sábado, 6 de dezembro de 2014

Primeiro voo-teste da nave Orion foi um sucesso e Nasa já pensa em Marte

A cápsula Orion foi recuperada no Pacífico pelo USS Anchorage Foto: NASA
O primeiro voo-teste da cápsula espacial norte-americana 'Orion' correu muito bem, considerou na sexta-feira a Nasa, após as 4 horas e meia de voo da nova nave da agência espacial americana, sucessora do Space Shuttle.

A Orion, lançada como previsto às 13h05 (GMT+1) de sexta-feira, desde a base aérea do Cabo Canaveral, pousou no oceano Pacífico, a cerca de mil quilómetros das costas mexicanas da península da Baja California, graças à ajuda de três enormes paraquedas. 

Esta é a primeira nave norte-americana desde a Apolo capaz de transportar astronautas além da órbita terrestre e eventualmente até Marte.

Com 8,6 toneladas e forma semelhante à da cápsula Apolo, que partiu à conquista da Lua em 1969, a 'Orion' efectuou duas órbitas à Terra, a segunda das quais a 5.800 quilómetros de altitude, ou seja, a quase 14 vezes a distância a que a Estação Espacial Internacional se encontra do solo (420 quilómetros).

A cápsula entrou na atmosfera terrestre a mais de 32 mil km/hora e 10 minutos depois pousou no oceano.

A nave foi depois recuperada pelo navio de transporte anfíbio USS Anchorage, que a transportou até ao porto de San Diego, na Califórnia.

Este voo visava analisar os sistemas da cápsula e, em particular, o escudo térmico que a protege e que deve resistir a temperaturas de 2.200 graus celsius.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

NASA: Lançamento bem sucedido para primeiro voo-teste da cápsula Orion, sucessora do Space Shuttle


A cápsula Orion, que a agência espacial americana Nasa pretende que seja a sucessora do Space Shuttle, foi hoje lançada de Cabo Canaveral, na Florida, a bordo do foguetão Delta IV, eram 13h05 (hora do Luxemburgo).

Este primeiro voo-teste significa um investimento de biliões de dólares e tem o objectivo de preparar o regresso dos Estados Unidos às viagens espaciais tripuladas e sobretudo fora da órbita terrestre.

A cápsula vai dar duas voltas à Terra e alcançará 5.800 km de altitude, isto é, 15 vezes mais distante que o ponto onde a ISS (Estação Espacial Internacional) orbita o nosso planeta.

O voo deverá durar 4h24 e regressar ainda hoje à Terra, mergulhando no oceano Pacífico.






Orion vai permitir viajar mais longe que a órbita terrestre

Inicialmente, a cápsula Orion foi concebida para levar astronautas americanos de volta à Lua, como parte do programa Constellation da Nasa, mas este começou por ser cancelado devido a razões orçamentais pelo presidente Barack Obama, em 2010.

A Nasa resgatou então o design da cápsula, na qual investiu 4,7 mil milhões de dólares entre 2005 a 2009, e desenvolveu o conceito para enviar humanos até um asteroide ou até Marte nas próximas décadas.

Se este voo-teste e outros que estão previstos forem bem sucedidos, será uma excelente notícia para a Nasa, que ficou sem recursos para enviar os seus próprios astronautas até à ISS desde que encerrou, em 2011, sua frota de Space Shuttles, agora peças de museu.

Actualmente, os astronautas americanos dependem das naves russas Soyuz para ir e voltar da ISS.

Se os testes com a cápsula Orion forem conclusivos, isso acalmará um pouco os nervos dos especialistas espaciais, depois de dois voos comerciais ter acabado em desastre: o foguetão Antares, da empresa Orbital Sciences, explodiu em Outubro, quando viajava para a ISS e, apenas dois dias depois, um piloto morreu e outro ficou bastante ferido na explosão da nave da Virgin SpaceShipTwo.

Este voo-teste da Orion "é absolutamente o mais importante que a agência espacial terá feito este ano", disse William Hill, encarregado de desenvolvimento dos sistemas de exploração da Nasa.

A Orion pode vir a ser a primeira nave americana a viajar longe no espaço sideral, desde as missões Apolo, enviadas até à Lua nos anos 1960 e 1970.

O voo-teste visa avaliar o rendimento da cápsula diante de desafios-chave como a separação por estágios do foguetão, a elevada radiação e calor abrasador aquando da reentrada (c. 2.200°C), bem como a chegada em pára-quedas nas águas do Pacífico, a sudoeste de San Diego, na Califórnia.

