Um internauta conseguiu a proeza de realizar um vídeo, onde mostra uma viagem desde o extremamente pequeno - o comprimento de Planck - até ao extremamente grande - a maior estrutura conhecida no Universo, comparando-os em tamanho.
O vídeo foi publicado em 2012. Nessa altura, o maior objecto conhecido do Universo visível era o Grande Muro de Sloan, um "muro" de galáxias (descoberto em 2003) com 1,37 mil milhões de anos-luz de comprimento (comparativamente, a nossa galáxia tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro).
Em Janeiro de 2013, os astrónomos descobriram o Grande Grupo de Quasares (Large Quasar Group, Huge-LQG ou U1.27), constituído por 73 quasares, que medem 4 mil milhões de anos-luz de diâmetro.
Uma viagem vertiginosa que parte além do "inframundo" das partículas, mostra o tamanho dos maiores animais e estruturas do nosso planeta, compara a Terra com outros planetas, a nossa estrela com outras estrelas, a nossa galáxia com os enxames e grupos de galáxias.
(royalty free)
sexta-feira, 20 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Nasa lança concurso de ideias para explorar uma lua de Júpiter, Europa
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| Europa Foto: Nasa/Galileo |
A agência espacial europeia ESA vai enviar a sonda Juice nos anos 2030, mas a Nasa prevê uma missão antes disso.
A missão até já tem nome: Missão Clipper. O que falta são ideias para que a missão seja financeiramente possível. O concurso de ideias destina-se à comunidade de cientistas e de engenheiros aeroespaciais, que deverão ter em conta alguns critérios: o orçamento da missão não pode ultrapassar mil milhões de dólares, sem contar o custo do lançador, e deverá responder ao maior número de prioridades científicas (recomendadas pelo relatório 2011 sobre exploração robótica do sistema solar, elaborado pela administração norte-americana).
"Fora da Terra, [a lua] Europa é o lugar do nosso sistema solar com a maior probabilidade de encontrar vida, e deveríamos explorá-la", tinha já afirmado Robert Pappalardo, cientista responsável do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da agência espacial americana Nasa, em Fevereiro de 2013.
"Europa é coberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano (líquido sob o gelo) em contacto com rochas no fundo, é geologicamente activa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida", explicou na altura.
A missão Clipper substituiu um anterior projecto para explorar Europa considerado demasiado dispendioso. Clipper tem custos de 2 mil milhões de dólares, mas ainda assim este orçamento revelou-se demasiado alto para a Nasa, devido aos cortes orçamentais que a agência espacial americana sofreu.
A missão Clipper prevê colocar uma na órbita de Júpiter e realizar vários vôos de aproximação à lua, seguindo o exemplo da sonda Cassini, em Titan, uma lua de Saturno.
Se for aprovado, a missão "Clipper" pode ser lançada em 2021 e demoraria de três a seis anos para chegar à lua Europa.
Novo robot da Nasa em Marte em 2020
Em comparação, são necessários apenas seis meses para se chegar a Marte. Apesar dos cortes orçamentais, a Nasa vai enviar um novo robot para Marte em 2020, seguindo o exemplo do Curiosity, projecto orçado em 2,5 mil milhões de dólares. Tendo chegado ao planeta vermelho em Agosto de 2012, o Curiosity tem como objectivo determinar se Marte pode ter desenvolvido alguma forma de vida.
De acordo com os projectos actuais de exploração robótica da Nasa, os Estados Unidos não deverão voltar a enviar sondas à parte mais longínqua do sistema solar após a chegada da sonda Juno à órbita de Júpiter em 2016, programada para se despenhar no planeta um ano mais tarde.
Por outro lado, a Nasa pode participar na missão da ESA a Júpiter e às suas luas, baptizada de "Jupiter Icy Moon Explorer" (JUICE), com previsão de chegada para 2030.
Enceladus pode também abrigar vida
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| Enceladus Foto: Nasa/Cassini |
"Uma das perguntas fundamentais é saber se existe vida fora do sistema solar", disse ainda Pappalardo.
Enquanto Marte pode ter sido habitada há milhões de anos, Europa pode ser propícia à vida neste momento, insistiu o cientista.
"Se Europa é o melhor lugar do sistema solar para abrigar vida depois da Terra, Enceladus, uma lua de Saturno, também tem essa possibilidade", salientou, nessa mesma ocasião, Amanda Hendrix, do Instituto de ciência planetária de Tucson.
