domingo, 8 de junho de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Viagem a Pandora, entre a realidade e a ficção

Um documentário assaz interessante, que revisita a viagem interestelar dos humanos até à lua Pandora, que orbita um planeta gigante gasoso Polyphemus, retratada no filme "Avatar" de James Cameron. Na realidade, tanto a lua como o planeta são fictícios, mas inspiram-se num sistema estelar vizinho do nosso, o sistema estelar triplo do Centauro, composto pelas estrelas Próxima do Centauro (Alfa do Centauro C), Alfa do Centauro A e B. Estas são as três estrelas mais próximas do nosso Sol, a aproximadamente 4,5 anos-luz da Terra.

O documentário faz a parte das coisas, entre a realidade científica actual e a ficção científica.

 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A expansão do Universo resumida em seis minutos

Cientistas e astrónomos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) criaram recentemente uma simulação 3D que mostra como terá sido criado o Universo e a sua evolução cósmica. O projecto foi baptizado "Illustris".

A animação resume em seis minutos um período de cerca de 13, 5 mil milhões de anos.

O modelo de Universo evolui num cubo virtual com 350 milhões de anos-luz quadrados e retrata um período que se estende desde 600 milhões de anos depois do Big Bang (o período da reionização do universo primevo, por assim dizer) até aos dias de hoje.

A animação revela a primeira aglomeração de matéria, as primeiras nebulosas, o surgimento das primeiras estrelas e galáxias e mostra depois a evolução de 50 mil galáxias, incluindo a nossa.

O trabalho necessitou cinco anos de trabalho, três meses de compilação de dados, 8 mil processadores informáticos, o equivalente a 2 mil anos de tempo de processamento num computador clássico, e representa meio-petabyte (10 à potência 15) de informação.

O resultado final mostra um Universo onde se vê a emergência das estrelas e galáxias, mas também a influência da matéria negra na expansão do cosmos.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Descoberta de mega-Terra Kepler-10c obriga cientistas a criar nova classe de exoplanetas

Imagem: NASA WebSite - Credit: Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics/David Aguilar 
Astrónomos descobriram o "Godzilla" de todos os exoplanetas, um enorme planeta rochoso, que orbita uma anã amarela a 560 anos-luz do nosso, na constelação do Dragão, e que está a obrigar os cientistas a olhar de forma diferente sobre o que pensavam saber sobre as origens do Universo.

Esta nova mega-Terra, denominada Kepler 10c, pesa 17 vezes mais que o nosso planeta, e foi observada pela missão Kepler da Nasa, segundo especialistas reunidos no início deste mês de Junho em Boston no encontro da Sociedade Astronómica Americana (AAS, na sigla em inglês).

O Kepler 10c tem 29 mil quilómetros de largura, o equivalente a 2,3 vezes o tamanho da Terra.

"Ficamos supreendidos quando nos apercebemos do que tínhamos descoberto", disse o astrónomo Xavier Dumusque, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Até hoje, os cientistas não pensavam que um planeta rochoso pudesse ser tão grande.

"Este é o Godzilla das Terras!", disse o investigador Dimitar Sasselov, director do programa "Origens da Vida", da Universidade de Harvard. "Mas ao contrário do monstro do filme, Kepler-10c tem implicações positivas para a vida".

A missão Kepler, da Nasa, que procura exoplanetas, só consegue rastrear os planetas e classificá-los com base no número de vezes que passa diante da sua estrela. Isto não revela muito sobre a sua composição, ou seja, se são rochosos ou gasosos.

Foi um telescópio espacial, situado nas ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, que mediu a massa do Kepler-10c.

Por ser mais denso que o esperado, este exoplaneta abre uma nova classe de exoplanetas, as mega-Terras.

Kepler-10c orbita a sua estrela em 45 dias, o que sugere que talvez seja quente demais para abrigar vida.

O planeta situa-se num sistema planetário, onde também se encontra Kepler 10b, um planeta de lava que tem uma órbita de 20 horas.

O sistema planetário Kepler-10, que se formou há 3 mil milhões de anos depois do Big Bang, tem 11 mil milhões de anos.