Críticas ao projecto Orion

Os críticos do projecto Orion, que também incluiu a construção dos foguetões mais poderosos do mundo (Space Launch System, SLS), condenam o seu custo e a falta de atenção da administração americana, já a braços com problemas financeiros, que estes consideram mais importantes quea exploração espacial.

A última estimativa da Nasa indica que o desenvolvimento da SLS/Orion vai custar entre 19 e 22 mil milhões de dólares até 2021, muito acima dos 18 mil milhões estimados em 2011.

O primeiro voo-teste do Orion com tripulantes a bordo está previsto para 2021.

Depois disto, é um mistério qual será o destino exacto da nave. As missões futuras poderiam incluir uma viagem a um asteroide ou uma visita a Marte em 2030, embora a Nasa não tenha estabelecido nem planos, nem orçamento precisos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Japão lança sonda Hayabusa-2, com missão semelhante à sonda Rosetta

Foto: Jaxa
O lançador japonês H-IIA lançou esta quarta-feira (3 de Dezembro) a sonda Hayabusa-2, que deverá "acometar" em Maio-Junho de 2018 no asteróide 1999JU3 (do tipo C, ou seja, principalmente composto por carbono, como 75% dos asteróides descobertos), um corpo com menos de 1km de diâmetro.

O lançamento estava inicialmente previsto para 30 de Novembro, mas teve de ser adiado devido ao mau tempo. Finalmente, o atraso demorou apenas quatro dias e o H-IIA descolou esta quarta-feira às 13h22 locais (5h22 no Luxemburgo), desde a base de Tanegashima, no sul do Japão.

Um dos objectivos de Hayabusa-2 é recolher poeiras do subsolo do asteróide, contem carbono e água, bem como materiais orgânicos virgens (não afectados por uma exposição milenar ao vento solar e à radiação), semelhantes aos que se pensa existiam no sistema solar primitivo e contribuiram à formação dos planetas, explicaram os cientistas da agência espacial nipónica, Jaxa.

A missão deverá desenrolar-se em várias fases.

Primeiro, em 2015, a sonda deverá completar uma órbita em torno da Terra, de modo a ganhar velocidade, sendo depois projectada em direcção do asteróide.

Hayabusa-2 deverá chegar perto do asteróide em 2018. Durante seis meses, a sonda vai observar o corpo celeste. Depois, está programada para enviar três rovers à superfície do corpo, semelhantes ao Philae, da missão Rosetta, mas mais pequenos, pesando cerca de 1,5kg cada um, equipados com câmaras e termómetros.

H2 vai também enviar o robot Mascot, desenvolvido pelas agências espaciais francesa e alemã, que se movimenta por pequenos saltos e que vai efectuar experiências científicas durante 12 horas.

Finalmente, a Jaxa prevê lançar um aparelho de 2 kg que deverá explodir na superfície do asteróide, de modo a formar um cratera. Nesse momento, Hayabusa-2 deverá colocar-se atrás do asteróide, para se proteger da explosão. Depois disso, a sonda está programada para aterrar três vezes no asteróide e recolher os materiais e poeiras do subsolo do corpo celeste.

A Hayabusa-2 é semelhante à sua predecessora Hayabusa-1, lançada em 2003 em direcção do asteróide Itokawa (ao qual chegou em 2010), mas conta com uma tecnologia mais avançada, graças às lições aprendidas com as avarias técnicas da primeira sonda.

A missão Hayabusa-2 deverá durar seis anos, estando previsto que a sonda regresse à Terra em 2020, com as amostras dos materiais recolhidos.

Fonte: Jaxa
O lançamento da sonda nipónica, acontece poucas semanas depois da histórica primeira "acometagem" do robot Philae da sonda europeia Rosetta no cometa "Chury", a mais de 500 milhões de quilómetros da Terra.

Um vídeo sobre a missão Hayabusa-2

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Missão Rosetta: Osiris revela verdadeira cor do cometa Chury

Foto: ESA

As fotografias até agora divulgadas do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko ("Chury"), onde o robot Philae da sonda Rosetta pousou no dia 12 de Novembro, eram todas a preto e branco, devido às limitações técnicas dos equipamentos em 2004, ano em que a sonda foi lançada para o espaço.

Mas, entretanto, a câmara da sonda Rosetta, a OSIRIS (Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) Narrow Angle tratou todos os espectros das imagens do cometa, revelando a cor real do corpo.