Enceladus conta com "um mar e um oceano de água líquida sob uma camada de gelo e é geologicamente activa com uma fonte de calor no pólo sul, além de um géiser que emite partículas de água", explicou Hendrix. Europa foi observada de perto pela primeira vez pelas sondas americanas Voyager em 1979 e Galileo nos anos 1990.
domingo, 15 de junho de 2014
DD - Documentários ao Domingo: A primeira viagem de uma tripulação humana pelo sistema solar (parte 1)
A BBC exibiu em 2004 o documentário ficcionado "Space Odyssey - Voyage to the Planets", muito interessante e que vale a pena ver ou rever.
O documentário ficcionado imaginava, com base em factos científicos e tecnologia actual ou por conceber a breve prazo, como será a primeira viagem de uma tripulação humana, numa nave chamada Pegasus, até aos outros planetas do sistema solar num futuro próximo, os primeiros passos da exploração do universo e a procura de vida extraterrestre.
Na série de ficção "Defying Gravity" (2009), exibida pelo canal de televisão americano ABC, uma tripulação humana faz uma viagem semelhante, mas a bordo de uma nave chamada Antares, à procura de objectos supostamente extraterrestres em diferentes planetas do nosso sistema solar. A história prometia, mas a série foi interrompida após 13 episódios.
Um documentário em duas partes (+- 100 minutos), cuja primeiro episódio apresentamos hoje.
O documentário ficcionado imaginava, com base em factos científicos e tecnologia actual ou por conceber a breve prazo, como será a primeira viagem de uma tripulação humana, numa nave chamada Pegasus, até aos outros planetas do sistema solar num futuro próximo, os primeiros passos da exploração do universo e a procura de vida extraterrestre.
Na série de ficção "Defying Gravity" (2009), exibida pelo canal de televisão americano ABC, uma tripulação humana faz uma viagem semelhante, mas a bordo de uma nave chamada Antares, à procura de objectos supostamente extraterrestres em diferentes planetas do nosso sistema solar. A história prometia, mas a série foi interrompida após 13 episódios.
Um documentário em duas partes (+- 100 minutos), cuja primeiro episódio apresentamos hoje.
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
Estudante cria animação que mostra 1774 exoplanetas, as suas órbitas e estrelas
Tom Hands, um estudante inglês da Universidade de Leicester, criou uma animação em computador que permite viajar pelos sistemas estelares que incluem os exoplanetas conhecidos até hoje.
A viagem leva-nos por 1774 exoplanetas em 1084 sistemas diferentes.
Tom Hands publicou a animação no Youtube em Abril.
Hands explica que criou a animação com base no "Open Exoplanet Catalogue" e que incluiu apenas os sistemas estelares que contam apenas uma estrela, para facilitar a animação. Assim, por exemplo, o sistema triplo de Alfa do Centauro não aparece nesta animação, apesar de ser o vizinho mais próximo do nosso sistema solar.
Cada sistema planetário está representado com a sua estrela e as órbitas dos seus planetas. Uma das curiosidades mais interessantes de ver nesta animação são as velocidades diferentes a que cada planeta orbita a sua estrela. Alguns exoplanetas demoram horas a orbitar a sua estrela, outros demoram dias, meses, anos e outros ainda levam várias centenas de anos.
Nada de novo, já que no nosso sistema solar, a Terra orbita o Sol em 365 dias, Mercúrio em 88 dias e Plutão em 248,1 anos. O interessante é comparar essas diferentes velocidades na mesma animação.
A viagem mostra os sistemas estelares com as maiores órbitas até aos sistemas com as órbitas mais pequenas.
São três minutos e uma viagem alucinante e pedagógica. Se a animação incluisse música poderia ser um pouco mais lúdica.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Em plena guerra civil, governo sírio anuncia criação de agência espacial
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| Foto: Nasa |
O governo sírio aprovou o projecto de criar esse organismo para "utilizar tecnologias espaciais em operações de exploração e de observação da Terra e para servir ao desenvolvimento".
Desde o início da guerra civil no país, em meados de Março de 2011, cerca de 150 mil pessoas morreram, de acordo com uma ONG síria. Ainda segundo a ONU, cerca da metade da população teve de abandonar as suas casas.
domingo, 8 de junho de 2014
DD - Documentários ao Domingo: Viagem a Pandora, entre a realidade e a ficção
Um documentário assaz interessante, que revisita a viagem interestelar dos humanos até à lua Pandora, que orbita um planeta gigante gasoso Polyphemus, retratada no filme "Avatar" de James Cameron. Na realidade, tanto a lua como o planeta são fictícios, mas inspiram-se num sistema estelar vizinho do nosso, o sistema estelar triplo do Centauro, composto pelas estrelas Próxima do Centauro (Alfa do Centauro C), Alfa do Centauro A e B. Estas são as três estrelas mais próximas do nosso Sol, a aproximadamente 4,5 anos-luz da Terra.