Isso significa que, de alguma forma, o Universo foi capaz de formar rochas sólidas, mesmo quando elementos pesados como silício e ferro eram escassos.

"Descobrir Kepler-10c significa que os planetas rochosos podiam formar-se muito antes do que pensávamos. E se é possível fabricar rochas, é possível produzir a vida", disse Sasselov.

O primeiro exoplaneta foi descoberto em 1995. Desde então foram detectados quase 1.800 novos exoplanetas (em 1.092 sistemas planetários) e outros tantos estão por confirmar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O céu do mês de Junho


Neste mês de Junho despedimo-nos do planeta Júpiter, pois a “super-estrela” que nos acompanhou nos últimos meses, está cada vez mais próxima do Sol. No início do mês ainda se vê, mesmo ao pôr-do-Sol, mas a partir do meio do mês, já estará demasiado próximo da nossa estrela.

De madrugada, continuaremos a poder ver a “estrela da manhã”, o planeta Vénus, que nasce por volta das 4h30. Este está visível durante cerca de hora e meia, já que o Sol nasce por volta das 6h da manhã.

Quanto à Lua, está em quarto crescente a 5 de Junho, e a apenas 2 graus do planeta Marte, no dia 8. Marte distingue-se de uma estrela vulgar pela sua tonalidade alaranjada. Dois dias depois, a Lua passa a apenas 2 graus de Saturno, no dia 13 o nosso satélite atinge a fase de Lua Cheia e no dia 19, o quarto minguante.

O dia 21 é dia de Solstício de Verão, que este ano ocorre às 11h51 da manhã (+1 hora no Luxemburgo).

Esta é a altura em que o Sol atinge o ponto mais a Norte do Equador Celeste e ao meio-dia solar estará no ponto mais alto no céu de todo o ano. É por isso o dia mais longo (durará mais de 14h na Madeira e chegará às 15h no Norte de Portugal Continental) e a noite mais curta do ano.

Este Solstício marca o início do Verão no hemisfério Norte e Inverno no hemisfério Sul. Esta estação irá durar cerca de 94 dias, até ao Equinócio (que para nós será de Outono), que ocorre às 03h29 do dia 23 de Setembro de 2014.

Dia 24 a Lua passa a 4 graus de Vénus e quase a acabar o mês, no dia 27 estará em fase de Lua Nova. Boas observações. Ricardo Cardoso Reis (CAUP) Figura 1: O céu a Sul, no dia 21 de junho, com a estrela Espiga acompanhada de Marte de um lado, e Saturno do outro.

Imagem: Stellarium/Ricardo Cardoso Reis
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

terça-feira, 3 de junho de 2014

Se outro planeta estivesse no lugar da Lua

Um internauta divertiu-se num exercício interessante que mostra de forma expressiva como seriam vísiveis da Terra outros planetas do sistema solar, se estivessem à mesma distância da nossa Lua.

Por ordem, vão aparecer Marte, Vénus, Neptuno, Urano, Júpiter e Saturno (Mercúrio foi deixado de lado já que é pouco maior que a Lua, explica o autor). Todos os planetas estão na escala correcta, calculada à distância em que a Lua está da Terra.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Curiosity transportou bactérias terrestres para Marte

Quando os exploradores portugueses e espanhóis descobriram o continente americano, no início do século XVI, contaminaram o novo mundo com microrganismos. Sem o saber, levaram consigo vírus e bactérias que, desconhecidas dos povos nativos, causaram nestes inúmeras mortes. De regresso à Europa também trouxeram consigo microrganismos do novo mundo.

Agora novos exploradores robotizados desvendam novos horizontes em solo marciano. E, apesar de todos os cuidados em os esterilizar antes de os enviar para Marte, há indícios de que estes engenhos tecnologicamente avançados poderão ter contaminado com bactérias o planeta vermelho.

De facto, e segundo o divulgado na semana passada que passou na reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, investigações recentes mostram que o robot Curiosity, que chegou a Marte em Agosto de 2012, poderá ter transportado consigo bactérias do género Bacillus.