A pesquisa, conduzida pela ESA em colaboração com o Centro Aeroespacial alemão, resultou numa imagem borrada devido às fotos que foram utilizadas para a leitura das frequências das cores.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Portugal passa a integrar programa da Estação Espacial Internacional

Foto: NASA
Portugal vai integrar dois novos programas científicos de exploração espacial, incluindo o da Estação Espacial Internacional (ISS), disse hoje à Lusa o ministro da Educação e Ciência, que participou numa reunião da Agência Espacial Europeia, no Luxemburgo.

“Há muito boas novidades para Portugal, que mantém a sua colaboração na Agência Espacial Europeia (ESA) nos programas nos quais já participava e que adere agora a dois novos: o Programa da Estação Espacial Internacional e o Programa de Exploração Lunar”, associado ao primeiro, explicou à agência Lusa Nuno Crato, depois de participar hoje na reunião da ESA.

O ministro da Educação e Ciência sublinhou o país “lucra com a sua participação na ESA a vários níveis”, quer pelo envolvimento de cientistas portugueses no trabalho da agência espacial, “que lhes permite utilizar a tecnologia mais sofisticada”, quer pela possibilidade de desenvolvimento da tecnologia e das empresas portuguesas.

“Estarmos na Estação Espacial Internacional é muito importante para nós e é a primeira vez que estamos. O Programa de Exploração Lunar é um programa novo, em que vamos estar desde o princípio. E, portanto, as nossas empresas de ‘software’, de construção relacionadas com o espaço vão participar neste esforço e vão poder ter encomendas destes programas”, declarou Nuno Crato.

O ministro sublinhou ainda que o Programa de Exploração Lunar “é muito importante para a Europa, porque há uma grande competição nesse domínio”. Apesar de a participação em programas específicos implicar o pagamento de quotas adicionais, para além daquela que já é paga para pertencer à ESA, Nuno Crato garantiu que estas novas participações não aumentam o valor das contribuições pagas anualmente pelo país, uma vez que os valores pagos pela participação em programas mais antigos vão diminuindo à medida que vão sendo executados.

“A nossa colaboração global é sensivelmente a mesma”, disse, ressalvando ainda que é preciso ter em conta o retorno do investimento feito.

O ministro da Educação e Ciência referiu que, por cada milhão de euros investido por Portugal nestes programas, é esperado um retorno pelo menos de igual valor, “mas isso não está garantido”.

As empresas portuguesas competem para atingirem um valor de encomendas pelo menos igual àquele que foi investido, mas, “ao não conseguirem apresentar propostas que atinjam os níveis de exigência tecnológica necessária, não conseguem esses contratos”.

“Isso significa um desafio que é importante para toda a indústria portuguesa, porque não se trata de encomendas rotineiras, mas sim de alto valor de incorporação tecnológica, ou seja, desafios para a indústria portuguesa e que a obrigam a desenvolver-se”, disse. Ainda assim, Nuno Crato afirmou que tem sido possível atingir nos últimos anos “um retorno de 100%” e até mesmo ultrapassá-lo.

Luxemburgo: ESA dá luz verde para construir Ariane 6


Decorreu esta terça-feira, 2 de Dezembro, no Luxemburgo, uma reunião do Conselho Ministerial (C/M14) da Agência Espacial Europeia (ESA), onde foi dado "luz verde" à construção do foguetão Ariane 6, que deverá suceder ao actual Ariane 5, a partir de 2020.

Na reunião de hoje foram discutidas três resoluções:

1) a resolução sobre o acesso da Europa ao espaço, que reconhece para a Europa os valores estratégico e socioeconómico na manutenção do acesso independente, confiável e acessível ao espaço para clientes institucionais e comerciais e realça os novos princípios de governança relacionados com a exploração do próximo lançador europeu Ariane 6 e da evolução do Vega, Vega-C;

2) a resolução sobre a estratégia de exploração espacial da Europa, abordando os três objectivos da ESA (órbita baixa da Terra (LEO), Lua e Marte) e, em particular para o destino LEO, o programa da Estação Espacial Internacional (ISS);

3) e, por fim, a resolução sobre a evolução da ESA.

Ariane 5, um foguetão fiável com mais de 60 lançamentos bem sucedidos 

As actividades espaciais requerem acesso independente ao espaço. Por isso, a decisão sobre a próxima geração de lançadores da Europa tem uma importância fundamental.

O Ariane 5, que teve origem na Reunião Ministerial de 1985, é um caso notável de sucesso europeu: conta já com mais de 60 lançamentos bem sucedidos, assegurou mais de 50% do mercado de serviços de lançamento e gerou benefícios económicos diretos para a Europa superiores a 50 mil milhões de euros.

