Um cometa do tamanho de uma pequena montanha passou bem perto
de Marte neste domingo, um encontro que acontece uma vez a cada um milhão de
anos.
O cometa, conhecido como Siding Spring (C/2013 A1), chegou ao ponto
mais próximo de Marte às 18h27 GMT (+1h no Luxemburgo) deste domingo, passando pelo planeta vermelho a uma velocidade de 203.000 km/h e a uma distância de 139.500 km de Marte, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua.
Segundo cientistas, a passagem do cometa ofereceu uma oportunidade
única de estudo do seu impacto sobre a atmosfera marciana. "É uma óptima
oportunidade", adiantou Nick Schneider, da missão da
sonda Maven em Marte.
O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório
australiano Siding Spring, em Janeiro de 2013. Acredita-se que o corpo tenha
tido a sua origem há biliões de anos, na Nuvem de Oort, uma região
que envolve o nosso sistema solar e de onde partem cometas que "permanecem inalterados
desde os primeiros dias do Sistema Solar", segundo a Nasa.
O cometa viajou mais de 1 milhão de anos para fazer esta primeira
passagem por Marte, e só regressa para uma nova visita ao planeta vermelho dentro de um milhão de anos, assim
que completar uma volta em torno do Sol.
Antes de o cometa entrar na órbita marciana, a Nasa
reposicionou as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Maven,
para evitar danos às mesmas causados pelos resíduos do Siding Spring.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Telescópio APEX investiga formação de enxame de galáxias,
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| Impressão artística de um protoenxame a formar-se no Universo primordial Fonte: ESA |
Os astrónomos utilizaram o telescópio APEX para investigar um enorme enxame de galáxias, que se está a formar no Universo primordial, e revelaram que muita da formação estelar que está a ocorrer não apenas se encontra escondida pela poeira, mas também acontece em locais inesperados.
Esta é a primeira vez que se consegue realizar um censo completo da formação estelar em tais objectos. Os enxames de galáxias são os maiores objectos do Universo unidos pela força da gravidade, no entanto a sua formação ainda não é completamente compreendida. A Galáxia da Teia de Aranha (conhecida pelo nome formal de MRC 1138-262), e seus arredores, é estudada há vinte anos, tanto com telescópios do ESO como com outros telescópios.
Pensa-se que este objecto é um dos melhores exemplos de um protoenxame no processo de se juntar, há mais de dez mil milhões de anos atrás.
No entanto, Helmut Dannerbauer (Universidade de Viena, Áustria) e a sua equipa suspeitavam que esta explicação estaria muito aquém da realidade. A equipa pretendia investigar o lado escuro da formação estelar e descobrir quanta formação estelar escondida por trás de poeira estava a ocorrer no enxame da Galáxia da Teia de Aranha.
A equipa utilizou a câmara LABOCA montada no telescópio APEX no Chile, para observar durante 40 horas este enxame nos comprimentos de onda do milímetro - comprimentos de onda que são suficientemente longos para permitir espreitar através da maioria das espessas nuvens de poeira. A LABOCA tem um campo largo, tornando-se no instrumento perfeito para este tipo de rastreio. Carlos De Breuck (Cientista de Projeto do APEX no ESO e co-autor do novo estudo) enfatiza: “Esta é uma das observações mais profundas executadas pelo APEX e que levou este telescópio aos seus limites tecnológicos, tendo levado igualmente aos limites a resistência do pessoal que trabalha no local do APEX a elevada altitude, 5050 metros acima do nível do mar.”
As observações APEX revelaram que existiam cerca de quatro vezes mais fontes na região da Teia de Aranha do que no meio circundante. Depois de comparar detalhadamente os novos dados com observações complementares obtidas a comprimentos de onda diferentes, a equipa pôde confirmar que muitas destas fontes se encontravam à mesma distância que o enxame de galáxias e por isso deviam fazer parte do enxame em formação. Helmut Dannerbauer explica: “As novas observações APEX acrescentaram a peça final que precisávamos para realizar um censo completo de todos os habitantes desta megacidade estelar. Estas galáxias estão no processo de formação e por isso, tal como um estaleiro na Terra, encontram-se muito poeirentas.”