O documentário faz a parte das coisas, entre a realidade científica actual e a ficção científica.
O documentário faz a parte das coisas, entre a realidade científica actual e a ficção científica.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
A expansão do Universo resumida em seis minutos
Cientistas e astrónomos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) criaram recentemente uma simulação 3D que mostra como terá sido criado o Universo e a sua evolução cósmica. O projecto foi baptizado "Illustris".
A animação resume em seis minutos um período de cerca de 13, 5 mil milhões de anos.
O modelo de Universo evolui num cubo virtual com 350 milhões de anos-luz quadrados e retrata um período que se estende desde 600 milhões de anos depois do Big Bang (o período da reionização do universo primevo, por assim dizer) até aos dias de hoje.
A animação revela a primeira aglomeração de matéria, as primeiras nebulosas, o surgimento das primeiras estrelas e galáxias e mostra depois a evolução de 50 mil galáxias, incluindo a nossa.
O trabalho necessitou cinco anos de trabalho, três meses de compilação de dados, 8 mil processadores informáticos, o equivalente a 2 mil anos de tempo de processamento num computador clássico, e representa meio-petabyte (10 à potência 15) de informação.
O resultado final mostra um Universo onde se vê a emergência das estrelas e galáxias, mas também a influência da matéria negra na expansão do cosmos.
A animação resume em seis minutos um período de cerca de 13, 5 mil milhões de anos.
O modelo de Universo evolui num cubo virtual com 350 milhões de anos-luz quadrados e retrata um período que se estende desde 600 milhões de anos depois do Big Bang (o período da reionização do universo primevo, por assim dizer) até aos dias de hoje.
A animação revela a primeira aglomeração de matéria, as primeiras nebulosas, o surgimento das primeiras estrelas e galáxias e mostra depois a evolução de 50 mil galáxias, incluindo a nossa.
O trabalho necessitou cinco anos de trabalho, três meses de compilação de dados, 8 mil processadores informáticos, o equivalente a 2 mil anos de tempo de processamento num computador clássico, e representa meio-petabyte (10 à potência 15) de informação.
O resultado final mostra um Universo onde se vê a emergência das estrelas e galáxias, mas também a influência da matéria negra na expansão do cosmos.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Descoberta de mega-Terra Kepler-10c obriga cientistas a criar nova classe de exoplanetas
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| Imagem: NASA WebSite - Credit: Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics/David Aguilar |
Esta nova mega-Terra, denominada Kepler 10c, pesa 17 vezes mais que o nosso planeta, e foi observada pela missão Kepler da Nasa, segundo especialistas reunidos no início deste mês de Junho em Boston no encontro da Sociedade Astronómica Americana (AAS, na sigla em inglês).
O Kepler 10c tem 29 mil quilómetros de largura, o equivalente a 2,3 vezes o tamanho da Terra.
"Ficamos supreendidos quando nos apercebemos do que tínhamos descoberto", disse o astrónomo Xavier Dumusque, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Até hoje, os cientistas não pensavam que um planeta rochoso pudesse ser tão grande.
"Este é o Godzilla das Terras!", disse o investigador Dimitar Sasselov, director do programa "Origens da Vida", da Universidade de Harvard. "Mas ao contrário do monstro do filme, Kepler-10c tem implicações positivas para a vida".
A missão Kepler, da Nasa, que procura exoplanetas, só consegue rastrear os planetas e classificá-los com base no número de vezes que passa diante da sua estrela. Isto não revela muito sobre a sua composição, ou seja, se são rochosos ou gasosos.
Foi um telescópio espacial, situado nas ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, que mediu a massa do Kepler-10c.
Por ser mais denso que o esperado, este exoplaneta abre uma nova classe de exoplanetas, as mega-Terras.
Kepler-10c orbita a sua estrela em 45 dias, o que sugere que talvez seja quente demais para abrigar vida.
O planeta situa-se num sistema planetário, onde também se encontra Kepler 10b, um planeta de lava que tem uma órbita de 20 horas.
O sistema planetário Kepler-10, que se formou há 3 mil milhões de anos depois do Big Bang, tem 11 mil milhões de anos.
Isso significa que, de alguma forma, o Universo foi capaz de formar rochas sólidas, mesmo quando elementos pesados como silício e ferro eram escassos.
