerou provável "uma avalanche catastrófica de colisões (de restos), que destrua rapidamente todos os satélites".
A agência espacial americana (Nasa) e a Agência Espacial Europeia (ESA) listaram mais de 23 mil objectos de mais de 10 cm, na sua maioria, em órbitas baixas (abaixo de 2.000 km). Os restos que têm entre 1 e 10 cm são centenas de milhares.
domingo, 4 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Podemos contar quantas estrelas vemos no céu?
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Como fazer um conta-estrelas? Para saber o número aproximado de estrelas que podemos detectar a olho nu, do nosso local, não nos vamos pôr a contar, uma a uma, todas as estrelas visíveis. Isso seria tarefa de matar a paciência de qualquer pessoa. Felizmente há um caminho mais simples e rápido: basear a nossa contagem em amostras fáceis, contando o número de estrelas visíveis numa pequena extensão aparente do céu, bem delimitada.
Deste modo, haverá poucas estrelas a contar em cada caso. Fazendo a média das várias contagens, realizadas em diferentes direcções do céu nocturno, poderemos calcular facilmente o número total (aproximado) de estrelas observáveis.
Para delimitar uma pequena parcela do céu, podemos utilizar um quadrado de cartolina preta, com cerca de 24 cm X 24cm, recortando nele uma abertura circular com 72 mm de diâmetro, centrada no quadrado. A abertura desenha-se com um compasso e depois recorta-se com uma tesoura. Prende-se um cordel fino a um ponto qualquer da cartolina, de modo que, com a linha esticada e a cartolina perpendicular à nossa linha de visão, a cartolina fique a uns 57 cm do olho. Nada mais simples.
A abertura circular, vista à distância referida, delimitará uma área correspondente a cerca de 1/1000 da área total aparente do céu, ou seja, a cerca de 1/500 do céu que num dado momento se encontra acima do horizonte. A justificação é simples: como estamos à superfície da Terra, só poderemos ver (num dado momento), metade da esfera celeste.
À noite, estende-se o cordel conforme indicado e, procurando não mover a cartolina durante cada registo, contam-se as estrelas visíveis a olho nu dentro da abertura circular. Como vamos considerar uma parcela minúscula do céu, o número de estrelas observadas será pequeno e muito rápido de contar. Espere que os seus olhos se adaptem à obscuridade (cerca de 15 minutos), para ver mais estrelas.
Fazem-se pelo menos cinco contagens, em diferentes direcções variadas do céu. Depois faz-se a média dos números assim obtidos. Multiplicando essa média por 500, teremos o número aproximado de estrelas visíveis a olho nu, desse local.
A questão do local é importante porque, como se sabe, nos arredores de uma cidade não contaremos tantas estrelas como no campo. Em vez do quadrado com abertura circular, também se pode utilizar um tubo de cartolina preta, enrolada de modo a ter 57 cm de comprimento e 72 mm de diâmetro. Na extremidade do tubo oposta ao céu deverá estar o olho do observador, bem centrado.
Como exemplo, imaginemos que uma pessoa obteve os números seguintes:
1.ª contagem: 4 estrelas;
2.ª contagem: 5
3.ª contagem: 3
4.ª contagem: 6
5.ª contagem: 4
6.ª contagem: 2
A média destes números é 4,0. Portanto, o número de estrelas acima do horizonte será 500 vezes maior, ou seja, 4 X 500 = 2.000.
Isto corresponde a um local relativamente escuro. Numa aldeia remota obteremos números maiores. Junto às cidades, devido à poluição luminosa, não será surpresa que se vejam menos de 330 estrelas num dado momento.
O senso comum e a tradição popular são muito exagerados, mesmo no caso dos melhores locais de observação. Esta conclusão, embora inesperada, não faz perder a extraordinária beleza e encanto do céu nocturno.
Guilherme de Almeida
Fonte: Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
domingo, 27 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Nebulosa azul e estrela formam um diamante cósmico
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| Abell 33 é uma bonita bolha azul. Vista da Terra fica em frente à estrela HD 83535. O duo forma um diamante cósmico Foto: ESO |
A maioria das estrelas com massas da ordem da no nosso Sol terminarão as suas vidas sob a forma de anãs brancas - corpos quentes, pequenos e muito densos que vão arrefecendo lentamente ao longo de milhares de milhões de anos.
Antes desta fase final das suas vidas, as estrelas libertam para o espaço as suas atmosferas, criando nebulosas planetárias - nuvens de gás coloridas e luminosas que envolvem as pequenas relíquias estelares brilhantes.
