sábado, 7 de fevereiro de 2015

Novos telescópios "caçadores" de exoplanetas no norte do Chile


Um novo e invulgar grupo de pequenos telescópios que recentemente viram a sua primeira luz no Observatório do Paranal do ESO (Observatório Europeu do Sul), no norte do Chile.

O Next-Generation Transit Survey (NGTS) procurará exoplanetas em trânsito - planetas que passam em frente da sua estrela, dando por isso origem a uma pequena diminuição do brilho estelar, a qual pode ser detectada por instrumentos muito sensíveis.

Os telescópios focar-se-ão na descoberta de planetas do tamanho de Neptuno e mais pequenos, com diâmetros entre duas e oito vezes o da Terra. O NGTS foi concebido para operar em modo robótico e irá monitorizar de forma contínua o brilho de centenas de milhar de estrelas comparativamente brilhantes do céu austral.

As descobertas NGTS, e as subsequentes observações por outros telescópios no solo e no espaço, constituirão um importante passo em frente no estudo de atmosferas e composições de pequenos planetas como a Terra.

Fonte: ESO

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nuvem escura obscurece centenas de estrelas no campo de fundo


Nesta intrigante nova imagem do ESO parecem faltar algumas das estrelas.

No entanto, o vazio negro que vemos neste campo estelar resplandecente não é na realidade um buraco, mas sim uma região do espaço cheia de gás e poeira, uma nuvem escura chamada LDN 483 (Lynds Dark Nebula 483). Tais nuvens são o local de nascimento de futuras estrelas.

O Wide Field Imager, um instrumento montado no telescópio ESO/MPG de 2,2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, capturou esta imagem da nebulosa escura LDN 483 e do seu meio circundante.

A LDN 483 situa-se a cerca de 700 anos-luz de distância, na constelação da Serpente. A nuvem contém material poeirento em quantidade suficiente para bloquear por completo a radiação visível emitida pelas estrelas que se encontram no campo de fundo.

Nuvens moleculares particularmente densas, como é o caso da LDN 483, classificam-se como nebulosas escuras devido às suas propriedades de obscurecimento. A natureza sem estrelas da LDN 483, e de outras nuvens do mesmo estilo, poderia sugerir que estes são locais onde as estrelas não nascem nem crescem mas, de fato, passa-se exatamente o oposto: as nebulosas escuras oferecem um meio extremamente fértil a uma eventual formação estelar.

Os astrónomos que estudam a formação estelar na LDN 483 descobriram algumas das estrelas bebés mais jovens que se podem observar enterradas no interior oculto da nebulosa. Podemos pensar nestas estrelas em gestação como ainda dentro do “útero”, não tendo ainda nascido como estrelas imaturas mas já completas.

Nesta primeira fase do desenvolvimento estelar, a proto-estrela é apenas uma bola de gás e poeira que se contrai sob a força da gravidade no interior da nuvem molecular que a envolve. A proto-estrela está ainda muito fria - cerca de -250º Celsius - brilhando apenas nos comprimentos de onda longos do submilímetro.
No entanto, tanto a temperatura como a pressão começam a aumentar no núcleo da jovem estrela.

Este período mais inicial da formação estelar dura apenas alguns milhares de anos, um tempo bastante curto em termos astronômicos, tendo em conta que as estrelas vivem tipicamente durante milhões ou bilhões de anos. Nas fases seguintes, ao longo de vários milhões de anos, a protoestrela irá tornar-se cada vez mais quente e densa. A sua emissão aumentará em termos de energia, passando gradualmente da radiação fria do infravermelho longínquo, ao infravermelho próximo e finalmente à radiação visível. A anteriormente protoestrela muito tênue ter-se-á então transformado numa estrela completamente luminosa e resplandescente.

À medida que mais e mais estrelas forem emergindo das profundezas escuras da LDN 483, a nebulosa escura dispersar-se-á, perdendo a sua opacidade. As estrelas no campo de fundo que se encontram atualmente escondidas aparecerão - mas apenas após milhões de anos, e nessa altura serão ofuscadas pelas jovens estrelas brilhantes acabadas de nascer na nuvem

Fonte: ESO

sábado, 31 de janeiro de 2015

China prevê enviar sonda a Marte até 2020

Não se sabe se a nave chinesa para Marte terá o mesmo nome da sua predecessora, Yinghuo-1,
 cuja missão fracassou em 2011

A China prevê enviar até 2020 uma sonda até Marte, que transportará um veículo teleguiado, após o fracasso de uma missão anterior com destino ao planeta vermelho.