No entanto, o mercado mundial de serviços de lançamento está a mudar rapidamente, tanto na oferta e como na procura. Do lado da oferta, há agora novos prestadores não-europeus de serviços de lançamento com preços altamente competitivos, criando desafios ao modelo de negócio do Ariane 5. Do lado da procura, os satélites também estão a mudar.

O mercado comercial, que consiste principalmente em satélites de telecomunicações, favorece a introdução da propulsão elétrica, o que poderá acabar com a tendência das últimas décadas de aumento progressivo do volume dos satélites e vai exigir novas estratégias na colocação de satélites em órbita. Ao mesmo tempo, o lançamento de satélites institucionais europeus tem aumentado, em particular com a criação das constelações Galileu e Copérnico, o que gera um mercado bastante estável para lançamentos regulares de satélites de média dimensão.

Ariane 6, a partir de 2020

Em resposta a estas rápidas mudanças, o Executivo da ESA e a indústria de lançadores europeus definiram um lançador Ariane 6 modular com duas configurações para servir os segmentos de lançamento médio e pesado a partir de 2020, e um sistema de lançamento Vega atualizado (o Vega C) para servir o segmento do pequeno lançamento.

O Ariane 6 vai beneficiar da reutilização optimizada dos resultados intercalares (Midterm Evolution) do Ariane 5, de investimentos e da utilização de um motor de foguetão com propulsor sólido (P120C) comum à primeira fase do Vega C e ao propulsor do Ariane 6.

No Luxemburgo, foi pedido aos ministros que decidissem sobre o desenvolvimento do Ariane 6 e do Vega C os quais, por causa das suas características modulares e de flexibilidade, poderão satisfazer as exigências do mercado institucional europeu e competir no mercado mundial.

Estas decisões estão associadas a uma nova governança para o sector europeu de lançadores, criando responsabilidades acrescidas para a indústria e para os Estados participantes, que decidiram sobre a continuação do Ariane 6 em 2016 em função de um conjunto de critérios técnicos e financeiros, incluindo os compromissos respectivos na fase de exploração comercial.

O orçamento necessário dos Estados-Membros para a conclusão do Ariane 6 e do programa de desenvolvimento Vega C é de 3,8 mil milhões de euros.

Exploração espacial e a ISS 

Para o sucesso dos três objectivos de exploração da ESA (LEO, Lua, Marte), a Estação Espacial Internacional (ISS) é um elemento fundamental.

Além das actividades de investigação de valor inestimável que são realizadas a bordo da ISS, a Estação proporciona experiências muito ricas para a ESA e os para os seus parceiros internacionais que serão essenciais para planear as próximas etapas da exploração espacial.

As decisões dos ministros destinam-se a apoiar as actividades de exploração da ISS pela ESA para os próximos três anos (até 2017), com o custo de 820 milhões de euros, e a apoiar as actividades de investigação (Programa ELIPS), com financiamento adicional.

Para contribuir para os custos de operação comum da ISS e aproveitando a experiência adquirida com o ATV, a ESA está a desenvolver o novo veículo de tripulação multifunções (Multi-Purpose Crew Vehicle Service Module, MPCV-ESM) da NASA.

O financiamento para o desenvolvimento do MPCV-ESM está incluído nos 820 milhões de euros a serem financiados pelo C/M14.

Destino Lua

Em relação ao "destino Lua", a ESA propõe uma discussão preparatória sobre as contribuições para as missões da Rússia Luna-Resource Lander (lançamento previsto para 2019) e Lunar Polar Sample Return (com lançamento previsto no início dos anos 2020).

Programa ExoMars 

A decisão definitiva sobre estas contribuições será tomada na Reunião Ministerial de 2016. Em relação ao "destino Marte", o ambicioso programa ExoMars da ESA, envolvendo missões a Marte em 2016 e 2018, também está em cima da mesa para ser assinado, de modo a garantir a execução do programa ExoMars.

Além disso, o programa de preparação de exploração robótica de Marte (Mars Exploration Robotic Preparation Programme, MREP-2) é proposto para novas subscrições, para permitir a preparação adequada das futuras atividades de exploração, conduzindo a uma ampla participação na missão Mars Sample Return em que a Europa deve estar envolvida como um parceiro de pleno direito.

O futuro da ESA 

O terceiro tema na agenda dos ministros no Luxemburgo, a evolução da ESA, centrou-se no objectivo de criar condições para que a ESA mantenha o seu papel de líder mundial entre as instituições dedicadas ao espaço, e abordou as relações-chave da ESA com os seus parceiros e respectiva eficiência.