Há evidências de que esporos destas bactérias conseguem resistir aos processos de esterilização usados nestas naves de exploração espacial. Para além disso, amostras da superfície do Curiosity recolhidas antes do seu lançamento, revelaram estarem contaminadas com 65 espécies de bactérias!

Por outro lado, experiências realizadas na Estação Espacial Internacional ISS) mostram que há bactérias (e.g., Bacillus pumilus) que conseguem sobreviver pelo menos durante 18 meses nas condições extremas de temperatura, vácuo e radiações existentes no espaço!

Isto sugere que não se deve excluir que as eventuais bactérias, ou esporos delas, que tenham seguido com o robô Curiosity na sua viagem de quase dois anos até Marte, tenham conseguido sobreviver às agruras do ambiente espacial.

Na reunião científica também foram divulgados resultados de experiências que mostram que bactérias de vários géneros (incluindo bactérias metanogénicas como as da espécie Methanothermobacter wolfeii) podem sobreviver e reproduzirem-se em condições semelhantes às que se julgam existir nas camadas mais superficiais do solo marciano.

Assim, e resumindo, podemos dizer que muito provavelmente o robot Curiosity, que hoje explora Marte, pode ter levado consigo bactérias, que estas poderão ter sobrevivido nas condições da viagem espacial e que, uma vez chegadas ao solo marciano, podem ter encontrado condições não só para a sua sobrevivência mas também à sua reprodução. Na hipótese de estes factores todos se terem verificado, podemos estar a colonizar Marte com bactérias terrestres.

Por outras palavras, a nossa tecnologia está a semear vida pelo sistema solar! Recorde-se que uma das missões científicas do robot Curiosity é a de procurar indícios de vida em Marte. Ironicamente, esta missão poderá estar votada ao fracasso. Não porque a vida não exista em Marte, mas porque nunca poderemos afirmar que uma eventual descoberta não esteja desde já contaminada pela própria vida transportada da Terra para Marte, a bordo do Curiosity e de outras missões. Este aspecto terá de ser devidamente acautelado em todas as futuras investigações e eventuais notícias relacionadas com a existência de vida em Marte.

António Piedade 
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva

terça-feira, 27 de maio de 2014

Realidade aumentada do telescópio ALMA chega aos tablets e smartphones


Graças a uma nova aplicação desenvolvida em colaboração com a empresa polaca Bridge, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) aparecerá a 3D nos tablets ou smartphones, juntamente com uma impressão de um ficheiro pdf, chamado tracker.

A aplicação pode ser usada apenas para diversão ou como ferramenta educacional para aprender mais sobre o ALMA, ao visualizar a rede de 66 antenas com um toque de ecrã. Fazendo zoom em antenas seleccionadas, são mostrados pormenores no modelo a três dimensões.

Para fazer o descarrgaento gratuito da aplicação de realidade aumentada do ALMA visite a página do Google Play ou a iTunes AppStore. O documento tracker está também disponível em formato pdf nas páginas web do ESO.

O ALMA é uma rede de 66 antenas espalhadas num raio de 16 quilómetros no planalto do Chajnantor, 5000 metros acima do nível do mar, no norte do Chile. É o mais poderoso telescópio que existe para observar o Universo frio. A rede ALMA foi inaugurada em Março de 2013. A Bridge é uma empresa de investigação no campo da concepção e tecnologia de realidade aumentada.

domingo, 25 de maio de 2014

DD - Documentários ao Domingo: Os exoplanetas semelhantes à Terra

Um documentário recente sobre os exoplanetas semelhantes à Terra, que podem até nem ser tão raros como se pensava no Universo, como sugere um novo estudo. Uma em cada cinco estrelas observadas pela missão Kepler tem planetas na sua zona habitável, onde o aparecimento de água líquida é teoricamente possível. Nesse caso, o exoplaneta mais próximo que pode abrigar vida estará apenas a 12 anos-luz da Terra...


sábado, 24 de maio de 2014

Como ver a sombra da Terra?