"Prevemos realizar uma missão em Marte até 2020, que incluirá a entrada em órbita de uma sonda, a aterragem em Marte e a exploração à superfície com um veículo", declarou recentemente o cientista Peng Tao ao jornal China Daily.

A agência espacial chinesa não anunciou oficialmente a nova missão, mas o desejo do país de explorar o planeta vermelho não é nenhum segredo.

A China aperfeiçoou recentemente a sua tecnologia espacial, com o envio no final de 2013 da sonda Chang'e-3 à Lua e o desembarque de um veículo teleguiado, baptizado "Coelho de Jade", uma missão que foi considerada um "grande sucesso" pelo governo chinês.

O veículo lunar enfrentou alguns problemas mecânicos que o deixaram numa espécie de estado de coma durante vários meses.

A primeira missão chinesa para Marte terminou em fracasso em 2011. O satélite Yinghuo-1 (Pirilampo) tinha sido programado para estudar a superfície e o campo magnético do planeta vermelho.

A China destina milhões de dólares à conquista do espaço, considerada um símbolo da nova potência do país sob o governo do Partido Comunista.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Os limites do Sistema Solar estão a ser redefinidos


Em Março de 2014 foi confirmada a descoberta de um novo corpo celeste, além da órbita de Sedna, que tinha sido avistado pela primeira vez dois anos antes.

O astro tem o nome provisório de 2012 VP113, supõe-se que se trate de um planeta-anão, com um periélio (ponto da órbita mais próximo do Sol) a 80 UA do Sol. Até esta descoberta, Sedna era o planetóide com o mais longíquo periélio do Sistema Solar, a 76 UA.

Esta descoberta vem redefinir as fronteiras do Sistema Solar e o número de objectos que este conta.

Mas afinal, quantos planetas e planetóides tem o Sistema Solar? 

Actualmente, 17 "mundos" fazem parte do Sistema Solar: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Ceres, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão, Haumea (2003 EL61), Makemake (2005 FY9), Eris (Xena), 2007OR, Quoar, Sedna e Orcus, não incluindo as luas que orbitam alguns deles.

Oito são planetas, há um planeta-anão (Plutão), os outros são chamados planetóides, objectos transneptunianos e são candidatos ao título de planeta-anão.

Além de Plutão e da sua lua Charon, a sonda New Horizons vai explorar em 2019 três objectos transneptunianos, entre os quais se encontram "1110113Y" e "0720090f".

Um "Júpiter escuro" na Nuvem de Oort?

As órbitas de Sedna, do planetóide 2012 VP113, bem como dos outros corpos celestes da Cintura de Kuiper são profundamente perturbadas por um corpo massivo, mas que não foi ainda avistado.

Os astrónomos pensam poder tratar-se de um planeta gigante, tipo um "Júpiter escuro", ou mesmo de uma estrela anã vermelha.

A ser uma estrela anã, conjectura-se que esta pode fazer parte de um sistema binário com o Sol, o que tornaria simplesmente a nossa estrela mais semelhante à maioria das estrelas que existem na nossa galáxia.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Qual o aspecto dos extraterrestres?

O biólogo vencedor do Prémio Pulitzer E.O.Wilson discursa sobre o eventual aspecto físico dos extraterrestres. Este é um dos assuntos que aborda no seu mais recente obra, "The Meaning of Human Existence."

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Como pensam os extraterrestres?

O físico teórico Michio Kaku (City College, Nova Iorque) fala de como podem pensar, e sobretudo como não podem pensar, os cérebros de eventuais extraterrestres. Este é um dos tópicos do seu último livro, "Future of the Mind" (2014).

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O que são as constelações?

À primeira vista, o céu nocturno parece caótico, desafiando a imaginação humana. Para impor alguma ordem no caos aparente, a humanidade imaginou as constelações, primeiro como grupos de estrelas que, vistos da Terra, se assemelhavam a figuras de heróis, animais e figuras lendárias.

Mas, ao longo dos tempos, houve evolução nestas visões do cosmos. As estrelas de cada constelação não estão geralmente relacionadas entre si. As constelações são um produto da imaginação humana e ao longo dos tempos, em sucessivas ocasiões desde a pré-história até ao século XVIII, mais constelações foram acrescentadas ou reestruturadas.