Os principais parceiros da ESA são: os seus Estados-Membros, a comunidade científica, a indústria, a União Europeia, outros Estados europeus não-membros e Estados não europeus.

Estas relações estão intrinsecamente interligadas e são impulsionadas pelo objectivo comum de criar um sector espacial europeu competitivo e assegurar o máximo retorno sobre o investimento público no espaço.

O Conselho Ministerial anterior, em 2012, decidiu criar um Fórum de Alto Nível que envolvesse a indústria, os Estados.Membros e o executivo da ESA. O Fórum reuniu-se duas vezes e fez uma série de recomendações ao diretor geral da ESA.

A mais importante foi a de pedir que seja dada maior responsabilidade à indústria nos programas de I&D da ESA, com maior partilha de riscos e de retornos. O Fórum também propôs que a ESA aumentasse a sua presença no desenvolvimento de serviços espaciais e se preparasse para ser um agente económico no sector espacial de envio de dados.

Desde 2012, foram tomadas medidas para fortalecer os relacionamentos da ESA com os seus Estados-Membros, procurando melhorar a coordenação e a cooperação nos programas espaciais na Europa, através da partilha de informações sobre os programas espaciais nacionais.

A relação da ESA com a UE, tanto na definição dos programas como no contexto em que o sector espacial europeu actua é de importância vital para a Europa. O C/M12 mandatou o director geral da ESA a elaborar e avaliar cenários conjuntos com a Comissão Europeia para responder a uma série de objectivos de desenvolvimento desse relacionamento.

Depois de intensas discussões entre as delegações dos Estados-Membros, os ministros foram convidados a confirmar a preferência dos Estados-Membros pela relação entre a ESA e a UE que mantém a ESA como uma organização do espaço intergovernamental independente de classe mundial e faz da ESA o parceiro de longo prazo escolhido pela UE para a definição e implementação da Política Espacial Europeia, juntamente com os respectivos Estados-Membros.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O céu de Dezembro

Marte e a Lua ao anoitecer do dia 25 de Dezembro 2014. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)

O planeta Marte continua a acompanhar-nos ao início da noite. Durante todo o mês de Dezembro, estará visível a cerca de 20 graus acima do horizonte, logo ao pôr-do-Sol, virado a sudoeste.

No dia 6, o nosso satélite chega à fase de Lua Cheia, e no dia 14, atinge o quarto minguante. Nesse dia ocorre o pico da chuva de estrelas da Geminíadas, cujo radiante (o ponto no céu de onde parecem vir os meteoros) se encontra na direção da constelação de Gémeos.

Juntamente com as Quadrântidas no início de Janeiro, estas duas chuvas de meteoros são as maiores do ano. Apesar do pico das Geminíadas deste ano estar previsto para o meio-dia, esta chuva mantém uma taxa próxima do máximo, de 120 meteoros por hora (em céus escuros), durante quase um dia.

Por isso, a madrugada e o anoitecer de dia 14 de Dezembro serão as alturas mais propícias para tentar ver Geminíadas.

No dia 19 a Lua passa a apenas 1 grau de Saturno, mas esta passagem “a rasar” ocorre quando estão os dois abaixo do horizonte. Na altura em que estarão ambos visíveis, por volta das 6 da manhã, já a Lua se afastou e estará a quase 6 graus do planeta.

Às 23h03 do dia 21 ocorre o solstício de Inverno (no hemisfério Norte), assinalando-se assim o fim do Outono. Este é o dia mais pequeno do ano, e aquele em que o Sol, ao meio-dia, atinge a altura mínima de todo o ano.

Nesse dia, o Norte de Portugal irá ver o Sol nascer às 7h56 e pôr-se às 17h09, totalizando apenas 9h13m de luz o dia.

No Algarve nasce às 7h41 e põe-se às 17h18 (9h47m de duração do dia), enquanto no Funchal, nascimento e ocaso ocorrem pelas 8h06 e 18h06 (10h de luz), respectivamente.

Em Ponta Delgada, já que os Açores têm menos uma hora que o Continente, o Sol irá nascer às 8h54 e pôr-se às 18h27 (somando 9h33m de dia).

Dia 22 a Lua atinge a fase de Lua Nova, e 3 dias depois, em pleno dia de Natal, o nosso satélite, em fino crescente, passará a menos de 5 graus de Marte. Mas ao anoitecer, quando ambos ficam visíveis, já estarão a cerca de 8 graus um do outro.

Dia 28 a Lua chega ao quarto crescente.