"Descobrir Kepler-10c significa que os planetas rochosos podiam formar-se muito antes do que pensávamos. E se é possível fabricar rochas, é possível produzir a vida", disse Sasselov.
O primeiro exoplaneta foi descoberto em 1995. Desde então foram detectados quase 1.800 novos exoplanetas (em 1.092 sistemas planetários) e outros tantos estão por confirmar.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O céu do mês de Junho
Neste mês de Junho despedimo-nos do planeta Júpiter, pois a “super-estrela” que nos acompanhou nos últimos meses, está cada vez mais próxima do Sol. No início do mês ainda se vê, mesmo ao pôr-do-Sol, mas a partir do meio do mês, já estará demasiado próximo da nossa estrela.
De madrugada, continuaremos a poder ver a “estrela da manhã”, o planeta Vénus, que nasce por volta das 4h30. Este está visível durante cerca de hora e meia, já que o Sol nasce por volta das 6h da manhã.
Quanto à Lua, está em quarto crescente a 5 de Junho, e a apenas 2 graus do planeta Marte, no dia 8. Marte distingue-se de uma estrela vulgar pela sua tonalidade alaranjada. Dois dias depois, a Lua passa a apenas 2 graus de Saturno, no dia 13 o nosso satélite atinge a fase de Lua Cheia e no dia 19, o quarto minguante.
O dia 21 é dia de Solstício de Verão, que este ano ocorre às 11h51 da manhã (+1 hora no Luxemburgo).
Esta é a altura em que o Sol atinge o ponto mais a Norte do Equador Celeste e ao meio-dia solar estará no ponto mais alto no céu de todo o ano. É por isso o dia mais longo (durará mais de 14h na Madeira e chegará às 15h no Norte de Portugal Continental) e a noite mais curta do ano.
Este Solstício marca o início do Verão no hemisfério Norte e Inverno no hemisfério Sul. Esta estação irá durar cerca de 94 dias, até ao Equinócio (que para nós será de Outono), que ocorre às 03h29 do dia 23 de Setembro de 2014.
Dia 24 a Lua passa a 4 graus de Vénus e quase a acabar o mês, no dia 27 estará em fase de Lua Nova. Boas observações. Ricardo Cardoso Reis (CAUP) Figura 1: O céu a Sul, no dia 21 de junho, com a estrela Espiga acompanhada de Marte de um lado, e Saturno do outro.
Imagem: Stellarium/Ricardo Cardoso Reis
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terça-feira, 3 de junho de 2014
Se outro planeta estivesse no lugar da Lua
Um internauta divertiu-se num exercício interessante que mostra de forma expressiva como seriam vísiveis da Terra outros planetas do sistema solar, se estivessem à mesma distância da nossa Lua.
Por ordem, vão aparecer Marte, Vénus, Neptuno, Urano, Júpiter e Saturno (Mercúrio foi deixado de lado já que é pouco maior que a Lua, explica o autor). Todos os planetas estão na escala correcta, calculada à distância em que a Lua está da Terra.
Por ordem, vão aparecer Marte, Vénus, Neptuno, Urano, Júpiter e Saturno (Mercúrio foi deixado de lado já que é pouco maior que a Lua, explica o autor). Todos os planetas estão na escala correcta, calculada à distância em que a Lua está da Terra.
domingo, 1 de junho de 2014
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Curiosity transportou bactérias terrestres para Marte
Quando os exploradores portugueses e espanhóis descobriram o continente americano, no início do século XVI, contaminaram o novo mundo com microrganismos. Sem o saber, levaram consigo vírus e bactérias que, desconhecidas dos povos nativos, causaram nestes inúmeras mortes. De regresso à Europa também trouxeram consigo microrganismos do novo mundo.
Agora novos exploradores robotizados desvendam novos horizontes em solo marciano. E, apesar de todos os cuidados em os esterilizar antes de os enviar para Marte, há indícios de que estes engenhos tecnologicamente avançados poderão ter contaminado com bactérias o planeta vermelho.
De facto, e segundo o divulgado na semana passada que passou na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, investigações recentes mostram que o robot Curiosity, que chegou a Marte em Agosto de 2012, poderá ter transportado consigo bactérias do género Bacillus.
Há evidências de que esporos destas bactérias conseguem resistir aos processos de esterilização usados nestas naves de exploração espacial. Para além disso, amostras da superfície do Curiosity recolhidas antes do seu lançamento, revelaram estarem contaminadas com 65 espécies de bactérias!