Por exemplo, a constelação do Touro (conjunto de estrelas associado a este animal), já era conhecido pelo Homem de Cro-Magnon (há cerca de 30 mil anos como refere um documento da IAU-União Astronómica Internacional.

As constelações do Escorpião e do Leão foram idealizadas por volta de 4000 anos a.C., na Mesopotâmia (actualmente, o Iraque). Houve sucessivos acréscimos de constelações na Idade Média e os Descobrimentos também revelaram novos céus e a necessidade de aí sistematizar mais constelações.

A propósito de reformulações, e porque a Igreja Católica tinha muita força no século XVII, o astrónomo e advogado alemão Julius Schiller publicou em 1627 o seu "Coellum Stellatum Christianum", onde substituiu as figuras pagãs das constelações (que ainda hoje conhecemos) por figuras cristãs

(Os leitores podem ver aqui o céu, temporariamente, cristianizado: http://www.atlascoelestis.com/epi%20schiller%20cellario.htm e também uma versão posterior, de 1661: http://www.atlascoelestis.com/5.htm). Com isto, pretendia cristianizar o céu. Assim, a Cassiopeia passou a ser Maria Madalena, as 12 constelações do Zodíaco foram substituídas pelos 12 apóstolos e até Orion (foto) passou a ser São José.
A antiga constelação do Navio (Argo Navis) foi substituída pela Arca de Noé! Os hemisférios celestes foram ocupados por figuras do Antigo (a norte) e do Novo Testamento (a sul). Obviamente a ideia não pegou entre os astrónomos e tudo ficou como antes.

Os últimos acrescentos de constelações ao céu foram pela mão do astrónomo francês Nicolas Louis de Lacaille (1713-1762), que entre 1750 e 1754 idealizou 14 novas constelações, essencialmente com nomes de instrumentos científicos e artísticos (por exemplo: Microscópio, Retículo, Telescópio, Buril, Compasso, Bússola).

A actual sistematização das constelações, definindo quais delas são internacionalmente aceites e quais os limites ou fronteiras de cada uma, foi o objecto de trabalho do astrónomo belga Eugène Delporte, que a concluiu na sua obra "La Délimitation Scientifique des Constellations" (1930). Tal obra sistematizou o céu, fixando em 88 as constelações internacionalmente aceites pela União Astronómica Internacional (IAU). Na sistematização actual, os nomes lendários mantiveram-se apenas por tradição.

2015 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Viajar mais rápido que a luz é (fisicamente) possível?

Viajar à velocidade WARP (sistema de propulsão imaginado pelos criadores da série Star Trek), ou seja, mais rápido que a velocidade da luz, será fisicamente possível?

Em 1994, o investigador mexicano Miguel Alcubierre desenvolveu as equações que podem tornar esse tipo de propulsão possível, e nesta conferencia o físico Lawrence Krauss, da Universidade do Arizona, defende o mesmo.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Observatório ibérico confirma detecção de exoplaneta controverso Kepler-91b

Representação artística da estrela gigante vermelha Kepler-91 e do planeta Kepler-91b, quando este está a atravessar o disco da estrela. (Crédito: D. Cabezas)

Uma equipa de investigadores ibéricos, da qual fazem parte os portugueses Nuno Cardoso Santos e Pedro Figueira (IA/CAUP), estima que o Kepler-91b seja o exoplaneta mais próximo de uma estrela gigante alguma vez detectado.

Ao analisar a curva de luz da estrela KIC 8219268, a equipa do satélite Kepler (NASA) usou o método dos trânsitos para detectar um objecto em órbita desta estrela, com um período de apenas 6,25 dias e a uma distância de apenas 2,32 vezes o raio da estrela.

Quase em simultâneo, uma outra equipa analisou os dados do Kepler, e propôs que este objecto estaria a emitir luz, sendo por isso uma estrela companheira. Deste modo, foi posto em causa se o objecto seria um planeta.

Pedro Figueira, investigador do IA/CAUP, diz que "este resultado ilustra o quão difícil é detectar pequenos planetas e como a comunidade está empenhada em encontrar novas maneiras, cada vez mais precisas, de o fazer."

Recorrendo ao método das velocidades radiais, com dados obtidos pelo espectrógrafo CAFE (Calar Alto Fiber-fed Echelle), no Observatório de Calar Alto (Grenada, Andaluzia), a equipa ibérica conseguiu medir a massa em 1,09 vezes a massa de Júpiter.