Mas uma surpresa esperava a equipa quando foi investigado onde é que a nova formação estelar detectada estava a ocorrer. Os astrónomos esperavam encontrar estas regiões de formação estelar nos grandes filamentos que ligam as galáxias mas, em vez disso, encontraram-nas concentradas principalmente numa única região, sendo que esta região nem sequer se encontra centrada na Galáxia da Teia de Aranha, central no protoenxame.
Helmut Dannerbauer conclui:” Esperávamos encontrar formação estelar escondida no enxame da Teia de Aranha - e conseguimos - no entanto, desenterrámos ao mesmo tempo um novo mistério no processo; esta formação estelar não está a ocorrer onde esperávamos! A megacidade está a desenvolver-se de modo assimétrico.” Para que esta história se desenvolva novas observações são necessárias - e o ALMA será o instrumento perfeito para dar os próximos passos no estudo destas regiões poeirentas com muito mais pormenor.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Exército americano testa nave espacial X-37B
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| Foto: US Air Force |
Uma misteriosa nave-robot do Exército norte-americano, que deveria ter permanecido um projecto secreto, deve regressar à Terra esta semana depois de permanecer 22 meses em órbita (670 dias), informaram as autoridades nesta terça-feira (14 de Outubro), mas a missão da nave permanece envolta em sigilo.
A nave espacial não tripulada X-37B (também conhecida por OTV-2, Orbital Test Vehicle), que parece uma miniatura dos antigos Space Shuttles e provem dos estaleiros da Boeing, foi lançada em 11 de Dezembro de 2012, para uma missão que as autoridades militares americanas dizem ser altamente secreta.
"Os preparativos para a terceira aterragem da nave X-37B estão a ser ultimados na Base Vandenberg da Força Aérea" americana, na Califórnia, informou um porta-voz da instituição, capitão Chris Hoyler.
"A data e a hora exactas da aterragem dependem de considerações técnicas e climáticas", adiantou ainda Hoyler.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Enxame Messier 11, um dos mais ricos em estrelas
O instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, obteve esta bela imagem salpicada de estrelas azuis de um dos enxames abertos mais ricos em estrelas que se conhece atualmente - o Messier 11, também conhecido por NGC 6705 ou Enxame do Pato Selvagem.
O Messier 11 é um enxame aberto, ou enxame galáctico como é algumas vezes referido, situado a cerca de 6000 anos-luz de distância na constelação do Escudo. Foi inicialmente descoberto pelo astrónomo alemão Gottfried Kirch no Observatório de Berlim em 1681, que o observou através do telescópio apenas como uma mancha difusa. Só em 1733 é que esta "mancha" foi pela primeira vez resolvida em estrelas separadas pelo Reverendo William Derham em Inglaterra, tendo Charles Messier adicionado este enxame ao seu famoso catálogo em 1764.
Messier era um caçador de cometas e resolveu compilar um catálogo que o ajudasse a não confundir os cometas que pretendia descobrir e observar com outros objetos fixos e difusos (por exemplo, objetos que conhecemos hoje como sendo enxames, galáxias e nebulosas).
Com estes objectos devidamente anotados e catalogados, evitava observá-los de modo acidental, não os confundindo assim com possíveis novos cometas. Este enxame estelar foi catalogado como o décimo primeiro de tais objectos - daí o nome Messier 11 .
Os enxame abertos encontram-se tipicamente nos braços em espiral das galáxias espirais ou em regiões densas de galáxias irregulares, onde a formação estelar ainda acontece.
O Messier 11 é um dos enxames abertos mais compactos e ricos em estrelas, com uma dimensão de quase 20 anos-luz e acolhendo cerca de 3000 estrelas.
Os enxames abertos diferem dos enxames globulares, que tendem a ser muito densos, fortemente ligados pela gravidade e contêm centenas de milhares de estrelas muito velhas - algumas quase tão velhas como o próprio Universo.
Estudar os enxames abertos é uma boa maneira de testar as teorias de evolução estelar, uma vez que as estrelas aí contidas se formam a partir da mesma nuvem inicial de gás e poeira e consequentemente são muito parecidas umas com as outras - têm todas aproximadamente a mesma idade, composição química e encontram-se todas à mesma distância da Terra.
No entanto, cada estrela no enxame tem uma massa determinada, com as estrelas mais massivas a evoluírem muito mais depressa do que as de menor massa, uma vez que gastam todo o seu hidrogénio em muito menos tempo.