Abell 33 é uma nebulosa planetária extraordinariamente circular, situada a cerca de 2.500 anos-luz de distância da Terra. O facto de ser perfeitamente redonda é bastante invulgar neste tipo de objectos, pois geralmente existe algo que perturba a simetria e faz com que a nebulosa planetária apresente formas irregulares.
A estrela muito brilhante situada na periferia da nebulosa dá origem a uma bonita ilusão óptica nesta imagem do VLT. O alinhamento verificado acontece por mero acaso - a estrela, chamada HD 83535, situa-se em primeiro plano, a meio caminho entre a Abell 33 e a Terra, no local exacto para tornar esta imagem ainda mais bonita. Juntas, a HD83535 e a Abell 33 formam um cintilante anel de diamantes.
O que resta da estrela progenitora de Abell 33, e que irá formar uma anã branca, pode ser vista, ligeiramente descentrada no interior da nebulosa, como uma pequeníssima pérola branca. Ainda é bastante brilhante - mais luminosa que o nosso Sol - e emite radiação ultravioleta suficiente para fazer com que a bolha de material expelido brilhe
Abell 33 é apenas um dos 86 objectos catalogados pelo astrónomo George Abell em 1966 no seu Catálogo de Nebulosas Planetárias. Abell perscrutou também os céus em busca de enxames de galáxias, tendo compilado no Catálogo de Abell mais de 4.000 enxames, tanto no hemisfério norte como no sul.
Esta imagem foi obtida a partir de dados colectados pelo instrumento FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph (FORS), montado no VLT, no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO.
Fonte: ESO
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Astrónomos conseguem nova imagem da nuvem de hidrogénio Gum 41
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| A nuvem de hidrogénio Gum 41 Foto: ESO |
Esta nova imagem obtida no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, revela uma nuvem de hidrogénio chamada Gum 41. No seio desta nebulosa pouco conhecida, estrelas luminosas, quentes e jovens, emitem radiação que faz brilhar o hidrogénio circundante num caraterístico tom escarlate.
A região do céu austral na constelação do Centauro acolhe muitas nebulosas brilhantes, cada uma associada a estrelas quentes recém nascidas que se formaram das nuvens de hidrogénio gasoso. A intensa radiação emitida pelas estrelas jovens excita o hidrogénio que resta, fazendo com que este brilhe na cor vermelha típica das regiões de formação estelar. Outro exemplo famoso do mesmo fenómeno pode ser observado na Nebulosa da Lagoa, uma enorme nuvem que brilha em semelhantes tons escarlates.
A nebulosa que vemos na imagem situa-se a cerca de 7.300 anos-luz de distância da Terra. Foi descoberta pelo astrónomo australiano Colin Gum em fotografias obtidas no Observatório de Mount Stromlo, próximo de Canberra.
Gum incluiu este objecto no seu catálogo de 84 nebulosas de emissão, publicado em 1955. Gum 41 é, na realidade, uma pequena parte de uma estrutura muito maior chamada Nebulosa Lambda Centauri, também conhecida pelo nome mais exótico de Nebulosa da Galinha Fugitiva. Gum morreu tragicamente em 1960, ainda novo, num acidente de esqui na Suíça.
Nesta imagem da Gum 41, as nuvens parecem ser muito espessas e brilhantes, no entanto não é este o caso. Se um hipotético viajante espacial passasse pelo meio desta nebulosa, muito provavelmente nem o notaria. É que, mesmo de muito perto, a nebulosa apresenta-se ténue demais para poder ser detectada com o olho humano, facto que ajuda a perceber como é que um objecto tão grande apenas foi descoberto em meados do século XX - a sua radiação expande-se de modo muito ténue e o brilho vermelho não se consegue observar adequadamente no domínio óptico.
Esta nova imagem da Gum 41 - provavelmente uma das melhores obtidas até agora - foi criada a partir de dados do instrumento Wide Field Imager (WFI), montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatório de La Silla, no Chile. Trata-se de uma combinação de imagens captadas através de três filtros de cor (azul, verde e vermelho) e de um filtro especial que capta a radiação vermelha emitida pelo hidrogénio.
Fonte: ESO
domingo, 20 de abril de 2014
DD - Documentários ao Domingo: Star Trek, entre a realidade e a ficção
No documentário de hoje, o canal História e o seu programa "Segredos do Universo" visitam o último filme "Star Trek - Into Darkness" , de JJ Abrams para estudar seriamente o que nos falta para chegar a essa realidade: construir uma nave como a USS Enterprise, viajar até às estrelas tão facilmente como o fazem em Star Trek, explorar planetas fora do nosso sistema solar, a física da velocidade warp , entre muitos outros aspectos, entre a realidade da tecnologia actual e a ficção do que mostra o filme. O realizador do filme e conceituados cientistas participaram neste documentário.
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