Por outro lado, experiências realizadas na Estação Espacial Internacional ISS) mostram que há bactérias (e.g., Bacillus pumilus) que conseguem sobreviver pelo menos durante 18 meses nas condições extremas de temperatura, vácuo e radiações existentes no espaço!
Isto sugere que não se deve excluir que as eventuais bactérias, ou esporos delas, que tenham seguido com o robô Curiosity na sua viagem de quase dois anos até Marte, tenham conseguido sobreviver às agruras do ambiente espacial.
Na reunião científica também foram divulgados resultados de experiências que mostram que bactérias de vários géneros (incluindo bactérias metanogénicas como as da espécie Methanothermobacter wolfeii) podem sobreviver e reproduzirem-se em condições semelhantes às que se julgam existir nas camadas mais superficiais do solo marciano.
Assim, e resumindo, podemos dizer que muito provavelmente o robot Curiosity, que hoje explora Marte, pode ter levado consigo bactérias, que estas poderão ter sobrevivido nas condições da viagem espacial e que, uma vez chegadas ao solo marciano, podem ter encontrado condições não só para a sua sobrevivência mas também à sua reprodução. Na hipótese de estes factores todos se terem verificado, podemos estar a colonizar Marte com bactérias terrestres.
Por outras palavras, a nossa tecnologia está a semear vida pelo sistema solar! Recorde-se que uma das missões científicas do robot Curiosity é a de procurar indícios de vida em Marte. Ironicamente, esta missão poderá estar votada ao fracasso. Não porque a vida não exista em Marte, mas porque nunca poderemos afirmar que uma eventual descoberta não esteja desde já contaminada pela própria vida transportada da Terra para Marte, a bordo do Curiosity e de outras missões. Este aspecto terá de ser devidamente acautelado em todas as futuras investigações e eventuais notícias relacionadas com a existência de vida em Marte.
António Piedade
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
Agora novos exploradores robotizados desvendam novos horizontes em solo marciano. E, apesar de todos os cuidados em os esterilizar antes de os enviar para Marte, há indícios de que estes engenhos tecnologicamente avançados poderão ter contaminado com bactérias o planeta vermelho.
De facto, e segundo o divulgado na semana passada que passou na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, investigações recentes mostram que o robot Curiosity, que chegou a Marte em Agosto de 2012, poderá ter transportado consigo bactérias do género Bacillus.
Há evidências de que esporos destas bactérias conseguem resistir aos processos de esterilização usados nestas naves de exploração espacial. Para além disso, amostras da superfície do Curiosity recolhidas antes do seu lançamento, revelaram estarem contaminadas com 65 espécies de bactérias!
Por outro lado, experiências realizadas na Estação Espacial Internacional ISS) mostram que há bactérias (e.g., Bacillus pumilus) que conseguem sobreviver pelo menos durante 18 meses nas condições extremas de temperatura, vácuo e radiações existentes no espaço!
Isto sugere que não se deve excluir que as eventuais bactérias, ou esporos delas, que tenham seguido com o robô Curiosity na sua viagem de quase dois anos até Marte, tenham conseguido sobreviver às agruras do ambiente espacial.
Na reunião científica também foram divulgados resultados de experiências que mostram que bactérias de vários géneros (incluindo bactérias metanogénicas como as da espécie Methanothermobacter wolfeii) podem sobreviver e reproduzirem-se em condições semelhantes às que se julgam existir nas camadas mais superficiais do solo marciano.
Assim, e resumindo, podemos dizer que muito provavelmente o robot Curiosity, que hoje explora Marte, pode ter levado consigo bactérias, que estas poderão ter sobrevivido nas condições da viagem espacial e que, uma vez chegadas ao solo marciano, podem ter encontrado condições não só para a sua sobrevivência mas também à sua reprodução. Na hipótese de estes factores todos se terem verificado, podemos estar a colonizar Marte com bactérias terrestres.
Por outras palavras, a nossa tecnologia está a semear vida pelo sistema solar! Recorde-se que uma das missões científicas do robot Curiosity é a de procurar indícios de vida em Marte. Ironicamente, esta missão poderá estar votada ao fracasso. Não porque a vida não exista em Marte, mas porque nunca poderemos afirmar que uma eventual descoberta não esteja desde já contaminada pela própria vida transportada da Terra para Marte, a bordo do Curiosity e de outras missões. Este aspecto terá de ser devidamente acautelado em todas as futuras investigações e eventuais notícias relacionadas com a existência de vida em Marte.
António Piedade
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