Deste modo, comparações dircetas entre os diferentes estádios de evolução podem ser feitas num mesmo enxame: por exemplo, será que uma estrela com 10 milhões de anos e com a mesma massa que o Sol evoluirá de maneira diferente de uma outra estrela com a mesma idade mas com metade da massa? Assim, os enxames abertos possuem o mais parecido que os astrónomos têm com “condições laboratoriais”.
Uma vez que as estrelas no seio dos enxames abertos estão pouco ligadas entre si, cada estrela é mais susceptível de ser ejetada para fora do grupo principal devido ao efeito da gravidade de objetos celestes vizinhos.
O NGC 6705 tem já pelo menos 250 milhões de anos de idade, por isso é provável que dentro de mais alguns milhões de anos esta formação de “Patos Selvagens” se disperse, separando-se o enxame e desaparecendo no meio circundante.
Esta imagem foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatório de La Silla no norte do Chile.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Enxame Messier 54 não pertence à Via Láctea
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| O enxame estelar globular Messier 54 Foto: ESA |
Esta nova imagem obtida pelo VLT Survey Telescope, no Observatório do Paranal do ESO no norte do Chile, mostra uma vasta coleção de estrelas, o enxame globular Messier 54. Este enxame parece muito semelhante a muitos outros, no entanto tem um segredo.
O Messier 54 não pertence à Via Láctea, mas sim a uma pequena galáxia satélite, a galáxia anã do Sagitário. Este facto permitiu aos astrónomos usarem o Very Large Telescope (VLT) para testarem se, tal como na Via Láctea, existem inesperados níveis baixos do elemento lítio em estrelas fora da nossa Galáxia.
Encontram-se em órbita da Via Láctea mais de 150 enxames estelares globulares, esferas de centenas de milhares de estrelas velhas, que datam da formação da galáxia. Um destes objectos, assim como vários outros na constelação do Sagitário, foi descoberto no final do século XVIII pelo caçador de cometas francês Charles Messier, que lhe deu a designação de Messier 54.
Durante mais de 200 anos depois da sua descoberta, pensou-se que o Messier 54 seria semelhante a outros enxames globulares da Via Láctea. No entanto, em 1994 descobriu-se que este objecto se encontrava efectivamente associado a uma galáxia distinta - a galáxia anã do Sagitário. Descobriu-se que o enxame se encontrava a uma distância de cerca de 90 mil anos-luz, ou seja, mais do que três vezes a distância da Terra ao centro galáctico.
Níveis de lítio em Messier 54 são os mesmos dos da Via Láctea
Os astrónomos observaram agora o Messier 54 com o VLT no intuito de tentar solucionar um dos mistérios da astronomia moderna - o problema do lítio. A maior parte do elemento químico lítio que se encontra actualmente no Universo foi produzido durante o Big Bang, assim como o hidrogénio e o hélio, se bem que em quantidades muito menores. Os astrónomos conseguem calcular de modo muito preciso quanto lítio é que se espera encontrar no Universo primordial e a partir desse valor podem calcular quanto lítio é que deve estar nas estrelas velhas.
No entanto, os números não coincidem - há cerca de três vezes menos lítio nas estrelas do que o esperado. Este é um mistério que tem perdurado, apesar de várias décadas de trabalho.
Até recentemente apenas tinha sido possível medir a quantidade de lítio existente em estrelas da Via Láctea. Mas agora, uma equipa de astrónomos liderados por Alessio Mucciarelli (Universidade de Bolonha, Itália) usaram o VLT para calcular a quantidade de lítio existente numa selecção de estrelas do Messier 54. A equipa descobriu que os níveis de lítio encontrados são próximos dos que se observam em estrelas da Via Láctea.
Por isso, qualquer que seja o fenómeno responsável pela perda de lítio, não é algo que aconteça apenas na Via Láctea. Esta nova imagem do enxame foi criada a partir de dados do VLT Survey Telescope (VST), instalado no Observatório do Paranal. Para além de mostrar o enxame propriamente dito, a imagem revela também a extraordinária “floresta densa” de estrelas pertencentes à Via Láctea que se encontram em primeiro plano.
domingo, 28 de setembro de 2014
Equipa liderada por David Vaz estuda geologia de Marte
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David Vaz, do Centro de Geofísica
da Universidade de Coimbra (UC)
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Pela primeira vez, métodos de datação morfológica de falhas utilizados na Terra foram aplicados em Marte para estimar as taxas de erosão do planeta vermelho.