Ao anoitecer de 31 de Dezembro, e se tiverem visão completamente desimpedida para o horizonte virado a Sudoeste (um pouco à esquerda do pôr-do-Sol), pode ser que consigam reparar no regresso do planeta Vénus como “estrela da tarde”. Mas isto será só para os mais atentos, pois o planeta estará a menos de 10 graus acima do horizonte, e em menos de uma hora desaparecerá abaixo do horizonte.

No dia seguinte começa um novo ano, mas este não é apenas mais um, pois 2015 é o Ano Internacional da Luz.

Ricardo Cardoso Reis (IA/UPorto)
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Foto impressionante do enxame estelar NGC 3532

Esta imagem do NGC 3523 foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager, no Observatório de La Silla do ESO em fevereiro de 2013 Foto:ESO

O telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, capturou uma bonita imagem colorida do enxame estelar brilhante NGC 3532. Algumas das estrelas ainda brilham numa cor quente azulada, mas muitas das mais massivas tornaram-se já gigantes vermelhas e brilham em tons de laranja.

O NGC 3532 é um enxame aberto brilhante situado a cerca de 1300 anos-luz de distância na constelação de Carina (a Quilha do navio Argos). Este enxame é conhecido de modo informal por Enxame do Poço dos Desejos, já que faz lembrar moedas de prata espalhadas, lançadas num poço. Também é, às vezes, chamado Enxame do Futebol Americano, embora esta designação dependa do lado do Atlântico em que se vive. Este nome tem origem na sua forma oval, que faz lembrar uma bola de rugby aos cidadãos das nações que praticam este desporto.

Este enxame estelar muito brilhante pode facilmente ser visto a olho nu a partir do hemisfério sul. Foi descoberto pelo astrónomo francês Nicolas Louis de Lacaille quando observava na África do Sul em 1752 e catalogado três anos mais tarde, em 1755. Trata-se de um dos enxames abertos mais espetaculares de todo o céu.

O NGC 3532 cobre uma área no céu que é quase duas vezes o tamanho da Lua Cheia. Foi descrito como um enxame rico em binários de estrelas por John Herschel, que observou “várias estrelas duplas elegantes” neste local durante a sua estadia no sul de África na década de 1830. Adicionalmente, e muito mais relevante como história recente, o NGC 3532 foi o primeiro alvo a ser observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, a 20 de Maio de 1990.

Este grupo de estrelas tem cerca de 300 milhões de anos de idade, sendo por isso de meia-idade nos padrões de enxames estelares abertos [1]. As estrelas do enxame que iniciaram as suas vidas com massas moderadas ainda se encontram a brilhar intensamente em tons azuis-esbranquiçados, mas as estrelas mais massivas gastaram já todo o seu combustível de hidrogénio e transformaram-se em estrelas gigantes vermelhas. O resultado é que o enxame parece rico tanto em estrelas azuis como em estrelas laranjas. As estrelas mais massivas no enxame original viveram já as suas breves mas muito brilhantes vidas, tendo explodido em supernovas há muito tempo. Existem também numerosas estrelas mais ténues e portanto menos óbvias. São estrelas de massas menores que vivem vidas mais longas e brilham em tons amarelos e vermelhos.

O NGC 3532 tem cerca de 400 estrelas no total. O céu de fundo, situado numa região rica da Via Láctea, encontra-se inundado de estrelas. Vemos também algum gás vermelho brilhante e faixas subtis de poeira que bloqueiam a radiação emitida por estrelas mais distantes. Este gás e poeira não estão provavelmente ligados ao enxame propriamente dito, o qual tem idade suficiente para ter "varrido" já há muito tempo atrás qualquer material que tivesse restado no seu meio circundante.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Nelson Nunes, um dos vencedores dos Prémios Breakthrough 2015

Nelson Nunes, investigador do IA e um dos membros do Supernova Cosmology Project.
O prémio Breakthrough 2015 para a Física Fundamental foi atribuído, em partes iguais, aos investigadores do Supernova Cosmology Project, do qual fez parte Nelson Nunes do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), e do High-Z Supernova Search Team, pela descoberta da expansão acelerada do Universo. Esta descoberta já tinha distinguido em 2011 os líderes dos dois grupos com o prémio Nobel da Física.

Nelson Nunes (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) comenta: “A colaboração com o Supernova Cosmology Project resultou de uma iniciativa da Prof. Ana Mourão (IST) e do Pedro Gil Ferreira (investigador pós-doutoral na U.Califórnia – Berkeley), que fomentaram um programa de estágios entre o departamento e o Lawrence Berkeley Laboratory. Eu fui um dos selecionados, e não poderia imaginar que o trabalho teria um dia um impacto que iria abanar os alicerces da cosmologia.”