Com técnicas de astero-sismologia, foi ainda possível determinar que o diâmetro do objecto seria de 1,38 vezes o diâmetro de Júpiter, confirmando assim que o Kepler-91b se tratava, de facto, de um planeta.

Por orbitar tão próximo (o semi-eixo maior da órbita é de apenas 0,073 unidades astronómicas, ou seja, 5,3 vezes mais perto da estrela que Mercúrio está do Sol), a estrela KIC 8219268 chega a ocupar até 10% de todo o céu do Kepler-91b.

O Kepler-91b é ainda o primeiro exoplaneta confirmado recorrendo a dados do Observatório de Calar Alto.

Esta investigação foi publicada no último número de Julho da revista Astronomy & Astrophysics.

Ricardo Cardoso Reis
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

As estrelas quentes azuis de Messier 47

Foto:ESO

Esta imagem espectacular do enxame estelar Messier 47 foi obtida com a câmara Wide Field Imager, instalada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.

Apesar deste jovem enxame aberto ser dominado por estrelas azuis brilhantes, contém também algumas estrelas gigantes vermelhas contrastantes.

O enxame estelar Messier 47 situa-se a aproximadamente 1.600 anos-luz de distância da Terra, na constelação da Popa (a ré do navio mitológico Argo). Foi observado pela primeira vez alguns anos antes de 1664 pelo astrónomo italiano Giovanni Battista Hodierna e descoberto mais tarde de forma independente por Charles Messier que, aparentemente, não tinha conhecimento da observação feita anteriormente por Hodierna.

Embora seja brilhante e fácil de observar, o Messier 47 é um dos enxames abertos com menos população. São apenas visíveis cerca de 50 estrelas neste enxame, distribuídas numa região com uma dimensão de 12 anos-luz, isto comparado com objectos similares que podem conter milhares de estrelas.

Messier 47 nem sempre foi fácil de identificar. De facto, durante anos foi dado como desaparecido, já que Messier anotou as suas coordenadas de forma errada. O enxame foi posteriormente redescoberto, tendo-lhe sido atribuída outra designação de catálogo - NGC 2422.

A certeza do erro de Messier e a conclusão firme de que Messier 47 e NGC 2422 eram de facto o mesmo objecto apenas foi estabelecida em 1959 pelo astrónomo canadiano T. F. Morris. As cores azuis-esbranquiçadas brilhantes destas estrelas são indicativas da sua temperatura, com estrelas mais quentes apresentando a cor azul e as mais frias a vermelha. Esta relação entre cor, brilho e temperatura pode ser visualizada através da curva de Planck.

No entanto, um estudo mais detalhado das cores das estrelas usando espectroscopia dá muita informação aos astrónomos - incluindo a sua velocidade de rotação e composição química.

Vemos também na imagem algumas estrelas vermelhas brilhantes - tratam-se de estrelas gigantes vermelhas que se encontram numa fase mais avançada das suas curtas vidas do que as estrelas azuis menos massivas. Estas últimas duram portanto mais tempo.

Por mero acaso, o Messier 47 parece estar próximo no céu de outro enxame estelar contrastante - o Messier 46. O Messier 47 encontra-se relativamente perto de nós, a cerca de 1.500 anos-luz, enquanto o Messier 46 se situa a cerca de 5.500 anos-luz de distância e contém muito mais estrelas, pelo menos 500.

Apesar de conter mais estrelas, este enxame apresenta-se significativamente mais ténue devido à maior distância a que se encontra da Terra.

Messier 46 poderia ser considerado o irmão mais velho de Messier 47, com aproximadamente 300 milhões de anos comparado com os 78 milhões de anos de Messier 47. Consequentemente, muitas das estrelas mais massivas e brilhantes de Messier 46 viveram já as suas curtas vidas, não sendo visíveis, e por isso a maioria das estrelas que vivem no seio deste enxame mais velho são mais vermelhas e frias.

Esta imagem de Messier 47 foi criada no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objectos interessantes, intrigantes ou visualmente atractivos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza pouco tempo de observação, combinado com tempo de telescópio inutilizado, de modo a minimizar o impacto nas observações científicas. Todos os dados são também postos à disposição dos astrónomos através do arquivo científico do ESO.

Fonte: ESO