O estudo, desenvolvido por uma equipa internacional coordenada pelo investigador David Vaz, do Centro de Geofísica da Universidade de Coimbra (UC), foi publicado este ano numa das mais importantes revistas das ciências planetárias - "Earth and Planetary Science Letters" (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012821X14003240).
A aplicação das mesmas técnicas utilizadas na Terra permitiu verificar que os movimentos das falhas tectónicas são muito maiores do que se pensava até agora, o que implica que a crosta marciana teve um grau de mobilidade muito maior do que era anteriormente assumido pela comunidade científica.
Os resultados indicam também que, pelo menos nos últimos 3 mil milhões de anos, as condições atmosféricas na superfície de Marte terão sido hiperáridas (com taxas de erosão mil vezes menores do que as existentes na Terra).
Os resultados do estudo, segundo David Vaz, «são relevantes para compreender a história geológica de Marte e avaliar o grau de mobilidade da crosta deste enigmático planeta. Estes resultados permitem também verificar que Marte é cada vez mais um planeta deserto e inóspito».
As técnicas foram aplicadas em duas regiões com diferentes idades, mas os investigadores pretendem estender o estudo a todo o planeta, o que permitirá datar e compreender as mudanças climáticas que ocorreram ao longo da história geológica de Marte.´
Cristina Pinto (Universidade de Coimbra)
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Primeira sonda indiana chega a Marte
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| Foto: ISRO |
A Índia conseguiu nesta quarta-feira, 24 de Setembro, fazer chegar uma sonda à órbita de Marte, um sucesso para esta primeira missão do país asiático ao planeta vermelho, anunciou o primeiro-ministro Narendra Modi, o que fez a nação ingressar na história espacial.
"A Índia conseguiu chegar a Marte. Felicitações a todos vocês, ao país inteiro. A história foi escrita hoje", disse o primeiro-ministro na sede da missão, pilotada pela Agência Espacial Indiana (ISRO), em Bangalore, no sul do país.
A sonda Mars Orbiter Mission (MOM) - também chamada de Mangalyaan pelos indianos -, lançada a 5 de Novembro de 2013, foi concebida e desenvolvida em tempo recorde e com um orçamento mínimo, menos do que um filme de Bollywood.
Desta maneira, a Índia conquistou o seu objectivo de ser o primeiro país da Ásia a chegar a Marte.
Até agora, apenas Estados Unidos, Rússia e Europa tinham conseguido alcançar tal feito.
Com um orçamento de 74 milhões de dólares, a missão indiana custou uma fracção do custo da sonda MAVEN da Nasa americana, colocada na órbita marciana com êxito, no último domingo.
"Conseguimos logo à primeira tentativa. A ISRO desenvolveu esta sonda espacial em tempo recorde de três anos, todos os indianos estão orgulhosos de vocês", disse Modi, diante dos membros da agência espacial.
O líder indiano rsalientou que o orçamento desta missão foi inferior ao custo do filme de ficção científica "Gravidade", produzido em Hollywood, e que foi estimado em 100 milhões de dólares.
A sonda indiana está equipada com sensores destinados a medir a presença de gás metano na atmosfera de Marte, o que reforçaria a hipótese da existência de uma forma de vida primitiva neste planeta.
A sonda vai dar voltas na órbita de Marte durante seis meses, a uma distância de 500 km da superfície do planeta. No entanto, o robot Curiosity, da Nasa, que chegou a Marte em 2012, não detectou a presença de metano, gás que frequentemente é sinal de actividade biológica, segundo um estudo publicado em Setembro de 2013.
Este sucesso científico da Índia vem fortalecer a reputação tecnológica e industrial do país, que produz, entre outros, o carro mais barato do mundo, e que se impõe assim como líder da inovação a baixo custo.
A missão espacial indiana foi concebida de acordo com o princípio do "Jugaad", algo tipicamente indiano, que poderia se aproximar ao "sistema D" (francês), e que consiste em encontrar a solução mais engenhosa e menos onerosa possível ao mesmo tempo. Inclusive o foguetão que propulsou a sonda Mars Orbiter, de cor dourada e do tamanho de um pequeno automóvel e que era considerado pouco potente para esta missão.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Sonda norte-americana Maven entra na órbita de Marte
A sonda espacial norte-americano Maven, encarregada de desvendar os mistérios do desaparecimento de grande parte da atmosfera de Marte num passado longínquo, realizou com sucesso, esta semana, a entrada na órbita do planeta vermelho, informou a NASA.