Qualquer objecto iluminado pelo Sol projecta uma sombra para o lado oposto. Este é um facto banal a que nem o nosso planeta escapa. Mas como é que podemos ver a sombra da Terra?

Vê-se facilmente e o espectáculo está quase sempre à sua disposição, sem sair de casa. Não acredita?

No final da tarde, quase ao cair da noite, podemos ver a sombra da Terra projectada no único alvo suficientemente grande para a conter: a própria atmosfera. Devido às muitas partículas em suspensão, a nossa atmosfera pode funcionar como um enorme ecrã.

Cerca de meia hora após o pôr-do-sol, quando o céu está limpo, basta olhar acima do ponto Este do horizonte, aproximadamente na direcção oposta àquela onde o Sol se escondeu, para ver a sombra da Terra. De manhã, cerca de meia hora antes do nascer do Sol, também a podemos ver, olhando pouco acima do horizonte Oeste.

A sombra da Terra e a cintura de Vénus 

A sombra da Terra, tal como a podemos ver, tem a forma de uma enorme banda que se estende cerca de 180º em largura, centrada no ponto anti-solar (ponto do céu oposto à posição do Sol).

Esta sombra é nitidamente mais escura do que o céu crepuscular e tem uma tonalidade azul-ardósia, de contorno esbatido. Vemos esta sombra como uma banda porque, dadas as suas dimensões e a pequena parcela do seu contorno que se pode avistar de cada local, tal contorno pouco difere de um segmento de recta.

A sombra da Terra é rodeada por um halo rosado, vulgarmente conhecido como "cintura de Vénus" ou "arco anticrepuscular", por oposição ao arco crepuscular que se desenvolve no horizonte por cima do Sol, pouco depois do seu ocaso ou pouco antes do seu nascimento.

Esta luminosidade rosada difunde-se na atmosfera e provém da luz do Sol que se põe, ou que nasce, passando sobre as camadas gasosas que se encontram muito por cima de nós.

Pouco depois do Sol se pôr, a sombra da Terra surge a este, ainda baixa, mas vai subindo lentamente à medida que o Sol desce. Vinte minutos após o ocaso, a sombra já está bem mais alta e atinge cerca de 10º de altura na direcção antisolar. O arco anticrepuscular é agora mais largo, mas mais esbatido, pois a sua coloração rosada vai-se diluindo.

A sombra da Terra pode ser vista até cerca de vinte graus de altura, meia hora após o ocaso, mas a cintura de Vénus já será muito ténue. Pela noite, na meia hora que se segue ao pôr-do-sol, assistimos pouco a pouco ao escurecimento do céu e da cintura de Vénus. O escurecimento global do céu oculta então rapidamente a sombra terrestre e a noite cai. Pela madrugada, dá-se o fenómeno inverso: a sombra terrestre desce lentamente sobre o horizonte oeste e o arco anticrepuscular adorna harmoniosamente o seu limite superior, até ao nascer do Sol.

Guilherme de Almeida
Fonte: Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


sexta-feira, 23 de maio de 2014

As supernovas varrem o espaço!

As supernovas são o espectacular final de vida das estrelas massivas. São explosões que produzem enormes quantidades de energia e podem ter um brilho tão intenso como uma inteira galáxia formada por milhares de milhões de estrelas!

Estes eventos são muito importantes porque os restos da estrela destruída são lançados para o espaço. Este material irá formar novas estrelas, planetas e luas - de facto, qualquer um de nós é formado por material de supernova!

À medida que estas nuvens com restos de material da estrela (chamados de “remanescentes de supernova”) expandem, “varrem e recolhem” todo o material que encontram.

Esta imagem do espaço revela uma remanescente de supernova com 2.200 anos que varre uma grande quantidade de material - o suficiente para fazer 45 sois! A imagem acima revela-nos a azul a remanescente de supernova e a cor de rosa a poeira cósmica. A impressionante quantidade de material que esta remanescente varreu poderá ser a primeira pista de que algo de especial aconteceu a esta estrela antes de explodir.