Os prémios Breakthrough são financiados por um conjunto de bilionários, dos quais se destaca o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, e pretendem distinguir descobertas nas categorias de Física Fundamental, Ciências da Vida e Matemática.

A cerimónia de entrega de prémios, apresentada por Seth MacFarlane (criador de Family Guy e produtor da série Cosmos: Odisseia no Espaço), foi transmitida a nível mundial pelo canal BBC World News no sábado (22 de novembro).

A cerimónia contou com a presença de várias celebridades, como os empresários Mark Zuckerberg, Elon Musk (CEO da Tesla Motors e da Space X) ou Dick Costolo (CEO do Twitter), e ainda de actores como Jon Hamm, Benedict Cumberbatch ou Cameron Diaz.

Já no final dos anos 90 havia indícios que o Universo tinha uma baixa abundância de matéria “normal” (como neutrões e protões) e de matéria escura, mas foram as equipas que estudaram a luminosidade de supernovas distantes que afirmaram, em 1998, que o Universo se encontra em expansão acelerada.

Acerca da expansão acelerada do Universo, Nunes acrescenta ainda que “esta provavelmente resulta da existência de uma componente de pressão negativa a que se chamou, em termos mais gerais, Energia Escura.

Esta descoberta foi posteriormente sendo confirmada por um conjunto de observações complementares, que levaram à atribuição do Gruber Cosmology Prize em 2007, e do Nobel da Física aos líderes das equipas, em 2011”.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Portugueses lideram detecção inédita na atmosfera de Vénus

Imagem artística da sonda Venus Express e o planeta Vénus Créditos ESA-Venus Express

Uma equipa internacional, liderada por investigadores portugueses do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), realizou a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir da Terra.

Esta medição foi realizada através de observações inéditas, sincronizadas entre a sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) Venus Express e o Telescópio Canadá-France-Hawaii (CFHT), no Havai. 

Uma das razões do interesse científico actual por Vénus é compreender como, tendo-se formado na proximidade da Terra e com uma composição inicial muito semelhante, este planeta evoluiu de maneira completamente diferente.

Através de observações sincronizadas a partir de uma sonda espacial e um telescópio terrestre foi possível detetar pela primeira vez o chamado vento meridional, uma componente da circulação geral da atmosfera que nunca havia sido medida a partir da Terra.

Este estudo abre as portas à monitorização autónoma da atmosfera de Vénus e do seu clima a partir da Terra, complementando as capacidades das missões espaciais.

Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) não esconde o seu entusiasmo: “estamos muito contentes com os resultados deste trabalho. Por um lado, conseguimos a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir de observações com telescópios terrestres; por outro lado, realizámos o primeiro projecto de observações sincronizadas entre uma sonda espacial (Venus Express da Agência Espacial Europeia) e um telescópio no solo (CFHT – Havai).

Nos resultados agora publicados é notória a pertinência deste género de projetos dada a sua complementaridade e ao facto de constituir uma validação cruzada das diferentes técnicas utilizadas”.
A evolução deste projecto vai contribuir de uma forma decisiva para distinguir, entre os exoplanetas que têm sido descobertos na última década em órbita de estrelas longínquas, os que poderão ser habitáveis como a Terra e quais serão inóspitos, como Vénus.

David Luz (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) realçou ainda que “a técnica de medição de ventos utilizada (velocimetria Doppler) foi desenvolvida e aperfeiçoada pelo nosso grupo podendo vir a seu utilizada no estudo das atmosferas de outros planetas do Sistema Solar e no futuro, também, no caso dos exoplanetas”.

Para realizar as medições espaciais, a sonda Venus Express foi previamente programada para recolher imagens pormenorizadas do planeta, exatamente nos mesmos dias e horas em que os astrónomos realizavam as observações na Terra, com o auxílio do telescópio CFHT, situado no cume de Mauna Kea na maior ilha do Havai (EUA).

As imagens foram depois analisadas de forma a detectar com precisão o movimento das nuvens e medir a velocidade com que se moviam.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

NASA e ESA interessadas em desenvolver projectos científicos nos Açores

Estação da ESA na ilha de Santa Maria, nos Açores Foto: LUSA
O administrador da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) Jorge Gabriel revelou hoje que a NASA e a ESA, as agências espaciais norte-americana e europeia, estão interessadas em desenvolver projectos de natureza científica nos Açores.

“Estabelecemos um conjunto de contactos com entidades internacionais, nomeadamente com a agência americana NASA e com a Agência Espacial Europeia [ESA], que têm interesse em desenvolver programas de natureza mais científica nos Açores”, revelou.