A Maven (sigla inglesa para Evolução Volátil e Atmosférica de Marte) entrou na órbita marciana ao fim de dez meses de viagem e depois de ter percorrido 711 milhões de quilómetros.
A nave, que vale cerca de 500 milhões de euros, deverá começar a funcionar em Novembro deste ano, alimentada com energia solar, debruçando-se, pela primeira vez na história das missões a Marte, sobre na atmosfera do planeta.
Esta notícia foi também publicada no site do jornal CONTACTO
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Da génese violenta das galáxias em disco
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| Distribuição do gás molecular em 30 galáxias em fusão Fonte: ESA |
Durante décadas os cientistas acreditaram que da fusão de galáxias resultavam geralmente galáxias elípticas. Agora, e pela primeira vez, os investigadores, com o auxílio do ALMA e um conjunto de outros rádio telescópios, descobriram provas directas de que as galáxias em fusão podem também dar origem a galáxias de disco e que este fenómeno é até bastante comum.
Este resultado surpreendente pode explicar porque é que existem tantas galáxias em espiral como a Via Láctea no Universo.
Uma equipa de investigação internacional liderada por Junko Ueda, pós-doutorando da Sociedade Japonesa para a Divulgação da Ciência, fez observações surpreendentes que mostram que a maioria das colisões galácticas no Universo próximo - entre 40 e 600 milhões de anos-luz de distância da Terra - dão origem às chamadas galáxias de disco.
As galáxias de disco - que incluem as galáxias em espiral como a Via Láctea e as galáxias lenticulares - definem-se como possuindo regiões de gás e poeira em forma de panqueca e são bastante diferentes da categoria das galáxias elípticas.
É largamente aceite, desde há algum tempo, que as galáxias de disco em fusão dão eventualmente origem a uma galáxia de forma elíptica. Durante estas interacções violentas as galáxias não ganham apenas massa quando fusionam ou se canibalizam uma à outra, mas também modificam a sua forma ao longo do tempo cósmico e por isso mudam de tipo.
Simulações de computador dos anos 1970 prediziam que a fusão entre duas galáxias de disco comparáveis entre si resultaria numa galáxia elíptica. As simulações apontam assim para que actualmente a maioria das galáxias sejam elípticas, o que contradiz as observações que mostram que mais de 70 % das galáxias são de facto galáxias de disco.
No entanto, algumas simulações mais recentes sugeriram que as colisões poderiam também dar origem a galáxias de disco. De modo a identificar de maneira observacional as formas finais das galáxias depois da fusão, o grupo de cientistas estudou a distribuição de gás em 37 galáxias que se encontram nos estádios finais de fusão.
Foi utilizado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e vários outros rádio telescópios para observar a emissão do monóxido de carbono (CO), um indicador de gás molecular.
O trabalho da equipa é o maior estudo do gás molecular em galáxias feito até à data e proporciona uma perspectiva única de como a Via Láctea se pode ter formado. O estudo revelou que quase todas as fusões mostram regiões de gás molecular em forma de panqueca e são por isso galáxias de disco em formação.
Ueda explica: “Pela primeira vez temos evidências observacionais de que a fusão de galáxias resulta em galáxias de disco e não em galáxias elípticas. Este é um grande e inesperado passo em frente na compreensão do mistério do nascimento de galáxias de disco.” Há, no entanto, ainda muito por descobrir.
Daisuke Iono, do NAOJ e da Graduate University for Advanced Studies, co-autor do artigo científico que descreve este trabalho, acrescenta: “No seguimento deste trabalho temos agora que nos focar na formação de estrelas nestas galáxias de disco, necessitando também de olhar para o Universo mais distante. Sabemos que a maioria das galáxias no Universo mais longínquo possui discos.
No entanto, não sabemos se as fusões de galáxias são também responsáveis por isso, ou se estes objetos se formaram de gás frio que vai gradualmente caindo na galáxia. Talvez tenhamos descoberto um mecanismo geral que se aplica ao longo de toda a história do Universo.”