Outra pista prende-se com a temperatura da remanescente, que é invulgarmente elevada e continua a brilhar emitindo uma luz de elevada energia, chamada raios X. Passados 2200 anos desde a explosão da supernova, o gás e poeira “varridos” deveriam ter esfriado muito mais.

A última supernova observada na Via Láctea foi a estrela Kepler em 1604 (conhecida como SN 1604).

Texto: Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva 
Foto: Nasa

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Indústria espacial europeia assinala 50 anos em 2014

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979 Imagem: ESA
Este ano, a indústria espacial da Europa celebra 50 anos de foguetões, de ciência e de satélites. Meio século de descobertas e de peripécias.

Esta indústria está por toda a parte, na navegação ou nas telecomunicações, mas na Europa os últimos 50 anos de espaço têm sido uma montanha-russa.

Os primeiros passos da Europa no espaço aconteceram no início da década de 1960 - no calor da Guerra Fria. O mundo começou a voltar as atenções para o espaço.

O Sputnik tinha enviado o primeiro sinal e havia uma competição constante entre os Estados Unidos e a União Soviética. O historiador John Krige recorda essa época: "O mundo era um lugar extremamente frágil e perigoso. A rivalidade das super potências teve provavelmente o seu auge na década de 1960, na crise dos mísseis em Cuba, quando eu era jovem... Pensei que seria o fim do mundo e creio que muitas pessoas também pensaram."

O italiano Eduardo Amaldi e o francês Pierre Auger - dois físicos europeus entraram neste clima de tensão. Acreditavam fervorosamente que os foguetões e os satélites deviam ser utilizados a favor da ciência e não dos conflitos.

Roger-Maurice Bonnet, o antigo director científico da ESA acrescenta: "Os países que construíram a indústria espacial da Europa foram aqueles que 20 anos antes estavam em guerra, uma guerra terrível. Estes países europeus que tinham estado em guerra reuniram-se e decidiram usar uma linguagem que os afastava do conflito - a linguagem da ciência."

Sob a liderança de Amaldi e de Auger, a Europa deu dois passos gigantes, fundando duas organizações espaciais: uma para foguetões, denominada ELDO e outra para a ciência, a ESRO.

Nos primeiros anos o orçamento era limitado, com tensões entre parceiros como o Reino Unido e França. Esta obrigação de financiar a ciência dentro da nova Agência Espacial Europeia (ESA) foi vista como um golpe de mestre, já que impulsionou o sector da investigação. Mas a Europa ainda precisava do seu próprio foguetão.

"Os alemães eram contra o desenvolvimento do Ariane e os britânicos eram extremamente hostis. Foi preciso os franceses dizerem para avançar. Foi francamente graças ao Gaulismo francês e a uma suposta motivação dos Estados Unidos que os franceses seguiram em frente. Foi, sem dúvida, o maior sucesso de todos os esforços espaciais europeus", completa John Krige.

O Ariane-1 foi lançado pela primeira vez em 1979. Embora possa ter sido projectado com o sector das telecomunicações em expansão em mente, também entrou em órbita em missões científicas. Um dos primeiros destaques foi o vôo da sonda Giotto com o cometa Halley em 1986.

Uma década depois, em 1996 houve um ponto baixo na odisseia no espaço europeia. O novo Ariane 5 fez o primeiro vôo de sempre levando os preciosos satélites científicos a bordo. Quarenta segundos depois explodiu em pleno ar. Roger-Maurice Bonnet nunca vai esquecer este dia: "Estes gigantes, os gestores de projeto, grandes homens, verdadeiros chefes a chorar num pequeno hangar atrás da estação controle do foguetão... Jurei que iria relançar a missão Cluster e foi isso que fizemos."

O Cluster ainda está activo e em 2005 a ESA, em conjunto com a Nasa, fez aterrar a sonda Huygens na superfície da lua de Saturno. Foi um novo marco na ciência. Conseguir financiamento foi sempre uma luta. Em todas as negociações está presente o princípio do retorno justo da ESA: o que um país investe recebe de volta em postos de trabalho. A odisseia no espaço da Europa dura há 50 anos e continua com satélites em órbita e com sondas na vanguarda do conhecimento.

Fonte: ESA