Jorge Gabriel, que falava aos jornalistas na sequência de uma audiência da administração da FLAD com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, especificou que o objectivo é aproveitar equipamentos já existentes, designadamente na ilha de Santa Maria (alguns deles já ligados à ESA), e potenciar a posição geográfica do arquipélago em projectos de observação.

O administrador da FLAD referiu, por outro lado, que em cima da mesa está também um projecto de levantamento do lixo espacial, que põe em causa as missões espaciais.

Jorge Pereira revelou que a fundação está a trabalhar em outras iniciativas na área da ciência e tecnologia que possam potenciar o desenvolvimento económico dos Açores, como o “reforço significativo” da participação da região no programa comunitário Horizonte 2020.

“Esta acção passa por uma participação mais substancial e efectiva das empresas, câmaras de comércio e câmaras municipais, ou seja, todas as actividades que têm, de alguma forma, uma actividade económica, no sentido de permitir que muitos dos conhecimentos desenvolvidos na universidade possam justamente aportar valor económico a ser utilizado pelas empresas nos seus negócios”, explicou.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

VLT revela alinhamento entre eixos de buraco negros supermassivos (quasares) e estrutura a grande escala


Novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO (VLT), no Chile, revelaram alinhamentos nas maiores estruturas descobertas no Universo até à data. Uma equipa de investigação europeia descobriu que os eixos de rotação dos buracos negros centrais supermassivos numa amostra de quasares encontram-se paralelos entre si ao longo de distâncias de milhares de milhões de anos-luz.

A equipa descobriu também que os eixos de rotação destes quasares tendem a alinhar-se com as enormes estruturas da rede cósmica onde residem. Os quasares são núcleos de galáxias onde existem buracos negros supermassivos muito ativos.

Estes buracos negros encontram-se rodeados de discos de matéria em rotação extremamente quente, que é muitas vezes ejetada na direção dos seus eixos de rotação. Os quasares podem brilhar mais intensamente que todas as estrelas da galáxia onde se encontram. Uma equipa liderada por Damien Hutsemékers da Universidade de Liège, na Bélgica, utilizou o instrumento FORS, montado no VLT, para estudar 93 quasares que se sabia formarem enormes grupos espalhados ao longo de milhares de milhões de anos-luz, e que são observados quando o Universo tinha cerca de um terço da sua idade atual.

“A primeira coisa estranha em que reparámos foi que alguns dos eixos de rotação dos quasares estavam alinhados uns com os outros - apesar destes quasares se encontrarem separados de milhares de milhões de anos-luz,” disse Hutsemékers.

A equipa foi mais longe e investigou se estes eixos de rotação estariam de algum modo ligados, não apenas entre si, mas também com a estrutura a larga escala do Universo nessa altura. Quando os astrónomos observaram a distribuição de galáxias em escalas de milhares de milhões de anos-luz, descobriram que estes objetos não se encontram uniformemente distribuídos, mas formam uma rede cósmica de filamentos e nodos em torno de enormes vazios onde as galáxias são mais escassas. Este intrigante arranjo de matéria é conhecido por estrutura a larga escala.

Os novos resultados do VLT indicam que os eixos de rotação dos quasares tendem a posicionar-se paralelamente às estruturas de larga escala, nas quais se encontram, ou seja, se os quasares se encontram num filamento comprido, os spins dos seus buracos negros centrais apontarão na direção do filamento. Os investigadores estimam que a probabilidade destes alinhamentos serem simplesmente um resultado aleatório é menor que 1%.

“A correlação entre a orientação dos quasares e a estrutura a que pertencem é uma importante previsão dos modelos numéricos de evolução do Universo. Estes dados dão-nos a primeira confirmação observacional deste efeito, em escalas muito maiores do que o que tem sido observado até à data em galáxias normais,” acrescenta Dominique Sluse do Argelander-Institut für Astronomie em Bona, Alemanha, e Universidade de Liège.

A equipa não conseguiu observar de forma direta os eixos de rotação ou os jactos dos quasares. Em vez disso, foi medida a polarização da radiação emitida por cada quasar e, para 19 deles, encontrou-se um sinal polarizado significativo. A direção desta polarização, combinada com outras informações, pôde ser utilizada para deduzir o ângulo do disco de acreção e consequentemente a direção do eixo de rotação do quasar.

“O alinhamento nos novos dados, em escalas ainda maiores do que as atuais previsões das simulações, poderá indicar que ainda falta um ingrediente nos nossos modelos do cosmos atuais,” conclui Dominique Sluse.