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domingo, 21 de setembro de 2014
Primeiros resultados da sonda Rosetta excluem presença de gelo no cometa "Churi"
As primeiras imagens enviadas pela sonda espacial europeia Rosetta permitiram apurar a inexistência de gelo no cometa Churyumov-Gerasimenko (67P/C-G), segundo os primeiros resultados.
Segundo um dos cientistas da Missão Rosetta, Fabrizio Capaccioni, a temperatura detectada pelas primeiras imagens enviadas pela sonda, no início de Agosto, revelam que o cometa é "demasiado quente para ter a presença de gelo", ao contrário do que se previa, uma vez que se encontra a cerca de 555 milhões de quilómetros de distância do Sol, três vezes mais do que a Terra.
Capaccioni, da VIRTIS - Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer (espectómetro que mede a temperatura) admitiu que não é possível ainda determinar a temperatura certa de cada fragmento do cometa, mas no geral deverá rondar 70º Celsius negativos.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Como é que se medem as distâncias a que estão as estrelas e galáxias?
Aqui na Terra estamos habituados a puxar da fita métrica para
medir distâncias. Ou a medir distâncias maiores pelo número de voltas
dadas por uma roda de diâmetro já conhecido: é o caso do
conta-quilómetros dos automóveis. Para distâncias de alguns metros,
pode-se também utilizar um aparelho que mede o tempo de ida e volta de
um ultra-som, e conhecida a velocidade da onda sonora, o aparelho
indica-nos a distância respectiva. Mas para as estrelas e galáxias isso
obviamente não resulta. Como se faz então?
A paralaxe
Esta mudança aparente da posição de um objecto próximo em relação a objectos afastados, quando a posição do observador muda, chama-se paralaxe. E a distância entre os dois olhos chama-se linha de base. A paralaxe mede-se em unidades de ângulo, por exemplo em graus. Mais correctamente a medida da paralaxe é metade do desvio aparente observado. Quanto menor a paralaxe, maior a distância a que o objecto se encontra.
Com a mesma distância do dedo à sua cara, o efeito seria maior se a distância entre os seus olhos fosse maior (maior linha de base). Como as estrelas estão a diferentes distâncias de nós, será de esperar que as mais próximas apresentem paralaxe em relação às estrelas mais distantes. Mas os cerca de 6 cm entre os nossos olhos não são suficientes para detectar essa paralaxe. E as estrelas estão tão longe que as suas paralaxes são sempre muito pequenas, exigindo grande sensibilidade de medição. De facto, se a distância média da Terra ao Sol (chamada unidade astronómica) for representada à escala com um centímetro, a estrela mais próxima de nós, logo a seguir, ficaria a 2700 metros, nessa mesma escala!
Os astrónomos tiveram a ideia de observar a posição das estrelas mais próximas em relação às estrelas afastadas, na tentativa de medir paralaxes, também através de um "piscar de olhos", mas com uma linha de base muito maior. Com 6 meses de intervalo, a Terra terá dado meia volta em torno do Sol e a segunda observação será feita a 300 milhões de quilómetros da primeira (uma linha de base enorme). Mesmo assim a paralaxe da estrela mais próxima de nós (sem ser o Sol) é apenas de 0,76 segundo de arco, algo como 0,00021 de um grau! Por isso é necessário utilizar grandes telescópios. Medindo a paralaxe, determina-se a distância, pois ela é —para a mesma base— inversamente proporcional à paralaxe. Uma paralaxe de 1 segundo de arco (1") corresponde a uma distância denominada parsec, valendo 3,261 anos-luz, ou seja, 206265 unidades astronómicas.
Pelo método da paralaxe podem medir-se distâncias a estrelas até pouco mais de 1000 anos-luz. Para maiores distâncias a paralaxe torna-se quase indetectável e não oferece confiança. Há que lançar mão de outros métodos.
Brilho e distância
Imagine o Leitor que está a ver uma lâmpada muito ao longe. Podemos medir o seu brilho aparente, é claro. Mas, não sabendo a distância a que a lâmpada se encontra de nós, a medição do brilho aparente, não nos diz se a lâmpada é de 25 W, de 40 W ou de 150 W. Uma lâmpada de 25 W, a 50 metros de nós, parecerá muito mais brilhante todo que uma outra de 150 W colocada a 300 m. A comparação de brilhos só seria válida se as duas lâmpadas estivessem à mesma distância do observador.
O brilho aparente de uma lâmpada é dependente do seu brilho intrínseco (chamado brilho "absoluto") e da distância). E conhece-se bem a relação entre estas grandezas. Por isso, se conhecermos o seu brilho aparente e o "brilho absoluto" de uma lâmpada pode-se calcular a distância.
Esta ideia funciona para medir a distância a que estamos de uma estrela. Por isso, um outro método de medição de distâncias assenta no conhecimento do brilho absoluto de estrelas. O brilho aparente mede-se directamente e desses dois brilhos é relativamente fácil calcular a distância. No caso das estrelas, o brilho absoluto é entendido como o brilho aparente que apresentariam se fossem todas vistas a uma distância padrão, convencionada de 10 parsecs.
Mas como calcular o brilho absoluto de uma estrela? Um dos métodos para o fazer, de modo a tomar essa estrela como padrão, é escolher estrelas que pulsam ritmicamente, chamadas "cefeidas" (nome derivado de uma estrela representativa deste tipo, a delta do Cefeu ou delta Cefei). As cefeidas são estrelas variáveis pulsáteis, cujo brilho e diâmetro variam regularmente com um período de variação que está relacionado com o brilho máximo da estrela: as cefeidas intrinsecamente mais brilhantes (brilho medido no pico máximo) apresentam maior período de oscilação do seu brilho (pulsam mais lentamente). Pelo período de oscilação do brilho deduz-se o brilho absoluto e daí, juntamente com o brilho aparente, deduz-se a distância a que a estrela se encontra, ou até mesmo a distância a que se encontra a galáxia a que essa estrela pertence, desde que a distância seja até alguns milhões de anos-luz, para que o brilho individual da cefeida escolhida ainda seja detectável.
Outros métodos baseiam-se no tipo espectral da estrela (indicado por determinadas riscas características observadas ao decompor a sua luz) que está relacionado com o seu brilho absoluto. Mais uma vez, do brilho aparente e do brilho absoluto deduz-se a distância. No caso de galáxias muito afastadas, em que o brilho individual de estrelas não seja suficientemente perceptível, aplica-se a mesma ideia às galáxias: galáxias de tipo semelhante têm brilhos absolutos similares, e sabido o brilho aparente deduz-se a distância.
A incerteza nas distâncias astronómicas aumenta para as grandes distâncias. Para estrelas até cerca de 40 anos-luz, a incerteza com que as suas distâncias são conhecidas é da ordem de ±1%, subindo para ±8% (300 anos-luz), 25% (1200 anos-luz) e ±50% (5000 anos-luz). No caso de galáxias, cujas distâncias são quase sempre de vários milhões de anos-luz, a incerteza de tais distâncias poderá exceder ±50%.
Texto e ilustrações de Guilherme de Almeida
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
(este artigo foi igualmente publicado no site do Jornal CONTACTO)
A paralaxe
Esta mudança aparente da posição de um objecto próximo em relação a objectos afastados, quando a posição do observador muda, chama-se paralaxe. E a distância entre os dois olhos chama-se linha de base. A paralaxe mede-se em unidades de ângulo, por exemplo em graus. Mais correctamente a medida da paralaxe é metade do desvio aparente observado. Quanto menor a paralaxe, maior a distância a que o objecto se encontra.
Com a mesma distância do dedo à sua cara, o efeito seria maior se a distância entre os seus olhos fosse maior (maior linha de base). Como as estrelas estão a diferentes distâncias de nós, será de esperar que as mais próximas apresentem paralaxe em relação às estrelas mais distantes. Mas os cerca de 6 cm entre os nossos olhos não são suficientes para detectar essa paralaxe. E as estrelas estão tão longe que as suas paralaxes são sempre muito pequenas, exigindo grande sensibilidade de medição. De facto, se a distância média da Terra ao Sol (chamada unidade astronómica) for representada à escala com um centímetro, a estrela mais próxima de nós, logo a seguir, ficaria a 2700 metros, nessa mesma escala!
Os astrónomos tiveram a ideia de observar a posição das estrelas mais próximas em relação às estrelas afastadas, na tentativa de medir paralaxes, também através de um "piscar de olhos", mas com uma linha de base muito maior. Com 6 meses de intervalo, a Terra terá dado meia volta em torno do Sol e a segunda observação será feita a 300 milhões de quilómetros da primeira (uma linha de base enorme). Mesmo assim a paralaxe da estrela mais próxima de nós (sem ser o Sol) é apenas de 0,76 segundo de arco, algo como 0,00021 de um grau! Por isso é necessário utilizar grandes telescópios. Medindo a paralaxe, determina-se a distância, pois ela é —para a mesma base— inversamente proporcional à paralaxe. Uma paralaxe de 1 segundo de arco (1") corresponde a uma distância denominada parsec, valendo 3,261 anos-luz, ou seja, 206265 unidades astronómicas.
Pelo método da paralaxe podem medir-se distâncias a estrelas até pouco mais de 1000 anos-luz. Para maiores distâncias a paralaxe torna-se quase indetectável e não oferece confiança. Há que lançar mão de outros métodos.
Brilho e distância
Imagine o Leitor que está a ver uma lâmpada muito ao longe. Podemos medir o seu brilho aparente, é claro. Mas, não sabendo a distância a que a lâmpada se encontra de nós, a medição do brilho aparente, não nos diz se a lâmpada é de 25 W, de 40 W ou de 150 W. Uma lâmpada de 25 W, a 50 metros de nós, parecerá muito mais brilhante todo que uma outra de 150 W colocada a 300 m. A comparação de brilhos só seria válida se as duas lâmpadas estivessem à mesma distância do observador.
O brilho aparente de uma lâmpada é dependente do seu brilho intrínseco (chamado brilho "absoluto") e da distância). E conhece-se bem a relação entre estas grandezas. Por isso, se conhecermos o seu brilho aparente e o "brilho absoluto" de uma lâmpada pode-se calcular a distância.
Esta ideia funciona para medir a distância a que estamos de uma estrela. Por isso, um outro método de medição de distâncias assenta no conhecimento do brilho absoluto de estrelas. O brilho aparente mede-se directamente e desses dois brilhos é relativamente fácil calcular a distância. No caso das estrelas, o brilho absoluto é entendido como o brilho aparente que apresentariam se fossem todas vistas a uma distância padrão, convencionada de 10 parsecs.
Mas como calcular o brilho absoluto de uma estrela? Um dos métodos para o fazer, de modo a tomar essa estrela como padrão, é escolher estrelas que pulsam ritmicamente, chamadas "cefeidas" (nome derivado de uma estrela representativa deste tipo, a delta do Cefeu ou delta Cefei). As cefeidas são estrelas variáveis pulsáteis, cujo brilho e diâmetro variam regularmente com um período de variação que está relacionado com o brilho máximo da estrela: as cefeidas intrinsecamente mais brilhantes (brilho medido no pico máximo) apresentam maior período de oscilação do seu brilho (pulsam mais lentamente). Pelo período de oscilação do brilho deduz-se o brilho absoluto e daí, juntamente com o brilho aparente, deduz-se a distância a que a estrela se encontra, ou até mesmo a distância a que se encontra a galáxia a que essa estrela pertence, desde que a distância seja até alguns milhões de anos-luz, para que o brilho individual da cefeida escolhida ainda seja detectável.
Outros métodos baseiam-se no tipo espectral da estrela (indicado por determinadas riscas características observadas ao decompor a sua luz) que está relacionado com o seu brilho absoluto. Mais uma vez, do brilho aparente e do brilho absoluto deduz-se a distância. No caso de galáxias muito afastadas, em que o brilho individual de estrelas não seja suficientemente perceptível, aplica-se a mesma ideia às galáxias: galáxias de tipo semelhante têm brilhos absolutos similares, e sabido o brilho aparente deduz-se a distância.
A incerteza nas distâncias astronómicas aumenta para as grandes distâncias. Para estrelas até cerca de 40 anos-luz, a incerteza com que as suas distâncias são conhecidas é da ordem de ±1%, subindo para ±8% (300 anos-luz), 25% (1200 anos-luz) e ±50% (5000 anos-luz). No caso de galáxias, cujas distâncias são quase sempre de vários milhões de anos-luz, a incerteza de tais distâncias poderá exceder ±50%.
Texto e ilustrações de Guilherme de Almeida
© 2014 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
(este artigo foi igualmente publicado no site do Jornal CONTACTO)
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